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quarta-feira, 9 de setembro de 2015

“Um buraco de luz para Deus”: Tolentino Mendonça assina textos da oratória inter-religiosa “Credo”

Agenda – Música


“Ligo o braço longe a uma estrela/ A lua límpida sobe no céu/ Um anel passa através de outro anel// Procuro o tempo e encontro a passagem/ Procuro a morada e encontro o relento.”
Estes são os primeiros versos de “Um buraco de luz para Deus”, título de uma das composições que o padre José Tolentino Mendonça escreveu para “Credo”, oratória inter-religiosa e intercultural que vai ser estreada amanhã, dia 10, em Lisboa.
O texto, que se une à direção musical e artística do compositor italiano Mario Tronco, será apresentado na 7.ª edição do Festival Todos, que entre 10 e 13 de Setembro tem o epicentro na Colina de Santana e Campo dos Mártires da Pátria.
No texto redigido para a Folha de Sala, que reproduzimos nesta página (assim como a composição “Um buraco de luz para Deus”), José Tolentino Mendonça sublinha que “a fé é uma manifestação de confiança no silêncio” e expressa a convicção de que “as experiências religiosas são instrumentos para observar o enigma do mundo”.
“Crer é uma condição necessária para viver. Quer seja uma doutrina, quer seja um pensamento, ou uma qualquer relação entre pessoas, aquilo em que se crê define o caminho que se trilha na vida. É isso que iremos cantar, através das palavras escritas e escolhidas por José Tolentino Mendonça”, explica, por seu lado, Mario Tronco, citado no sítio da iniciativa.
(texto para continuar a ler aqui)



quinta-feira, 2 de abril de 2015

Músicas que falam com Deus (35) - Um "Golgotha", a força criativa dos contrastes, a sede de reconciliação

Música para o tempo de Páscoa


Rembrandt, As três cruzes (1653?), a ilustração 
que inspirou Martin a compor a peça Golgotha
(imagem reproduzida daqui)

Depois de ter sido apresentada na Sé de Braga, a obra Golgotha, do suíço Frank Martin, será apresentada Sexta-feira Santa na igreja de Nossa Senhora da Lapa, no Porto, a partir das 21h30. O concerto será interpretado pelo Coro da Sé Catedral do Porto e a Orquestra das Beiras. Num texto sobre a peça, o compositor cónego António Ferreira dos Santos escreve, na edição de 25 de Março da Voz Portucalense:

Uma dimensão peculiar merece ser destacada no Golgotha de Frank Martin: a força criativa dos contrastes: dia-noite, luz-sombras, culpa-inocência, céu-terra, humano-divino, sepulcro-vitória. Como na gravura de Rembrandt, a pessoa de Cristo está no centro dos acontecimentos: o sacrifício de Cristo e a sua Ressurreição constituem as condições da salvação da Humanidade sedenta de reconciliação. Esta é a libertadora e alegre mensagem do Libreto e, ao mesmo tempo, a vivência cristocêntrica do compositor do Golgotha.
(O texto completo pode ser lido aqui)




  







quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Músicas que falam com Deus (34) - Sem amor, nenhuns olhos são videntes - música de Arvo Pärt em Lisboa



“Sem amor, nenhuns olhos são videntes” é o mote para o concerto que se realiza esta sexta-feira, a partir das 21h00, na Sé de Lisboa. Com entrada livre (apenas sujeita à limitação do espaço), o momento alto do concerto será a estreia nacional da peça Drei Hirtenkinder aus Fatima (Três Pastorinhos de Fátima), da autoria de Arvo Pärt, um dos nomes de referência na música contemporânea e talvez o mais importante compositor actual de música sacra. 
A estreia coincide com o dia da festa litúrgica dedicada a Jacinta e Francisco Marto, os dois videntes de Fátima beatificados em 2000 pelo Papa João Paulo II, na sua última viagem ao santuário português. A peça é uma encomenda ao compositor estoniano no contexto da celebração do centenário dos acontecimentos de Fátima.
De acordo com informações do Santuário, Alfredo Teixeira, consultor artístico para o referido concerto, aponta as “caraterísticas singulares” do concerto, que se apresenta “sob o signo do paradoxo”, a começar pelo facto de o recital de Arvo Pärt, a “mais frágil das obras, a menor em duração, porventura a mais simples quanto ao material musical”, se oferecer “como o lugar culminante de uma viagem musical”.
Drei Hirtenkinder aus Fatima, peça escrita em alemão, “sinaliza esse ethos cristão que apela a uma visão do mundo na perspetiva dos mais frágeis, lugar onde o ingénuo é reconhecido como o mais sábio, o excluído toma os primeiros lugares, o sem voz pode ser escutado”, acrescenta Alfredo Teixeira.
Para esta peça, o compositor escolheu um versículo do Salmo 8, na versão que aparece no Evangelho de Mateus (21,16): “Pela boca dos meninos e das criancinhas de peito tiraste o perfeito louvor”.

Arvo Pärt, uma espiritualidade intemporal

Entre as obras de Arvo Pärt podem destacar-se Passio, Da Pacem, Lamentate, Orient Occident, Tabula Rasa ou várias sinfonias. Sobre Lamentate, por exemplo, o próprio compositor escreve que a sua peça tenta reflectir o esbatimento da fronteira entre o temporal e o intemporal. Quando se escuta a música do estoniano, a experiência que temos é de facto a desse esbatimento: as suas peças traduzem uma espiritualidade intensa, quase intemporal, mas enraizada no tempo. 

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Músicas que falam com Deus (33) - para o tempo de Natal#10 - Cantes ao Menino, a “mística do Sul” e uma “insuperável” Missa de Mozart

Semanas depois da declaração, pela UNESCO, do cante alentejano como património da humanidade, a TSF repôs o programa de Manuel Vilas Boas, Cantes ao Menino, que inclui uma entrevista com o padre José Alcobia. Na conversa, fala-se das origens do cante alentejano, com o padre Alcobia a defender que ele provém do canto gregoriano e dos conventos que existiam no Alentejo.
José Mendes Alcobia nasceu em Ferreira do Zêzere, a 28 de Novembro de 1914, fez há dias 100 anos. Estudou no Seminário dos Olivais onde foi organista e investigou o canto gregoriano. Foi pároco, no Alentejo, por mais de meio século, interessando-se pelo canto alentejano, acompanhado por Lopes Graça e Michel Giacometti. Fez vários milhares de horas de registos sonoros. Morreu em Beja, em Fevereiro de 2003, com 89 anos.
A entrevista ao padre José Alcobia foi feita por Manuel Vilas Boas, no ano 2000, no seminário de Beja e pode ser escutada aqui.

Outros cantos tradicionais de Natal foram interpretados dia 14 de Dezembro pelo Grupo Vocal Discantus, na Igreja Matriz de S. Domingos de Rana (Cascais). “Visitar as diversas tradições musicais portuguesas, desenvolvidas no contexto das festas da natividade cristã, é descobrir um Natal vincadamente diferente daquele que vemos representado na cena mediática. Nas tradições portuguesas, encontramos o que se poderia apelidar de ‘mística do sul’. Os imaginários e as narrativas centram-se na figura do Menino Jesus, na Sagrada Família, nos Pastores e nos chamados Reis Magos”, escreve Alfredo Teixeira, que dirige o Discantus.
Mais informações e diversos vídeos deste concerto podem ser vistos neste endereço.

Nesta noite de consoada, a RTP 2 transmite, a partir das 20h30, a missa de Natal a partir do Vaticano. Presidida pelo Papa, a celebração incluirá a peça Et Incarnatus Est, da Missa em Dó Menor, de Mozart. “Na música gosto muito de Mozart, obviamente. Aquele ‘Et incarnatus est’, da sua Missa em Dó Menor, é insuperável: leva-te a Deus! Mozart preenche-me: não posso pensá-lo, devo ouvi-lo”, disse o Papa numa entrevista, em 2013.
O trecho Et incarnatus est remete para o prólogo do Evangelho segundo S. João: “O Verbo fez-se carne e habitou entre nós.” Composta entre 1781 e 1782, em Viena, a Missa em Dó Menor, que ficou incompleta, resultou de uma promessa pela cura da futura esposa, Constanze.
Mais informações sobre a Missa de Mozart e a celebração desta noite podem ser lidas aqui.
A seguir fica uma interpretação da peça que esta noite será interpretada. 





domingo, 21 de dezembro de 2014

Músicas que falam com Deus (32) - para o tempo de Natal#9 - Natal: Sonhar com a casa e com a paz

Os soldados escoceses desafiam o seu capelão a tocar “Sonho com a minha casa” na gaita de foles. Os alemães respondem com uma árvore de Natal e cantando Stille Nacht, Noite de Paz. A mais bela canção de Natal mostra aos soldados que improvisavam uma consoada nas trincheiras da I Guerra Mundial como a música pode ajudar-nos a recuperar o melhor de humanidade que cada um tem dentro de si. E mostra que, com o Natal, ganhamos a consciência de que a paz é o sonho maior.
Esse foi o primeiro passo para uma das mais belas histórias no meio da tragédia que foi a I Guerra Mundial: no Natal de 1914, soldados alemães, franceses, escoceses e ingleses interromperam a carnificina durante dois dias para cantar juntos, jogar futebol, trocar abraços, enterrar os mortos e descobrir que, nos rostos inimigos, moravam afinal rostos de pessoas dignas.
Reconstruindo esta história, o filme Feliz Natal, que pode ser visto a seguir na íntegra, mostra que a música pode ajudar a recuperar o melhor da humanidade. E que o melhor da humanidade se pode recuperar através de pequenos gestos.


Um século depois do episódio retratado neste filme, a 27 de Julho de 2014, o centenário do último dia de paz na Europa, antes da I Guerra Mundial, foi assinalado pelo toque do Silêncio em vários países envolvidos no conflito – entre os quais Portugal. A ideia foi do jornalista e escritor italiano Paolo Rumiz e foi assumida pela Estrutura de Missão para os Aniversários de Interesse Nacional.

Em Itália, o Silêncio foi tocado pelo trompetista Paolo Fresu. A peça foi ouvida também na Albânia, Austrália, Brasil, Bulgária, Costa Rica, Estados Unidos, França, Grécia, Hungria, Macedónia, Montenegro, Sérvia, Polónia, Portugal (Mosteiro da Batalha), Reino Unido, Roménia, Rússia. O vídeo do acontecimento pode ser visto a seguir.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Músicas que falam com Deus (31) - Um Requiem português espiritual e transcendente

       Disco




O primeiro espanto deste disco é o da intensa espiritualidade que ele transmite, quer no Requiem, quer em Judas (secundum Lucam, Johannem, Mathaeum et Marcum). Mesmo se ele pode parecer, à primeira vez, um pouco mais difícil para ouvidos menos habituados à música erudita contemporânea, a sua estrutura melódica tem momentos únicos e sublimes – o sentido penitencial do Kyrie, a exclamação do Confutatis maledictis, o clamor do Sanctus, o sentido de petição e entrega do Agnus Dei ou, ainda, o grito de Libera me.
António Pinho Vargas, conhecido do grande público essencialmente como compositor de jazz (tem dez discos gravados), explica no texto que acompanha o disco que compor um Requiem é “responder” a uma imensa história de criação musical. Trata-se de lidar com um texto litúrgico da tradição cristã ocidental, mas que se refere também ao momento em que o homem primitivo começou a enterrar os mortos – e, com isso, a dar um sentido transcendente à sua vida.
Em termos cronológicos, no entanto, a oratória Judas foi a primeira peça a ser composta, em 2002. Nela está presente a tensão e a dimensão trágica que tantas vezes a existência humana assume. Por isso, o Requiem (espécie de continuação da primeira obra, mesmo se no disco aparece na ordem inversa), enquanto celebração da passagem da vida terrena à vida eterna, assume também esse carácter de tensão, de confronto com o limite e o absurdo.
Este sexto disco de Pinho Vargas na área do clássico ou erudito traduz, assim, uma rara e bela dimensão transcendente – mesmo se o seu autor se entende como agnóstico, confirmada pela excelente execução do Coro e Orquestra Gulbenkian. Pena que uma editora como a Naxos não tenha incluído um livreto mais completo, com os textos e, já agora, informação também em português.

Autor: António Pinho Vargas
Intérpretes: Coro e Orquestra Gulbenkian; dir. Joana Carneiro; Fernando Eldoro
Edição: Naxos

(texto publicado no número de Dezembro da revista Mensageiro de Santo António; mais informações e comentários ao disco podem ser lidos na Além-Mar e também no sítio da Pastoral da Cultura)