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terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Dia das Pessoas com Deficiência: A Igreja e o país ainda precisam de ser mais inclusivos

Texto de Maria Wilton



Desejamos ser uma Igreja de todos e com todos, que acolha a todos como irmãos, 
que derrube barreiras físicas e psíquicas diz o Serviço católico a Pessoas com Deficiência
(foto Josh Appel)

O Serviço Pastoral a Pessoas com Deficiência (SPPD), da Igreja Católica, divulgou uma mensagem na qual diz que esta deve ser “uma Igreja mais inclusiva”. A propósito do Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, assinalado esta segunda-feira, 3 de dezembro, acrescenta o texto: “Desejamos ser uma Igreja de todos e com todos. Uma Igreja que acolha a todos como irmãos, cada vez mais inclusiva, que derrube barreiras físicas e psíquicas, que esteja atenta para ouvir cada um na sua singularidade.
Desejamos ser uma Igreja que permaneça companheira, pela vida fora, no calor da amizade e do abraço inclusivo.”
Como exemplo concreto, o SPPD diz que se deve “continuar a aprender Língua Gestual Portuguesa”. E refere dificuldades: “Temos boa vontade, mas ainda temos receios”, por vezes “quer-se apertar a mão e falta o jeito” e os reponsáveis da  Igreja ainda falam “de forma complexa”. 
Nessa missão de tornar a Igreja mais inclusiva, o Serviço Pastoral dirige-se às pessoas com deficiência, acrescentando: “Precisamos da vossa experiência de vida e conhecimento, da vossa persistência e resiliência, da vossa sabedoria de fazer acontecer o impossível, como possível.” E sublinha ainda que já há experiências positivas de acolhimento e inclusão “na catequese e em movimentos”, em instituições e em famílias “que, mesmo com limitações acentuadas, têm gosto por viver e nos agarram e levam pela mão”.
Este dia internacional foi proposto pelas Nações Unidas desde 1992 e tem o objetivo de apelar a uma maior sensibilidade para as questões da deficiência, promovendo a defesa da dignidade, dos direitos e do bem estar das pessoas. Este ano, o tema escolhido foi Capacitar pessoas com deficiência e assegurar a inclusão e igualdade. 
Em Portugal, não há estatísticas oficiais. A nota do SPPD fala em um sexto da população, mas a TSF dizia que se estima que a percentagem de população com algum tempo de deficiência pode chegar a 10 por cento, mas que há ainda limitações básicas que impedem a igualdade de oportunidades.

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

O riso do Papa quando Wenzel brincou com a farda do guarda suíço

Texto de Maria Wilton



Começou por brincar com a farda do guarda suíço que se encontrava perto do Papa. Depois, rodeou Francisco, que procurou brincar com ele. Sempre esquivo, e perante a sua dificuldade em colaborar com os seguranças, a mãe da criança dirigiu-se ao Papa, explicando que o seu filho, Wenzel Eluneyé autista e mudo, como que em jeito de desculpa pelo seu comportamento. 
Foi na audiência geral do Papa desta quarta-feira, 28, quando a criança saiu de junto da mãe e subiu os degraus do auditório Paulo VI, provocando pequenos constrangimentos, primeiro, gargalhadas e aplausos, depois. Wenzel é argentino, o que levou o Papa a dizer, para o seu secretário: “É argentino, é indisciplinado.”
Perante o sucedido, Francisco disse à mãe que deixasse o filho estar por ali a brincar, aproveitando para transformar o sucedido numa lição: “Este menino não fala, é mudo. Mas sabe  expressar-se e, mais do que isso, é livre. Indisciplinadamente livre”, provocando novos risos na plateia. E recordando, a propósito, que Jesus afirmava que “devemos ser livres como as crianças”. 
Esta não é a primeira vez que o Papa argentino tem visitas inesperadas de crianças, a interrompê-lo nos seus discursos ou homilias. Em 2013, um colombiano de seis anos chamou a atenção durante uma vigília, sentando-se no lugar de Francisco e chegando mesmo a abraçá-lo:



Falta informação sobre a deficiência

Alice Caldeira Cabral, responsável do Movimento Fé e Luz, que trabalha com crianças, jovens e adultos com deficiência, foi, ela própria, mãe de um rapaz que morreu há dez anos, e que tinha “uma deficiência profunda, apesar de na altura não se falar de autismo – o diagnóstico era só epilepsia”.
Depois de ter visto as imagens, Alice Cabral diz que é urgente levar em conta as palavras do Papa. E louva a sua reação espontânea de alegria perante a situação – algo que, diz, continua a ser muito pouco comum na sociedade portuguesa e também no interior da Igreja.
“O meu filho também tinha uma liberdade muito indisciplinada. Era exatamente isso que acontecia e a aflição da mãe é algo que conheço bem. Os nossos filhos não são disciplináveis. E, de facto, uma das coisas mais pesadas para nós é o olhar de comiseração ou de crítica daqueles que não entendem a diferença.”
Alice Cabral destaca que, em Portugal, é “impressionante” que não haja estudos que relacionem a teologia e a experiência cristã com a deficiência. O Serviço Pastoral para Pessoas com Deficiência, que também integra, participa em alguns iniciativas internacionais mas não consegue criar grande interesse das comunidades cristãs pela questão. “Não tenho dúvidas de que o Papa está muito bem informado acerca das questões da deficiência e de como as acolher socialmente. Porque, se não houver informação, é muito difícil que os olhares mudem.”