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terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Eleições nos EUA: Muros e pontes

O resultado das eleições nos EUA foi já objecto de um comentário aqui. Na Voz da Verdade, Pedro Vaz Patto volta ao tema, para escrever:

A eleição de Donald Trump surpreendeu o mundo.
Muitos cristãos, católicos e evangélicos, saudaram essa eleição como um mal menor, face à sua adversária, Hillary Clinton, empenhada em alargar ainda mais as possibilidades de recurso ao aborto como direito absoluto, e capaz de limitar a liberdade de consciência e religião em âmbitos “fraturantes” como esse (ficou célebre um seu discurso em que afirmava que os Estados deviam usar meios coercivos para levar as autoridades religiosas a modificar as suas doutrinas tradicionais quanto a essas matérias). Mal menor porque o aborto será, hoje, o mais grave e sistemático atentado à vida e dignidade humanas.
Este raciocínio envolve, porém um grave perigo: centrar unicamente em duas ou três causas (“single issues”) o empenho político dos cristãos, ignorando ou desvalorizando outras causas também importantes, assim descredibilizando esse empenho e justificando acusações de parcialidade e incoerência. 
(texto para continuar a ler aqui)

No artigo, o actual presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) recorda uma acção das comissões europeias sobre a questão dos refugiados, tema que voltou a ser objecto de um documento que pode ser lido na página da CNJP, com o título Criando um refúgio seguro para todos: Refugiados e dignidade humana (clicando aqui e procurando o título ao fundo da coluna da direita)

Publicação anterior no blogue
Advento - Precisamos de uma estrela (um poema de José Tolentino Mendonça e uma foto de Rui Aleixo para o I Domingo do Advento)


quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Sociedade desigual ou sociedade fraterna?

Agenda

No próximo sábado, 7 de Novembro, a Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) promove a sua conferência anual sobre o tema Sociedade Desigual ou Sociedade Fraterna?
O encontro, que decorre entre as 10h e as 17h30 no auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian, tem como intervenientes a economista Elena Lasida, do Instituto Católico de Paris, o investigador Carlos Farinha Rodrigues, do ISEG, e ainda três ex-presidentes da CNJP: Alfredo Bruto da Costa, António Bagão Félix e Manuela Silva. O bispo espanhol Juan José Omella, da Comissão de Pastoral Social da Conferência Episcopal Espanhola, encerrará a conferência, cujo programa pode ser consultado aqui.

Sobre o tema da conferência, pode ouvir-se aqui, a partir dos 19’40”, um curto debate, incluindo uma reflexão do presidente da Comissão, Pedro Vaz Patto.

Acerca de Elena Lasida, pode ler-se aqui um perfil desta economista de origem uruguaia mas que trabalha em França, onde, além da actividade académica, colabora em redes de apoio a imigrantes, desde há vários anos. A economista já esteve em Lisboa a convite da Fundação Betânia e do Projecto CasaVelha.


Texto anterior no blogue
Taizé: falar de Deus com a vida - reportagem no colóquio sobre o contributo do irmão Roger para o pensamento teológico 

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Doentes de humanidade: avisos do Papa aos religiosos, o que fazem os crentes e a vergonha política

Um pequeno guia de leituras sobre a crise europeia



Organizações religiosas locais prestam ajuda aos refugiados na Hungria;
foto © Daniel Kekete - Ajuda Intereclesiástica Húngara/Aliança ACT
(foto reproduzida daqui)

Há uma afirmação na entrevista do Papa Francisco à Rádio Renascença que deveria envergonhar os cristãos: o seu apelo de há dois anos, no sentido de as casas religiosas se abrirem aos refugiados, não teve até agora mais do que quatro respostas.
“O assunto é sério, porque aí também há a tentação do deus dinheiro”, diz o Papa. “Algumas congregações dizem ‘Não, agora que o convento está vazio, vamos fazer um hotel e podemos receber pessoas e, com isso, sustentamo-nos ou ganhamos dinheiro’. Pois bem, se quereis fazer isso, pagai os impostos! Um colégio religioso, por ser religioso está isento de impostos, mas se funciona como hotel, então, que pague os impostos como qualquer vizinho do lado. Senão, o negócio não é limpo.”
Este aviso é uma das afirmações importantes que o Papa faz na entrevista à RRA propósito do tema dos refugiados, que ocupa boa parte da conversa com Aura Miguel, o Papa insiste em algumas ideias que já referiu em outras ocasiões: estamos perante a consequência de “um sistema sócioeconómico mau e injusto”, que não coloca a pessoa no centro, como deveria ser; o problema não é apenas europeu, como ele recorda a propósito dos rohingya da Birmânia; o mundo está em guerra contra si mesmo, ao não permitir que existam condições de vida digna em várias regiões do globo; ele próprio, recorda ainda, é filho de emigrantes; e, mesmo com o desemprego existente na Europa, o dever de humanidade – e mais ainda do cristão – é acolher o estrangeiro, como se lê na Bíblia em várias situações...
Apesar destes apelos e avisos do Papa, apesar dos 71 mortos num camiãoapesar da fotografia do pequeno Aylan morto na praia – símbolos da nossa vergonha colectiva, escreveu-se na altura – ainda não vimos tudo. A decisão dos ministros da União Europeia em mais uma vez adiar o problema do acolhimento dos refugiados volta a dizer-nos como estamos doentes de humanidade.

União Europeia prolonga “o sofrimento desnecessário”

A Cáritas Europa considerou que a falta de acordo entre os ministros europeus do Interior e da Justiça “não só prolonga o sofrimento desnecessário entre as centenas de milhares de migrantes e requerentes de asilo bloqueados em diferentes fronteiras mas também coloca em perigo a própria essência da Europa como um projeto comum baseada na solidariedade, democracia e liberdade”. E, acrescenta, segundo a notícia que pode ser lida na Ecclesiaque existem “muito boas soluções” para a crise das pessoas que fogem das guerras.

domingo, 19 de abril de 2015

A barbárie, a indiferença e o silêncio da esquerda

As perseguições e massacres de cristãos


(foto: Ajuda à Igreja que Sofre, reproduzida daqui)

Na sua crónica de sábado, no DN, Anselmo Borges escreve sobre A barbárie e a indiferença, a propósito das perseguições e massacres de que têm sido vítimas os cristãos em vários países de África e do Médio Oriente, e do silêncio que sobre esses factos tem dominado:

O agnóstico Régis Debray aponta realisticamente para o politicamente correcto, interesses políticos e económicos e a indiferença religiosa do Ocidente. Afinal, as vítimas são “demasiado cristãs” para poderem interessar a esquerda e “demasiado estrangeiras” para poderem interessar a direita.
Mas o filósofo André Comte-Sponville, que professa um ateísmo com espiritualidade, chama justamente a atenção para o facto de ninguém poder ignorar as perseguições operadas pela Igreja, “mas isso não é razão para fazer recair sobre os cristãos de hoje as faltas e os crimes dos seus predecessores. Ninguém é culpável pelos pecados dos seus pais. Os direitos dos seres humanos transmitem-se pelo nascimento; a culpabilidade não. Os cristãos são, antes de mais, seres humanos. O que é suficiente para outorgar-lhes direitos e, por conseguinte, para obrigar-nos a deveres para com eles”.
(O texto pode ser lido aqui na íntegra)


Acerca do mesmo tema, a directora da edição italiana do L'Huffington Post escreve um texto sobre a solidão do Papa na denúncia destes factos e o silêncio da esquerda. No artigo, Lucia Annunziata confessa-se ateia, diz que não foi nem é católica e afirma que o Papa Francisco “está fazendo uma revolução e que ele é o verdadeiro líder da esquerda”, neste momento. E, sobre o que pode ser feito, acrescenta, na tradução castelhana:

Hay que actuar con celeridad. Los gobiernos pueden y deben trazar un plan para poner a salvo a los miles de refugiados, no solo con la asistencia básica (medicina, escuela y vivienda), sino también ofreciendo de forma generosa y amplia la nacionalidad a todas las familias que huyan de sus propios países.
Con especial atención a todos los jóvenes que quieren venir a Italia a estudiar o a trabajar. Es parecido a lo que hicieron los países occidentales antes de la segunda guerra mundial acogiendo a los judíos y otros perseguidos del nazismo incipiente. No es mucho, pero es el principio y también es un mensaje eficaz de fuerza moral y solidaridad para aquellos que desafían y se oponen a la violencia del Estado Islámico.
La izquierda no puede quedarse callada, repito. Al contrario, su silencio, su miedo pusilánime a provocar críticas de unos y de otros, su falta de coraje para asumir riesgos es, en esta encrucijada, también la mejor forma para declarar su propia disolución moral.
(o texto pode ser lido na íntegra, nesta mesma versão castelhana, aqui)


Dias antes da Páscoa, a Comissão Nacional Justiça e Paz divulgara um comunicado com o título Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar, em que pede mais acção quer aos cristãos, quer aos media, quer aos governos e autoridades políticas internacionais. Nos dois últimos parágrafos, diz o texto:

domingo, 14 de dezembro de 2014

Cardeal Maradiaga diz que evangelização deve tocar realidades como o trabalho e a economia


Cardeal Oscar Maradiaga em Lisboa 
(foto João Cláudio/OMP, reproduzida da Ecclesia)

O cardeal Oscar Maradiaga afirmou este sábado, em Lisboa, que a prática pastoral não pode separar a dimensão espiritual e social. E que, pelo contrário, ele tem de tocar realidades como o trabalho, a família, a alimentação, a segurança, bem-estar, a saúde e a economia.
Na conferência da Comissão Nacional Justiça e Paz, o presidente da Cáritas Internacional e coordenador do grupo de cardeais conselheiros do Papa insistiu na ideia da hierarquia de verdades que o cristianismo propõe. E citou a Evangelii Gaudium, a exortação do Papa Francisco: “A opção preferencial pelos pobres deve traduzir-se, principalmente, numa solicitude religiosa privilegiada e prioritária.”
A intervenção do cardeal foi escutada por cerca de 200 participantes, entre os quais três bispos – o patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, o arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, e o bispo de Beja, D. António Vitalino.
Mais informações sobre a intervenção do cardeal Maradiaga podem ser lidas aqui.
Noutro passo da sua conferência, o cardeal insistiu na ideia da coerência da fé, dizendo que um católico que não coloque a doutrina social da Igreja em prática, ainda que frequente os sacramentos, não é um católico “praticante” mas antes um “católico ritualista”.
Falando da actual crise internacional, Oscar Maradiaga afirmou: “A economia tomou conta da política. Manda na política. E às vezes pensamos que os políticos são os que decidem. E não são. São os grandes consórcios económicos. São esses grande lóbis de dinheiro que que ordenam aos políticos o que têm que fazer. Quando o ‘deus dinheiro’ está a reinar pouco espaço sobra para o bem-comum. Vocês não têm ideia da importância dos grandes consórcios económicos dos EUA, que inclusivamente acusaram o Papa Francisco de ser comunista simplesmente porque lhes disse uma verdade: Este tipo de economia mata. E isso não o podem aceitar”. (estas e outras declarações podem ser ouvidas aqui)
O texto da conferencia inicial do cardeal pode ser lido aqui.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Manuela Silva: Reduzir os horários para acomodar jovens desempregados


Já saiu no domingo, no Público, mas não perdeu atualidade: trata-se de uma entrevista com a economista e professora Manuela Silva, coordenadora do grupo Economia e Sociedade da Comissão Nacional Justiça e Paz, da Igreja Católica. Os seus pontos de vista e o seu pensamento  podem ser lidos AQUI.
Fica aqui a sua posição sobre o que poderia e deveria ser feito quanto ao desemprego juvenil:
"Não se justifica que nas nossas sociedades, que atingiram níveis de produtividade elevados, que asseguram lucros de capital elevados em grande parte dos sectores, se continuem a praticar horários como os que vigoraram na civilização industrial. Defendo uma redução drástica de horários de trabalho, para acomodar a situação dos jovens desempregados. Evidentemente isto supõe que se aceite na empresa uma repartição mais equitativa dos salários e que o total das remunerações seja atribuído aos trabalhadores numa proporção que relacione o salário mínimo com o salário do topo. Hoje temos remunerações de quadros superiores que são manifestamente desproporcionadas. Sem alterar os custos de pessoal da empresa seria possível, e a meu ver desejável, não só por ser mais equitativo, mas por ser um elemento dinamizador da própria economia, que se introduzissem regras de proporcionalidade nos salários. Depois haveria todo um conjunto de medidas que se podem tomar, como o trabalho a meio tempo, a dois terços do tempo... Acho fundamental dar lugar aos mais novos".

sábado, 3 de novembro de 2012

Que país queremos ser? – pergunta a Comissão Justiça e Paz


A Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) promove neste sábado uma conferência anual sobre o tema “Portugal: o país que queremos ser”.
“Estamos perante desafios importantes da nossa cultura e identidade; num tempo de crise, que também é de oportunidades para repensar modelos de vida e de felicidade individuais e coletivos, e rever instituições, com vista a torná-las mais justas e mais humanas”, justifica a Comissão, organismo da Igreja Católica para intervir em questões sociais.
Esta tarefa, acrescenta a CNJP na apresentação da iniciativa, “deve ser participada”. Impõe-se, por isso, “de forma clara que cada um se reconheça artífice da construção coletiva.”
A Comissão tomou recentemente uma posição muito dura contra as políticas do Governo. Numa nota com o título “Os números e as pessoas", a CNJP considerou que a orientação económica e financeira do Executivo evidencia falhanços em vários níveis, nomeadamente na  equidade e na correcção das desigualdades.  
 Na conferência deste sábado, que decorre a partir das 9h30 no Auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, Francisco Seixas da Costa tratará da questão da reforma do sistema financeiro.
A partir da nota do Conselho Pontifício Justiça e Paz, onde se pedem “formas de controlo monetário global”, Seixas da Costa falará sobre a perspectiva de uma autoridade financeira de competência universal. A nota do Conselho Pontifício diz que o Fundo Monetário Internacional (FMI) perdeu “a sua capacidade de garantir a estabilidade das finanças mundiais”. O FMI é uma das instituições envolvidas no memorando de entendimento com Portugal, garantindo empréstimos para pagar a dívida pública portuguesa.
Na conferência, cujo programa pode ser consultado na página da CNJP na internet, intervêm ainda o general Ramalho Eanes (sobre “A sociedade civil nas sociedades democráticas contemporâneas”) e o constitucionalista José Gomes Canotilho (que tratará o tema “O papel do Estado na realização do bem comum”).
O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. José Policarpo, e o presidente da CNJP, Alfredo Bruto da Costa, encerram a sessão.
Ontem mesmo, o bispo do Porto apelou a que o Estado deve garantir o apoio aos cidadãos, de forma a que ninguém fique desamparado.

Comentário – As duas Igrejas
A conferência da CNJP traduzirá, mais uma vez, a existência de duas Igrejas Católicas que nunca se encontram – à semelhança de duas linhas paralelas; digo duas, como caricatura, porque há mais. Mas, no que diz respeito à intervenção social, há pelo menos esses dois tipos de intervenção: a de organismos como a CNJP ou a Cáritas, normalmente preocupadas com as consequências das decisões políticas e económicas na vida quotidiana dos cidadãos; e a de outros grupos ou movimentos católicos (que estão sobretudo alinhados com a direita do espectro político) que se limitam a enunciar princípios genéricos da doutrina social católica, mas sem indicar consequências nas decisões políticas.
O que se passa actualmente com a crise financeira europeia é disto exemplo. O documento do Vaticano antes citado fala da necessidade de refundar o sistema financeiro internacional – na linha, aliás, de várias tomadas de posição dos papas João Paulo II e Bento XVI. Essa afirmação é feita na consideração de que o actual sistema financeiro não respeita alguns princípios fundadores do pensamento social católico: nomeadamente, a centralidade da pessoa e a supremacia do bem comum  em relação ao uso privado dos bens.
Por isso, também, quando tanta gente por toda a Europa se manifesta – nos meios de comunicação, nas redes sociais, nas ruas – para exigir uma outra atitude dos governos, seria importante que os responsáveis da Igreja Católica entendessem esse clamor. Ainda esta quinta-feira, o patriarca de Lisboa insistia na TSF na ideia de que a democracia não se decide na rua.  Mas não é isso que está em causa: se os cidadãos que tomam posição (desde altos dirigentes partidários e ex-governantes) não querem que a democracia se decida na rua, também estão a afirmar que não querem que a democracia lhes seja roubada por um poder financeiro obscuro, e que ninguém escolheu – logo, que não é de todo democrático.
Seriam questões interessantes para ver debatidas na conferência da CNJP – e para ver debatidas entre católicos de diferentes perspectivas, que nunca se encontram... 

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

" a política pública não tem combatido eficazmente (...) a desigualdade na sociedade portuguesa", considera a Comissão Nacional Justiça e Paz


" (...) o Governo nunca foi capaz de demonstrar que os sacrifícios exigidos aos portugueses estavam  distribuídos com equidade", afirma a Comissão Nacional Justiça e Paz, num pronunciamento hoje divulgado".
"Apesar de frases sonantes nesse sentido - prossegue a CNJP -  a política pública não tem combatido eficazmente as disparidades na distribuição do rendimento e outras formas de desigualdade na  sociedade portuguesa, havendo mesmo indícios de agravamento destas desigualdades nos últimos anos. Só agora se ouviu o anúncio de que seriam sujeitos a impostos novos alguns tipos de bens e  de  rendimentos de capital. O contraste entre o pormenor das medidas que atingem os rendimentos do trabalho e o carácter vago e brando de algumas que irão afetar, no futuro, a riqueza e os rendimentos de capital é significativo.
O desnível das condições de vida sofrido pelas pessoas e famílias por força da crise e das políticas públicas revela um quadro  socioeconómico gritantemente desigual. Enquanto a uns falta pão, casa, água e luz, outros mantêm um nível de vida praticamente igual, se não mais elevado, do que aquele que tinham antes da crise. Está aqui um critério fundamental de equidade: não basta proporcionalidade no que se retira (por via fiscal ou outra); também é preciso que exista equidade no que resta depois disso (rendimento disponível). Esta é a medida em que as pessoas e as famílias são afetadas pela crise e medidas conexas. Isto aplica-se não apenas aos rendimentos do capital, mas também a certos estratos de rendimentos do trabalho, como são os de alguns dirigentes de empresas".

Ler o documento na íntegra AQUI.
Imagem: escultura de José Rodrigues

domingo, 9 de setembro de 2012

Um silêncio ensurdecedor

Começa a ser ensurdecedor o silêncio da Conferência Episcopal Portuguesa sobre a gravidade da situação social e económica em Portugal.
Estão em causa valores e princípios fundamentais do Evangelho e da doutrina da Igreja - no tratamento desigual dos cidadãos quanto aos sacrifícios exigidos; em leis do trabalho que ameaçam a dignidade das pessoas que trabalham; na subida galopante do desemprego e da precariedade, que começa a atingir, cada vez mais, os dois membros das famílias; na destruição dos horizontes das gerações mais novas, obrigadas a emigrar à procura de futuro; na iniquidade da especulação financeira.
Perante o crescimento da pobreza e da exclusão social, é dramático e chega a ser escandaloso que a dimensão da justiça social quase se tenha eclipsado dos pronunciamentos da Igreja. Defende-se, naturalmente, e bem, a urgência da solidariedade e da caridade; considera-se que estes tempos de grandes questionamentos representam oportunidades para mudar de vida, mas está-se longe, muito longe, de tocar com clareza e vigor profético nos mecanismos que produzem a pobreza e o crescente desespero de tantas pessoas. E, sobretudo, cala-se a exigência de que quem tem mais não pode continuar à margem dos sacrifícios e, menos ainda, a aproveitar-se da miséria alheia para enriquecimento próprio. E estes princípios básicos não podem deixar de ser aplicados ao teor das medidas que a cada dia que passa sobrecarregam o fardo daqueles que menos podem, a começar pelos idosos, reformados e pensionistas.
É certo que os movimentos operários católicos lá continuam a intervir e a alertar, com regularidade, assim como a Comissão Nacional Justiça e Paz. Mas sem o respaldo corajoso que seria de esperar dos bispos. A não ser que tenham D. Januário como porta-voz, o que não parece, de todo, ser o caso.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Há riscos de se vir a instalar uma "cultura de medo e submissão" nas empresas, denuncia Grupo da Comissão Justiça e Paz


O Grupo Economia e Sociedade (GES) da Comissão Nacional Justiça e Paz acaba de publicar o documento Reflexões em torno do “Acordo de concertação social 2012”

, no qual denuncia "os riscos de que venha a instalar-se uma cultura de medo e submissão entre os cidadãos", pelo "poder discricionário" que aquele acordo instaura a favor do patronato.
O "uso e abuso" desse poder poderá ter graves consequências em matéria de "despedimentos, de diminuição de férias e fixação de horário de trabalho", observa o GES, lembrando que "situações de trabalho, que pressionam os cidadãos trabalhadores para aceitarem condições injustas, apresentadas como “inevitáveis”, não favorecem a democracia nem na empresa nem no contexto mais amplo da sociedade".
O documento faz notar que a concretização do Acordo de concertação social 2012 e seu impacto na economia e na sociedade "vai depender quer da legislação que vier (ou não!) a ser aprovada quer da dinâmica que o mesmo vier a gerar por parte dos parceiros sociais e das relações sociais".
Nesta tomada de posição, o Grupo da Comissão Nacional Justiça e Paz faz apelo "à responsabilidade particular que cabe aos gestores cristãos na viabilização de relações laborais que em tudo salvaguardem a dignidade dos trabalhadores, a condição subjectiva do trabalho humano, a conciliação do trabalho com a vida familiar, o direito universal aos bens e demais orientações do Pensamento social da Igreja".

Ler o documento na íntegra: AQUI