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domingo, 13 de setembro de 2015

Papa Francisco: "Não podemos ignorar a nossa gente na hora de fazer teologia"




     "As perguntas do nosso povo, as suas angústias, os seus combates, os seus sonhos, as suas lutas, as suas preocupações possuem valor hermenêutico que não podemos ignorar se queremos levar a sério o princípio da encarnação. As suas perguntas ajudam-nos a perguntar, os seus questionamentos questionam-nos. Tudo isto nos ajuda a aprofundar o mistério da Palavra de Deus, Palavra que exige e pede diálogo, entrar em comunicação. Daí que não possamos ignorar a nossa gente na hora de fazer teologia".
     Eis uma eloquente súmula da recente video-mensagem do Papa Francisco ao Encontro Internacional de Teologia que, no início deste mês, evocou os cem anos da Faculdade de Teologia da Universidade Católica da Argentina e os 50 do encerramento do Concílio Vaticano II.
     O documento é o principal motivo da crónica de Frei Bento Domingues no Público deste domingo (e ao assunto promete regressar nas próximas crónicas).
   Para aqueles que quiserem conhecer esse documento papal na íntegra, sugere-se a consulta aqui.

Texto anterior no blogue
O "simplex" e o perdão do Papa, a oposição dos cardeais e o "agora" de Jesus - crónicas de Fernando Calado Rodrigues, Anselmo Borges e Vítor Gonçalves

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Taizé: um colóquio sobre o contributo do irmão Roger, para que a teologia avance

Iniciativa encerra sábado, na aldeia da Borgonha, com o cardeal Walter Kasper


O irmão Roger, fundador e primeiro prior de Taizé
(foto reproduzida daqui)

A teologia não é para ficar no mesmo sítio, antes se destina a fazer os cristãos avançar na reflexão, disse ontem à tarde o irmão Alois, de Taizé, na abertura do colóquio sobre o contributo do irmão Roger para o pensamento teológico.
A iniciativa marca este ano de celebrações em Taizé (Borgonha, França), acrescentou o prior da comunidade ecuménica: em 2015, a centena de monges católicos e protestantes assinala o centenário do nascimento de Roger Schutz, os 75 da sua chegada a Taizé e os dez anos da sua morte.
Para o irmão Alois, a reflexão do irmão Roger “estava cheia de temas bíblicos”. O actual prior acrescentava que, desde que entrou na comunidade em 1974, se recorda de ouvir o fundador de Taizé insistir em que os irmãos colocassem os textos bíblicos no coração dos encontros de jovens.
O contributo do irmão Roger passou também pela insistência na recolha de textos dos teólogos dos primeiros tempos do cristianismo. “Ele queria colocar os jovens à escuta dos testemunhos dos primeiros séculos”, afirmou.

Ir além das divisões dos cristãos era outro apelo permanente do irmão Roger, acrescentou: “Queria que cada cristão aprendesse a amar o dom do outro. E conduziu a nossa comunidade a tentar antecipar essa reconciliação.”
(o texto pode continuar a ser lido aqui)

texto anterior neste blogue:
Eleições e ética, plágio e desonestidades - crónicas de Anselmo Borges e Fernando Calado Rodrigues

Texto anterior sobre Taizé 2015:
Construir a cidade da paz e da dignidade humana - reflexão sobre as cidades da Bíblia e as cidades contemporâneas




segunda-feira, 23 de março de 2015

Mulheres, Família e Igreja – um debate em crescendo

O Movimento Internacional Nós Somos Igreja promove, nesta quarta-feira, um encontro de debate sobre Mulheres, Família e Igreja. Será a partir das 21h, na Capela do Rato (Calçada Bento da Rocha Cabral, 1-B), em Lisboa, e nele participam Maria do Rosário Carneiro, ex-deputada e professora universitária, e Anália Torres, socióloga.


Ferdinand Hodler, The Sacred Hour, 1907, Kunsthaus, Zurich
(ilustração reproduzida daqui)

Esta iniciativa acontece no contexto de preparação para o segundo Sínodo dos Bispos sobre a família, e também num momento em que surgem cada vez mais leituras, comentários  e interpretações sobre as tomadas de posição do Papa acerca da questão das mulheres na Igreja.
Há mesmo quem pergunte se o Papa será feminista. Num texto publicado em Le Monde des Religions, Bénédicte Lutaud recorda diversas declarações e gestos do Papa sobre a questão: “As mulheres devem ser mais consideradas na Igreja”, disse já o Papa Francisco, que também lavou os pés a mulheres em Quinta-Feira Santa (acto não permitido pelas regras litúrgicas), gesto que aliás repetirá na mesma cerimónia do Lava-Pés deste ano, de novo numa prisão. 
O Papa insistiu já em diferentes ocasiões no “papel particular” das mulheres em abrir o caminho para Jesus e convidou a Igreja a reflectir sobre o papel da mulher nas instâncias onde se tomam decisões importantes (como faz na Evangelii Gaudium – EG 104). E, depois de colocar homens e mulheres em paridade na Comissão Pontifícia para a Protecção de Menores, convidou cinco teólogas para a Comissão Teológica Internacional, dizendo que elas não podem ser apenas “a cereja em cima do bolo”.

Teólogos a cheirar a povo e a rua

Crónica

Na crónica de domingo, no Público, frei Bento escreveu sobre Teólogos a cheirar a povo e a rua, a partir de uma carta do Papa à Faculdade de Teologia da Universidade Católica Argentina, já aqui referida:

Tudo somado, quem é o estudante de teologia que a UCA está chamada a formar? Não é um teólogo de museu, que acumula dados e informações sobre a Revelação sem saber o que fazer deles, nem um mirone da história, mas uma pessoa capaz de construir humanidade à sua volta, transmitir a verdade cristã em dimensão humana. Não o intelectual sem talento, o éticista sem bondade, o burocrata do sagrado.
O Papa escreveu à UCA, mas o que disse deveria interrogar as faculdades de teologia de todo o mundo. Sentem-se os teólogos das universidades europeias interrogados pela crise que afectou, sobretudo, os países do sul? Que misericórdia manifestou a Alemanha, pátria da teologia?
(texto integral aqui)

quarta-feira, 11 de março de 2015

Papa pede que teologia se faça na fronteira, nos conflitos e com a misericórdia no centro


(ilustração reproduzida daqui)

O Papa Francisco quer que a teologia se baseie na Revelação e na Tradição, mas que acompanhe também “os processos culturais e sociais, especialmente as transições difíceis”.  
Numa carta enviada ao cardeal Mario Aurelio Poli, magno chanceler da Universidade Católica da Argentina, a propósito dos 100 anos da sua Faculdade de Teologia, o Papa escreve: “Ensinar e estudar teologia significa viver numa fronteira, na qual o Evangelho encontra as necessidades das pessoas às quais se anuncia, de maneira compreensível e significativa”. E acrescenta: “Devemos guardar-nos de uma teologia que se esgota na disputa académica ou que contempla a humanidade a partir de um castelo de cristal. Aprende-se para viver: teologia e santidade são um binómio inseparável.”
Recordando que os 100 anos da Faculdade coincidem com os 50 anos do Concílio Vaticano II, o Papa diz que este significou uma “actualização, uma releitura do Evangelho na perspectiva da cultura contemporânea” e que produziu um “movimento irreversível de renovação que vem do Evangelho”.
Sobre o papel da teologia, o Papa Francisco diz que ele deve tratar também dos conflitos: “Não só dos que experimentamos dentro da Igreja, mas também os que afectam todo o mundo e que se vivem pelas ruas da América Latina. Não se conformem com uma teologia de gabinete. Que o lugar das vossas reflexões sejam as fronteiras. E não caiam na tentação de as pintar, perfumá-las, acomodá-las um pouco ou domesticá-las.”
O Papa diz ainda que a teologia deve ser expressão de uma Igreja “hospital de campanha” que vive a sua missão para a cura do mundo, centrada na misericórdia. “Animo-vos a estudar como, nas diferentes disciplinas – dogmática, moral, espiritualidade, direito, etc. – se pode reflectir a centralidade da misericórdia”, sem a qual a teologia, o direito e a pastoral “correm o risco de cair na mesquinhez burocrática ou na ideologia”.
O texto da carta pode ser lido aqui na íntegra, em castelhano.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

E se Deus fosse mãe? – um debate em Lisboa

Agenda

Um debate sobre o tema E se Deus fosse Mãe? terá lugar em Lisboa, no próximo dia 24, a propósito da publicação do livro Deus Ainda Tem Futuro? 
O debate conta com a participação da escritora Lídia Jorge, da deputada Maria de Belém Roseira, do presidente do Centro Nacional de Cultura (CNC) e Tribunal de Contas, Guilherme d’Oliveira Martins, e de Anselmo Borges, organizador do livro que serve de pretexto para o debate.

A iniciativa decorre a partir das 18h30, na sede do CNC (R. António Maria Cardoso, 68). A entrada é livre.

sábado, 6 de dezembro de 2014

Papa deseja presença mais relevante de mulheres na teologia


(Foto reproduzida daqui
onde se podem ler outros excertos de textos 
do Papa Francisco sobre as mulheres)

O Papa Francisco manifestou esta sexta-feira o desejo de que haja uma presença mais relevante de mulheres na Comissão Teológica Internacional. “No âmbito da cada vez mais diversificada composição da Comissão, desejaria notar a maior presença das mulheres – ainda não muita... são a cereja no topo do bolo, mas é preciso mais –, presença que se torna convite a reflectir no papel que as mulheres possuem e devem ter no campo da teologia”, disse.
De acordo com o sítio do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (onde se podem ler mais excertos deste discurso), o Papa recordou a exortação Evangelli Gaudium, onde escreve que “a Igreja reconhece a indispensável contribuição da mulher na sociedade, com uma sensibilidade, uma intuição e certas capacidades peculiares, que habitualmente são mais próprias das mulheres que dos homens”. No mesmo texto, o Papa acrescenta que vê com “prazer” a forma como muitas mulheres “prestam novas contribuições para a reflexão teológica”, ainda que seja “preciso ampliar os espaços para uma presença feminina mais incisiva na Igreja”.
Não é a primeira vez que o Papa fala deste tema, como já aqui se recordouAliás, na longa entrevista que deu ao director de La Civiltà Cattolica, o jesuíta Antonio Spadaro (aqui analisada), o Papa afirmara já que é “necessário ampliar os espaços de uma presença feminina mais incisiva na Igreja”.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Fim-de-semana teológico: modernidade, intrigantes linguagens da fé e reforma da Igreja

Agenda

De amanhã até sábado, a teologia marcará forte presença no Porto e em Lisboa: no Porto, realiza-se o colóquio internacional Catolicismo, modernidade e anti-modernidade; em Lisboa, decorrem as V Jornadas de Teologia Prática, sobre As intrigantes linguagens da fé e o IV Colóquio de Teologias Feministas, com o tema A reforma da Igreja. Entre os diferentes contributos para as três iniciativas, estão o da actriz Maria do Céu Guerra, da escritora Alice Vieira, do biblista e poeta José Tolentino Mendonça, do patriarca de Lisboa, dos historiadores Luís Salgado de Matos, Maria Lúcia de Brito Moura e de várias teólogas estrangeiras.
A primeira iniciativa, que cruza a teologia com outras áreas do saber, decorre entre quinta-feira e sábado, promovida pelo Centro de Estudos do Pensamento Português, da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa (Porto). No colóquio sobre Catolicismo, modernidade e anti-modernidade, serão debatidas questões como cientismo, metafísica e religião; missionação, laicização e secularização; educação e ensino: doutrinas e instituições; e as relações entre Igreja e Estado. Um último painel analisará o tema geral nas realidades de Portugal, Galiza, Brasil e Bélgica. O programa detalhado está disponível aqui.
Na sexta-feira, o dia começa pela Católica, mas desta vez em Lisboa: pouco depois das 10h, Maria do Céu Guerra fará uma performance sobre o Cântico dos Cânticos, na versão de Fiama Hasse Pais Brandão. Mesas de debate sobre a fé sensível, os lugares das linguagens (homilia, blogue e quotidiano), as parábolas, narrativas e profecias ocuparão depois o tempo até às 18h. O programa completo pode ser consultado aqui.
Precisamente às 18h tem início a primeira intervenção do Colóquio de Teologias Feministas. Organizado pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, mas decorrendo nas suas instalações de Lisboa, o colóquio tem duas conferencistas convidadas: Maaike de Haardt, presidente da ESWTR (Sociedade Europeia de Mulheres na Pesquisa Teológica) e Marta Maria Zubía Guinea, professora de Direitos Humanos e Cristianismo, na Universidad de Deusto, Espanha.
Mais elementos a propósito deste colóquio podem ser lidos aqui e a apresentação e o programa estão disponíveis aqui.