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terça-feira, 19 de novembro de 2013

Interações do Estado e das Igrejas apresentado hoje por Jorge Sampaio e Manuel Clemente

Agenda – livro

Interações do Estado e das Igrejas é o título do livro que esta tarde será apresentado por Jorge Sampaio, ex-Presidente da República e ex-Alto Comissário da ONU para a Aliança das Civilizações, e por D. Manuel Clemente, patriarca de Lisboa e professor universitário. A sessão decorre a partir das 18h30 na biblioteca da Assembleia da República (entrada pela porta lateral do Palácio de São Bento, junto ao parque de estacionamento).
O livro reúne cinco estudos. Três deles sobre instituições e outros dois sobre pessoas. O primeiro texto, de Luís Salgado de Matos, propõe uma tipologia das relações entre Estado e igrejas (ou religiões) em 193 países soberanos: a separação à americana; a separação á francesa; as religiões de Estado; e os estados religiosos ou teocracias. Conclui que, sem separação, é raro haver liberdade religiosa, mas esta é ainda uma realidade ausente em muitos países.
O segundo estudo, de António Matos Ferreira, sugere um novo paradigma para analisar a Acção Católica Portuguesa, por cujos movimentos passaram gerações de católicos portugueses. Teresa Clímaco Leitão analisa aspectos do comportamento dos partidos democratas-cristãos durante o período revolucionário em Portugal (1974-75).
Os outros dois textos dizem respeito a duas figuras de patriarcas de Lisboa: Sérgio Ribeiro Pinto estuda o livro do cardeal Manuel Gonçalves Cerejeira, A Igreja e o Pensamento Contemporâneo, no qual descobre a intenção de conciliar tradição e modernidade. Paulo Fontes aborda a figura do sucessor de Cerejeira, o cardeal António Ribeiro, figura essencial na relação da Igreja com a transição para o regime democrático.

No prefácio, António Reis escreve, sobre estes dois últimos textos: “Devo confessar, insuspeito que sou pelo cargo que já desempenhei, que os ensaios aqui publicados sobre os dois patriarcas, me levaram a vê-los com um novo olhar, em que as naturais divergências filosóficas não impedem o reconhecimento da elevada estatura intelectual e moral de ambos.”

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Um liberal no seu labirinto


Livro

Porque Devemos Chamar-nos Cristãos, de Marcello Pera, é o primeiro título da editora Frente e Verso, novo projecto editorial ligado aos jesuítas, cujo aparecimento se deve saudar. Neste livro, Pera defende a ideia de que os liberais e a Europa devem entender-se como cristãos.
A nova marca editorial pretende ter uma presença significativa quer nos debates culturais da sociedade portuguesa e europeia, através da perspectiva cristã, entendendo esta como diversa; quer na formação teológica dos cristãos e de outros interessados em reflectir e debater os “grandes temas do património cristão”; e ainda no diálogo que faça a ponte entre “as várias expressões culturais e a fé cristã”.
Uma editora com estes objectivos deve saudar-se vivamente. Uma das graves deficiências do catolicismo português é o seu baixíssimo nível cultural. Por isso, a intenção de favorecer “a inteligência da fé cristã” é desafiadora.
Filósofo, político italiano, senador desde 1996 e presidente do Senado italiano entre 2001 e 2006, Marcello Pera esteve no PS italiano com Bettino Craxi, foi depois crítico dos partidos e apoiante dos juízes das “Mãos Limpas”, passou a condenar os juízes e ligou-se à Forza Italia, de Berlusconi. Foi enquanto senador desse partido que presidiu ao Senado, como recordou Marcelo Rebelo de Sousa na apresentação do livro, feita terça-feira passada, dia 11, em Lisboa. Inicialmente agnóstico, Pera converteu-se ao catolicismo, influenciado pelo pensamento de Bento XVI, com quem o pensador tinha já publicado o livro Senza Radici (Sem raízes), dedicado à questão das raízes cristãs da Europa.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

O Papa de todos nós


O jornalista Andrea Tornielli, que trabalha no La Stampa e no Vatican Insider, publicou a primeira biografia do Papa Francisco. Editado em Portugal pela Esfera dos Livros, O Papa de Todos Nós diz que, “com a sua simplicidade e sobriedade, que não são uma atitude estudada nem fruto de uma estratégia mediática, o Papa Francisco já deu, nos primeiros dias do pontificado, um significativo sinal de mudança”. E cita a recusa da limusina, a redução da segurança ou o facto de ter permanecido no mesmo quarto da Casa de Santa Marta e não querer mudar para a suite papal como exemplos das “indicações precisas” da sua “vontade de estar próximo dos fiéis”.
Em entrevista ao jornalista Manuel Vilas Boas, da TSF, Tornielli fala de um Papa de uma grande simplicidade e humildade e de um profundo sentido espiritual, capaz de introduzir mudanças na Cúria Romana e na Igreja Católica. A escutar aqui, na altura em que se completam 100 dias sobre a eleição do Papa Francisco.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Perspectivas sobre o novo pontificado (8) – Conhecer os gostos do Papa Francisco


Um livro que é uma revelação: Papa Francisco – Conversas com Jorge Bergoglio (originalmente intitulado O Jesuíta) acaba de chegar às livrarias (ed. Paulinas). É um livro onde o actual Papa dá a conhecer muitos aspectos da sua personalidade, pensamento e acção. O livro resulta de um trabalho dos jornalistas Francesca Ambrogetti (italiana) e Sergio Rubin (argentino).
Num dos capítulos, Bergoglio fala dos seus gostos artísticos, literários e de passatempo. Mas também da forma como cresceu e descobriu a sua vocação, depois te ter tido uma namorada. Fala de Jorge Luis Borges, “um agnóstico que rezava o Pai Nosso todas as noites, porque tinha prometido à sua mãe e morreu assistido religiosamente”. Fala da música e do tango, da pintura e do cinema – A Festa de Babette está entre os preferidos –, do futebol e das memórias que guarda da avó – incluindo cartas metidas no breviário.
Esse capítulo pode ser lido aqui.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Reviver o sabor das histórias bíblicas


Livro

São histórias de gente de coragem, temperada na humildade e na sabedoria: Rute e a sua capacidade de assumir a vida dos outros e os fazer felizes; David e a sua força moldada pelo respeito; Salomão e a sua sabedoria; Ester e a sua inteligência em pacificar ódios; Daniel e a confiança em Deus e a mansidão; Jonas, o arrependimento e a convicção.
A escritora Alice Vieira pegou nesses episódios bíblicos para os repropor de novo como histórias “para ler e pensar”. Carla Nazareth ilustrou, criando um ambiente de uma beleza delicada para as diferentes personagens.
No final da história de Ester, escreve Alice Vieira: “Assuero estendeu a mão a Ester e Ester sorriu. E só então o furor do rei abrandou.” E sobre Salomão, conta: “Dizia-se que, no seu tempo, em Jerusalém, a prata era tão abundante como as pedras da rua. E que o seu trono era de marfim, e de oiro todas as taças por onde bebia. E tudo isso era possível, porque, como dizia Salomão dizia muitas vezes ao rei de Tiro, ‘Deus deu-me paz em toda a parte, não tenho por perto inimigos nem desgraças.’ Mas é sobretudo pela sabedoria e pela justiça que Salomão é recordado.”
A Bíblia é um livro de muitas histórias. Esta reescrita de Alice Vieira ajuda-nos a recuperar o sabor da narrativa bíblica e a reviver o sabor das histórias e das infâncias. Este é, por isso, um livro com sabor a Natal. 

Título: Histórias da Bíblia para ler e pensar
Autora: Alice Vieira
Ilustrações: Carla Nazareth
Edição: Oficina do Livro
52 páginas

domingo, 8 de abril de 2012

"Quem nos estraga a vida? Quem é que no-la pode libertar?"

Eduardo Jorge Madureira, na sua coluna do Diário do Minho deste Dia de Páscoa:


"Nestes dias em que tanto se pede jejum de palavras, mas ninguém se cala, pode muito bem ser, afinal, por via da leitura de algum livro que surja a oferta de uma ou outra ocasião de recolhimento. Uma das obras que, para o efeito, se podem revelar de grande utilidade é Livres para acreditar. Dez passos para a fé, da autoria de Michael Paul Gallagher, um padre jesuíta irlandês, que foi professor de literatura na Universidade de Dublin, razão por que, aliás, não se estranhará que, no livro, escritores, como Nathaniel Hawthorne, T. S. Elliot, Saul Bellow ou Flannery O’Connor, e doutores da Igreja, como Santo Agostinho ou S. Tomás de Aquino, convivam tranquilamente.


Num dos passos mais fecundos do livro, escreve Gallagher que “a fé cristã não é apenas umaquestão de verdade, mas um modo de vida, e um modo de vida que resiste às directivas de uma sociedade de massas. A maior vitória da ideologia do consumismo é reduzir a religião a mais um item na prateleira do supermercado, pondo o cristianismo a competir com o fornecimento e a procura de bens, comodidades ou seguranças”. Considera ele que, “deste modo, uma pequena dose de religião pode tornar-se uma espécie de música de fundo agradável para uma vida fundamentalmente desorientada ou imatura. Este uso tranquilizante da religião para a segurança humana é a armadilha mais típica do mundo desenvolvido. O cristianismo converte-se numa agradável alienação da realidade, pessoalmente consoladora, mas sem nada de desafiante em termos sociais, atraente para um entusiasmo rápido e até para uma certa generosidade, mas evitando a profundidade de um seguimento como uma escolha no mundo de hoje”.

Enquanto professor universitário, Michael Paul Gallagher reconhece que a universidade pode representar um logro, ao ser uma dessas “instituições de elites que criam as suas próprias formas de opressão, permanecendo cegas, pelo menos na prática (a teoria é uma coisa diferente!), para os perigos do seu próprio sistema”. Enquanto padre, lamenta que as “tentações institucionais” possam “levar a melhor”. É que, acrescenta, “a autoridade pode ser mal utilizada, as pessoas podem não ser ouvidas e o ritualismo pode querer fazer-se passar por alimento espiritual”. Gallagher diz que “a lista podia continuar, e isso seria um reescrever das páginas dos evangelhos em que Cristo confronta a religião oficial: Os fariseus não morreram naquela geração. O seu espírito revela-se sempre que não actuamos como discípulos, mas sim como funcionários das coisas de Deus”.

A ideologia consumista, que fornece o pano de fundo e embebe a cultura dominante, é fustigada pelo autor de Livres para acreditar: “Os valores da cultura professados e vividos – sucesso, poder, prestígio, orgulho nacional, pessoal e de classe, riquezas e autoglorificação – chocam tão ampla e profundamente com os valores de Jesus que um seguidor de Cristo não pode senão sentir a cultura como um ataque à fé religiosa”.

Citando o filósofo John Francis Kavanaugh, Michael Paul Gallagher afirma que, ao contrário do que tantos postulam, é possível – e, obviamente, necessário – resistir à cultura dominante, que, assim, será menos dominante e menos desumanizadora, se se discernirem os seus perigos e se se criar algum tipo de consciência partilhada. Os mecanismos da inevitabilidade tão propagados pela ideologia dominante funcionam apenas quando as pessoas estão divididas e fragmentadas e não são capazes de alcançar algum tipo de consciência comum, considera Gallagher, socorrendo-se agora do filósofo Charles Taylor.

“A cultura que nos rodeia tenta fazer com que a religião desconsidere a dimensão de conflito dos evangelhos e que opte por um ‘programa de Jesus reduzido’”, para usar uma expressão de um outro autor, Michael Warren, que Gallagher convoca para explicar que, “nesta situação, qualquer resistência genuína terá de estar ‘fundamentada em determinados modos de vida que concretizem uma alternativa de vida’”.

Depois de citar Warren, que acredita que, no contexto religioso, um grupo não pensa primeiro para em seguida agir, mas, pelo contrário, o seu modo de agir plasma o seu modo de pensar: quando se descobrem os compromissos adequados, surge também a estrutura de vida adequada, Michael Paul Gallagher reclama uma suspeita saudável em relação à cultura que nos rodeia, capaz de representar mais um passo na direcção da liberdade. É preciso “despertar e procurar discernir as influências à nossa volta!” E, retomando uma questão de Warren, pergunta Gallagher: “Quem é que está a imaginar a tua vida por ti?” Esta pergunta, se se quiser, pode desdobrar-se em duas: Quem é nos estraga a vida? Quem é que no-la pode libertar?".

(Crédito da foto: The Jesuits in Ireland)

quinta-feira, 15 de março de 2012

Nova livraria em Braga dedicada ao cristianismo e cultura

Acaba de ser inaugurada em Braga a livraria Fundamentos, dedicada aos "livros novos e usados relacionados com o cristianismo e as religiões é o objetivo da Livraria Fundamentos, inaugurada este sábado em Braga". A informação é dada pelo site do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.
A livraria - que tem um blog no Wordpress - está aberta diariamente de terça a sábado e nas tardes de segunda-feira e poderá abrir ad casum noutro horário, se os clientes marcarem previamente com o proprietário.
O espaço situado junto à central de autocarros da cidade foi «pensado para todos os que queiram fundamentar a sua fé cristã e o seu serviço na Igreja, assim como todos os que de algum modo queiram descobrir um pouco mais acerca do Cristianismo», refere uma nota enviada ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.
Nos primeiros dias de vida a livraria disponibiliza obras das editoras Apostolado da Oração, Assírio & Alvim, Difusora Bíblica, Editorial Franciscana, Gráfica de Coimbra, Leya, Paulinas, Paulus, Pedra Angular, Perpétuo Socorro, Tenacitas e Universidade Católica.
Aguarda-se a chegada próxima de publicações da Aletheia, Almedina, Cotovia, Edições 70, Esfera dos Livros, Europa-América, Gradiva, Principia e Temas & Debates, bem como de editoras estrangeiras, como a Khaf, SalTerrae, Sígueme, Trotta e Verbo Divino.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

"Deus vem a Público" e é hoje apresentado



Um livro ímpar, de um dos autores deste blogue, que já aqui foi referido. Não é todos os dias, nem todas as décadas, que podemos encontrar numa só obra o que dizem Moltmann e Fisichella, Panikkar e Erri de Luca, Lustiger e Pagola. Apresentação logo à tarde no Pátio do Siza, Chiado.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

"Jesus, uma abordagem histórica", de José Antonio Pagola

O padre Anselmo Borges terminou a sua crónica do sábado passado afirmando que Bento XVI deu liberdade para “debater e divergir da sua obra”, “Jesus de Nazaré”. E coloca depois uma questão: “Porque abriu então a Congregação para a Doutrina da Fé um processo à obra igualmente admirável sobre Jesus, de J. A. Pagola, "Jesus. Aproximação histórica", que vendeu 80.000 exemplares e está traduzida para várias línguas? Mas saberá Bento XVI o que se passa?"


A obra está publicada em português pela Gráfica de Coimbra 2 (que parece pouco preocupada em publicitar os seus livros), com o título “Jesus, uma abordagem histórica”.

Com a obra já impressa, surgiram complicações em Espanha (ainda antes da abertura do processo vaticano), pelo que a editora portuguesa distribuiu a obra com um suplemento de 64 páginas intitulado “Uma explicação ao meu livro «Jesus, uma abordagem histórica»”, que inclui um capítulo 15 (o último) totalmente rescrito e algumas novas notas relativas a outras passagens. Numa delas, na primeira versão, Pagola dizia que a expressão “irmãos de Jesus”, como hoje é globalmente afirmado pelos exegetas, refere-se mesmo a irmãos de sangue de Jesus. No suplemento, acrescenta que na cultura bíblica, quando se diz que são irmãos, “a única coisa que se afirma é que têm o mesmo pai”, para salvaguardar a virgindade de Maria.

As principais objecções ao Jesus Cristo de Pagola prendem-se com questões metodológicas e a afirmação de que algumas das instituições e práticas e dogmas da Igreja Católica não remontam a Jesus Cristo.

Em Espanha o livro foi retirado das livrarias, mas encontra-se on-line, na íntegra, em formado PDF, aqui. A nota da Conferência Episcopal Espanhola pode ser lida na Zenit.

terça-feira, 15 de março de 2011

Ratzinger repórter e comentador do Concílio

Num jogo de adivinha, seria interessante perguntar a quem poderiam pertencer as afirmações seguintes, feitas a propósito dos debates em torno do Concílio Vaticano II:
Poderíamos, assim, formular a pergunta básica que estava por detrás de todas estas discussões: a Igreja deveria agarrar-se a esta atitude mental antimodernista, prosseguir na linha do isolamento, da condenação, da defensiva, até à rejeição quase angustiada da novidade, ou deveria antes, após definir os limites necessários, abrir uma nova página e, de uma forma positiva, ir ao encontro das suas origens, dos seus irmãos, do mundo de hoje? O facto de uma maioria tão signficativa se ter pronunciado a favor da segunda alternativa conferiu ao Concílio um novo começo. Tornou-se mais do que apenas a continuação do Concílio Vaticano I. Porque quer Trento quer o Vaticano I estiveram orientados para um movimento que visava isolar, securizar, delimitar, enquanto que o presente Concílio, partindo daquilo que já havia sido feito, virou-se para uma tarefa nova.
Poderá a alguns, menos conhecedores da trajectória do actual Papa, parecer estranho que tenham sido escritas pelo então padre, teólogo e perito conciliar Joseph Ratzinger. Mas são. E não são das mais 'ousadas', se podemos considerar ousado quem se deixou possuir pelo espírito de abertura e de renovação que varreu a Igreja Católica naquela célebre década de 60, aberta pelo gesto profético de João XXIII.
Já era conhecido que aquele que é hoje Bento XVI escreveu e publicou no seu país de origem um conjunto de quatro extensos relatos e comentários sobre as quatro sessões do Vaticano II, nas quais chega a criticar a rigidez da Cúria romana e a defender uma reforma das estruturas eclesiásticas. A editora Artège acaba de traduzir pela primeira vez esses textos para francês e de os publicar num livro intitulado "Mon Concile Vatican II".
A revista católica La Vie sumaria os seus pontos principais e oferece-nos, em exclusivo, alguns extractos que podem servir de aperitivo à leitura do livro.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Jesus tem futuro. Na versão de Ratzinger

Texto de António Marujo, no P2 ("Público") de 11 de Março, sobre o mais recente livro de Ratzinger / Bento XVI, com as impressões de Joaquim Carreira das Neves, Tolentino Mendonça, Pedro Mexia e D. Manuel Clemente. Também aqui.


quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O melhor de Portugal: por ele continuamos a existir

"Porquê e para quê - Pensar com esperança o Portugal de Hoje” é o título da mais recente obra de D. Manuel Clemente. O livro foi apresentado terça-feira à noite, no Palácio da Bolsa, no Porto, por Manuel António Pina, e recolhe 18 intervenções recentes (2009 e 2010) do bispo do Porto na área da cultura e da reflexão sobre Portugal.

No livro, edição da Assírio & Alvim, incluem-se textos como o da recepção do Prémio Pessoa, a entrevista ao Público feita por Teresa de Sousa, em Setembro deste ano, e ainda outros sobre temas como o centenário da I República, as repercussões das Invasões Francesas no catolicismo português, o diálogo entre religião e ciência, o monaquismo, a regionalização, e a trilogia liberdade-igualdade-fraternidade.

D. Manuel diz que a crise que Portugal vive é profunda, mas recorda que as dificuldades vividas no país ao longo de vários séculos nunca levaram ao fim da pátria, mesmo com todas as fragilidades de um país pequeno e periférico. Por mais pessimismo que o presente inspire, o bispo do Porto rejeita o conformismo e lembra que são agora bem mais visíveis os bons exemplos de esperança de gente concreta que procura dar a volta por cima.

Escreve o bispo do Porto: "O melhor de Portugal pouco aparece e não abre geralmente os noticiários. Mas existe e por ele mesmo continuamos nós a existir. Apesar de tudo, mas não apesar de nós."

Na introdução, a editora refere que o presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais “coloca em relação passado e presente, comum e singular, religioso e profano, as verdades penúltimas que seguimos e aquelas que se desenham misteriosamente últimas”.

Num “tempo português carregado de incertezas, esta antologia pretende documentar a vivacidade de um pensamento rigoroso e polifónico que se abre, e nos abre, à esperança”, acrescenta o texto de introdução à obra.

domingo, 25 de julho de 2010

Bento Domingues sugere leituras de férias; Anselmo Borges fala de "pedofilia e ordenação de mulheres"

Bento Domingues no "Público" de hoje:
Anselmo Borges no DN de ontem:
"No passado dia 15, o Vaticano publicou um documento que actualiza as regras para a punição dos clérigos (padres, bispos ou cardeais) que abusam sexualmente de menores. São medidas que endurecem as penas e exigem que se torne realidade a "tolerância zero" para estes casos trágicos". Ler mais aqui.

domingo, 11 de julho de 2010

O primeiro Jesus, como um Alifas

(Ilustração de José Miguel Ribeiro em O Meu Primeiro Jesus)

Este é um livro de histórias de personagens misteriosas e aventuras várias: o jovem que foge nu, um leproso a quem não resta senão o desespero de um grito, uma mulher que parte um frasco de bálsamo valiosíssimo, um homem que empresta uma sala para uma última ceia…

Peter Stilwell, director da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa, aventurou-se desta vez por territórios onde a teologia se expressa de um outro modo. Ou talvez não. Em A Condição Humana em Ruy Cinatti, a sua tese de doutoramento, Peter Stilwell já fizera da teologia uma narrativa. Agora, em O Meu Primeiro Jesus (ed. Dom Quixote), o autor vai buscar personagens misteriosas ou não identificadas dos evangelhos para contar a história de Jesus.

Ao contrário do que seria de supor num livro para os mais novos – em que a história de Jesus começa invariavelmente pelo Natal –, aqui, a história nasce a partir da memória da morte e ressurreição de Jesus. E o nascimento só ganha sentido com esse acontecimento central que é a Páscoa.

Há um misterioso personagem que assume o papel de narrador e que é identificado com o jovem rico que um dia pergunta a Jesus o que é preciso fazer para ter a vida eterna. É ele que escreve a João Marcos as suas memórias de algumas histórias de Jesus que ele presenciara. A forma como a história é construída, estabelecendo uma relação entre estes episódios, é muito bem conseguida.

O mais surpreendente, neste livro, é mesmo o modo como estas histórias remetem para aquilo que foi a expressão do cristianismo: uma história contada e recontada, de pessoa a pessoa, fazendo de Jesus uma pessoa viva. Não só para quem com ele convivera, como também para quem depois iria acreditar na sua ressurreição. “Entendi então a felicidade de Maria, e acreditei que qualquer coisa de extraordinário tinha acontecido”, diz o narrador, sobre o momento em que correra para o túmulo.

Ao lerem-se estas histórias, vem à memória o poema Agradecimento, que Ruy Cinatti dedicou a Peter Stilwell:

Foste o meu pequenino Peter a quem roubei o “Alifas”, o elefante de trapo. (…)
“Eu quero o meu Alifas, I want my Alifas, give it to me”
Eu já sabia: Tu querias Jesus Cristo e encontraste-o… (…)
E tu recompensaste-me depois mil anos múltiplos…
Ó Padre Peter Stilwell, tu emprestaste-me a tua tese de licenciatura sobre o verdadeiro Deus [visto por Bultmann (…)
esse grande teólogo da Igreja Triunfante, católico protestante e das galáxias!...
Obrigado Peter, beijo-te a face, sou eu que te persigo…
e em ti, um Alifas juvenil, Jesus Cristo de cognome.


É este “Alifas” que Peter Stilwell nos mostra neste seu livro. Com a contribuição das delicadas ilustrações de José Miguel Ribeiro. Um livro que é muito mais que uma obra para crianças e adolescentes.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Bíblia, mulheres, vida



Apresentação 12 de Março

Alzira Fernandes, Helena Martinho, Isabel Varanda, Luísa Alvim e Teresa Toldy são as cinco mulheres que vão apresentar os retratos bíblicos de mulheres vivas, a partir do livro "Vives, femmes de la Bible" [André Wénin, Camille Focant e Sylvie Germain]. Esta apresentação contará com a participação do Coro da Associação de Pais do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga, o Coro da Igreja de São Victor do arciprestado de Braga e da Orquestra de Câmara do distrito de Braga, sob a direcção do Maestro António Baptista. Acontecerá a 12 de Março, no Auditório Vita, em Braga

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

10 livros de 2009 que ainda saberá bem ler em 2010


Intelectuais
Paul Johnson
Guerra & Paz

Que Karl Marx nunca tenha posto os pés num fábrica mas desejasse doutrinar a classe operária, ou que Jean-Jacques Rousseau abandonasse os seus filhos em orfanatos mas pretendesse iluminar a infância, para alguns, são pormenores que não contradizem as teorias que criaram. Paul Johnson, num relato que quis “factual e desapaixonado”, analisa a credibilidade moral destes intelectuais e de Tolstoi, Brecht, Russel, Sartre, entre outros. Analisar, neste caso, quer dizer demolir.

Dança dos Demónios
Coordenação de António Marujo e José Eduardo Franco
Temas e Debates e Círculo de Leitores

Intolerância em Portugal: Anti-semitismo, anti-islamismo, anticlericalismo, antiprotestantismo, antijesuitismo, antomaçonismo, antifeminismo, antiliberalismo anticomunismo e antiamericanismo. “Os temas aqui reunidos falam-nos de mitos de complô, estruturam-se na suspeita e na diabolização, no medo e na fobia”, escreve-se na badana.


A Mecânica de Deus
Guy Consolmagno
Publicações Europa-América

A religião explicada aos “techies”. O que é o “techie”? “Será qualquer um que perca mais tempo com as ligações ao aparelho de televisão do que propriamente a ver televisão”. Ou seja, cientistas e engenheiros. Bom humor, sentido crítico e catequese por um jesuíta, astrónomo, que não confiaria as chaves do seu automóvel a alguns papas da história, quanto mais as chaves do Reino dos Céus. “E mesmo assim, a Igreja e as suas doutrinas sobreviveram”.


A vertigem das Listas
Umberto Eco
Difel

No princípio era a lista. E com o desejo das listas, dos catálogos, da ordenação, nasceu a cultura. Listas retiradas de poemas, romances, Bíblia, catecismos, documentos reais... Listas de santos e anjos, de objectos do tesouro imperial, de relíquias, de obras de arte, de monstros, de cheiros, da qualidades de uma cidade...


Os desaparecidos. À procura de seis em seis milhões
Daniel Mendelsohn
D. Quixote

Um norte-americano parte à procura dos antepassados desaparecidos noHolocausto, em especial de um com que dizem que é parecido. Na busca, que existiu na realidade, vai reinterpretando os primeiros capítulos da Bíblia, incluindo “Caim e Abel”. E encontra uma povoação onde um homem nasceu na Áustria, estudou na Polónia, casou na Alemanha, teve filhos na URSS e morreu na Ucrânia. Fez tudo isto sem sair da sua aldeia. Vivia em Bolechow, que actualmente faz parte da Ucrânia. Era de lá a família do autor.


O que a civilização ocidental deve à Igreja católica
Thomas E. Woods, Jr.
Alêtheia

Desconte-se o tom por vezes apologético e temos uma obra que lembra alguns contributos da cultura católica para o mundo em que vivemos: universidades, direito internacional, arte, ciência, arquitectura, moral, economia. Um livro para desmontar o último preconceito aceitável da América (só?), o anticatolicismo. “Quando se trata de ridicularizar ou de parodiar a Igreja católica, poucas coisas são consideradas excessivas (…)”.


Caridade na Verdade
Bento XVI
Paulinas

Terceira encíclica do actual Papa, a primeira em exclusivo sobre doutrina social, quer dizer, sobre o que a Igreja Católica pensa da economia, da política e da sociedade. Centra-se na questão do desenvolvimento, que é a “inclusão relacional de todas as pessoas e de todos os povos na única comunidade da família humana”. E que é, de longe, o maior problema do mundo.


Não há futuro sem solidariedade
Dionigi Tettamanzi
Paulinas

Na Missa do Natal de 2008, o cardeal Dionigi Tettamanzi, arcebispo de Milão, perguntou aos seus fiéis: “Neste Natal, já marcado pelas primeiras vagas de uma grande crise económica, há uma interrogação que me atormenta: o que posso fazer como arcebispo de Milão? (…) Gostaria que cada um conservasse no coração esta pergunta e que se deixasse inquietar e converter por ela: O que posso eu fazer?” O cardeal criou um fundo para apoiar desempregados e escreveu este livro para notar que a sobriedade é virtude esquecida e mostrar como pode acontecer solidariedade no mundo da finança, na empresa, na escola, na família. Prefácio de Guilherme d’Oliveira Martins.


Pode um darwinista ser cristão?
Michael Ruse
Ana Paula Faria Editora

Começa assim: “Deixe-me ser franco. Penso que a evolução é um facto e que o darwinismo reina triunfalmente”. A resposta à pergunta do título é: “Claro que sim!”. Mas o livro mostra quer quem diz “claro que sim” sem saber o está em causa na teoria da evolução das espécies por meio da selecção natural poderia mudar de resposta – ou de religião – , conhecendo o darwinismo. Melhor livro do "Ano Darwin" no que diz respeito às relações entre fé e ciência.


Para lá do Tempo
Vários autores
Paulinas

Recolha das opiniões publicadas no jornal online "Página 1", da Rádio Renascença. Textos de um ou dois minutos de D. Carlos Moreira Azevedo, Cristina Robalo Cordeiro, Cristina Sá Carvalho, Fernando Adão da Fonseca, João Ferreira do Amaral, José Miguel Sardica, José Tolentino Mendonça, Luís António Santos, Luís Cabral, D. Manuel Martins, Manuel Pinto e Maria do Rosário Carneiro.