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quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Violência doméstica entre testemunhas de Jeová?

No Público de hoje refere-se um artigo no último número da revista Sentinela, da Associação das Testemunhas de Jeová (ATJ) que, na opinião de alguns ex-membros do grupo, alude à ideia de que cônjuges que sejam violentados devem permanecer com o agressor, na esperança de os conseguirem converter e de modo a não difamar aquele grupo religioso. A jornalista Natália Faria falou com várias ex-Testemunhas de Jeová, que se dizem chocadas com a alegação e partilham mesmo experiências que demonstrarão, segundo eles, a perpetuação deste tipo de comportamentos por parte de pessoas daquele credo religioso. 
O porta-voz da ATJ considera “repulsiva toda e qualquer forma de violência, incluindo a violência doméstica”, acrescentando que é “da responsabilidade de cada pessoa tomar as suas próprias decisões”. Também a socióloga Helena Vilaça, que há alguns anos estudou uma congregação de Testemunhas de Jeová, recusa que aquela seja a regra: “Não me parece que possamos concluir que as Testemunhas de Jeová são piores do que os outros ou que fazem a apologia da violência doméstica”…
O texto pode ser lido aquiNum outro texto, fala-se sobre a identidade das Testemunhas de Jeová. (M.W.)

sábado, 25 de agosto de 2018

Verdade, confiança, dar a palavra aos crentes: uma nova Reforma da Igreja




Protestos no Chile contra o encobrimento dos crimes de abusos sexuais do clero católico 
(foto reproduzida daqui)

Hoje, no Público, dia em que o Papa Francisco chega à Irlanda para encerrar o Encontro Mundial de Famílias, escrevo um texto longo sobre as possibilidades de saída da crise dos abusos sexuais do clero:

Conhecer a verdade, restaurar a confiança, dar a palavra aos crentes e promover uma nova reforma da Igreja. Estas são algumas das urgências para enfrentar o que está a acontecer no catolicismo. Uma crise só comparável, na dimensão, extensão, gravidade e profundidade, à que levou à Reforma do século XVI. Nesta crise, revelam-se, tal como há 500 anos, problemas graves como abuso de poder, clericalismo, formas de nepotismo, centralidade da instituição em detrimento do evangelho, má gestão de bens... O Papa Francisco, que este sábado chega à Irlanda, tem alertado para várias destas questões e já repetiu que considera muito grave o que se passa.
(o texto pode continuar a ser lido aqui)

No mesmo jornal, há outros textos sobre o mesmo tema:
Natália Faria escreve sobre os casos conhecidos em Portugal, para concluir que, afinal, os padres já condenados em tribunal continuarem a exercer o ministério. Ou seja, os mínimos continuam por fazer. O texto pode ser lido aqui

Maria João Guimarães descreve a Irlanda que Francisco visita, estabelecendo as profundas diferenças da actual sociedade irlandesa e do seu catolicismo com aqueles que o Papa João Paulo II encontrou, em 1979. Para ler aqui

Também João Miguel Tavares dedica a sua crónica ao assunto, para defender uma investigação mundial sobre o tema e um estudo aprofundado sobre o celibato. Para ler aqui

  

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Os riscos de dois artistas a desenhar igrejas modernas

In Memoriam
António Freitas Leal (1927-2018) e António Flores Ribeiro (1934-2018)



Texto de João Alves da Cunha

Nos últimos tempos vimos partir dois importantes nomes da arquitetura religiosa em Portugal, António de Freitas Leal e António Flores Ribeiro. Dois colegas, dois amigos, que dedicaram a maior parte da sua vida à construção de igrejas modernas fiéis ao espírito do Concílio Vaticano II. Pela sua dedicação e trabalho no MRAR – Movimento de Renovação de Arte Religiosa e no SNIP – Secretariado das Novas Igrejas do Patriarcado, o património arquitetónico religioso em Portugal dos últimos 60 anos muito deve à sua reflexão e ao risco de suas mãos.

António Aires de Freitas Leal

Nasceu no Funchal em 1927. Em 1950 frequentou o curso de Sociologia e Ordenamento de Território da “Économie et Humanisme”, em L’Arbresle, Lyon. Participou no 1º Congresso dos Universitários Católicos, realizado em Lisboa em 1953, onde apresentou, juntamente com José Pedro Martins Barata, uma comunicação intitulada “Natureza e espiritualidade da profissão de arquiteto” (1). No ano letivo de 1953-45 organizou para os estudantes de Arquitetura um curso de Habitação e Urbanismo, e no ano seguinte lecionou a cadeira de Higiene e Urbanismo no Instituto de Serviço Social de Lisboa. Entre 1954 e 1957 foi professor contratado da Escola de Artes Decorativas António Arroio, em Lisboa.
(O texto pode continuar a ser lido aqui)

Foto: Igreja de Santo António de Moscavide (reproduzida daqui)



quarta-feira, 8 de agosto de 2018

“O poder é necessário e é um serviço”


Entrevista ao bispo Carlos Azevedo a propósito do livro “Ministros do Diabo”



D. Carlos Azevedo, fotografado no final de Julho em Santa Maria da Feira 
(foto © Paulo Pimenta/Público)

Defende que o proposto “Museu das Descobertas” deveria ter outro nome e que a Igreja faria bem em promover um processo de reflexão que pudesse levar a pedir perdão pelas atitudes de uma parte dos seus membros durante a guerra colonial. O bispo Carlos Azevedo transcreve e estuda, no seu último livro, sermões de um bispo de Coimbra em autos-da-fé da Inquisição.

O facto de viver em Roma permitiu-lhe um acesso mais fácil aos arquivos do Vaticano. À procura de documentos sobre o bispo João de S. José Queirós, do século XVIII, tropeçou num texto do padre João Moutinho a criticar a Inquisição, no qual condenava os bispos portugueses como heréticos. Agora, encontrou seis sermões do então bispo de Coimbra, Afonso de Castelo Branco, em autos-da-fé – o único caso conhecido em que alguém faz seis sermões em sessões do tribunal da Inquisição.
Delegado do Conselho Pontifício da Cultura, o bispo Carlos Azevedo fala, nesta entrevista em Roma, sobre o seu último livro: Ministros do Diabo (ed. Temas e Debates), onde reproduz e investiga seis sermões do então bispo de Coimbra, Afonso de Castelo Branco. E analisa o que ainda ficou nos portugueses sobre o espírito inquisitorial: “Por vezes, vem ao de cima algum espírito de caça ao erro ou ao mal que é típico deste espírito, em que bastava ser denunciado para ser condenado.”
(o texto pode continuar a ser lido aqui)



terça-feira, 7 de agosto de 2018

Eles ajudam a construir memórias para tornar o futuro possível na Síria



(Foto reproduzida daqui)

Mais de seis milhões de sírios fugiram do país nos últimos sete anos. Dentro da Síria, pelo menos 6,6 milhões estão deslocados. Perante isso, o que se pode fazer? O padre Fouad Nakhaleh, director do Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS, na sigla inglesa), na Síria, sugere o que se pode fazer: “Promover a justiça, chamar a atenção para situações de injustiça e, na medida das capacidades de cada um, repor a justiça”.
Ghalia, muçulmana de Damasco orgulhosa de trabalhar entre cristãos, que agora vê futuro para si em Portugal, explica que quando a ajudaram ganhou mais forças para ajudar os outros. E no momento em que a palavra “sírio” se tornou para tantos um símbolo de “radical”, lembra que “as pessoas, lá e cá, precisam de ser defendidas”. “Falem, falem em nossa defesa”, pede. Ajudar é também nunca, nunca “esquecer a Síria”.
O padre Fouad não estava preparado para a guerra, como nenhum outro sírio. Agora, enquanto responsável do JRS na Síria, não desiste da paz. E sublinha que os sírios não desistiram, ainda, da hospitalidade: “Hospitalidade e dignidade. Os sírios mantiveram a capacidade de expressar o seu ‘obrigado’ com muito pouco.” E recorda uma história, de 2013: “Organizámos uma distribuição para 3000 pessoas e era estilo supermercado, elas entravam e escolhiam o que queriam”, conta. “No dia seguinte, uma senhora voltou com a sua família e trouxe-nos um pequeno bolo. Era mesmo pequeno [e mostra o tamanho formando um círculo com as mãos]. ‘É isto que eu tenho’, disse. Éramos 100 voluntários mas fizemos uma grande festa com este bolo”, diz, emocionado com as suas memórias.
(excertos de uma reportagem de Sofia Lorena no Público, que pode ser lida na íntegra aqui)

(Aqui também, pode ser lido um texto sobre Nouar Machlah, o jovem sírio que se reviu na imagem de Cavani ajudado por Ronaldo. Nouar vive em Évora, depois de ter fugido à guerra na Síria natal. Agarrou uma bolsa da plataforma de Jorge Sampaio para formar líderes e agora quer recompensar Portugal pelo que lhe deu...)

sábado, 21 de julho de 2018

Frei Bento: um observador sério da realidade da Igreja


No número de Julho da revista Brotéria, publicada pelos jesuítas portugueses, o padre jesuíta Rui Fernandes assina um texto sobre o livro de frei Bento Domingues A Religião dos Portugueses:

Em 1988, frei Bento Domingues publicava o livro A Religião dos Portugueses, condensando em parte as notas do seu Curso de Pastoral, no Instituto Superior de Estudos Teológicos (ISET), em Lisboa (1967-1975). Então, o autor apelava para a necessidade de se estudar em profundidade o fenómeno religioso português, tendo Fátima como objecto de análise simultaneamente concreto e simbólico. O livro que agora nos chega recupera esses textos e problemática, somando uma selecção de artigos posteriores do autor, uns provindos da sua coluna semanal no jornal Público, outros de colaborações suas em diferentes obras. Agora, como na versão original, o livro tem total cabimento e pertinência. (...)

O artigo, que pode continuar a ser lido aquideixa implícita, na minha perspectiva, uma pergunta: porque não houve até agora um reconhecimento público, por parte da Igreja institucional, do trabalho que frei Bento Domingues faz há décadas, e nomeadamente nos últimos 30 anos, de reflexão sobre o lugar do religioso na sociedade, de aproximação entre o catolicismo e a cultura e entre crentes e descrentes, de debate sobre razão e fé ou de questionamento sobre as dimensões religiosas da sociedade portuguesa?...


quarta-feira, 18 de julho de 2018

“Karitas habundat in omnia” ou a história da feiticeira Cundrîe

Músicas que falam com Deus (45)


O Palácio de Sintra, sábado à noite

A música começa só com a voz, junta-se depois a flauta e, a seguir, o saltério. É como uma onda que vem, lenta mas firme, até inundar tudo. O poema confirma: Karitas habundat in omnia, o amor inunda o todo, ele ama abundantemente tudo... O texto é de Hildegarda de Bingen, a mística renana do século XII, e é ele que marca o início (e também o final) do belo concerto da alemã Maria Jonas e da sua Ala Aurea na 4ª Temporada de Música da Parques de Sintra. 
O ciclo deste ano tem como título Reencontros – Memórias Musicais no Palácio de SintraSábado passado, no cenário renascentista e onírico da Sala dos Cisnes, no Palácio da Vila, o tema do espectáculo tinha por título Cundrîe la Surziere – Um trajecto medieval em busca de Chrétien de Troyes e Wolfram von Eschenbach. A história de Cundrîe, espécie de feiticeira, mensageira do Santo Graal, conta que ela governava as ciências e as línguas do mundo antigo, resumia o programa. Ela era mediadora entre Oriente e ocidente e a sua mensagem era a caridade, mensagem “cristã primeva” que ecoava através dela e da sua voz “meia pagã” no antigo círculo Arturiano cristão.
A recriação proposta por Maria Jonas é singular: a música medieval só sobreviveu em alguns casos excepcionais, explica a artista, “sendo difícil determinar o modo como os textos eram musicados, o papel da improvisação e a articulação destes elementos no espetáculo musical”. A interpretação e a audição da música medieval, acrescenta, “têm sempre qualquer coisa de um ‘aqui e agora’”, diz ainda Maria Jonas, que caracteriza o estilo do seu trabalho como “música medieval livre”. Por isso, nos seus concertos, a improvisação reveste-se por vezes de um tom quase jazzístico, outras dos jograis ou ainda dos liederromânticos.
O concerto de sábado passado foi exemplar, desse ponto de vista: não se limitou ao que poderá ser a interpretação básica da música medieval, seguindo um arquétipo consagrado, antes nos levou a novos territórios. Diga-se que isso tinha tudo a ver com a história que aqui se pode resumir, a partir do programa: Cundrîe, bruxa feia, quase monstro, repreendeu Parzival, dizendo-lhe que ele não era digno da Távola redonda ou do Graal. O programa do concerto, centrado no Parzival, de Wolfram von Eschenbach (século XII-XIII) traduzia as profundas mudanças sociais e culturais da época, entre as quais a nova percepção do conceito de amor cristão (a caritas) e a revalorização do papel das mulheres. Cundrîe (que na origem francesa significa “a enfeitada”) surge como a intermediária entre o Ocidente cristão e o Oriente muçulmano, que as Cruzadas tinham mostrado que não se devia menosprezar. E a sua sabedoria, a sua humanidade, a sua empatia e o respeito pelas outras pessoas – a sua vivência da caritas– levam-na a ser reconhecida, apesar da sua fealdade física. 
No concerto, deve destacar-se também o extraordinário contributo dos restantes músicos: o iraquiano Bassem Hawar, no djoze, espécie de violino com uma caixa minúscula; a alemã Elisabeth Seitz, no saltério; o italiano Fabio Accurso, no alaúde e flauta, além de autor das peças instrumentais; e também o português Tiago Mota na recitação. Diga-se que qualquer um deles já tocou com outros grandes nomes da música: entre outros, estão nessa lista Ton Koopman, Ricercar Consort, Poème Harmonique ou L’Arpeggiata (que, na véspera, estiveram no mesmo local a dar outro concerto, e do qual foi co-fundadora Elisabeth Seitz, talvez a mais conhecida executante alemã do saltério). 
“Entre a humanidade e Deus, estou exactamente a meio, na fronteira”, dizia Cundrîe, a dado passo. Este concerto também nos deixou nesse lugar. 




Azulejos no Palácio de Sintra

[O festival continua já na próxima sexta e sábado com dose dupla dos Odhecaton (já aqui referidos, a propósito do seu disco O Gente Brunette), dirigidos por Paolo da Col. Sexta, dia 20, sobre o tema Flos Florum – Simbologia do número e devoção Mariana na polifonia franco-flamenga (programa aqui); sábado, dia 21, com o título Os humores de Orlando di Lasso (programa aqui). 
Dias 27 e 28 será a vez da Accademia del Piacere, com os programas Redescobrindo Espanha – Fantasias, diferencias e glosas na música espanhola dos séculos XVI e XVII (sexta, 27e Hispalis Splendens – Músicas da Sevilha do Século de Ouro (sábado, 28). 
Os concertos realizam-se sempre às 21h30, na Sala dos Cisnes do Palácio da Vila, em Sintra; bilhetes à venda nos locais habituais. Mais informação: www.parquesdesintra.ptinfo@parquesdesintra.pt ou tel. 219 237 300.]

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Nascida como um oásis na cidade


Agenda

Foto ao lado : Igreja de Nossa Senhora da Conceição, dos Olivais Sul, em Lisboa (reproduzida daqui)

Nasceu como um oásis. Isto é, “um conjunto de instalações, dificilmente definível como edifício, vivendo por si próprio e por si próprio possibilitando uma maneira de viver”. Era assim que o arquitecto Pedro Vieira de Almeida definia, em 1970, a nova igreja e complexo paroquial dos Olivais Sul, em Lisboa, onde a invenção pretendia ser “um sistema e não uma forma”. Trinta anos depois da dedicação da igreja (em 1988), aquele espaço será objecto de um debate nesta terça-feira, dia 17 de Julho, às 21h30, com a participação do arquitecto Gonçalo Byrne.
O mote para a conversa será Passado, Presente, Futuro: Oportunidades. Fruto de um concurso de arquitectura lançado em 1969 e construído na década de 1980, o complexo (apenas parcialmente concluído) implanta-se sobre uma pequena encosta no moderno bairro de Olivais Sul (Lisboa). O volume caracteriza-se pela sua horizontalidade, apresentando-se mais como uma estrutura ao serviço da comunidade do que como referência arquitectónica dominante no território, numa interpretação muito concreta dos princípios de integração de uma igreja na cidade, no pós-Concílio Vaticano II (1962-65).
Concluída pelo Secretariado das Novas Igrejas do Patriarcado, a igreja celebra este ano os 30 anos da sua dedicação, pretexto para esta iniciativa, organizada pelo Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa e a Paróquia de Olivais Sul.
Também no próximo sábado, 21 de Julho, às 21h30, será apresentado o documentário A espessura da luz, de João Valério, Sofia Almeida e Tiago Santos, sobre o projecto e construção da igreja de Olivais Sul. Em ambos os casos, as iniciativas decorrem na igreja dos Olivais Sul, com entrada gratuita. O filme de apresentação do documentário pode ser visto a seguir.