A Cúpula do Rochedo e a Mesquita de Al Aqsa, vistas do Jardim das Oliveiras
(foto © António Marujo)
No texto da semana passada nas Reflexões
Islâmicas, página produzida por Mohamed
Yioussuf Adamgy, responsável da revista Al Furqán, pode ler-se a tradução, em português, de um artigo de
Manuel Ismail Fernández Muñoz, publicado no seu blogue La Taberna del Derviche.
Reproduz-se a seguir a versão portuguesa do texto.
Respondi ao eco do
chamamento de Jerusalém, como muitas almas fizeram ao longo dos séculos, para
orar aqui e retornar testemunhando que, além de ser a Cidade Sagrada, Jerusalém
é um estado de ser.
Aqui pode-se sentir
Deus nas entranhas ouvindo cada uma das orações. Pode-se chorar de amor no
Muro, prostrado diante da Presença que encheu o espírito na Cúpula da Rocha, ou
seguir os passos de Jesus ao longo da Via Dolorosa até chegar ao Santo
Sepulcro. Um túmulo vazio porque ele ressuscitou.
Jerusalém é três
vezes santa e outras tantas mais para cada um dos peregrinos que chegam aqui,
bebem dela e voltam reconfortados. Jerusalém, sem dúvida, é a Casa do Senhor.
Um Deus que, no entanto, é tão grande que não cabe em todas as suas igrejas,
mesquitas e sinagogas. É por isso que tem que ser compartilhado entre nós.
Agora, que é o
momento de partir, sinto-me triste, não porque não tenha sentido Deus
derramando-se no meu coração, mas porque vi a ignorância em que meus irmãos e
irmãs estão imersos. Bem disse Anthony de Mello que Jerusalém era a cidade onde
todos dizem amar a Deus enquanto se odeiam mutuamente até a morte... E,
infelizmente, isso também é o que eu encontrei aqui.
Rezando no Túmulo do
Jardim, mergulhando nos mistérios que a minha mente esconde e imaginando Jesus
caminhando como um jardineiro, por este lugar há séculos atrás, ouvi um capelão
dizendo à sua congregação:
- Eu estou hospedado
num hotel muçulmano. Certamente que isso é um pecado!
E fiquei muito
triste, tanto por aquele homem quanto pelas pessoas que o seguiam, porque não
tinham entendido a mensagem de amor de Galileu ou mesmo lido claramente no
Evangelho a parábola do Bom Samaritano. Então, pensei, de que os servia vir à
Terra Santa, orar nos lugares onde Jesus esteve, se não se esforçavam por fazer
o que ele fez? Mas é que a cruz de Jesus pesa muito.
Tentando esquecer o
sucedido, algumas horas depois, dirigi-me à Esplanada das Mesquitas e vi que
inúmeros polícias palestinos negavam o acesso ao recinto aos não-muçulmanos, e
igualmente pensei que esses homens não haviam lido o versículo do Alcorão
Sagrado que diz: “É verdade que aqueles que creêm, os judeus, sabeus e cristãos
que crêem em Allah e no Último Dia, e agem com rectidão, não terão nada a temer
nem se atribularão.” (Surah 5: 69).