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quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Eduardo Lourenço e Tolentino Mendonça debatem Espírito da arte / arte do espírito

Agenda


Vieira da Silva, La lutte avec l'ange I, 1992; col. Galerie Jeanne-Bucher, Paris; 
imagem reproduzida no catálogo da exposição Vieira da Silva nas colecções internacionais
ed. Assírio & Alvim/Fund. Arpad Szenes-Vieira da Silva, 2004


Nesta quinta-feira, dia 5, o museu da Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, em Lisboa, acolhe o debate Espírito da Arte / Arte do Espírito, com a participação do ensaísta Eduardo Lourenço e do biblista José Tolentino Mendonça, moderados por José Carlos Seabra Pereira, actual director do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura. Sobre a iniciativa, o museu e o SNPC divulgaram o seguinte texto:

Na prossecução dos seus fins próprios, a Fundação Arpad Szenes / Vieira da Silva e o Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura entendem ser de plena pertinência pensar e porventura organizar um ciclo de encontros em torno do ethos peculiar de cada arte, enquanto experiência reflectida de grandes criadores e intérpretes, em duetos ouvidos e interpelados por elementos qualificados da assistência que a esses encontros há-de acorrer.
O confronto com essa perspectivação de cada arte decerto implicará, sobretudo por parte de protagonistas de Arte de fronteira, a consideração da problemática das fronteiras da Arte; e o intuito dos promotores da iniciativa é que "fronteira" surja aí como linha de autonomias correlacionadas ou interactivas, isto é, como distinção e como vizinhança, como factor de identificação e de comunicação. 
Em coerência com as peculiares razões de existência da Fundação Arpad Szenes / Vieira da Silva e do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura essa reflexão dialogante situar-se-á também na fronteira entre Espírito da Arte e Arte do Espírito – no sentido em que procuraria testemunhar ou questionar e discutir as fronteiras porosas entre uma poética da espiritualidade religiosa e uma espiritualidade (sagrada ou outra) inerente à poética das artes.
Propomos, pois, de imediato uma sessão introdutória à livre especulação da temática global assim apontada: "Espírito da Arte / Arte do Espírito", em que o diálogo pensante vai desenvolver-se a partir do verbo de Eduardo Lourenço, em dueto com José Tolentino Mendonça.

Movidos por esse dueto, quantos participarem nesse primeiro encontro decerto se inclinarão para uma sequência de sessões idênticas,  polarizadas por duas figuras relevantes de cada arte – provavelmente, uma mais reputada como criador, outra mais notória como intérprete performativo ou/e crítico.

Texto anterior no blogue
Padre Leonel Oliveira (1934-2015): testemunha do Evangelho - in memoriam

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

“Um buraco de luz para Deus”: Tolentino Mendonça assina textos da oratória inter-religiosa “Credo”

Agenda – Música


“Ligo o braço longe a uma estrela/ A lua límpida sobe no céu/ Um anel passa através de outro anel// Procuro o tempo e encontro a passagem/ Procuro a morada e encontro o relento.”
Estes são os primeiros versos de “Um buraco de luz para Deus”, título de uma das composições que o padre José Tolentino Mendonça escreveu para “Credo”, oratória inter-religiosa e intercultural que vai ser estreada amanhã, dia 10, em Lisboa.
O texto, que se une à direção musical e artística do compositor italiano Mario Tronco, será apresentado na 7.ª edição do Festival Todos, que entre 10 e 13 de Setembro tem o epicentro na Colina de Santana e Campo dos Mártires da Pátria.
No texto redigido para a Folha de Sala, que reproduzimos nesta página (assim como a composição “Um buraco de luz para Deus”), José Tolentino Mendonça sublinha que “a fé é uma manifestação de confiança no silêncio” e expressa a convicção de que “as experiências religiosas são instrumentos para observar o enigma do mundo”.
“Crer é uma condição necessária para viver. Quer seja uma doutrina, quer seja um pensamento, ou uma qualquer relação entre pessoas, aquilo em que se crê define o caminho que se trilha na vida. É isso que iremos cantar, através das palavras escritas e escolhidas por José Tolentino Mendonça”, explica, por seu lado, Mario Tronco, citado no sítio da iniciativa.
(texto para continuar a ler aqui)



quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Uma estética do Encontro

         Crónica

     Como o barro que se deixa moldar pelas mãos do artista, assim o artista (re)cria a linguagem de uma Procura num rebuliço interior que ganha uma estética. Uma estética com ética. O ritmo e a harmonia numa síntese entre a forma e o conteúdo.

      A intervenção humana na construção do «belo», de uma estética, burilou também a conceção de Deus, fazendo de Deus uma «obra» desenhada pelo próprio homem. Deus entende-se ou faz-se entender na sensibilidade, no tempo que é agora e que, pela estética da natureza, como «obra», ou da «obra» que resulta da natureza humana, é também um tempo indefinido no espaço incontrolável. Onde sopra o vento... a poesia e a arte podem ser a ignição do divino.

      Mas se é pelos sentidos que se constrói o «belo» e a fé pode ganhar força de atração, estará a estética de Deus condicionada pelas aparências do sensível? Nada há no intelecto que não passe antes pela escuta dos sentidos, pela “arte da escuta”, que, nas palavras do poeta Tolentino de Mendonça, é também “um exercício de resistência” (A mística do instante, 2014, Paulinas).  

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Este livro arde por dentro dos olhos

Livro



Na Bíblia abunda o sublime, inseparável do quotidiano? E Deus, anda ele entre as caçarolas? O texto bíblico abre para o infinito plural da interpretação? E o amor entre duas pessoas é profundamente espiritual?
O modo como José Tolentino Mendonça conjuga a Bíblia traduz um percurso raro, um labor original. O exegeta – e também poeta, autor de A Noite Abre Meus Olhos – é capaz de, num único texto, abrir horizontes, ver o que nunca se vira, cerzir pontas aparentemente soltas, desvendar sentidos recônditos. E fazer tudo isto devolvendo ao leitor um imenso prazer pelo texto.
A Leitura Infinita – Bíblia e Interpretação confirma o caminho iniciado em As Estratégias do Desejo (ed. Cotovia) e confirmado em A Construção de Jesus (Assírio & Alvim). A presente obra reúne textos de teologia e exegese bíblicas, alguns deles editados antes em publicações da especialidade, e agora revistos para este livro.
Não se pense que se trata de uma colectânea de textos avulsos sem outro nexo além do tema genérico. Bem ao inverso: há uma coerência que se aprofunda. A parte inicial faz um elogio da leitura narrativa do texto bíblico. Depois, o autor apresenta quatro temas fundacionais na Bíblia cristã: o escondimento e a revelação; a arte de amar; a cozinha, a mesa e a refeição; e a manifestação de Jesus. No final, há ainda três entrevistas, duas delas realizadas por quem assina estas linhas – facto que, espero, fique alheio ao que aqui se escreve.
Foi José Tolentino Mendonça quem revelou em Portugal a estratégia narrativa de aproximação ao texto bíblico. Os métodos de leitura da Bíblia – histórico-crítico, semiótico, de libertação, feminista, etc. – serviram, no último século e meio, para expurgar o texto da sua leitura mais tradicional ou, pior, fundamentalista. O método narrativo acrescentou-lhes um modo de olhar a Bíblia como um “jardim de lírios” da literatura, para utilizar a expressão de Oscar Wilde.
Um texto maior? Numa obra de 1946, sobre o realismo na literatura do Ocidente, Erich Auerbach fala da Odisseia e da Bíblia como dois paradigmas fundamentais. E, falando da Bíblia, escreve ainda Wilde: “Nem em Ésquilo nem em Dante, esses mestres supremos da ternura, nem em Shakespeare, o mais puramente humano de todos os grandes artistas, nem no conjunto das lendas e mitos celtas, onde a beleza do mundo é apresentada através de um nevoeiro de lágrimas (...), há alguma coisa que (...) possa considerar-se igual, ou mesmo aproximada...”

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Um Papa incorrigível – e o que se passa com a Igreja?

Na sua crónica de domingo passado, no Público, frei Bento Domingues escreve, sob o título Este Papa é incorrigível:

Nesse discurso [do Papa aos participantes no encontro mundial dos movimentos populares, no Vaticano], ao deparar com a expressão, “Digamos juntos”, pensei que estava a iniciar uma prece comunitária. E estava. Só não era a mais habitual na boca de um Papa: “Digamos juntos, de coração: nenhuma família sem casa, nenhum camponês sem terra, nenhum trabalhador sem direitos, nenhuma pessoa sem a dignidade que o trabalho dá”.
Ao ritmar “terra, teto e trabalho”, no primeiro Encontro Mundial de Movimentos Populares, a ladainha do Papa, de facto, não é a de um ideólogo do capitalismo.
(o texto integral pode ser lido aqui)


Na crónica de sábado passado, no Expresso/Revista, José Tolentino Mendonça perguntava, a propósito do recente Sínodo dos Bispos, O que se passa com a Igreja Católica? E escrevia:

O que debilita a Igreja são os falsos unanimismos ou o empurrar as questões difíceis para debaixo do tapete. O que debilita a Igreja é a rigidez de quem se considera dono da ortodoxia e se torna surdo à porção de verdade que os outros testemunham
(excertos do texto podem ser lidos aqui)

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Jantares e mesa, ciência e divino, casas e cristianismo

Crónicas

Na sua crónica de Domingo, no Público, frei Bento Domingues escreve a propósito do próximo Sínodo dos Bispos católicos, que debaterá os problemas da família. E, sobre os divorciados que voltaram a casar, escreve, sob o título Convidados para jantar, proibidos de comer:
Há divorciados recasados que são convidados a seguir a espiritualidade desse caminho. Existem outros que não aceitam qualquer descriminação. Também encontramos teólogos e pastoralistas, bispos, padres e cardeais advogados das duas orientações. No Sínodo, terão de conversar. Em qualquer dos casos seria importante que os interessados tivessem uma palavra a dizer e uma consciência a seguir.
De qualquer modo, a participação numa refeição pertence à simbólica da Eucaristia. Quem aceitaria um convite para jantar, com a seguinte cláusula: vem jantar, mas olha que não podes comer? Pensemos nisto nas próximas Celebrações Eucarísticas.
(texto integral para ler aqui)


À volta do mesmo tema, Fernando Calado Rodrigues retomava sexta-feira, no Correio da Manhã a celebração de matrimónios do Domingo anterior, para escrever sobre Papa “casa” divorciado:
Espera-se que o Sínodo dos Bispos reflita sobre essa e outras situações irregulares e que encontre uma solução para que as pessoas possam ser admitidas à confissão e comungar. Para já o Papa limitou-se a acolher diferentes percursos para o matrimónio 
(texto integral para ler aqui)


No comentário à liturgia católica de Domingo passado, Vítor Gonçalves escreve, com o título Em casa:
Que todos trabalhem na sua vinha é o desejo de Deus; e a sua vinha é o mundo. Esta casa comum onde é urgente concretizar dinamismos de trabalho que valorizem cada pessoa, opções políticas e económicas que superem o abismo entre rendimentos escandalosos por excesso e por miséria. Que casa andamos a construir?
(texto integral para ler aqui)


No DN de sábado, Anselmo Borges escreve o segundo texto acerca do tema A ciência e o divino:
É tal a dívida para com a ciência que se corre mesmo um risco e tentação: pensar que ela detém o monopólio da razão. De facto, não detém, pois a razão é multidimensional e há necessidades humanas a que a ciência não responde: por exemplo, a estética, a ética, a religião. O homem será sempre religioso, porque não deixará de colocar a questão do fundamento e sentido últimos.
(texto integral para ler aqui)


No Expresso-Revista de sábado, José Tolentino Mendonça escreve a propósito da pergunta O cristianismo está a morrer?:
O que será o cristianismo do futuro? O teólogo Karl Rahner escreveu, como uma espécie de testamento, três coisas que fazem pensar: 1) o cristianismo voltará a ser formado por pequenas comunidades, mas vivendo com maior entusiasmo e simplicidade a sua fé; 2) a adesão à crença não aocntecerá por pressão sociológica, mas por um caminho pessoal, livre, maturado e esclarecido; 3) o cristianismo perderá relevância política e estratégica, mas reganhará espaço para afirmar o santo poder do coração.
(texto integral para ler aqui)

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

O rosto de Jesus é uma lua esculpida em pedra


Livro

Aparece-nos Jesus como uma lua cheia. Uma lua cujo olhar se prolonga em dois braços abertos. E cujo falar se prolonga como quem se coloca em marcha para um encontro.
São rostos esculpidos em granito, “rocha ígnea, aqui de grão fino, composta por quartzo, feldspato e mica, em quantidades mais reduzidas, contendo ainda vestígios de outros minerais de presença residual”. São rostos fotografados por Duarte Belo durante mais de cinco anos.
Decorrida mais de uma década sobre esse trabalho, o fotógrafo voltou ao seu arquivo de mais de 600 mil imagens e pôs-se à procura. À selecção de 107 imagens que daí resultou, acrescentou um texto sobre “A escultura de uma fotografia” e um outro, de José Tolentino Mendonça, sobre “Hipóteses para um rosto”. O resultado é este Os Rostos de Jesus – uma revelação, que esta tarde, a partir das 18h30, é apresentado na Capela do Rato, em Lisboa, por José Mattoso. A sessão é complementada pela inauguração da exposição fotográfica com as imagens do livro.
Em dezenas de cruzeiros espalhados pelo país (mas concentrados sobretudo no Alto Minho e em Trás-os-Montes), podemos encontrar rostos de Cristos serenos ou ingénuos, de olhar rendido ou atento, com corpos ingénuos ou disformes, em cruzes toscas ou glorificadas pelo ornamento. Podemos ver rostos já carcomidos ou quebrados, outros enegrecidos ou, ainda, esverdeados pelos elementos. Rostos, também, que parecem crianças, outros muito direitos, outros ainda em posições quase impossíveis.
Como escreve Duarte Belo, encontramos, neste olhar múltiplo sobre o Jesus crucificado, “o humano em toda a sua complexidade e indeterminação, encontramos uma condição, que dilui, funde, todos os sentimentos: a angústia, a serenidade, a resignação, a paz, a alegria, o sofrimento, a ânsia de liberdade, a impossibilidade das lutas efémeras, os jogos de sobrevivência, a esperança, o desejo de compreensão de uma totalidade, de uma integração cósmica”.
O Jesus-lua, fotografado no Lindoso (Ponte da Barca, Viana do Castelo), remete exactamente para essa ideia da integração cósmica. Outros falam de um mistério, já que o tempo, esse grande escultor, apagou deles o contorno definido, o olhar concreto. E deixou apenas uma silhueta, uma aproximação, algo que nos faz perguntar: como é este rosto?

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Entre a vida e a morte, aprender a cuidar

Crónicas

Nas crónicas do último fim-de-semana, a morte, o feriado de Todos os Santos e o cuidado com a vida e a fragilidade da existência foram o tema comum a alguns dos textos. No Expresso/Revista de sábado, José Tolentino Mendonça escrevia sob o título Aprender a morrer:

Temos de aprender a estar com os outros quando chegar o seu momento, desenvolvendo capacidades até então negligenciadas. Temos de aprender a cuidar da dor e a minorá-la, mas não só com comprimidos: também com o coração, com a presença, com os gestos silenciosos, o respeito, com uma expectativa de coragem. Os doentes não estão à procura de indulgência. Temos de aprender a embalar a fragilidade, a dos outros e a nossa própria, ajudar cada um a reencontrar-se com as coisas e com as memórias certas, a não desesperar, a encontrar um fio de sentido no que está a viver, por ínfimo e trémulo que seja. Temos de aprender a ser suporte, temos de querer eficiência técnica mas também compaixão, temos de reconhecer o valor de um sorriso, ainda que imperfeito, em certas horas extremas. À beira do fim há sempre tanta coisa que começa.

O texto completo pode ser lido aqui

Também no sábado, no DN, Anselmo Borges dedicava a sua crónica a’Os dias da memória e da interrogação, que a suspensão do feriado de dia 1 de Novembro colocou em questão:

Mas até a Igreja Católica, na negociação dos feriados, preferiu a Senhora da Assunção aos dias de Todos-os-Santos e dos Finados. Um erro. De facto, estes são os dias da memória (lembrar todos os que partiram) e da interrogação essencial: o que é o homem?, viver para quê?, qual o sentido da existência? Nestas perguntas, transcende-se a morte como facto biológico e abre-se outra dimensão.

(Texto integral para ler aqui)

Na véspera, no Correio da Manhã, Fernando Calado Rodrigues escrevia especificamente sobre a suspensão do feriado, para defender que ela pode até trazer possibilidades de uma acção renovada:

Duvida-se, valha a verdade, dos benefícios que possam advir para a economia do país da supressão de um feriado. Mas, pelo menos, a Igreja Católica ganhou com a purificação do dia de Todos os Santos do contágio dos sentimentos próprios do dia de Fiéis Defuntos.

(texto para ler aqui)