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quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Pierre Bühler: “Foi o Papa e não Lutero quem provocou a ruptura”



Pierre Bühler (Foto © Tiago Miranda, reproduzida daqui)

Nascido em 1950, o suíço Pierre Bühler é professor emérito de teologia da Universidade de Zurique e um dos mais importantes especialistas europeus em Lutero. Esteve em Lisboa em Novembro, no congresso internacional que assinalou os 500 anos do início da Reforma protestante. No dia em que os cristãos assinalam o final da semana pela unidade (cujo início, dia 18, foi aqui evocado), fica a leitura de Pierre Bühler sobre o contributo de Lutero.

“Para Lutero, a liberdade é, antes de mais, ser libertado, para ser livre”, diz Pierre Bühler.  O iniciador da Reforma só queria uma Igreja renovada, mas a excomunhão decretada pelo Papa levou-o a imaginar uma nova Igreja. “Nesse sentido, foi a autoridade católica que provocou a ruptura, não os reformadores.”

Houve jovens católicos a boicotar cerimónias evocativas da Reforma. O que falta ao diálogo ecuménico para ultrapassar tal intolerância?
– Esses grupos devem ser uma reacção integrista à separação das confissões. Por vezes, do lado católico, ouve-se que a separação deveria ser confessada como um erro... É a primeira vez que temos um centenário da Reforma celebrado em conjunto. Mas, em ambos os lados, há movimentos integristas que vivem ainda na oposição entre católicos e protestantes. Mas também há jovens católicos muito interessados no diálogo ecuménico com os protestantes.
A busca de Lutero e dos outros reformadores visava sobretudo a unidade: os reformadores nunca quiseram uma nova Igreja, eles queriam reformar a Igreja tal como ela era. Foi só porque houve uma excomunhão que Lutero teve de imaginar uma nova Igreja. Ele queria viver na Igreja como ela era, mas renovada. Nesse sentido, foi a autoridade católica que provocou a ruptura, não os reformadores.
(A entrevista pode ser lida aqui na íntegra)

domingo, 30 de outubro de 2016

Francisco ao encontro do reformador Lutero, que “pôs a Palavra de Deus nas mãos” de todos


O Papa Francisco diz que Lutero “foi um reformador” que, “num momento difícil”, pôs “a Palavra de Deus na mãos dos homens”. Nas vésperas da sua viagem à Suécia, onde estará em celebrações ecuménicas para abrir as comemorações dos 500 anos do início da Reforma luterana, o Papa concedeu uma entrevista à revista dos jesuítas La Civiltà Cattolica, onde fala de Lutero e da Reforma protestante de 1517, do proselitismo e da perseguição que hoje sofrem os cristãos em tantos países.
Uma síntese da entrevista, em castelhano, pode ser lida aqui e aqui, em italiano, o texto integral.
Na entrevista, o Papa diz que Lutero quis remediar uma situação complexa. “Depois, em parte por situações políticas e também religiosas, essa reforma converteu-se em separação e não num processo de reforma de toda a Igreja, porque a Igreja es sempre reformanda [está sempre em renovação].
A sua primeira esperança com esta viagem é “aproximar-se”, diz o Papa: “A minha esperança e a minha expectativa são as de me aproximar mais dos meus irmãos e das minhas irmãs. A aproximação faz bem a todos. A distância, pelo contrário, faz-nos mal. Quando nos afastamos, fechamo-nos em nós mesmos e ficamos incapazes de nos encontrarmos. Devemos assumir os nossos medos. Temos de aprender a transcendermo-nos para encontrar os outros. Se não o fizermos, nós, cristãos, ficamos doentes de divisão.”

O programa da viagem – que se inicia às 10h (hora de Lisboa) desta segunda-feira, dia 31 e que o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, já considerou um “momento histórico” no caminho da “reconciliação” e busca da unidade – pode ser conhecido aquiNeste mesmo endereço, serão transmitidas também imagens em directo dos actos públicos da presença do Papa na Suécia.