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sábado, 22 de abril de 2017

Obra sobre o Papa Francisco apresentada por Marcelo Rebelo de Sousa

    "Papa Francisco - A revolução imparável" é o título do livro dos jornalistas António Marujo e Joaquim Franco, editado pela Manuscrito, que o presidente da República vai apresentar na próxima segunda-feira, em Lisboa.
    A sessão de lançamento acontecerá às 18h00, na igreja dos Dominicanos (Convento de São Domingos, Rua João de Freitas Branco, 12), junto à estação de metropolitano do Alto dos Moinhos. Está já agendada uma segunda apresentação do livro, desta vez em Braga, no dia 22 de maio.
    “Quisemos que, nas vésperas da sua vinda a Portugal, este seja um bom instrumento para quem quiser conhecer a personalidade, o pensamento e o modo de agir do Papa. Em suma, para conhecer a revolução que está a acontecer”, nas palavras de António Marujo.
    «A eleição de Jorge Mario Bergoglio como Papa correspondeu a uma espera e a uma esperança. As pessoas veem nele, no seu modo de estar e de dizer, e naquilo que propõe, a possibilidade de uma concretização. Será que a revolução do Papa Francisco é imparável?», questiona o resumo da obra.

domingo, 29 de junho de 2014

Fugas do mundo nas sendas de Deus

Na Paulinas Editora, foi publicado o livro Lugares do Infinito – um guia de mosteiros e conventos para reencontrar o mundo, da autoria do fotógrafo Daniel Rocha e de mim próprio. O livro recolhe um conjunto de reportagens que publicámos em 21012, no Público/Fugas, e que é introduzido por um texto intitulado Fugas do mundo nas sendas de Deus, que a seguir se reproduz.




A fuga mundi, fuga do mundo, era uma das ideias do monaquismo cristão no seu início. Talvez os monges medievais não estivessem tão longe da busca contemporânea de lugares de tranquilidade, lugares mágicos de reencontro consigo mesmo.

"Todos os hóspedes que se apresentam [no mosteiro] sejam recebidos como se fosse o próprio Cristo, pois Ele dirá [um dia]: 'Fui hóspede e recebestes-me.'"
Tudo começou assim, com Bento de Núrsia, monge que viveu entre cerca de 490 e 547, na região da Umbria italiana (onde, sete séculos depois, nasceria Francisco de Assis).
Eram tempos em que o cristianismo, proclamado por Constantino como religião de Estado, esmorecia nas suas práticas e relaxava a exigência de vida. Muitos crentes começaram, então, a retirar-se para lugares de silêncio e solidão, em busca de uma vida mais ascética e purificada.
Bento de Núrsia foi um deles. Decidiu viver numa gruta de montanha em Subiaco, a leste de Roma. Pelo ano de 530, mudou para Monte Cassino. Tomou um texto de uma regra já existente, a Regra do Mestre.
Abreviando-a, sublinhou a perspectiva comunitária do monaquismo, aliando ao mesmo tempo a oração, a reflexão intelectual e o trabalho manual - surge o lema ora et labora (reza e trabalha). A regra estabelece também formas de rezar, normas de obediência, regras sobre a propriedade ou o modo de acolher qualquer hóspede que chegue.
Com o texto, Bento tornou-se o iniciador do monaquismo cristão como o conhecemos. Surgiu uma autêntica rede de mosteiros beneditinos, decisiva na construção da identidade europeia medieval – a ponto de, em 1964, o Papa Paulo VI proclamar São Bento padroeiro da Europa, com a festa litúrgica assinalada a 11 de Julho.
A ideia do acolhimento de quem passava era essencial na vida dos monges. "A cada [hóspede] sejam prestadas as honras convenientes, de modo particular aos 'domésticos da fé' [clérigos e monges] e aos peregrinos", acrescentava a regra, que dispunha depois os pormenores práticos.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Para uma alegria mais completa

Antologia de crónicas de frei Bento Domingues sobre questões sociais e políticas está desde hoje à venda. 

Com edição do Círculo de Leitores e da Temas & Debates é posto hoje à venda, no circuito comercial, o livro Um Mundo que Falta Fazer, antologia de crónicas de frei Bento Domingues no Público. Dedicado a questões sociais e políticas, este volume pretende ser o primeiro de outros dedicados a diferentes temas, abordados nestes mais de 20 anos e mil crónicas que frei Bento já escreveu, desde 2 de Maio de 1992. Reproduz-se a seguir a apresentação deste volume.


Texto de António Marujo e Maria Julieta Mendes Dias

A 28 de janeiro de 2001, sob o título “O centro na periferia”, frei Bento Domingues escrevia assim: “Foi rebentado o Muro de Berlim. É preciso quebrar a redoma de vidro dos privilegiados. Os gritos e as denúncias, as recomendações, as esmolas, os remendos, as solidariedades e os perdões da dívida não bastam. São urgentes propostas discutíveis que coloquem o centro na periferia. Cristo não nos deixou uma teoria para realizar essa deslocação. na periferia estabeleceu a sua tenda.”
Foi isto escrito doze anos antes de o cardeal Jorge Mario Bergoglio ser eleito Papa com o nome de Francisco e ter começado a falar da importância de dar atenção às periferias – seja na Igreja seja na sociedade e na política.
Uma das coisas que impressiona em frei Bento Domingues é, precisamente, a sua capacidade de perscrutar sinais do porvir no presente que nos envolve. Desde há muito que a sua voz lúcida, livre e bem‐humorada nos habituou a esse exercício – seja nas suas crónicas semanais, seja em livros ou em intervenções públicas. O seu modo de fazer teologia na praça pública há muito que o converteu numa voz original e incontornável na sociedade portuguesa e na Igreja Católica, em particular.
Seria, assim, uma lacuna grave para a cultura portuguesa e a teologia cristã se não pudéssemos voltar a reler muitas das crónicas que, desde há mais de vinte anos e de mil semanas completadas neste final de 2013, frei Bento Domingues nos dá a ler no Público, domingo a domingo.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

António Marujo traduzido em Espanha

Diálogos con Dios de fondo

O jornalista António Marujo acaba de ver traduzida e lançada em Espanha a sua obra "Deus Vem a Público" (Pedra Angular, 2011). 
Com o título "Diálogos con Dios de fondo" e tradução de Rosa Martínez-Alfaro, o livro foi há dias lançado em Barcelona,  pela editora Fragmenta, com a presença do autor.
Segundo a editora, este trabalho inclui "um elenco de vozes díspares, que, através da motivação religiosa que as percorre, se comprometem na busca de sentido na raiz mais profunda das ideias".
Laia de Ahumada (à direita, na foto), que apresentou o livro, chama a atenção, no texto que leu e inseriu no seu blog, para o autor das entrevistas que compõem o livro. "O autor - observa ela -mostra-nos em cada entrevista o domínio que tem do ofício, não só porque sabe muito bem do que fala quando pergunta, como também porque pergunta aquilo que sabe que interessa ao leitor".  
O entrosamento entre teologia e cultura, acrescenta, "percorre todas as páginas do livro, que prenunciam o interesse e a preocupação do autor com a crise da religião assim como o convencimento de que toda a crise questiona e implica a necessidade de se reinventar".
Laia de Ahumada é filóloga e escritora, especializada em escrita feminina da época moderna; tem-se dedicado à investigação sobre a escrita espiritual; é autora de "Monjas", na mesma editorial, que recolhe 20 entrevistas com freiras catalãs envolvidas no apoio a marginalizados, diálogo inter-religioso, educação, acolhimento...