Uma agente da polícia a socorrer uma das vítimas do atentado de ontem.
(foto Stefan
Rousseau/AP, reproduzida daqui)
O presidente
da Conferência Episcopal de Inglaterra e Gales, cardeal Vincent Nichols,
manifestou a sua consternação pelo atentado desta sexta-feira, 15 de Setembro,
na estação de metro de Parsons Green, na capital inglesa. O arcebispo de
Westminster disse que a reacção dos cidadãos na ajuda aos feridos mostrou “o
bom que há na humanidade, perante alguns poucos que querem dividir a nossa
sociedade”. E acrescentou que “todos devemos estar alerta, mantendo a calma”.
Sabemos que
a resposta das lideranças políticas tem oscilado entre o aumento da segurança e
as operações militares, entre a retórica oca de que não serão dadas tréguas ao
terrorismo e a venda de armas e o apoio político a governantes que mantêm uma
forte relação com grupos terroristas. E que essas respostas têm
sido inconsequentes – e, pelo contrário, têm continuado os atentados, tem
aumentado a sensação de insegurança e tem-se degradado a situação de vários países
atingidos por guerras e conflitos internos (Síria, Paquistão, Iraque...)
Qual deve
ser, então, a resposta dos cidadãos? O que se passou em Barcelona, em Agosto,
mereceu também uma resposta de afirmação unívoca de socorro às vítimas (entre
as quais duas portuguesas, avó e neta) e de afirmação de que a vida tem de
continuar, sem medo.
Essa é a
perspectiva deste texto, que a seguir se publica, escrito por monsenhor Manuel
Nin i Güell, exarca dos católicos gregos de rito bizantino, monge de Montserrat.
A tradução é de Lucy Wainewright.
No
tenim por – Não temos medo
Quando
éramos crianças e íamos em família a Barcelona para tratar de diversos
assuntos, quase sempre viajávamos de comboio e aquela visita à capital acabava sempre, antes de apanhar o comboio de
volta, com uma meia hora de passeio ao longo das Ramblas, onde víamos uma
infinidade de tendas com animais mais ou menos exóticos e com plantas,
especialmente catos de grande beleza. Era uma vitória conseguir arrancar da
generosidade de pais ou avós a decisão de comprar algum animal – um pássaro ou
um peixe – ou alguns catos, quanto mais cheio de espinhos melhor, para levar
para casa.
Nunca
imaginei que aquele lugar de descontração, de tranquilidade, de vida famíliar,
pudesse, alguma vez, tornar-se lugar de terror e morte. Qualquer atentado,
qualquer forma de terrorismo gera em nós – não digo suscita, mas gera, porque é
algo que surge, que vem de dentro – gera, digo, repugnância, tristeza e medo. E
estas duas últimas reações podem constituir a verdadeira vitória do terrorismo
e dos terroristas: a tristeza e, acima de tudo, o medo. O medo de que possam
voltar de novo, que nos possa acontecer um dia a nós, em qualquer lugar e nos
lugares mais variados, até mesmo nos locais de lazer e tranquilidade.
