É uma celebração que oscila entre a
refeição ritual e a leitura e memória do relato da saída do regime de
escravatura do Egipto. Como escreve G. Haddad na sua obra Comer o Livro: “A absorção
dos elementos rituais intercala-se como uma pontuação na leitura de um livro
específico desta festa: a Agadá. Agadá significa conto, mito,
história, récita, comentário da epopeia da saída do Egipto”, passando de um
regime de escravidão para a liberdade.
A Pessah (Páscoa) é celebrada anualmente
pelos judeus, desde há cerca de 3400 anos, entre 15 e 22 do mês de Nissan (15 a
22 de Abril).
Durante estes dias, o alimento
simbólico por excelência é a matsa
(pão ázimo) que substitui o pão, em memória da fuga precipitada dos escravos
hebreus, que não tiveram tempo de deixar levedar o pão. Ao longo destes oito
dias, é interdito comer alimentos que fermentem, como o milho, o trigo, o centeio ou o malte...
Um dos elementos centrais da festa é o
seder (ordem), cerimónia familiar em
que se conta, segundo uma determinada ordem, a história da saída do Egipto e se
comem os alimentos simbólicos; além da matsa
(pão ázimo), maror (ervas amargas),
simbolizando a amargura da escravidão, karpass
(vegetais), água salgada ou vinagre, representando as lágrimas dos escravos
hebreus, e harosset, pasta de figos e
nozes simbolizando a argamassa com que se construíam as pirâmides.
