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sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Quando a Filosofia e a Literatura se cruzam


Agenda


Vittorio Carpaccio, Santo Agostinho no estúdio, escrevendo as Confissões 
(Scuola di San Giorgio degli Schiavoni, Veneza)
 
Quando a Filosofia e a Literatura se cruzam é o título do curso que se inicia na próxima segunda-feira, 15 de Janeiro, na Capela Nossa Senhora da Bonança (conhecida como Capela do Rato), em Lisboa.
As sessões, com ritmo semanal, decorrem às segundas-feiras, sempre entre as 18h15 e as 20h, e abordarão autores de séculos passados como Platão, Santo Agostinho, Goethe, Voltaire ou Nietzsche, ou mais recentes como Albert Camus, Clarice Lispector, Milan Kundera, Umberto Eco ou Gonçalo M. Tavares.
Coordenado cientificamente por Maria Luísa Ribeiro Ferreira, o curso conta com as intervenções, entre outros, de Fernanda Henriques, Viriato Soromenho-Marques ou José Tolentino Mendonça.
Outras informações e o calendário dos temas e oradores podem ler-se aqui.
As inscrições encontram-se encerradas mas, à semelhança do que aconteceu com os cursos anteriores, sobre Filosofar é também agir (2017), e Os filósofos também falam de Deus (2016), o áudio das sessões ficará disponível em linha (no caso, as gravações podem ser encontradas nos anos respectivos, na rubrica O curso dos dias, da página da Capela do Rato).

sábado, 19 de junho de 2010

domingo, 20 de dezembro de 2009

Calendário de Advento (21) - Stille Nacht e outras extraordinárias histórias de Natal

A mais mágica canção de Natal – Noite Feliz, na versão portuguesa – nasceu numa pequena aldeia austríaca. E ela própria, como convém à época, está já também envolta em lendas e histórias maravilhosas. As artes, a música e a literatura sempre rimaram com Natal. Mostram desde sempre, na expressão de Sophia, “a substância imortal da alegria”.


(Ilustração de Júlio Resende em A Noite de Natal, de Sophia de Mello Breyner Andresen, ed. Figueirinhas)


“Parece um amigo. É exactamente igual a um amigo.” (Sophia de Mello Breyner Andresen, Noite de Natal)

Sol – Lá – Sol – Mi. A 24 de Dezembro de 1818, quando o professor de música Franz Gruber pegou na guitarra, as quatro primeiras notas saíram para musicar as palavras que o seu amigo, o jovem pastor Joseph Mohr, acabara de lhe trazer: Stille Nacht. Noite silenciosa, noite tranquila. Heil'ge Nacht! Noite santificada. Ambos estavam longe de imaginar que aqueles primeiros acordes e palavras dariam a volta ao mundo, tornando-se na mais conhecida e mágica melodia de Natal.

A criação de Stille Nacht é, ela própria, uma história já envolta em lenda. Há relatos de que o órgão da igreja de Oberndorf, na Áustria, teria avariado, com os foles roídos por ratos. Outras versões garantem que Mohr gostava de guitarra ou que a canção foi composta e depois esquecida por ambos os autores – o que é desmentido pelos factos: há manuscritos de ambos que comprovam que Stille Nacht foi cantada entre 1820 e 1855. As lendas chegaram ao ponto de atribuir a sua autoria a Beethoven ou Mozart.

Nessa noite de Natal, na pequena igreja de São Nicolau, o coro da igreja e a população de Oberndorf cantaram pela primeira vez a melodia composta horas antes, mas cujo poema Mohr escrevera em 1816. Em cada estrofe, o coro repetia, a quatro vozes, o último verso. Hoje, o coro e as estrofes repetem-se em pelo menos 300 línguas e dialectos diferentes.

Tanto quanto se sabe, isso deve-se também a Karl Mauracher, um reparador de órgãos que por várias vezes foi a Oberndorf, aproveitando para copiar Stille Nacht. Mais tarde, as famílias Strasser e Rainer, de cantores ambulantes, começaram a cantar a melodia – em Dezembro de 1832 já há notícia de ela ter sido executada num concerto em Leipzig, na Alemanha. Missionários católicos e protestantes acabaram a levá-la para as Américas, África, Ásia e Oceânia.

Natal rima, desde há muito, com histórias mil, contadas através da pintura, escultura, música ou contos. Sophia de Mello Breyner juntou à literatura a música das suas palavras: Em Baltazar, nos Contos Exemplares, escreve: “A estrela ergueu-se muito devagar sobre o Céu, a Oriente. O seu movimento era quase imperceptível. Parecia estar muito perto da terra. Deslizava em silêncio, sem que uma folha se agitasse. Vinha desde sempre. Mostrava a alegria, a alegria una, sem falha, o vestido sem costura da alegria, a substância imortal da alegria.”

A mesma alegria de Joana, em A Noite de Natal, quando descobre um amigo – Manuel – que é, afinal, aquele que os três reis magos vão adorar: “Até que chegaram ao lugar onde a estrela tinha parado e Joana viu um casebre sem porta. Mas não viu escuridão, nem sombra, nem tristeza. Pois o casebre estava cheio de claridade, porque o brilho dos anjos o iluminava.”

O Natal é, sempre, o tempo das canções. Como no Cântico dos Cânticos (2, 10-14): “Fala o meu amado e diz-me: Levanta-te! Anda, vem daí, ó minha bela amada! Eis que o Inverno já passou, a chuva parou e foi-se embora; despontam as flores na terra, chegou o tempo das canções, e a voz da rola já se ouve na nossa terra; a figueira faz brotar os seus figos e as vinhas floridas exalam perfume. Levanta-te! Anda, vem daí, ó minha bela amada! Minha pomba, nas fendas do rochedo, no escondido dos penhascos, deixa-me ver o teu rosto, deixa-me ouvir a tua voz. Pois a tua voz é doce e o teu rosto encantador.”


Uma melodia entre milhares
Stille Nacht é apenas uma das milhares de melodias que cantam o Natal. Tema musical por excelência, o Natal inspirou autores antigos e contemporâneos, populares e eruditos. No canto gregoriano, o Natal foi festejado com temas do Gloria ou com o Puer natus est nobis (Uma criança nasceu para nós). O Gloria, de Vivaldi, as Oratórias e as Cantatas de Bach, o Hodie Christus Natus Est (Cristo hoje nasceu) de Schutz, O Magnum Mysterium (Ó grande mistério) de Gabrielli, as Vésperas da Bem-Aventurada Virgem, de Monteverdi, são apenas alguns exemplos de como a grande música foi celebrando o Natal. A nível popular, e para só falar em Portugal, podem citar-se, entre muitas outras músicas, José embala o Menino, o Natal de Elvas, Ah! Vinde Todos. Em O Menino, de Pias, canta-se: “Pobre em Belém, sorrindo na dor,/ Quem tudo sustém, do mundo Senhor.”


Poema - Natal, de Álvaro Feijó

Nasceu.
Foi numa cama de folhelho,
entre lençóis de estopa suja,
num pardieiro velho.
Trinta horas depois a mãe pegou na enxada
e foi roçar nas bordas dos caminhos
manadas de ervas
para a ovelha triste.
E a criança ficou no pardieiro
só com o fumo negro das paredes
e o crepitar do fogo,
enroscada num cesto vindimeiro,
que não havia berço
naquela casa.
E ninguém conta a história do menino
que não teve
nem magos a adorá-lo,
nem vacas a aquecê-lo,
mas que há-de ter
muitos Reis da Judeia a persegui-lo;
que não terá coroa de espinhos
mas coroa de baionetas,
postas até ao fundo
do seu corpo.
Ninguém há-de contar a história do menino.
Ninguém lhe vai chamar o Salvador do Mundo.

(In Natal... Natais – Oito Séculos de Poesia sobre o Natal,
antologia de Vasco Graça Moura, ed. Público)

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Peça de Gil Vicente e conferências sobre Deus

O Teatro Nacional São João (TNSJ - Porto) apresenta, a partir de hoje, a peça de Gil Vicente “Breve Sumário da História de Deus”. No Porto, pode ser vista até 20 de Dezembro, de terça a sábado às 21h30 e ao domingo às 16h. De 8 a 31 de Janeiro de 2010, estará no Teatro Nacional D. Maria II (Lisboa).

Em paralelo com o espectáculo, acontece o ciclo de conferências “O que resta de Deus”. A primeira é no dia 26 de Novembro, às 18h30, no Salão Nobre do TNSJ, com José Tolentino Mendonça e Armando Silva Carvalho. Moderação de Jacinto Lucas Pires.

TNSJ

O que resta de Deus

Manual de Leitura de "Breve Sumário da História de Deus"

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Feira das Espiritualidades na Assírio & Alvim


Na Assírio & Alvim, em Lisboa, começa esta quarta-feira a Feira do Livro das Espiritualidades. A abrir, a partir das 18h30, um debate, a apresentação de dois livros e um pequeno concerto. No debate, frei Bento Domingues e Isabel Allegro Magalhães conversam sobre a actualidade da mística. Os dois livros novos são as Cartas de Etty Hillesum e O Livro de Horas de Rainer Maria Rilke. João Grosso lerá textos e Rogério Cardoso Pires tocará guitarra.