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quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Cinco mulheres mais importantes do que se pensava na vida de Jesus

A data de hoje é assinalada pelos católicos como o dia da imaculada concepção da mãe de Jesus – ou seja, de que Maria de Nazaré foi concebida sem a mácula, uma afirmação que pode ser objecto de equívocos e mal-entendidos, como se explicava neste textoA mãe de Jesus, decisiva e importante, não foi, no entanto, a única mulher importante na vida de Jesus. Foi uma mulher a primeira a receber o anúncio da ressurreição de Jesus. E há outras mulheres importantes na vida de Cristo, mais decisivas do que tradicionalmente se acreditava.




As bodas de Caná, na versão de Giotto pintada na Capela dos Scrovegni, 
em Pádua (imagem reproduzida daqui)

Maria de Nazaré, Maria Madalena, a samaritana ou a cananeia. Elas estavam lá desde o início. Apesar de desprezadas pela história, várias mulheres tiveram um papel fundamental na vida de Jesus. Muito mais decisivo do que se pensava tradicionalmente. A investigação bíblica recente começa a desvendar factos que contradizem a ideia feita. E a vincar que as mulheres fazem parte do grupo de discípulos de Jesus de forma igual à dos homens.
Assim é: elas estavam lá desde o início e foram apóstolas, discípulas, evangelizadoras, financiadoras, interpeladoras de Jesus. “Jesus aceitou-as e não as discriminou pelo facto de serem mulheres”, diz Maria Julieta Dias, religiosa do Sagrado Coração de Maria e co-autora de A Verdadeira História de Maria Madalena (ed. Casa das Letras). “Jesus não foi misógino, foi sempre ao encontro das mulheres”, acrescenta Cunha de Oliveira, autor de Jesus de Nazaré e as Mulheres (ed. Instituto Açoriano de Cultura).
Os evangelhos citam várias vezes as mulheres que seguiam Jesus “desde a Galileia”, onde ele começara o seu ministério de pregador itinerante. No momento da crucifixão, são elas que estão junto a Ele. Lê-se no evangelho de S. Mateus: “Estavam ali, a observar de longe, muitas mulheres que tinham seguido Jesus desde a Galileia e o serviram. Entre elas, estavam Maria de Magdala, Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu.” E é a uma mulher que primeiro é anunciada a ressurreição de Jesus, que os cristãos assinalam hoje, Domingo de Páscoa.
Maria Julieta Dias recorda que, em outra passagem do evangelho de Lucas, já se diz que acompanhavam Jesus “os Doze e algumas mulheres, que tinham sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demónios; Joana, mulher de Cuza, administrador de Herodes; Susana e muitas outras, que os serviam com os seus bens”.
As mulheres estavam lá, como discípulas. Em Um Judeu Marginal (ed. Imago/Dinalivro), John P. Meier, um dos mais conceituados exegetas bíblicos contemporâneos, não tem dúvidas: “O Jesus histórico de facto teve discípulas? Por esse nome, não; na realidade (...), sim. Por certo, a realidade, mais do que o rótulo, teria sido o que chamou a atenção das pessoas. (...) Quaisquer que sejam os problemas de vocabulário, a conclusão mais provável é que ele considerava e tratava essas mulheres como discípulas.”

sábado, 2 de janeiro de 2016

A "Fuga para o Egipto" e o drama dos refugiados


Iluminura da lenda apócrifa da queda da estátua pagã durante a fuga, 
pelo chamado Mestre de Bedford. Fonte: Wikipedia

     No cap. 2, 13.23, do evangelho de Mateus, é-nos apresentado o episódio da Fuga para o Egipto. Avisado por um anjo de que o rei Herodes tencionava matar o recém-nascido, José e Maria puseram-se a caminho, levando consigo o Menino. A decisão de Herodes de mandar exterminar os recém-nascidos da região de Belém ficara a dever-se ao facto de se ter sentido enganado pelos Magos que, depois da adoração de Jesus, não voltaram por Jerusalém para darem informações precisas sobre o nascimento do "Rei dos Judeus".
     Existem numerosíssimas representações deste episódio, na história da arte cristã. É a propósito dele que existe a invocação de Maria como Nossa Senhora do Desterro.
A experiência da perseguição e da morte, que levou a família de Nazaré a abandonar Israel e buscar refúgio em outro país é bem uma situação que ajuda a entender, a meditar e a agir face aos milhões de refugiados dos nossos dias e, em especial aqueles que batem à nossa porta.
     No espaço que alimento na plataforma de imagens scoop.it, dedicada às representações artísticas de Maria com o Menino, pesquisei este episódio e apresento uma pequena exposição de cerca 50 imagens dedicadas à Fuga para o Egipto, cobrindo diferentes épocas e distintas culturas.
     O acesso pode ser feito aqui (clicar nas imagens para as ampliar):

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Maria e o Menino – um álbum iconográfico na internet


Virgem navajo e Menino, da autoria do padre John Giuliani, 
um dos postais do álbum de Manuel Pinto

Maio é, no catolicismo, mês consagrado à figura de Maria. Dizia Santa Teresa de Lisieux (do Menino Jesus). “Para que um sermão sobre a Santa Virgem dê frutos, é necessário que ele mostre a sua vida real, tal como o Evangelho a deixa entrever, e não a sua vida suposta.”
Ao longo de vinte séculos, construiu-se à volta de Maria de Nazaré uma vida suposta que não corresponde de facto à sua vida real. A exegese bíblica das últimas décadas tem, no entanto, ajudado também a reconstruir a sua vida e personalidade. Mesmo se sobre ela pouco ainda se sabe, como reconhece Jacques Duquesne, no início do livro Maria – A Verdadeira História da Mãe de Jesus (ed. Asa): “A mulher mais célebre de toda a História do mundo surgiu da noite, do desconhecido.”
Apesar disso, os poucos elementos da sua vida – nomeadamente, o facto de ter sido mãe de Jesus e de o ter acompanhado no momento da morte – fizeram dela alguém que muitas pessoas sentem próxima. Foi isso que, ao longo dos séculos, transformou Maria de Nazaré numa referência para milhões e milhões de cristãos.
A arte não ficou alheia a essa veneração e ela própria ajudou a construir imagens, venerações e proximidades. Na internet, é hoje possível descobrir muitos dos caminhos artísticos percorridos na representação de Maria, seja através da pintura ocidental, dos ícones orientais ou dos ex-votos e das representações populares.
Manuel Pinto, um dos autores deste blogue, criou no Pinterest um álbum com algumas dessas representações, que pode ser visto aqui (o álbum pode ser visto sem registo mas, se cada pessoa quiser tornar-se seguidora do álbum, terá de fazer um registo para esse efeito).

São postais sobre o tema de Maria com o Menino, ou grávida, nas figuras de Senhora do Ó ou Senhora da Esperança. Nestas representações, procura-se um valor estético que ultrapasse o mau gosto com que tantas vezes estas representações são feitas, mas que dê também uma ideia da diversidade de olhares e da perspectiva do tempo. Fica, por isso, o convite à contemplação artística.