sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

"Para ganhar um Ano Novo que mereça este nome"

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade

"O ano em que o Papa declarou guerra à pedofilia"

António Marujo faz, num curto vídeo do Público online, um balanço, necessariamente sumário, de alguns factos marcantes da vida da Igreja, em 2010. Aqui:

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

"O preço da felicidade"

Vítor Belanciano anota hoje, no jornal Público, o facto de, depois da Bélgica, Reino Unido e França, também a Espanha ter adoptado medidas que permitam encontrar um indicador económico alternativo ao PIB (produto interno bruto), avaliando também "a qualidade de vida e a satisfação dos cidadãos, num misto de critérios objectivos e subjectivos".
Sobre o assunto, comenta o jornalista:
Independentemente do que for, há o mérito de nos pôr a pensar sobre as nossas prioridades e sobre o que é isso de ser feliz. Será difícil existir um consenso internacional na elaboração de um indicador que substitua o PIB, mas será positivo se algumas das conclusões tiradas tiverem peso nas políticas públicas.
A verdade é que alcançamos progresso tecnológico, científico e material, aumentámos produtividade e consumo, mas isso não nos levou a ganhos claros de bem-estar subjectivo. Talvez seja hora de voltar a pensar até que ponto as nossas opções nos têm conduzido à criação de condições para uma existência mais digna e plena. Regressar à pergunta de sempre: o que significa ser feliz?

Cf. Público - O preço da felicidade- acesso condicionado a assinantes)

«Este menino está aqui para ser sinal de contradição»

Simeão tomou-o nos braços e louvou a Deus, dizendo:
«Agora, Senhor, segundo a tua palavra, deixarás ir em paz o teu servo,
porque os meus olhos viram a Salvação
que ofereceste a todos os povos,
Luz para se revelar às nações e glória de Israel, teu povo.»
Seu pai e sua mãe estavam admirados com o que se dizia dele.
Simeão abençoou os e disse a Maria, sua mãe: «Este menino está aqui para queda e ressurgimento de muitos em Israel e para ser sinal de contradição (...)»
Lc, 2, 31-34
Mais de dois mil anos depois, esse menino - Emanuel - continua, e de que maneira, a ser sinal de contradição.
(Crédito da imagem: William Blake, 1800)

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Porque não inquirir os motivos do abandono da missa dominical

Um artigo na última edição de America, revista semanal dos jesuitas norte-americanos, aborda um assunto que é sem dúvida pertinente e oportuno também entre nós: conhecer as razões pelas quais tantas pessoas que «nasceram» e foram educadas no catolicismo abandonaram a prática religiosa.
Segundo aquela publicação, em 50 anos, mais concretamente entre 1955 e 2005, a participação dos católicos na missa dominical passou, nos Estados Unidos da América, de 75% para 45% [em termos comparativos, no mesmo período, a participação dominical entre as confissões protestantes passou de 42% para 45%].  Comentando estes dados, um especialista em gestão, citado pela revista, dizia, não há muito tempo, que se uma empresa perdesse clientes ao ritmo a que a Igreja Católica tem perdido fiéis praticantes naquele país, alguém teria já feito inquéritos sobre o abandono. E é isso que o articulista defende que deveria ser feito.
Prestes a iniciar-se o ano de 2011, durante o qual a Igreja Católica em Portugal vai repetir o recenseamento da prática da missa dominical, poderia ser interessante que, em simultâneo, e recorrendo aos recursos que possui, nomeadamente na Universidade Católica, mas não só, algo do género fosse levado a cabo aqui. A queda da ida à missa dominical é provavelmente bem maior entre nós do que nos Estados Unidos. As condições e contexto cultural são diversos, mas a necessidade de se conhecer os motivos da deserção não são menores. Mudanças nos valores dominantes e nas características na vida social? Qualidade das liturgias e das homilias? Questões doutrinais? Outros motivos? Não seria importante conhecer-se as razões?
É importante saber quantos vão. Igualmente importante seria saber por que vão. Mas talvez mais instrutivo ainda seria conhecer os motivos daqueles que não vão ou que deixaram de ir.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Músicas que falam com Deus (9) - para o tempo de Natal#3 - Huron Carol

"Huron Carol" é uma conhecida canção de Natal, ainda hoje cantada em muitas igrejas cristãs do Canadá e Estados Unidos. Foi criada pelo missionário jesuíta Jean de Brebeuf, por volta de 1640, como forma de fazer entender às comunidades Huron (do lago do mesmo nome, em Ontário) a narrativa do nascimento de Jesus, em categorias que elas pudessem entender. A versão que hoje se canta foi substancialmente reformulada, substituindo as figuras e imagens da versão índia primitiva. É tida como a canção de Natal mais antiga do Canadá.

domingo, 26 de dezembro de 2010

"A Igreja sabe o que quer?"

(foto © Enric Vives-Rubio no Público)

No “Público” de hoje, um artigo para pensar a Igreja Católica em Portugal em 2011: “O próximo ano trará uma pequena revolução à Igreja em Portugal”.

António Marujo aponta o que está em questão: eleições para a Conferência Episcopal Portuguesa (presidente, mas também para outros cargos e comissões), novos bispos, em breve, nas dioceses de Coimbra, Lamego, Bragança-Miranda e Lisboa, e o resultado da reflexão sobre o documento “Repensar juntos a pastoral da Igreja em Portugal”.

Ler texto aqui.

Ler comentário de António Marujo, "
A Igreja sabe o que quer?" aqui.

Bento Domingues: Memória para o futuro incerto

sábado, 25 de dezembro de 2010

Bom Natal


As maravilhas desta clara noite excedem todas quantas viram os antigos Servos de Deus: porque, como diz um Santo, os nossos padres antigos muitas e grandes maravilhas de Deus viram. O Céu lhes orvalhou manjar de Anjos para seu mantimento. O Mar Roxo se lhes abriu em carreiras para que pudessem passar a pé enxuto. O rio Jordão se retirou para a fonte donde nascia para lhes dar livre passagem. Os muros fortíssimos da cidade de Jericó caíram subitamente a som de trombeta. O Sol se deteve no Céu por um grande espaço sem se mover, para que o povo de Deus, que pelejava contra seus inimigos, acabasse de os destruir. Estas e outras maravilhas viram: mas não lhes foi dado ver a verdadeira Luz Eterna, coberta com a nuvenzinha de carne de menino e posta em um presépio por amor de nós.

Bartolomeu dos Mártires
[Antologia de Espirituais Portugueses. Lisboa: Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 1994. Imagem: instalação de Dan Flavin]

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Um dia triste

O caso, ocorrido no final de 2009, na cidade Phoenix, nos Estados Unidos da América, é este:
uma mulher jovem, já com três filhos, está grávida do quarto, e encontra-se afectada por uma doença grave, medicamente comprovada, que com elevado grau de probabilidade, a levará à morte juntamente com o bebé. Se for feito um aborto, poder-se-á salvar a mãe.
No hospital em que a grávida se encontra internada, reúne-se o comité de ética, ouve-se a paciente, a sua família e outros prestadores de cuidados. Todos consideram que deve ser adoptada a via que preserva a vida da mãe, na impossibilidade de salvar ambas. Esse caminho é seguido, o aborto é praticado e a mulher salva-se.
O bom senso prevaleceu. Em nome do direito à vida, se não se pode salvar duas vidas, mas apenas uma, essa vida deve ser salva. Um mal menor, certamente. Mas salva-se uma vida.
Um mal menor?
Nem pensar. Não há mal menor. Há simplesmente mal. E matar uma vida é intrinsecamente um mal, independentemente das circunstâncias, pelo que o hospital em causa nunca deveria ter praticado o aborto que salvou a mãe.
Quem assim pensa e em consonância actua é o bispo da diocese, porque o hospital, sendo católico, deve agir de acordo com a interpretação que o bispo faz da doutrina da Igreja. E a Igreja - diz ele, socorrendo-se da doutrina do Magistério e das normas éticas da Conferência dos Bispos dos EUA - não aceita que tal possa acontecer.
Para começar, fez saber que a religiosa que presidia ao Comité de Ética e que era simultaneamente vice-presidente do hospital,se deveria considerar automaticamente excomungada. E, na sequência de contactos com os responsáveis da instituição hospitalar, durante os quais não conseguiu demovê-los da posição que tinham assumido em consciência, o bispo acaba de anunciar, em conferência de imprensa,que o hospital já não pode mais considerar-se católico.
Um caso destes é muito triste e, diria mesmo, revoltante. Posso compreender que existam outros factos que tenham pesado também na decisão do bispo. Mas no caso que desencadeia a sua intervenção drástica, não parece haver lugar para grandes dúvidas,salvo melhor opinião: se medicamente é comprovado (de acordo com os conhecimentos e a experiência existentes) que há real risco de morte para mãe e filho e que é possível, com uma intervenção (que redunda em aborto), salvar uma das vidas, deve-se deixar o processo correr, sacrificando as duas? Em nome de que ética? Se o hospital, esgotando todas as possibilidades, agindo com todas as precauções (e não se provou que o não tivesse feito), chega à conclusão de que pode salvar uma vida, essa atitude não é mil vezes preferível à do bispo que, em nome de um princípio cegamente aplicado, pretende obrigar à adopção de uma prática que sacrifica as duas?
Que o bispo deseje que ninguém seja sacrificado e que defenda que ninguém deve ser morto, aceita-se e aplaude-se. Mas isso também os médicos e o comité de ética - e, antes de mais ninguém, a mãe da bebé - certamente desejavam. Mas a decisão ética está precisamente aí - em ponderar valores e, em último caso, em salvar o que pode ser salvo.
Não creio que o bispo de Phoenix tenha prestado um bom serviço à causa da defesa da vida e este fundamentalismo no modo de actuar não desacredita apenas esses movimentos, desacredita a própria Igreja. E deixa-a, com o tempo, a falar sozinha. É isso que dói e é isso que faz do dia de hoje um dia triste.
É assim, pelo menos, que, em consciência, acho.

...E exaltou os humildes

Maria disse, então:
«A minha alma glorifica o Senhor
e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.
Porque pôs os olhos na humildade da sua serva.
De hoje em diante, me chamarão bem-aventurada todas as gerações.
O Todo-poderoso fez em mim maravilhas.
Santo é o seu nome.
A sua misericórdia se estende de geração em geração
sobre aqueles que o temem.
Manifestou o poder do seu braço
e dispersou os soberbos.
Derrubou os poderosos de seus tronos
e exaltou os humildes.
Aos famintos encheu de bens
e aos ricos despediu de mãos vazias.
Acolheu a Israel, seu servo,
lembrado da sua misericórdia,
como tinha prometido a nossos pais,
a Abraão e à sua descendência, para sempre.»

Lucas 1,46-55

sábado, 18 de dezembro de 2010

Anselmo Borges: Religião, felicidade e infelicidade

Anselmo Borges no DN deste sábado:


Quando se toma o poder sacro em nome de Deus, os perigos são imensos e terríveis. Até surge a tentação de "administrar" Deus. Então, quem não está com os "administradores" de Deus é herético e condenado. Lá está o perigo do fanatismo: somos a única religião verdadeira e todas as outras devem ser combatidas. Lá está o impedimento da liberdade de pensar e a censura. O pior é a imagem de um deus mesquinho, cruel, violento, causa de ateísmo e de infelicidade.


Esses "administradores" da religião e do próprio Deus arrogam-se também o direito de administrar a moral e são eles então quem determina o que é bem e mal, o que se deve fazer e não fazer. E lá está o controlo do prazer pelo poder, porque o prazer subverte o poder. Lá está então uma sexualidade envenenada, a proibição dos contraceptivos, o celibato eclesiástico obrigatório e a sua grandeza e miséria. Lá está a pedofilia dos clérigos, ocultada para tentar preservar a instituição-poder.


Ler tudo aqui.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

John L. Allen entrevista o editor-chefe do "L'Osservatore Romano"

Giovanni Maria Vian é catedrático
em Filologia Patrística pela Universidade La Sapienza


“L'Osservatore Romano” faz 150 anos em 2011. John L. Allen Jr., correspondente do “National Catholic Reporter” em Roma, entrevistou o editor-chefe do jornal do Vaticano.

Giovanni Maria Vian afirma que o jornal é escrito com grande independência: “Tecnicamente, a única parte «oficial» do jornal é a coluna «Nossa informação» [geralmente publicada na primeira página, essa coluna é uma breve lista de indicações, audiências e outros atos oficiais papais] (…). Naturalmente, o L'Osservatore Romano é o único jornal do Vaticano, e por isso ele tem uma certa autoridade. No entanto, é uma autoridade derivada da sua longa história e da sua capacidade de interpretar do ponto de vista da Santa Sé, do Papa e da Secretaria de Estado, e não de ser diretamente aprovado. O Papa é o nosso "editor" no sentido de ser o dono do jornal, por meio da Secretaria de Estado e do substituto. Mas somos publicados todos os dias, e não é possível que alguém aprove o conteúdo de antemão”.

No 150.º aniversário vai ser publicado um livro sobre o “Singolarissimo Giornale”. E está igualmente prometido que os principais artigos vão passar a ser rapidamente traduzidos para inglês e espanhol e colocados on-line.

O editor-chefe do jornal que agora também fala dos Beatles e dos Simpsons diz que não houve furo ao embargo na publicação de excertos do livro do Papa. Os jornais só podiam publicar excertos de “Luz do Mundo” no dia domingo, 21 de Novembro. O “L'Osservatore Romano” publicou no sábado porque a edição de domingo sai no sábado à tarde. Ler tudo aqui.

O melhor de Portugal: por ele continuamos a existir

"Porquê e para quê - Pensar com esperança o Portugal de Hoje” é o título da mais recente obra de D. Manuel Clemente. O livro foi apresentado terça-feira à noite, no Palácio da Bolsa, no Porto, por Manuel António Pina, e recolhe 18 intervenções recentes (2009 e 2010) do bispo do Porto na área da cultura e da reflexão sobre Portugal.

No livro, edição da Assírio & Alvim, incluem-se textos como o da recepção do Prémio Pessoa, a entrevista ao Público feita por Teresa de Sousa, em Setembro deste ano, e ainda outros sobre temas como o centenário da I República, as repercussões das Invasões Francesas no catolicismo português, o diálogo entre religião e ciência, o monaquismo, a regionalização, e a trilogia liberdade-igualdade-fraternidade.

D. Manuel diz que a crise que Portugal vive é profunda, mas recorda que as dificuldades vividas no país ao longo de vários séculos nunca levaram ao fim da pátria, mesmo com todas as fragilidades de um país pequeno e periférico. Por mais pessimismo que o presente inspire, o bispo do Porto rejeita o conformismo e lembra que são agora bem mais visíveis os bons exemplos de esperança de gente concreta que procura dar a volta por cima.

Escreve o bispo do Porto: "O melhor de Portugal pouco aparece e não abre geralmente os noticiários. Mas existe e por ele mesmo continuamos nós a existir. Apesar de tudo, mas não apesar de nós."

Na introdução, a editora refere que o presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais “coloca em relação passado e presente, comum e singular, religioso e profano, as verdades penúltimas que seguimos e aquelas que se desenham misteriosamente últimas”.

Num “tempo português carregado de incertezas, esta antologia pretende documentar a vivacidade de um pensamento rigoroso e polifónico que se abre, e nos abre, à esperança”, acrescenta o texto de introdução à obra.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Já é Natal em Alborán

Ya es Navidad en la isla de Alborán. No han sido los ángeles quienes me han dado la buena noticia, lo he leído esta mañana en las ediciones digitales de todos los periódicos: ayer domingo, una María negra dio a luz una preciosa niña en la embarcación con la que cruzaba “ilegalmente” el Estrecho.
Igual que hace dos mil años, María huía del futuro dictado por los Herodes de la miseria y la corrupción. En esta ocasión no viajaba a lomos de un burro, sino en el húmedo vientre de una patera. Como entonces, le llegó el momento del parto en pleno viaje y el pesebre fue sustituido por un desvencijado cayuco. No había posada ni para ella, ni para los 32 subsaharianos que la acompañaban, entre ellos siete embarazadas más y seis menores.
La estrella de Oriente se adaptó a los nuevos tiempos y se transmutó en una llamada de móvil que un ángel anónimo hizo desde Marruecos avisando de la salida de la embarcación la tarde anterior.
El calor que otrora dieron al niño un buey y una mula, ayer lo ofreció el regazo del guardia civil que durante dos horas, hasta llegar a Motril, protegió a la pequeña del intenso frío.
¿A qué esperamos para salir corriendo a Alborán y poner a los pies de la niña el requesón, la manteca y el vino de nuestras rebosantes despensas? ¿A qué esperan los políticos y sabios para ir a ofrecerle el oro, el incienso y la mirra de un futuro lleno de posibilidades? ¿Vamos a dejar que, dos mil años después, la sombra de una cruz se proyecte sobre el porvenir de esa niña? En cada crío que nace se juega la salvación compartida de un futuro mejor para todos, empezando por los últimos. Alegrémonos con los pastores porque ya es Navidad en Alborán.

Do Site Eclesalia

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

domingo, 12 de dezembro de 2010

Bento Domingues: O Evangelho é divertido

No "Público" de 12-12-2010. "Se lêssemos as narrativas do Novo Testamento sem beatices e reparássemos na ironia, no riso e no humor que as percorrem, seria fácil descobrir quanto o Evangelho é divinamente divertido!"

Águas jorrarão no deserto

O deserto e a terra árida
vão alegrar-se,
a estepe exultará
e dará flores belas
como narcisos.
Ela vai cobrir-se de flores
e transbordar de júbilo
e de alegria.
Tem a glória do Líbano,
a formosura do monte Carmelo
e da planície de Saron.
Será vista a glória do Senhor
e a magnificência do nosso Deus.
Fortificai as mãos desfalecidas,
robustecei os joelhos vacilantes.
Dizei àqueles que têm o coração perturbado:
Tomai ânimo, não temais! Eis o vosso Deus!
(...)
Então se abrirão os olhos do cego.
E se desimpedirão os ouvidos dos surdos;
então o coxo saltará como um cervo,
e a língua do mudo dará gritos alegres.
Porque águas jorrarão no deserto
e torrentes, na estepe.
A terra queimada se converterá num lago,
e a região da sede, em fontes.
No covil dos chacais crescerão caniços e papiros.
E haverá uma vereda pura,
que se chamará o caminho santo;
nenhum ser impuro passará por ele,
e os insensatos não rondarão por ali.
Nele não se encontrará leão,
nenhum animal feroz transitará por ele;
mas por ali caminharão os remidos,
por ali voltarão aqueles
que o Senhor tiver libertado.
Eles chegarão a Sião com cânticos de triunfo,
e uma alegria eterna coroará sua cabeça;
a alegria e o gozo possuí-los-ão;
a tristeza e os queixumes fugirão.

Isaías, 35

sábado, 11 de dezembro de 2010

Releitura (bem-humorada) da narrativa da natividade de Jesus

O vídeo natalício que, no YouTube, está a circular de forma viral. Até os que já se esqueceram da referência ao nascimento de Jesus o farão circular:

(Autoria: Excentric).

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

As Confissões, de Santo Agostinho, em debate em Lisboa

Hoje, às 19h00, no Ciclo Nós e os Clássicos, da Livraria Almedina de Lisboa (Atrium Saldanha), serão apresentadas e debatidas As Confissões, de Santo Agostinho. Caberá a Teresa F. A. Alves, professora associada da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, a apresentação da obra e os comentários ao debate.

O ciclo, coordenado e moderado pela jornalista e escritora Filipa Melo, pretende promover o contacto com os grandes textos clássicos como “aventura mental e afectiva” e numa “relação viva e transmissível”. Em cada sessão, o leitor especialista fala do seu gosto por um título clássico de ficção ou pensamento, como herança universal sem tempo. A sessão é aberta a todos os interessados.

Mais informação pelo telefone 213 570 428 ou em http://www.almedina.net.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Músicas que falam com Deus (8) - para tempo de Natal#2 - Música romena em concertos

Pelo quinto ano consecutivo, o Instituto Cultural Romeno de Lisboa e a Igreja Ortodoxa Romena em Portugal promovem quatro concertos com cânticos romenos tradicionais de Natal. A música de raiz bizantina será cantada a cappella pelo Coral Iosif Naniescu, da Faculdade de Teologia de Iasi.

Este coro, lê-se no site do Instituto Cultural Romeno, foi criado apenas há três anos e é dirigido pelo arquidiácono Ionuţ-Gabriel Nastasă, docente da Faculdade de Teologia de Iaşi e licenciado pelo Conservatório de Música de Iaşi.

O repertório inclui peças para coro a quatro vozes e a uma voz de carácter religioso, mas também algumas de carácter profano, quer romenas quer universalmente consagradas.

Os concertos decorrem em Setúbal (dia 9, 21h, Igreja de São Sebastião), Lisboa (dias 10, 21h30, Sé Patriarcal, e dia 12, 21h, Basílica da Estrela) e Santarém (11 de Dezembro, 21h, Igreja Catedral).

Para apreciar o trabalho do Iosif Naniescu, fica aqui uma amostra em vídeo:

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Músicas que falam com Deus (7) - para o tempo de Natal #1 - Cantatas de Natal, de J.S.Bach

Durante os próximos dias, vou tentar colocar aqui pequenas referências a alguns discos com música que celebra o tempo do Natal. Algumas delas são adpatadas de textos publicados antes na revista Além-Mar, dos Missionários Combonianos.

Nesta caixa, um conjunto de três discos, reúnem-se doze cantatas de Natal, de Bach, interpretadas pelo coro e orquestra barrocos de Amesterdão, dirigidos pelo maestro Ton Koopman. Só isto bastaria para dizer que estamos perante uma obra-prima da composição e da execução.

São doze peças que reflectem, na perfeição, a sensibilidade e o tom festivo de Bach. Em cada uma delas, intercalam-se árias, recitativos, duetos, corais (que finalizam cada cantata), com uma beleza instrumental ímpar, que nos levam a passar da aclamação à emoção do Natal e vice-versa.

Num conjunto deste nível, é injusto destacar apenas alguns trechos. Mas refiram-se, de qualquer modo, árias como “Woferne du den edlen Frieden” ou “Von der Welt verlang ich nichts”; recitativos como “Geh, Welt! Behalte nur das Deine”; ou corais como “Singt dem Herrn ein neues Lied”, “Ei nun, mein Gott, so fall ich dir” ou “Gute Nacht, o Wesen”.

Para aguçar o apetite, pode escutar-se aqui o coral da Cantata BWV 191, Gloria in Excelsis Deo:


Bento Domingues: O sonho é a fonte

No "Público" de 5 de Dezembro de 2010

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Dos homens, dos deuses e do cinema

Está em exibição pelo menos em Lisboa, pelo menos mais alguns dias, o filme Dos Homens e dos Deuses, do francês Xavier Beauvois, que em França foi um dos filmes mais vistos do ano e recebeu em Cannes o prémio do júri ecuménico (além de ser o candidato francês ao Óscar do melhor filme estrangeiro).

Esta obra de Beauvois, que já antes foi referida aqui no blogue, é um extraordinário poema cinematrográfico. A história conta o episódio da morte de oito monges franceses do mosteiro de Tibirine, na Argélia, em meados da década de 90. A tensão da guerra civil argelina está presente de forma subtil (apenas aparece visível numa cena de ataque a um grupo de trabalhadores estrangeiros); o conflito interior que vivem os monges ameaçados por grupos terroristas (ficar ou partir?) é dado através dos curtos diálogos e da música dos salmos, cantados na liturgia. A música é, aliás, um dos elementos de identidade desta obra maior.

Aqui pode ler-se um texto de Francisco Ferreira no Expresso, com imagens do filme e ligações para outros artigos.

Em Almada, começou esta noite, entretanto, o Ciclo de Cinema Católico, promovido pelo núcleo da Pastoral Universitária da cidade. A iniciativa não podia ter começado da melhor forma, com a exibição de A Ilha (2006), do russo Pavel Lounguine. Filme de uma intensa espiritualidade, A Ilha reflecte a busca de identidade e autenticidade dos trabalhos do realizador, mesmo se ele significou uma mudança profunda na sua linguagem estética.

Com uma fotografia simultaneamente imponente e rude, em que o gelo, a aridez, a água, são protagonistas, o filme fala de um monge que perturba permanentemente a vida do mosteiro, mas que é procurado por ter, alegadamente, o poder de curar, prever o futuro e expulsar demónios. Só que o monge guarda um segredo do qual se quer purificar e só quando isso acontecer ele poderá morrer em paz.

Esta sexta-feira, o ciclo continua com Deus tem necessidade dos homens (1950), do francês Jean Delannoy, que morreu em 2008 com 100 anos (e terá comentário do padre Rodrigo Mendes, no final). Sábado, será a vez de Mendel, o Jardineiro de Deus, de Liana Marabini (comentários da realizadora e de João Aires de Sousa). O ciclo encerra no domingo com O Nono Dia (2004), do alemão Volker Schlöndorff (debate com Orlindo Gouveia Pereira).

Liana Marabini, que no sábado acompanha a projecção do seu filme, é directora do Mirabile Dictu, festival de cinema de Roma. Antes, entre outros trabalhos, tinha realizado Vivaldi. Em O Jardineiro de Deus, M
arabini conta a história do padre Gregor Mendel (1822-1884), criador da genética moderna, que é protagonizado por Christopher Lambert. Na altura da estreia, há um ano, Marabini afirmou que foi a sua admiração por Mendel como padre e cientista que a levou a realizar a obra.


Um outro padre, desta vez do Luxemburgo, é o centro da história de O Nono Dia, baseado numa história real. O protagonista está preso no campo de concentração de Dachau e é libertado por nove dias. No final desse tempo deve decidir se apoia o regime nazi ou se mantém a sua oposição e regressa ao campo.


Esta iniciativa da Pastoral Universitária católica de Almada segue a linha de festivais do género realizados em cidades como Friburgo (Suíça) ou Trento (Itália), já com largo número de edições.

Os filmes começam às 21h00 e são seguidos de comentário e debate. Passam todos no Fórum Romeu Correia, Almada (há estacionamento pago), são legendados em português e a entrada é livre.