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sábado, 24 de maio de 2014

Eleições para o Parlamento Europeu: Bispos europeus avisam para situação trágica na União Europeia


(ilustração reproduzida daqui)

Os candidatos a deputados europeus que, na maior parte dos países da União Europeia, vão a votos neste domingo (no Reino Unido e Holanda as eleições decorreram quinta-feira), devem estar “cientes dos danos colaterais da crise económica e bancária iniciada em 2008”, que se manifestam no facto de o “número dos ‘novos pobres’” estar a crescer “a um ritmo alarmante”, a par da “frustração das perspectivas de futuro de muitos (...) jovens”.
A afirmação é da Comissão dos Episcopados da Comunidade Europeia (Comece), numa nota sobre as eleições para o Parlamento Europeu. No documento, os bispos acrescentam, ainda sobre os efeitos da actual crise, que “a situação é dramática, para muitos até mesmo trágica”.
Na nota, os bispos apelam ao voto, avisam que  há “demasiado a perder se o projeto europeu descarrilar”, que o tratamento dos migrantes que buscam a UE para trabalhar deve ser mais “humano” e que é necessário um compromisso “com uma abordagem mais ecológica”. Ao mesmo tempo, recordam que a solidariedade é um “pilar da União”.
Uma notícia mais desenvolvida sobre este documento pode ser lida aqui.

Sobre a crise actual e as suas causas, bem como a inevitável consequência de destruição do projecto europeu, se o caminho político não for alterado, vale a pena ainda ler uma entrevista do ex-conselheiro económico do presidente da Comissão Europeia, Philippe Legrain.
A propósito do seu novo livro European Spring: Why our Economies and Politics are in a mess, Legrain diz que a crise resultou de se ter colocado os interesses dos bancos à frente do bem-estar das pessoas: “Na primeira fase da crise, já foi suficientemente mau que os contribuintes tenham tido de salvar os bancos dos seus próprios países. Mas quando o problema alastrou a toda a UE, o que aconteceu foi que a zona euro passou a ser gerida em função do interesse dos bancos do centro – ou seja, França e Alemanha – em vez de ser gerida no interesse dos cidadãos no seu conjunto. O que é profundamente injusto e insustentável.”