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quinta-feira, 27 de março de 2014

Judaica: cinema e busca de identidade


Imagem da curta metragem de animação 
Uma Coisa Tão Pequenina, a exibir domingo, às 16h

Histórias de hooligans ou de espiões, de um cardeal ou de mulheres, do Holocausto ou do conflito do Médio Oriente, de danças, casamentos ou de mitos como o de que todos os judeus são ricos. Tudo isso integra a Judaica– 2ª Mostra de Cinema e Cultura, que esta quinta-feira começa em Lisboa, no Cinema São Jorge, prolongando-se até domingo.
“São filmes que mostram a procura de identidade, que mostram como se chega a descobrir que por vezes se é aquilo que odiávamos ou que devemos manter aquilo que somos”, diz Elena Piatok, dinamizadora e organizadora da mostra, que teve em 2013 a sua primeira edição.
Nesta perspectiva estão desde logo os dois filmes do primeiro dia: às 19h, o documentário polaco A Lua é Judia, sobre um hooligan que descobre as suas raízes judaicas e aos poucos se vai aproximando do judaísmo; o filme será seguido de um debate, com a participação de Francisco José Viegas e João Medina. Às 21h30, O Atentado, do libanês Ziad Doueri, assinala a abertura oficial da mostra e contará com a presença do realizador. “Teremos a oportunidade de conhecer o cineasta (...) e de lhe colocar a questão que consideramos encontrar-se no âmago desta obra-prima: Será que conhecemos quem amamos?”, escreve Piatok no programa. 
O filme com que encerra este festival – O Cardeal Judeu – conta a história de Jean-Marie Lustiger, filho de emigrantes judeus polacos que, após ter abraçado a fé católica, acabou por decidir ser padre e chegou a arcebispo de Paris e cardeal (o título original significa, na realidade, O Mestiço de Deus). Apesar disso, Lustiger manteve a sua identidade cultural judaica – uma das cenas iniciais do filme é o jovem padre Jean-Marie a estudar hebraico e a discutir com o pai sobre a sua identidade religiosa.
Após a exibição do filme (pode ver-se um pequeno excerto aqui), haverá um debate com a participação do rabi Eliezer di Martino, da Comunidade Judaica de Lisboa, e do padre José Tolentino Mendonça, director do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura da Igreja Católica.
Em Maio de 2003, tive oportunidade de entrevistar o cardeal Lustiger, numa sua breve passagem por Lisboa. Comecei a conversa (cuja versão integral está publicada em Deus Vem a Público, ed. Pedra Angular) pelo tema do seu livro A Promessa (ed. Paulus), onde ele fala precisamente da importância das raízes judaicas do cristianismo:

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Ciclo de Cinema Católico em Almada

Agenda

Bom cinema, com o aliciante suplementar da entrada gratuita, está a partir de hoje em Almada, no IV “Revelar-Te – Ciclo de Cinema Católico”, que decorre até sábado, no Fórum Municipal Romeu Correia, em Almada. O programa completo e sinopses dos filmes podem encontrar-se aqui.
Diário de um Pároco de Aldeia, de Robert Bresson (hoje); “Confesso”, de Alfred Hitchcock (quinta); “Os Miseráveis”, de Bill August (sexta) e “Quem Deseja Ser Amado”, de Anne Giafferi (sábado) são os quatro filmes a exibir, sempre a partir das 21h00 e sempre seguido de debate, opara quem estiver interessado.

Iniciativa da Pastoral Universitária de Setúbal – pólo de Almada, o ciclo começa esta noite com a obra clássica de Bresson, inspirada no também clássico livro de Georges Bernanos, que conta a história de um jovem pároco que vive entre a degradação da sua saúde e a afirmação da sua santidade e que regista num diário as suas impressões e dificuldades – mesmo a de ser aceite pelas pessoas da aldeia. “Derradeira testemunha da piedade sagrada”, foi como André Malraux caracterizou a obra de Bernanos.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Dos Homens e dos Deuses em Coimbra, com Pedro Mexia

Agenda – Cinema



Há um monge que é o médico da aldeia, recebendo as pessoas com as suas queixas e as suas solidões. Há outros que regam e cultivam o jardim. Outros que se limitam a sobreviver ao peso dos anos e de uma vida já muito dada.  E há a violência e o terrorismo a cercar esses monges que rezam, que trabalham e que, sobretudo, fazem sua a vida das pessoas simples da aldeia.
Hoje, o filme Dos Homens e dos Deuses – é dele que se fala – passa em Coimbra, numa sessão organizada pela Comunidade de Acolhimento Cristão João XXIII e pelo grupo TEAR (Tecer a Espiritualidade coma  Arte e a Reflexão), do Instituto Universitário Justiça e Paz. A sessão conta com a presença de Pedro Mexia, cronista do Expresso e ex-director da Cinemateca, e realiza-se a partir das 21h30, no auditório do Museu do Mosteiro Velho de Santa Clara, em Coimbra.
Realizado por Xavier Beauvois, em 2010, o filme narra a história dos últimos meses dos monges de Tibhrine, qur foram raptados do mosteiro e depois assassinados, em 1996, em circunstâncias ainda por esclarecer.
Escrito e preparado muito a partir dos diários do irmão Christophe Lebreton, o filme tem vários momentos altos. Um deles mostra os monges numa Última Ceia, celebrada na noite de Natal, alegres e contentes com essa coisa simples que é conversar, comer e beber juntos.

A música, da cena final d’O Lago dos Cisnes, de Tchaikovsky, remete para a convicção e a dúvida, a solidão e a comunidade, a alegria e a angústia.
Há um ano, Henri Teissier, arcebispo de Argel entre 1988 e 2008, que também foi ameaçado de morte durante os anos de chumbo da guerra civil no país (1992-1998), esteve em Portugal para apresentar uma pequena biografia do irmão Christophe Lebreton, um dos sete monges do mosteiro cisterciense de Tibhrine que foram executados. No livro Christophe Lebreton – Monge, Mártir e Mestre Espiritual para os Nossos Dias (Consolata Editora), Teissier explica como o pequeno diário do irmão Christophe é um precioso testemunho de um itinerário espiritual e apostólico único.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

O Novo Testamento de Jesus Cristo Segundo João, narrado por Luis Miguel Cintra



O Novo Testamento de Jesus Cristo Segundo João é o título do filme de Joaquim Pinto e Nuno Leonel no qual o actor Luis Miguel Cintra narra o texto do Evangelho de João, segundo a tradução da Vulgata latina, por António Pereira de Figueiredo (1725-1797). O filme será apresentado em Roma, nesta quarta-feira, 13, em competição, na secção CinemaXXI, do Festivale Internazionale del Film di Roma.
Depois da apresentação do filme, haverá um debate que conta com a participação de Virgilio Fantuzzi, padre jesuíta e crítico de cinema, que foi amigo e acompanhou várias rodagens do Pasolini e Fellini.
Não é a primeira vez que Luis Miguel Cintra faz uma experiência deste género. O actor gravou já, em disco (ed. Presente), um Sermão de Quarta-Feira de Cinzas, do padre António Vieira, e o Apocalipse de São João
Cintra leu também em público o sermão de frei António de Montesinos, o dominicano que primeiro criticou a colonização espanhola na América Central. E fez ainda leituras do Cântico dos Cânticosda Carta a Filémondo Eclesiastesalém das quatro narrativas da Paixão: São MateusSão MarcosSão LucasSão João
Agora, é a primeira vez que Cintra sai do espaço fechado para o campo, ao ar livre.
“O primeiro capítulo é acompanhado por imagens do local, seguindo-se um bloco em que somos imersos no ‘grão da voz’ de Luis Miguel”, explicam os realizadores. “A partir daí, a essa voz materializa-se na expressão, no gesto, na presença, no ritmo, na respiração, na pulsão do corpo do actor, que se transforma em veículo da materialização do texto.”
O filme fixa esse “dia de leitura, efectuada em continuidade desde o início da tarde até ao pôr do sol”. Acrescentam Joaquim Pinto e Nuno Leonel: “A interpretação inspirada permite vislumbrar, através de todos os séculos de fixações, transcrições e traduções de um texto que é já uma condensação em camadas sucessivas de uma experiência pessoal de Jesus, a emanação da força espiritual da vida de Cristo.”
Sobre aquela tarde de leitura e filmagem, escreve Luis Miguel Cintra:
Há alguma coisa que me transmite uma enorme alegria de viver no contacto, no trabalho com o Joaquim e o Nuno: a inabalável confiança na realidade, na sua transcendência. Por outras palavras que é isto senão amor à vida? Parece que me estão sempre a mostrar que só é preciso não nos deixarmos ficar surdos, cegos. O cinema com eles só difere da vida porque usam duas máquinas. Apetece dizer que fazer cinema é usar uma máquina para gravar som e outra imagem. Ponto final. Estaremos sempre perante Deus, não vale a pena fingir. E grava-se, filma-se aquilo que é verdade, vale sempre a pena, se o que se passa se passa mesmo, sem batota. Aquilo que as circunstâncias nos permitiram viver. Parece tão simples como a vida. Mas depende do amor. Da capacidade de amar. De nos expormos, de não ter medo. E de gostarmos do que nos rodeia e dos que nos rodeiam.
O Evangelho de João é todo ele uma definição do amor. Tem-me acompanhado numa imensa ânsia de alternativa para uma sociedade hipócrita, uma organização política do mundo actual verdadeiramente assassina, para uma tardia educação filosófica que não me deixe triste quando perceber que vou morrer. A tarefa a que se dedicam o Joaquim e o Nuno é para mim uma exemplar militância política: mudar pelo exemplo a maneira de viver de toda a gente. E bastou não me deixarem parar, porem-me no meio do campo a dizer o Evangelho só com eles e dois amigos mais como parceiros, sentir que o sol se punha enquanto eu lia a narrativa das palavras que João deixou escrito que o Cristo que ele amava disse há dois mil e tal anos, para toda a fancaria artística deixar de me interessar. Eu só quero entender. E ter companhia. ‘Creio no Espírito Santo.’ E não quero perder a vida em compromissos.

O Novo Testamento de Jesus Cristo Segundo João
Imagem, Som e Montagem: Joaquim Pinto e Nuno Leonel
Com Luis Miguel Cintra
129 minutos

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Dos homens, dos deuses e do cinema

Está em exibição pelo menos em Lisboa, pelo menos mais alguns dias, o filme Dos Homens e dos Deuses, do francês Xavier Beauvois, que em França foi um dos filmes mais vistos do ano e recebeu em Cannes o prémio do júri ecuménico (além de ser o candidato francês ao Óscar do melhor filme estrangeiro).

Esta obra de Beauvois, que já antes foi referida aqui no blogue, é um extraordinário poema cinematrográfico. A história conta o episódio da morte de oito monges franceses do mosteiro de Tibirine, na Argélia, em meados da década de 90. A tensão da guerra civil argelina está presente de forma subtil (apenas aparece visível numa cena de ataque a um grupo de trabalhadores estrangeiros); o conflito interior que vivem os monges ameaçados por grupos terroristas (ficar ou partir?) é dado através dos curtos diálogos e da música dos salmos, cantados na liturgia. A música é, aliás, um dos elementos de identidade desta obra maior.

Aqui pode ler-se um texto de Francisco Ferreira no Expresso, com imagens do filme e ligações para outros artigos.

Em Almada, começou esta noite, entretanto, o Ciclo de Cinema Católico, promovido pelo núcleo da Pastoral Universitária da cidade. A iniciativa não podia ter começado da melhor forma, com a exibição de A Ilha (2006), do russo Pavel Lounguine. Filme de uma intensa espiritualidade, A Ilha reflecte a busca de identidade e autenticidade dos trabalhos do realizador, mesmo se ele significou uma mudança profunda na sua linguagem estética.

Com uma fotografia simultaneamente imponente e rude, em que o gelo, a aridez, a água, são protagonistas, o filme fala de um monge que perturba permanentemente a vida do mosteiro, mas que é procurado por ter, alegadamente, o poder de curar, prever o futuro e expulsar demónios. Só que o monge guarda um segredo do qual se quer purificar e só quando isso acontecer ele poderá morrer em paz.

Esta sexta-feira, o ciclo continua com Deus tem necessidade dos homens (1950), do francês Jean Delannoy, que morreu em 2008 com 100 anos (e terá comentário do padre Rodrigo Mendes, no final). Sábado, será a vez de Mendel, o Jardineiro de Deus, de Liana Marabini (comentários da realizadora e de João Aires de Sousa). O ciclo encerra no domingo com O Nono Dia (2004), do alemão Volker Schlöndorff (debate com Orlindo Gouveia Pereira).

Liana Marabini, que no sábado acompanha a projecção do seu filme, é directora do Mirabile Dictu, festival de cinema de Roma. Antes, entre outros trabalhos, tinha realizado Vivaldi. Em O Jardineiro de Deus, M
arabini conta a história do padre Gregor Mendel (1822-1884), criador da genética moderna, que é protagonizado por Christopher Lambert. Na altura da estreia, há um ano, Marabini afirmou que foi a sua admiração por Mendel como padre e cientista que a levou a realizar a obra.


Um outro padre, desta vez do Luxemburgo, é o centro da história de O Nono Dia, baseado numa história real. O protagonista está preso no campo de concentração de Dachau e é libertado por nove dias. No final desse tempo deve decidir se apoia o regime nazi ou se mantém a sua oposição e regressa ao campo.


Esta iniciativa da Pastoral Universitária católica de Almada segue a linha de festivais do género realizados em cidades como Friburgo (Suíça) ou Trento (Itália), já com largo número de edições.

Os filmes começam às 21h00 e são seguidos de comentário e debate. Passam todos no Fórum Romeu Correia, Almada (há estacionamento pago), são legendados em português e a entrada é livre.



quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Estreia o filme "Dos Homens e dos Deuses"

Estreia esta semana o filme "Dos Homens e dos Deuses", de Xavier Beauvais, Grande Prémio do Festival de Cannes.


Oito monges católicos franceses vivem em harmonia com a população muçulmana, até que, progressivamente, a violência e o terror tomam conta da região. Apesar das ameaças, os religiosos decidem resistir ao terrorismo e ficar. Esta é a história verídica dos monges de Tibhirine, raptados e assassinados por um grupo de fundamentalistas islâmicos durante a guerra civil argelina, em 1996.  
(Nota de apresentação do Público).

Alguém que tenha visto o filme quer comentar aqui?


Informação complementar:  

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Cinema: os 'dez mais' do ponto de vista espiritual

O director do Departamento de Cinema do arcebispado de Barcelona (Espanha), Prof. Peio Sánchez, voltou a publicar uma escolha pessoal daqueles que ele considera os 10 melhores filmes dos últimos anos, do ponto de vista espiritual. Seguimos a divulgação feita pela agência Zenit:

1. Gran Torino (2008), Clint Eastwood

“Em Gran Torino, Clint Eastwood soube contar uma história simples com uma enorme força dramática, apresentando temas espirituais de fundo, como o sentido do perdão, a redenção como sacrifício e o caminho da conversão. E do ponto de vista cristão, não somente apresenta uma imagem positiva da Igreja, representada no Pe. Janovich, mas também oferece uma poderosa imagem crítica nas decisões finais do protagonista.”

2. Amazing Grace (2006), Michael Apted

“Esta homenagem a William Wiberforce – um parlamentar da Câmara dos Comuns, que dedicou, desde a sua juventude, a sua actividade política à luta contra a escravidão e as injustiças sociais – apresenta-se com uma magnífica produção e uma série de actuações excepcionais. Marcada profundamente pela perspectiva social cristã, é um filme imprescindível para conhecer a força ética do Evangelho e sua herança em nossa cultura.”

3. Katyn (2007), Andrzej Wajda

“Surpreendente filme do mestre polaco Andrezej Wajda. Este testamento fílmico do genocídio de Katyn, perpetrado pelo comunismo soviético em 1940, afectou pessoalmente o director, já que seu pai foi um dos 20 mil oficiais e cidadãos polacos assassinados. Narrada a partir da perspectiva dos sobreviventes, especialmente mulheres, é um hino à reconciliação, da memória que busca a verdade. A fé católica é mostrada com intensidade em diversos momentos, mas de forma mais contundente nos últimos minutos.”

4. Quem Quer Ser Milionário? (2008), Danny Boyle

“O director Danny Boyle, de formação e convicções cristãs, soube contar uma dura história sobre a superação da miséria à vitória. Narrado como um conto de fadas, acompanha a história de três garotos que nascem nas barracas de Calcutá e como, a partir do protagonista Jamal, verão o triunfo da bondade e do amor, muito além da injustiça e da violência. A história apresenta uma intriga que move o espectador à esperança e que convida a reconhecer a presença da Providência, que acompanha os acontecimentos respeitando a liberdade, mas estimulando a bondade.”

5. O Visitante (2007), Thomas McCarthy

“É a história de uma visita gratuita na qual se vê envolvido um obscuro professor universitário, genialmente interpretado por Richard Jenkins, que, após ficar viúvo, vive sem sentido e cuja vida se transformará através do seu encontro com Tarek. Este sírio, que carrega a perseguição no seu coração, representa a alegria e a vontade de viver que faltam ao protagonista. Neste itinerário de transformação, veremos como cresce nele a sensibilidade e o compromisso, a capacidade de amar e o exercício responsável da liberdade. Um filme que, além do mais, é um grito contra a injustiça das leis migratórias.”

6. A Caixa de Pandora (2008), Yesim Ustaoglu.

“O mal de Alzheimer da avó abrirá a caixa de Pandora da uma família que vive nas margens da infelicidade, como se uma maldição caísse sobre eles quando a anciã, uma genial Tsilla Chelton de 89 anos, desaparece de casa. Com esta fuga, começa uma viagem rumo à verdade que envolverá todos eles, quando vão a uma aldeia de montanha na costa do Mar Negro. A lucidez da demência não conseguirá dobrar o desvario dos instalados na comodidade ou no fracasso; mas conseguirá mover os que sentem que a vida vai muito além e que sempre estão dispostos a subir uma montanha, ainda que as forças já sejam escassas. Uma aliança na qual os mais velhos transmitem a esperança aos mais jovens.”

7. A Partida (2008), Yojiro Takita

“Daigo, um violoncelista desempregado, descobre sua vocação quando abandona Tóquio com Mika, sua mulher, e vai à cidade e à casa em que viveu a sua infância. Um processo lento e surpreendente o converterá num especialista em nôkan, ritual mortuário japonês que supõe uma recordação do defunto desde o acto de embalsamento. Na sua aprendizagem, vão se cruzando várias histórias de reconciliação dos vivos com os mortos e ele irá, pouco a pouco, abrindo a sua própria história a um caminho de pacificação. O filme permite-nos contemplar a morte com uma perspectiva diferente.”

8. O Estranho Caso de Benjamin Button (2008), de David Fincher

“Baseada numa novela de F. Scott Fitzgerald, conta a vida singular de Benjamin: um estranho bebé que nasce sendo idoso e que, com o passar do tempo, acabará por se transformar num bebé. Este estranho personagem, que terá um corpo que cresce ao contrário do seu espírito, oferece-nos um personagem que amadurece de uma forma diferente e que também terá que amar Daisy – seu fiel e verdadeiro único amor – de uma forma diferente, ainda que não por isso impossível.”

9. Le Hérisson (2009), Mona Achache

“Adaptação do famoso livro de Muriel Barbery, ‘A elegância do ouriço’, e que supõe a primeira longa-metragem da directora francesa Mona Achache. Baseia-se no contraste de dois personagens: por um lado, uma menina com um rico e inteligente mundo interior; por outro, a porteira do número 7 da rua Grenelle, uma mulher descuidada e um pouco antipática. Mas ambas terão um segredo que virá à tona com a chegada de Kakuro Ozu, um elegante viúvo japonês. Esta revelação servirá de desculpa para compreender o segredo profundo das pessoas e como às vezes o essencial não está nas aparências.”

10. Rio Congelado (2008), de Courtney Hunt

“História sobre a resistência e a amizade de duas mulheres que começam em conflito, mas que criarão um profundo laço de solidariedade que tem como origem comum uma maternidade transcendida e o desejo de amar inclusive acima de suas forças. Dirigido por Courtney Hunt, apresenta os personagens com grande veracidade. A dureza e a desolação nas imagens nos permitem encontrar na alma das protagonistas uma generosidade desmedida, que devolve a confiança no ser humano, inclusive nas situações de solidão e limite que enfrentam.”"

sábado, 5 de dezembro de 2009

Paulo de Tarso, a última viagem

O filme "Paulo de Tarso, a última viagem" estreou em Espanha na semana passada. No começo do próximo ano, a película começará a percorrer os cinemas do país.

O realizador, Pablo Moreno, que também dirigiu "Talita Kum", é o delegado da diocese de Ciudad Rodrigo para a Pastoral Juvenil.

Aqui, há mais pormenores sobre a notícia e pode ser visto um trailer do filme.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

«O Mundo É Grande e a Salvação Está ao Virar da Esquina» vence prémio da Signis no Festroia

Na Ecclesia, Francisco Perestrello escreve sobre o filme que venceu o Prémio da Signis (Organização Católica para o Cinema, Televisão e Vídeo) no Festroia. Aqui pode ser visto um trailer do filme.

A Signis – Organização Católica para o Cinema, Televisão e Vídeo – fez-se representar no Festroia, Festival Internacional de Setúbal, sendo o seu Júri constituído por Teresa Tunay (Filipinas), Maria Eugénia Van-Zeller (Portugal), Alfred Jokesch (Áustria), Douglas Fahleson (Estados Unidos) e Francisco Perestrello (Portugal).
O Júri acompanhou a programação a concurso encontrando diversas obras de qualidade passíveis de serem distinguidas com o seu Prémio. Este, depois da reunião final, foi atribuído ao filme búlgaro (com co-produção da Alemanha, Hungria e Eslovénia) «O Mundo É Grande e a Salvação Está ao Virar da Esquina» («Svetat e Goljam i Spasenie debne Otvsjakade»), do realizador Stephan Komandarev.
O principal valor deste filme reside na excelente relação que se vai construindo entre um avô e um neto, este afectado de profunda amnésia. Como principal forma de contacto contam com o jogo do gamão, que marcou a juventude do neto que com o avô aprendeu os primeiros passos deste difícil jogo. A progressiva aproximação entre avô e neto e o seu contributo para a recuperação da memória é-nos narrada de forma simples e muito intenso, sem qualquer cedência ao melodrama.
O mesmo Júri atribuiu uma Menção Especial ao filme de Lukas Moodysson «Mamute» («Mammoth»), representando a Suécia e co-produzido com a Dinamarca. É um filme bem mais complexo, em que a acção se dispersa pelos Estados Unidos, Tailândia e Filipinas, expondo diversas vertentes da vida social, nomadamente das suas consequências sobre a vida de crianças.