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sexta-feira, 26 de junho de 2015

Os futuros que não existiam e os riscos do Sínodo

Crónicas

No comentário aos textos bíblicos da liturgia católica do próximo domingo, Vítor Gonçalves escreve, sob o título “Levanta-te!”:

A ressurreição de Jesus, que Ele prometeu a todos os que n’Ele acreditam, é o coração da nossa fé. E é o dinamismo de tudo o que podemos ser e fazer. Chama-se vida nova, com o sabor da eternidade, porque renova, levanta, cura, compromete, entusiasma, anima, e tudo o mais que tem sabor a vida. É tão fácil percebê-la e deixarmo-nos guiar pela sua mão, que até irrita quem o não faz. Os que teimam em ser coveiros do pensamento e do coração, que propagam medos e desconfianças, que olham de cima e se julgam superiores. Diz o povo que “parar é morrer” e tem tanta razão. Pois é quando paramos de amar e de sonhar, de pensar e de aprender, de conhecer e alargar horizontes que a morte se instala! Não será por isso, que todos os que Jesus encontra, perdoa e cura, os “põe a mexer”? Quer dizer, abre-lhes futuros que não existiam e convida-os a percorrê-los!
(o texto pode ser lido aqui na íntegra)


Na crónica de hoje no CM, Fernando Calado Rodrigues escreve sobre Os riscos do Sínodo, a propósito da apresentação do Instrumento de Trabalho da próxima assembleia do Sínodo dos Bispos, sobre a família:

Esta semana foi apresentado o documento onde constam os assuntos que serão refletidos e aprofundados pelos padres sinodais. Foi sublinhado o desejo do Papa de que todos falassem com coragem e abertamente. Contudo a maior novidade foi a de deixar à “discrição e responsabilidade” dos participantes a liberdade de comunicar aos média os assuntos que estão a ser debatidos no Sínodo.
Esta é uma opção arriscada de transpor para os meios de comunicação social a discussão que decorre na Aula Sinodal, com o perigo de ser deturpado e corrompido pela lógica mediática, mas confere uma maior transparência e visibilidade ao debate eclesiástico. Está também de acordo com o que dizia o cardeal Bergoglio em Buenos Aires e que reafirmou, como Papa, na Evangelii Gaudium: “Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças” (nº49).
(o texto pode ser lido aqui na íntegra)

terça-feira, 23 de junho de 2015

Cuidar da mãe Terra e novos olhares sobre o casamento

Crónicas

A nova encíclica do Papa Francisco foi o tema de muitos textos na comunicação social nos últimos dias, incluindo dos cronistas aqui referidos habitualmente. No artigo de sábado, no DN, sob o título Cuidar da mãe Terra, Anselmo Borges escrevia:

Impossível fazer aqui uma síntese minimamente adequada da sua riqueza. Trata-se de um texto poderoso, argumentado, contundente, também com belas passagens poéticas, articulando a ecologia do meio ambiente e a ecologia humana, um marco histórico para o futuro do planeta, que se impõe debater e meditar. Não é por acaso que aparece nesta data, antes da viagem aos Estados Unidos e no contexto da preparação de um novo tratado sobre o clima numa conferência das Nações Unidas, em Dezembro próximo, em Paris. 
(texto completo aqui)


Na véspera, no CM, Fernando Calado Rodrigues escrevia sobre A encíclica verde:

Francisco é o primeiro Papa a dedicar um texto com a relevância de uma Encíclica à problemática do ambiente.
A preocupação que ele procura suscitar é traduzida pela questão: “Que tipo de mundo queremos deixar a quem vai suceder-nos, às crianças que estão a crescer?” Com uma linguagem frontal, que não se submete à lógica do politicamente correto, critica os governos e as grandes empresas que contribuem para a degradação ambiental e o acentuar da pobreza. Denuncia o consumismo e a divinização do mercado.
(texto completo aqui)


Também na Voz da Verdade, jornal do patriarcado de Lisboa, escreveu Guilherme d’Oliveira Martins acerca de «Laudato si' - sobre o cuidado da casa comum», recordando um outro texto fundamental nesta área, Cuidar o Futuro:

Como afirmou o Cardeal Peter Turkson, Presidente do Conselho Pontifício da Justiça e Paz, «grande parte do mundo permanece na pobreza apesar dos recursos abundantes, enquanto uma elite privilegiada controla a maioria da riqueza mundial e consome a maior parte dos recursos». Eis a encruzilhada em que nos encontramos. E recorde-se que teremos em 2015 a realização da Conferência Mundial do Clima em Paris, estando prevista uma intervenção do Papa Francisco na Assembleia Geral das Nações Unidas, em 25 de setembro, para abordar os temas fundamentais da encíclica «Laudato si». Aliás, não esquecemos o que Maria de Lourdes Pintasilgo disse quando apresentou o documento «Cuidar o Futuro» da Comissão Independente das Nações Unidas para a População e Qualidade de Vida (1998): «a qualidade de vida aparece como o objetivo essencial, a partir do momento em que o limiar da quantidade (além do nível da mera sobrevivência) é ultrapassado. Deste modo, a qualidade de vida torna-se o princípio diretor a orientar um consumo sustentável – cujo aumento, por vezes, conduz a uma qualidade de vida mais baixa». 
(texto completo aqui)


Na crónica de Domingo, no Público, frei Bento Domingues debruçou-se pela segunda vez acerca dos Novos olhares sobre o casamento, a propósito do Sínodo sobre a Família, que se avizinha:

Em relação ao referido Sínodo, as preocupações devem centrar-se no primado das pessoas concretas e nos itinerários das suas múltiplas relações. (...) A construção de uma família de sólidos laços afectivos, ao contrário do que por vezes se afirma, é o que as pessoas mais procuram. A alta temperatura da paixão juvenil não é a única medida do crescimento do amor. 
As instituições da pastoral familiar da Igreja ganham em realismo sendo elaboradas com os noivos e os casais, nas suas diversas metamorfoses. Não se trata de relativismo, do vale tudo, mas da fidelidade à perspectiva de Cristo perante as instituições mais sagradas: O sábado é para o ser humano, não o ser humano para o sábado. 
(texto completo aqui)

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Três pontos num Sínodo

Crónica

No site da SIC Notícias, Joaquim Franco faz um balanço do recente Sínodo dos Bispos sobre a família:

Estar aberto ao diálogo implica pensar com o diferente assumindo a legitimidade da diferença, sem que isso signifique destruir os alicerces da convicção. Nos ecos do Sínodo extraordinário sobre a família, ouve-se o rumor dos corredores. Há quem queira por Ratzinger contra Bergoglio, papa contra papa. Até há quem questione a legitimidade da eleição de Bergoglio. Nada de novo. Estamos entre as tendências imobilistas da Igreja e as denominadas «esquerdas». A novidade está na forma.  Francisco desafiou a Igreja a não ter medo de falar de si própria. As naturais dissonâncias, por vezes profundas, são agora do domínio público e estilhaçam alguns «telhados de vidro».

(texto completo aqui)



domingo, 26 de outubro de 2014

Sínodo sobre a família: os desejos de Bento XVI, os balanços da assembleia e o caminho do futuro

Os documentos, os balanços e as crónicas


(foto reproduzida daqui)

O Papa emérito tomou posição acerca das conclusões do Sínodo dos Bispos sobre a Família? Se relermos, por exemplo, o seu discurso ao clero da diocese de Aosta, a 25 de Julho de 2005 (ano da sua eleição), até parece que sim. Na altura, disse Bento XVI, num parágrafo que vale a pena reter integralmente:
Ninguém de nós dispõe de uma receita já feita, também porque as situações são sempre diversificadas. Diria que é particularmente dolorosa a situação de quantos tinham casado na Igreja, mas não eram verdadeiramente crentes e só o fizeram por tradição, e depois, contraindo um novo matrimónio não válido, converteram-se, encontraram a fé e agora sentem-se excluídos do Sacramento. Este é realmente um grande sofrimento e quando fui Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé convidei várias Conferências Episcopais e especialistas a estudarem este problema: um sacramento celebrado sem fé. Se realmente é possível encontrar nisto uma instância de invalidade, porque ao sacramento faltava uma dimensão fundamental, não ouso dizer. Eu pessoalmente pensava assim, mas dos debates que tivemos compreendi que o problema é muito difícil e ainda deve ser aprofundado. Mas considerando a situação de sofrimento destas pessoas, deve ser aprofundado.” (O texto completo do discurso pode ser lido aqui)
Essa vontade de Ratzinger em aprofundar esta questão, para resolver situações de sofrimento das pessoas, tinha sido notícia, aliás, na altura da sua eleição. Seria mesmo um dos assuntos pendentes na sua secretária de prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, cargo que desempenhara até ser eleito Papa.
Não vale a pena, portanto, olhar para o que se passou na assembleia extraordinária do Sínodo dos Bispos, que terminou domingo passado, como um corpo extemporâneo, estranho ao debate eclesial. O que ali se passou resulta de várias questões que há muito vêm sendo colocadas na mesa por muitas vozes, agora confirmadas por uma assembleia cuja função essencial é a de aconselhar o Papa.

Uma assembleia extraordinária

O que se passou nesta assembleia sinodal já foi um grande passo. Desde logo, no sentido originário da palavra Sínodo (caminhar juntos) e daquilo que se pretendeu quando Paulo VI – beatificado durante a missa de encerramento – instituiu o Sínodo dos Bispos. Como disse o Papa na sua homilia:
 “Neste dia da beatificação do Papa Paulo VI , voltam-me à mente estas palavras com que ele instituiu o Sínodo dos Bispos: ‘Ao perscrutar atentamente os sinais dos tempos, procuramos adaptar os métodos (...) às múltiplas necessidades dos nossos dias e às novas características da sociedade’.”
Num texto no Público, Paulo Terroso, padre de Braga a estudar Comunicação Institucional em Roma, escrevia que esta assembleia do Sínodo foi verdadeiramente extraordinária: “Nisto, estou certo, até os padres sinodais estarão de acordo. Mas o que é que faz deste sínodo um momento extraordinário na vida da Igreja? A possibilidade de todos os participantes falarem claro, sem hesitações e sem medos, ‘a ousadia da franqueza’ tal como o Papa Francisco pediu na abertura dos trabalhos. (o texto pode ser lido aqui)

sábado, 18 de outubro de 2014

Para que serviu o Sínodo dos Bispos sobre a Família? – A libertação da palavra e algumas perplexidades

Análise 


(foto Vatican.va, reproduzida daqui)

O Sínodo dos Bispos sobre a Família não acabou. Terminou apenas mais uma etapa. Vale a pena olhar para o caminho já percorrido na preparação do Sínodo “a sério” – o de Outubro do próximo ano, após o qual o Papa redigirá uma exortação apostólica sobre o tema – bem como para algumas perplexidades destas duas semanas de debate.
A primeira pergunta é: será que alguém entende bem o que se passou nestes 15 dias? Provavelmente, poucas pessoas arriscarão uma leitura clara e isso não se deverá fundamentalmente à confusão de notícias surgidas nas duas últimas semanas. A babel informativa reflecte, em grande parte, a pluralidade e diversidade de pontos de vista que apareceram na aula sinodal, as tensões entre diferentes protagonistas e as visões diversificadas sobre o que deve ser o olhar da Igreja acerca da família no mundo de hoje.
Essa é uma primeira observação: o apelo do Papa a que os bispos falassem frontalmente parece ter tido consequência, a avaliar por aquilo que se passou pelo menos na primeira semana e muitos bispos aceitaram mesmo libertar a palavra. Mas há outra evidência: é natural, perante um acontecimento que tantas expectativas gerou, que surjam muitas opiniões a tentar marcar terreno. Como é positivo, para a Igreja Católica, que a dinâmica de um Sínodo – normalmente pouco acompanhada pela comunicação social, por se arrastar durante duas ou três semanas de debates mais ou menos cifrados para o grande público – seja seguida com tanta atenção. Isso deve-se ao Papa Francisco, ao processo por ele lançado e à forma como ele desejou que o debate se fizesse – aberto, sincero, participado pelo maior número.
Mas essa atenção redobrada surge também (sobretudo?) pelo assunto escolhido, que não deixou de lado nenhuma das questões difíceis que o tema família implica. É que foi por causa das questões ligadas à moral e à ética familiar que, nas últimas quatro décadas, se deu o grande afastamento de muitos católicos em relação à estrutura eclesiástica ou, mesmo, à comunidade eclesial ou à questão de Deus. Foi por aqui que se deu o que muitos chamam de “cisma silencioso”. Seria por aqui, portanto, que a atenção de muitas mulheres e homens se poderia de novo reconciliar ou reaproximar da Igreja.

A repetição mecânica

Houve outro apelo do Papa no início da assembleia: o de levar para o Sínodo a realidade das igrejas particulares – que é como quem diz, a realidade das famílias no mundo inteiro. A resposta a esse apelo pode não ter sido tão clara. Essa falha tinha já sido notada antes no Instrumentum laboris, o documento de trabalho inicial, que era uma decepção em diversos pontos e levava mesmo à sensação de déjà vu, como notava o jesuíta Thomas Reese. Pior ainda é que esse documento de trabalho não recolhia, em diferentes pontos, aquele que era o sentir dominante das respostas chegadas a Roma: a doutrina da Humanae Vitaea encíclica de Paulo VI sobre a regulação dos nascimentos, publicada em 1968, “nunca funcionou e não é realista pensar que possa continuar a ser defendida, as pessoas já nem se lembram da encíclica e muitos dizem mesmo que não é para respeitar”, como me referia um responsável do secretariado do Sínodo, em Março, depois de chegarem a Roma respostas de todo o mundo ao questionário inicial. Aliás, várias conferências episcopais, entre as quais a alemãtinham feito notar esse desfasamento entre o ensino da Humanae Vitae e a vida e prática de tantos católicos, pedindo uma mudança doutrinal nessa matéria.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

No interior do Sínodo - o relatório divulgado no 7º dia

Para quem compreende o inglês, vale a pena escutar as diferentes reações ao documento de sublinhados relativos à primeira semana do Sínodo sobre a família, divulgado na segunda-feira:

 

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

O que se decide no Sínodo e o convite de Jesus ao amor

Crónicas

Na sua crónica de Sábado, no DN, sob o título O que se decide no Sínodo, Anselmo Borges escreve:
O que se decide no Sínodo está, portanto, para lá da problemática da família. Uma das palavras mais revolucionárias de Jesus é esta: "O sábado foi feito para o homem, não o homem para o sábado", o que significa que mesmo as leis consideradas divinas têm de estar ao serviço do ser humano. Assim, o que está em questão é se se quer uma Igreja que dá o primado ao Evangelho ou ao direito canónico, ao ser humano ou ao sábado, uma Igreja da doutrina e do dogma ou uma Igreja da misericórdia, uma Igreja do poder ou uma Igreja do serviço, uma Igreja "alfândega da fé" ou uma Igreja "hospital de campanha" para curar as feridas, utilizando a expressão do Papa Francisco.
(texto completo aqui)

Também sobre o Sínodo dos Bispos que decorre em Roma, escreveu Fernando Calado Rodrigues no Correio da Manhã de sexta-feira passada:
Na Igreja primitiva era comum “uma prática de tolerância pastoral, clemência e paciência após um período de penitência”, dos divorciados, recorda também o cardeal Kasper, no livro “Evangelho da família”.
Compete agora ao Sínodo essa árdua tarefa de procurar conciliar o que aparentemente é irreconciliável: indissolubilidade e misericórdia. Eventualmente, recuperando procedimentos do passado.
(texto completo aqui)

No comentário à liturgia católica deste domingo, Vítor Gonçalves escreveu na Voz da Verdade, sob o título Todos convidados:
Ao comparar o Reino dos Céus a um banquete nupcial, Jesus mostra como a sua vida inteira é um convite para a festa que o Pai quer fazer connosco. À religião do sacrifício, do sangue derramado de animais e do cumprimento escrupuloso de preceitos que não produziam alegria, Jesus convida para a celebração da vida e do amor. 
(texto completo aqui)