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segunda-feira, 4 de abril de 2011

Bento e Anselmo: Quaresma para sarar a irrazão


Bento Domingues no "Público" de domingo (em cima) e Anselmo Borges no "Diário de Notícias" de sábado (em baixo):

O que São Basílio Magno (séc. IV) escreveu sobre a usura é temível: "Os cães, quando recebem algo, ficam mansos; mas o usurário, quando embolsa o seu dinheiro, irrita-se tremendamente. Não cessa de ladrar, pedindo sempre mais... Mal recebeu o dinheiro e já está a pedir o dinheiro do mês em curso. E este dinheiro emprestado gera mal atrás de mal, e assim até ao infinito." Por isso, o Concílio de Latrão, em 1179, proibiu aceitar esmolas dos usurários, admiti-los à comunhão e dar--lhes sepultura cristã.
Hoje a isto chama-se os mercados financeiros, com a sua lógica devoradoramente insaciável. Portugal sabe-o por experiência. Quem não viu veja e quem viu reveja Inside Job. Ler tudo aqui.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Bento e Anselmo: Homem - animal que fala à beira de um poço


Bento Domingues no "Público" de 27 de Março.


Anselmo Borges no DN de 26 de Março:

Entre as características ou "notas" que distinguem o ser humano dos outros animais, uma é determinante: a capacidade simbolizante, de tal modo que antropólogos, como E. Cassirer ou P. Laín Entralgo, o definiram, respectivamente, como animal simbólico e animal simbolizante.O animal vive dentro do esquema estímulo-resposta. Com o homem, dá-se uma mudança qualitativa, já que, entre o estímulo e a resposta, se introduz o sistema simbólico. Ler mais aqui.

domingo, 20 de março de 2011

Bento aborda o humor na Quaresma; Anselmo fala dos "bispos cristãos"

Texto de Bento Domingues no "Público" de 20 de Março.



Texto de Anselmo Borges no DN de 19 de Março de 2011.
Causou alguma admiração tanto interesse dos media, aquando do 75.º aniversário do patriarca de Lisboa, José Policarpo, e do seu pedido de resignação, sendo seguro que o Papa lhe concederá mais dois anos. Mas, afinal, o móbil dos media pareceu ser, mais do que fazer um balanço, por todos considerado positivo, a curiosidade quanto ao sucessor.
Ler mais aqui.

domingo, 13 de março de 2011

Bento reflecte sobre as virtudes; Anselmo aborda o novo livro do Papa


Em cima, texto de Bento Domingues no "Público" de hoje.
Ontem, Anselmo Borges escreveu no DN sobre no novo livro do Papa.

Foi ontem posto à venda, em várias línguas, o volume II da obra sobre Cristo, de Joseph Ratzinger/Bento XVI: Jesus de Nazaré. Da Entrada em Jerusalém até à Ressurreição, condenado, como o primeiro, publicado em 2007, a ser um best-seller.
Os media já tinham tido acesso a excertos, e destacaram sobretudo a afirmação de que não foi "o povo judeu enquanto tal" a insistir que Jesus fosse condenado à morte, mas "o círculo das autoridades sacerdotais e o grupo dos apoiantes de Barrabás".
Agora, com o livro todo disponível, pergunta-se: qual é a sua tese central? 
Ler mais aqui.

terça-feira, 8 de março de 2011

Bento e Anselmo

Texto de Bento Domingues no "Público" do domingo passado, 6 de Março... 
...E de Anselmo Borges no DN de sábado, 5 de Março.
Continuo a reflexão da semana passada sobre as religiões mundiais. Hoje, sobre as religiões proféticas, abraâmicas, monoteístas.Em primeiro lugar, o judaísmo. Quantos cristãos se lembram de que Jesus era judeu e de que os primeiros discípulos também? Não se pode esquecer o que há de comum entre judaísmo e cristianismo. Também o cristão acredita em um só Deus, o Deus criador e consumador do mundo e da história, em quem o homem pode, com razões, pôr a sua confiança. Também aceita a Bíblia Hebraica ("Antigo Testamento") e reza os Salmos. Também o cristão está vinculado por uma ética da justiça e da promoção da paz, na base do amor de Deus e do próximo. Como disse Thomas Mann, referindo-se aos Dez Mandamentos, eles são "manifestação fundamental e rocha da decência humana", "o ABC da conduta humana". Ler mais aqui.

quinta-feira, 4 de março de 2010

(Foto: Lima Duarte no filme de Manoel d'Oliveira, Palavra e Utopia)

Esta noite, na Igreja de Santa Isabel, em Lisboa, o actor Luís Miguel Cintra dirá o Sermão de Quarta-Feira de Cinzas, do Padre António Vieira. Esta iniciativa insere-se num ciclo de actividades propostos pela Paróquia de Santa Isabel e Capela do Rato, que continuará nos próximos dias 11 e 18, com duas "Conversas à Capela", sobre o tema "Deus: questão para Crentes e não-Crentes". Na primeira, participam Alberto Vaz da Silva, Pedro Tamen e Ricardo Araújo Pereira, com moderação de Laurinda Alves. Na segunda, a conversa é feita com Assunção Cristas, Henrique Raposo e Pedro Adão e Silva, com João Wengorovius Meneses a moderar. Todas as actividades são às 21h30.


Para aguçar o apetite para esta noite, fica aqui o início do sermão, proferido em 1670, na Igreja de S. António dos Portugueses, em Roma:

Memento homo, quia pulvis es, et in pulverem reverteris (Lembra-te homem, que és pó, e em pó te hás de converter)

O pó futuro, em que nos havemos de converter, é visível à vista, mas o pó presente, o pó que somos, como poderemos entender essa verdade? A resposta a essa dúvida será a matéria do presente discurso.

Duas coisas prega hoje a Igreja a todos os mortais, ambas grandes, ambas tristes, ambas temerosas, ambas certas. Mas uma de tal maneira certa e evidente, que não é necessário entendimento para crer: outra de tal maneira certa e dificultosa, que nenhum entendimento basta para a alcançar.

Uma é presente, outra futura, mas a futura vêem‑na os olhos, a presente não a alcança o entendimento.

E que duas coisas enigmáticas são estas? Pulvis es, tu in pulverem reverteris: Sois pó, e em pó vos haveis de converter. — Sois pó, é a presente; em pó vos haveis de converter, é a futura.

O pó futuro, o pó em que nos havemos de converter, vêem‑no os olhos; o pó presente, o pó que somos, nem os olhos o vêem, nem o entendimento o alcança.

Que me diga a Igreja que hei de ser pó: In pulverem reverteris, não é necessário fé nem entendimento para o crer. Naquelas sepulturas, ou abertas ou cerradas, o estão vendo os olhos. Que dizem aquelas letras? Que cobrem aquelas pedras? As letras dizem pó, as pedras cobrem pó, e tudo o que ali há é o nada que havemos de ser: tudo pó.

Vamos, para maior exemplo e maior horror, a esses sepulcros recentes do Vaticano. Se perguntardes de quem são pó aquelas cinzas, responder‑vos‑ão os epitáfios, que só as distinguem: Aquele pó foi Urbano, aquele pó foi Inocêncio, aquele pó foi Alexandre, e este que ainda não está de todo desfeito, foi Clemente.

De sorte que para eu crer que hei de ser pó, não é necessário fé, nem entendimento, basta a vista. Mas que me diga e me pregue hoje a mesma Igreja, regra da fé e da verdade, que não só hei de ser pó de futuro, senão que já sou pó de presente: Pulvis es?

Como o pode alcançar o entendimento, se os olhos estão vendo o contrário? É possível que estes olhos que vêem, estes ouvidos que ouvem, esta língua que fala, estas mãos e estes braços que se movem, estes pés que andam e pisam, tudo isto, já hoje é pó: Pulvis es?

Argumento à Igreja com a mesma Igreja: Memento homo. A Igreja diz‑me, e supõe que sou homem: logo não sou pó. O homem é uma substância vivente, sensitiva, racional.

O pó vive? Não. Pois como é pó o vivente?

O pó sente? Não. Pois como é pó o sensitivo?

O pó entende e discorre? Não. Pois como é pó o racional?

Enfim, se me concedem que sou homem: Memento homo, como me pregam que sou pó: Quia pulvis es? Nenhuma coisa nos podia estar melhor que não ter resposta nem solução esta dúvida. Mas a resposta e a solução dela será a matéria do nosso discurso. (...)

Em que cuidamos, e em que não cuidamos?

Homens mortais, homens imortais, se todos os dias podemos morrer, se cada dia nos imos chegando mais à morte, e ela a nós, não se acabe com este dia a memória da morte.

Resolução, resolução uma vez, que sem resolução nada se faz. E para que esta resolução dure e não seja como outras, tomemos cada dia uma hora em que cuidemos bem naquela hora. De vinte e quatro horas que tem o dia, por que se não dará uma hora à triste alma?

(...) E porque espero da vossa piedade e do vosso juízo que aceitareis este bom conselho, quero acabar deixando‑vos quatro pontos de consideração para os quatro quartos desta hora. Primeiro: quanto tenho vivido? Segundo: como vivi? Terceiro: quanto posso viver? Quarto: como é bem que viva?

Torno a dizer para que vos fique na memória: Quanto tenho vivido? Como vivi? Quanto posso viver? Como é bem que viva? Memento homo!
(O texto completo do sermão está aqui)

sábado, 20 de fevereiro de 2010

No princípio, cinzas

No dia em que assistimos, de novo impotentes, à fúria dos elementos, vale a pena ler esta crónica, escrita para Quarta-feira de Cinzas, início da Quaresma para os cristãos. Este domingo é, liturgicamente, o primeiro domingo da Quaresma.

“Teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa.”
(Mateus 6, 6)

Ao pensar em cinzas vejo, em primeiro lugar, os rostos fantasmagóricos do 11 de Setembro após a destruição das torres gémeas em Nova Iorque. Ou, mais recentemente, os escombros de Port-au-Prince, no Haiti, e os rostos angustiados de tantas crianças. São um limite, as cinzas. Uma fronteira, da qual é difícil ou impossível voltar. São a destruição a revelar como a matéria é frágil e passageira. São o mistério do tempo que transforma em aparente nada aquilo que se julgou tudo. E entre o nada e o tudo cá vamos escrevendo o existir, criando e recriando, na esperança de que o que é verdadeiramente importante nunca será cinza, antes estrela!

Nestas terras das Beiras, onde é sempre tão bom voltar, mesmo quando o lume se apaga, e fica o “borralho”, às vezes, encontram-se brasas que são como sementes para outros fogos. Basta um sopro para as avivar, e um pouco mais de lenha para tudo se reacender. E das cinzas se faz adubo para a terra que irá acolher as sementes. E também barrela para branquear a roupa. Há um fogo que permanece vivo até nas cinzas.

Começamos a Quaresma com o sinal das cinzas. E um outro, tão idêntico, se seguirá: o deserto. O primeiro, sinal de um fim; o segundo, lugar onde o fim parece o mais provável. E, contudo, também é possível encontrar vida e beleza no deserto. Bastaria lembrar a deliciosa frase do Principezinho: “O que torna belo o deserto, é que ele esconde um poço em qualquer lado…” Há um caminho a percorrer a partir de novas cinzas e por novos desertos. Um caminho que nos chama a vencer a instalação e o desencanto, os erros passados e os medos futuros. Que pede para olhar cada fim como um novo princípio, cada derrota como uma sabedoria adquirida. A derrota que se chama pecado e também desilusão, a derrota que se chama doença, e também desemprego, e até injustiça. A derrota feita por mim e aquela que outros teimam em fazer. Como cinzas que se espalham no caminho. Espalham-se porque caminho. E caminho acompanhado.

É preciso não esquecer a condição original de sermos moldados a partir da terra pelas mãos hábeis e ternas de Deus. E, por isso, receber este pedaço de cinza sobre a cabeça, reclama reacender o fogo. É cinza que não é fim, mas princípio. E quantos princípios estão desejosos de começar em nós? E à nossa volta? E nas comunidades, também às vezes cinzentas, a que dizemos pertencer? Que princípio de fogo traz para mim a cinza deste dia?

(Texto do padre Vítor Gonçalves; foto copiada daqui)

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Bento Domingues: Para a Quaresma

Bento Domingues, no "Público" de 14 de Fevereiro de 2010, comenta a carta ao Papa do jesuíta Henri Boulad, critica os que dizem que “fora da paróquia – ou do seu grupo - não há salvação” e lembra que a Quaresma é um período “dedicado à revisão dos critérios de vida de nós todos”.

domingo, 1 de março de 2009

Fé viva não é seguidismo

Na primeira catequese quaresmal, em 1º Domingo de Quaresma, o cardeal-patriarca de Lisboa diz que "não há fé viva sem fidelidade, e esta não consiste em pensar sempre da mesma maneira, aceitando o ensinamento da Palavra de Deus". D. José Policarpo explica que "a fidelidade situa-se no campo da caridade, da luta pela justiça, pela vida, pela verdade."

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Tempo de mudança

"Num momento alinhado com o medo, o simbólico religioso surge como estímulo", escreve aqui Joaquim Franco. "Jejum, renúncia e conversão. Na urgência de rigor, moderação e mudança. Ecoa no simbólico religioso a lição da passagem - Pessah, Páscoa - que se faz no final de uma caminhada. Uma passagem que implica uma paragem. Um tempo para ver por dentro e de dentro. Parar e escutar não deve ser uma atitude exclusiva de um crente ou de uma religião. É acertar o tempo com o espaço. Regular a expectativa a partir da experiência adquirida. Deixar que se manifeste o poder do silêncio, quando o tempo intransmissível carece de espaço próprio. Quando a poluição do quotidiano impede a razão."

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Quaresma: um novo sentido para a esmola, o jejum e a oração

O bispo do Porto, D. Manuel Clemente, tem no aqui no YouTube uma mensagem para esta Quaresma, na qual explica o novo sentido que podem ganhar a oração, o jejum e a esmola, de acordo com as expressões tradicionais que se usavam neste tempo litúrgico dos cristãos. O bispo Clemente sugere que a oração pode significar a busca de "como se traduz a vontade de Deus, bíblica e solidariamente". O jejum traduz a privação de alguns bens, "mesmo legítimos" e a procura de "uma vida mais austera, uma vida de menos gastos, uma atitude mais frugal, mais disponível para a solidariedade". A esmola pode ser, no actual contexto português e internacional, "fazer tudo o possível para que mais gente veja o seu trabalho garantido".