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sábado, 31 de março de 2018

As vozes e os silêncios das mulheres em Sábado de Páscoa


Sojourner Truth (ilustração reproduzida daqui

Na história da Páscoa cristã, o Sábado é o dia das mulheres: Maria de Nazaré guarda, no silêncio, a história de um Filho que a surpreendeu desde o primeiro momento; Maria Madalena e as outras mulheres aguardam, no silêncio, o cumprimento da promessa daquele que elas seguiam, como discípulas, “desde a Galileia”, segundo o relato dos evangelhos – o que faz delas parte integrante do grupo de companheiros de Jesus.
Este texto traz, por isso, as vozes e os silêncios de várias mulheres. No passado dia 21 de Março, o movimento Nós Somos Igreja organizou, na Capela do Rato, uma sessão sobre o tema Celebrar a Mulher: Poesia e Prosa a Várias Vozes
Com o contributo de diferentes pessoas, ouviram-se textos, poemas e canções de mulheres ou que falam sobre mulheres, propostos, lidos ou cantados por António Carlos Cortez (poeta), Camané (fadista), Carlos Alberto Moniz (músico e cantautor), Carminho (fadista), Filipa Vicente (historiadora), Gilda Oswaldo Cruz (pianista e escritora), Jorge Wemans (jornalista), José Manuel Pureza (professor universitário e deputado), Luísa Beltrão (escritora), Luísa Ribeiro Ferreira (professora universitária de filosofia), Margarida Pinto Correia directora na Fundação EDP), Maria Antónia Palla (jornalista), Nelida Piñon (escritora), Simonetta Luz Afonso (museóloga) e Vitorino (músico e cantautor).
A gravação sonora da sessão pode ser escutada aqui.
O percurso de Sojourner Truth, nascida escrava negra como Isabella Baumfree, foi evocado por Filipa Vicente; pouco depois, José Manuel Pureza leu o discurso que a antiga escrava fez na Convenção das Mulheres do Ohio, em Akron (Estados Unidos), em 1851, com o título Não sou eu uma mulher? Um discurso que recusa o silenciamento e convida  à intervenção e ao compromisso, perante as perguntas fundamentais. Fica a seguir a reprodução integral desse texto:

Bem, meus filhos, onde há fumo há certamente fogo. Eu acho que se os negros do Sul e as mulheres fossem para o Norte, todos a falar sobre direitos, os homens brancos ficariam certamente em maus lençóis. Mas afinal de que é que estão todos a falar?
Ali, aquele homem diz que as mulheres precisam de ajuda para subir às carruagens, para passar as sarjetas e para ter sempre, em qualquer lado, os melhores lugares. Nunca ninguém me ajuda a subir às carruagens, a passar por cima dos buracos lamacentos, ou me dá o melhor lugar. E não sou eu uma mulher?
Olhem para mim! Olhem para os meus braços!

terça-feira, 20 de março de 2018

Celebrar a Mulher: Poesia e Prosa a Várias Vozes


Agenda

Celebrar a Mulher: Poesia e Prosa a Várias Vozes é o título da iniciativa que o movimento Nós Somos Igreja, em colaboração com a Capela do Rato, propõe para esta quarta-feira, 21 de Março, às 18h, em Lisboa.
A sessão realiza-se na semana em que a Igreja Católica celebra a Anunciação a Nossa Senhora e a proposta consta de leituras de textos, em verso e prosa, por diferentes vozes: homens e mulheres, crentes e não crentes, convidam deste modo a descobrir a unidade na diversidade, dizem os promotores da iniciativa, que decorre na Capela do Rato, em Lisboa (Calçada Bento da Rocha Cabral, 1-B, junto ao Largo do Rato).  
Entre as vozes que participarão e levarão textos, contam-se as de Alice Vieira, António Carlos Cortês, Camané, Carlos Alberto Moniz, Filipa Vicente, Gilda Oswaldo Cruz, Inês Pedrosa, Jorge Wemans, José Manuel Pureza, Luísa Ribeiro Ferreira, Margarida Pinto Correia, Maria Antónia Palla, Nelida Piñon, Simoneta Luz Afonso e Vitorino.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Timothy Radcliffe em Lisboa: escutar a consciência dos leigos e a santidade do corpo

O antigo mestre geral da Ordem dos Pregadores (Dominicanos), Timothy Radcliffe, estará no próximo fim-de-semana em Lisboa, onde fará duas conferências, sobre temas que lhe são caros e sobre os quais tem desenvolvido muita reflexão. A primeira é no sábado, 28, com o título How can the conscience of the Laity be heard? (Como pode a consciência dos leigos ser escutada?). Iniciativa conjunta do Instituto São Tomás de Aquino (ISTA) e do movimento Nós Somos Igreja, a conferência será proferida em inglês mas estará disponível um texto com a tradução em português.



Timothy Radcliffe (foto reproduzida daqui)

No domingo, 29, o tema será The holiness of the body (A santidade do corpo), numa iniciativa do ISTA. Proferida em espanhol, a conferência também terá disponível uma tradução em português. Decorrem ambas a partir das 15h30 no Convento de São Domingos de Lisboa (R. João Freitas Branco, 12; metro: Alto dos Moinhos).
Biblista e teólogo, Radcliffe é considerado um dos mais originais autores católicos contemporâneos, tendo sido o único dominicano da província inglesa a exercer o cargo de mestre-geral da Ordem (entre 1992 e 2001), desde a sua fundação, em 1216. Nas Paulinas estão publicados vários livros seus: As Sete Últimas Palavras, Ir à Igreja, Porquê?, Ser cristão para quê?, e Imersos na vida de Deus. No sábado, 28, após a conferência, serão apresentados dois novos títulos de fr. Timothy: Na Margem do Mistério, e Via-Sacra – Carregou as nossas dores.

Em 1999, numa visita enquanto mestre-geral da Ordem à província portuguesa, fiz uma entrevista a Timothy Radcliffe, entretanto publicada na íntegra no livro Deus Vem a Público – Entrevistas Sobre a Transcendência (ed. Pedra Angular/Sistema Solar).
Reproduzo a seguir o texto.

Timothy Radcliffe: Temos de estar nos lugares onde as pessoas sofrem

Os dominicanos e os cristãos têm que estar onde as pessoas sofrem. Deus está para lá das concepções pessoais. E o desafio da Igreja na Europa é a construção de comunidades numa sociedade fragmentada. Ideias e Timothy Radcliffe, que foi mestre geral dos dominicanos entre 1992 e 2001. Naquele cargo, o padre Radcliffe dizia que gastava muito tempo a viajar – oito meses no ano – para “estar em contacto com os irmãos: a unidade da ordem depende da escuta dos irmãos”.
Nascido em Londres (Inglaterra), a 22 de Agosto de 1945, Timothy Peter Joseph Radcliffe tomou o hábito dominicano aos 20 anos e foi ordenado padre em Oxford, em 1971. No capítulo geral da ordem, realizado no México em 1992, foi eleito mestre geral da ordem fundada por S. Domingos em 1216. Autor de várias obras sobre espiritualidade, vida religiosa e sexualidade, colaborador regular de várias publicações (entre as quais The Tablet e National Catholic Reporter), continua a ser solicitado em todo o mundo.
Na visita canónica que fez à província portuguesa dos dominicanos, em 1999, queria perguntar aos seus confrades: “Onde estão as pessoas a fazer perguntas? Quais são as perguntas” que se fazem à Igreja? “E como respondemos nós a essas perguntas?”
Vários textos da sua autoria estão publicados em edição policopiada pelas Monjas Dominicanas do Mosteiro de Santa Maria, no Lumiar (Lisboa).

Costuma visitar lugares onde os dominicanos enfrentam situações sociais graves de guerra ou injustiça. Qual é a relação desse trabalho com a missão original da ordem?
TIMOTHY RADCLIFFE – Fomos fundados para ser pregadores. Para isso, não se pode falar às pessoas sem as ouvir primeiro. Para nós, é um grande desafio: como estamos presentes nos lugares onde as pessoas pensam? Como estamos nos lugares onde as pessoas fazem perguntas? Tem que se estar nos lugares onde as pessoas sofrem, onde as pessoas são pobres. E isto é um desafio para um mundo onde a pobreza se torna cada vez mais dolorosa.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Mulheres e ambiente – debate em Lisboa

Agenda

Hoje, às 21h, o Nós Somos Igreja promove um debate sobre Mulheres e ambiente, com a participação de Catarina de Albuquerque, Cátia Souza, Luísa Schmidt e Filipa Vicente. A iniciativa, com entrada livre, decorre na Capela do Rato (Calçada Bento da Rocha Cabral, 1-B).


domingo, 11 de outubro de 2015

Família e Diversidade num debate em Lisboa

Agenda

O Movimento Nós Somos Igreja promove esta segunda-feira, em Lisboa, um debate sobre Família e Diversidade, a propósito do Sínodo dos Bispos. O debate conta com a participação de Maria Flor Pedroso, Mário Figueiredo e Rita Ferro Rodrigues, e será seguido de vários momentos de música e poesia, com a participação de Ana Stilwell, Manuel Costa Cabral, Selma Uamusse e Suzana Borges.
A iniciativa decorre segunda-feira, dia 12, a partir das 19h, na loja A Vida Portuguesa, no Largo do Intendente, em Lisboa. O cartaz da sessão pode ser visto aqui.

Texto anterior no blogue


segunda-feira, 23 de março de 2015

Mulheres, Família e Igreja – um debate em crescendo

O Movimento Internacional Nós Somos Igreja promove, nesta quarta-feira, um encontro de debate sobre Mulheres, Família e Igreja. Será a partir das 21h, na Capela do Rato (Calçada Bento da Rocha Cabral, 1-B), em Lisboa, e nele participam Maria do Rosário Carneiro, ex-deputada e professora universitária, e Anália Torres, socióloga.


Ferdinand Hodler, The Sacred Hour, 1907, Kunsthaus, Zurich
(ilustração reproduzida daqui)

Esta iniciativa acontece no contexto de preparação para o segundo Sínodo dos Bispos sobre a família, e também num momento em que surgem cada vez mais leituras, comentários  e interpretações sobre as tomadas de posição do Papa acerca da questão das mulheres na Igreja.
Há mesmo quem pergunte se o Papa será feminista. Num texto publicado em Le Monde des Religions, Bénédicte Lutaud recorda diversas declarações e gestos do Papa sobre a questão: “As mulheres devem ser mais consideradas na Igreja”, disse já o Papa Francisco, que também lavou os pés a mulheres em Quinta-Feira Santa (acto não permitido pelas regras litúrgicas), gesto que aliás repetirá na mesma cerimónia do Lava-Pés deste ano, de novo numa prisão. 
O Papa insistiu já em diferentes ocasiões no “papel particular” das mulheres em abrir o caminho para Jesus e convidou a Igreja a reflectir sobre o papel da mulher nas instâncias onde se tomam decisões importantes (como faz na Evangelii Gaudium – EG 104). E, depois de colocar homens e mulheres em paridade na Comissão Pontifícia para a Protecção de Menores, convidou cinco teólogas para a Comissão Teológica Internacional, dizendo que elas não podem ser apenas “a cereja em cima do bolo”.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

A revolução de João XXIII

Agenda e crónicas

Amanhã, sábado, dia 25, decorre em Lisboa um encontro com o título “Celebrando a revolução de João XXIII”. Promovido pelo Movimento Internacional Nós Somos Igreja – Portugal, o encontro tem o seguinte programa:
15h30 – O mundo inteiro é a minha família: o percurso de João XXIII nos seus testamentos (frei Bento Domingues, O.P.); Contexto histórico da eleição de João XXIII (Irene Flunser Pimentel)
17h – Quem foi João XXIII (frei Mateus Cardoso Peres, O.P.); A importância de João XXIII para a entrada da Igreja na modernidade (Fernanda Henriques).
18h15 – Celebração eucarística

Ambos os painéis são moderados por Alfreda Fonseca; a  iniciativa decorre no Convento de São Domingos de Lisboa (R. João Freitas Branco, 12; metro Alto dos Moinhos).

A propósito do dia de Pentecostes (que se assinalava domingo passado) e de João XXIII, escreveu frei Bento na sua crónica do Público de dia 19, com o título Celebrar a subversão:
No século XX, João XXIII percebeu que sem um concílio ecuménico não haveria aggiornamento possível. Uma igreja, mesmo numerosa, pode tornar-se um ghetto. Fala, mas não vê nem ouve. Exclui.
O mundo não parou em 1965. Para se tornar católica, a Igreja no seu devir na história humana, tem de rever, continuamente, as suas posições. Não pode dizer que não há alternativas. As configurações actuais dos ministérios ordenados, já não correspondem ao que deles se deve exigir, para estarem abertos às surpresas do Espírito de Cristo, que não é exclusivo dos homens. A exigência desta mudança e da reforma da Cúria estão interligadas.

O tema do Pentecostes, que era o dia litúrgico no domingo passado, foi o objecto da crónica de Vítor Gonçalves, na Voz da Verdade, que escreveu uma Carta ao Espírito Santo:

És Espírito de unidade, e bem sabes como inventamos mil muros de separação, e falamos mais de amor e perdão do que vivemos. O que nasce como serviço tantas vezes se transforma em poder, o que nos dizes no coração traduzimos em discursos que nos distanciam. Precisamos da tua comunicabilidade, para não julgar pelas aparências, e sarar as feridas da história. Como ultrapassar o egoísmo que aprisiona e se alimenta de repetições vazias, e comprometermo-nos com a comunhão que só as diferenças acolhidas podem realizar?

(foto: João XXIII; reproduzida daqui)