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domingo, 20 de novembro de 2016

À Procura da Palavra – Mais um...


Ilustração de Bernadette Lopez, Berna, reproduzida daqui

Crónica

No comentário aos textos da liturgia católica deste domingo, Vítor Gonçalves escreve a propósito do filme O Herói de Hacksaw Ridge. A crónica À Procura da Palavra tem o título Mais um...:

Culminamos o Ano da Misericórdia na festa da realeza de Cristo, o Deus connosco a “entrar” em todas as “guerras” humanas para salvar todos, e sempre “mais um”. Este “um” é cada um de nós e também os que encontramos em perigo. Não esqueçamos a feliz imagem do Papa Francisco a comparar a Igreja a um “hospital de campanha”: “Essa é a missão da Igreja: curar as feridas do coração, abrir portas, libertar e dizer que Deus é bom, que perdoa tudo, que é Pai, é terno e nos espera sempre.” Quantos continuam sem ouvir isto?

sábado, 10 de setembro de 2016

Com o erro se aprende



No comentário aos textos da liturgia católica deste domingo, escreve Vítor Gonçalves:

Aquele que se julgava tão cumpridor e “certinho” acaba por “desafinar”, ao não aceitar o perdão que o pai deu ao irmão mais novo. Continuamos à espera da sua entrada na festa! Mas, “desafinar” rima com o magnífico filme “Florence”, sobre Florence Foster-Jenkins, uma cantora norte-americana “desafinadíssima”, soberbamente interpretada por Meryl Streep. Não é fácil entender todo o amor que dimanava da sua vida e da dos que a rodeavam, pois, como cantava João Gilberto, “no peito dos desafinados / Também bate um coração.” O seu amor à música e às artes exprime-se nas suas palavras: “Poderão dizer que cantava muito mal, mas não poderão dizer que não cantei!”. Perdoem-me, mas creio que Deus ama muito os desafinados. E infelizes os que, por medo de errar, nunca tentam!
(texto na íntegra aqui; ilustração de Bernadette Lopez, Berna, reproduzida daqui)

Publicação anterior
Carlos de Foucauld: o islão provocou em mim uma profunda inquietude - a propósito dos 15 anos do 11 de Setembro, da peregrinação a Meca e da festa do Eid al-Adha (Sacrifício de Abraão)






segunda-feira, 6 de junho de 2016

Resistências ao Papa, ética, saltos e humor

Na sua crónica deste sábado no DN, Anselmo Borges analisa vários episódios do que se tem passado (e pode vir a passar) na oposição ao Papa. Com o título A resistência a Francisco, termina a citar Tomás Halík:

Disse, com razão, o teólogo checo Tomás Halík, um dos mais influentes na actualidade, que fala da fé como “a coragem para entrar na nuvem do Mistério”: “Estou profundamente convencido de que o Papa Francisco inicia um novo capítulo na história do cristianismo. Teve a coragem de dizer que as tentativas para reduzir o cristianismo à moralidade sexual, à criminalização do aborto e à demonização dos gays e dos preservativos foram uma obsessão neurótica. Todos sabemos que a defesa dos que estão por nascer e da família tradicional é importante, mas esta agenda não deve ofuscar valores ainda mais importantes como o amor misericordioso, o perdão, a justiça social, a solidariedade com os pobres, a responsabilidade ambiental, a paz e o diálogo amigável entre pessoas de culturas, nações, raças e religiões diferentes. O Papa é uma personalidade profundamente espiritual com uma mensagem profética que ultrapassa as fronteiras entre Igrejas e religiões, cristãos e humanistas.”
(texto na íntegra aqui)


Domingo, no Público, frei Bento Domingues escrevia sobre Ética e religião:

Jesus de Nazaré pôs em causa o que havia de mais sagrado na religião em que cresceu, a partir de um postulado ético radical: o Sábado é para o ser humano e não o ser humano para o Sábado. O dia de Deus, para não se tornar o dia da suprema idolatria, tem de coincidir com o da promoção da maior liberdade. As instituições que não seguem este critério metem os humanos numa cadeia religiosa e fazem-lhes o que não fazem aos animais
(texto na íntegra aqui)


No comentário aos textos bíblicos da liturgia católica de Domingo passado, Vítor Gonçalves escrevia sobre O grande salto:

Nestas ruas de Roma recordo o gesto inesperado do poeta Rainer Maria Rilke ao oferecer, a uma pedinte de uma destas ruas, uma rosa. Imagino a surpresa dos seus olhos e o salto no coração pela beleza concentrada naquela flor. Nos três dias seguintes “viveu da rosa”, como respondeu o poeta ao seu amigo. A beleza convida-nos a um salto redentor: largar as cadeias da simples sobrevivência, ver para além da tentação de possuir, viver do que alimenta o espírito e na morte quotidiana difunde a eternidade. A mão de Jesus que ergue o jovem morto tem a beleza do gesto criador de Deus que Michelangelo plasmou no tecto da Capela Sistina. E todas as ressurreições nos lembram que só a beleza salva o mundo. Como dizia o poeta António Botto: “O mais importante na vida é ser-se criador – criar beleza.” Que salto para a beleza nos falta ainda dar?
(texto na íntegra aqui)


Sexta, no CM, Fernando Calado Rodrigues escrevia sobre Humor e fé:

A missa dominical não deveria ser sentida, portanto, como uma obrigação. Deve ser antes a celebração de que os cristãos necessitam para recarregar as baterias da felicidade para, durante a semana, irradiarem alegria e amor nos ambientes que frequentam.
(texto na íntegra aqui)

Texto anterior no blogue
A Alegria do Amor: sobre o amor na famíliacomentário de Ana Cordovil e Jorge Wemans, à exortação Amoris Laetitia, do Papa Francisco

sábado, 28 de maio de 2016

A responsabilidade de “ter fé”

Crónicas 

No seu comentário aos textos bíblicos da liturgia católica deste Domingo, Vítor Gonçalves escreve, sob o título Com os outros:

É assim que a fé conduz sempre ao amor, não existe por ou para si mesma, e o gesto salvador de Jesus é antecipação da Páscoa oferecida a todos. Grande é a responsabilidade de todos os que nos dizemos “ter fé”. Ela tem de se concretizar em amor concreto e universal, amor que caminha e faz caminhar, amor que perdoa e levanta, que é humilde para pedir e ter esperança.

(Texto para ler aqui na íntegraficam a seguir as ligações para os textos de Vítor Gonçalves dos dois últimos meses:
22 de Maio – “Deus não é solitário”15 de Maio – Os nove (ou nove mil) frutos8 de Maio – Descer para subir1 de Maio – O trabalho e as mães24 de Abril – E se fosse comigo?17 de Abril – Escutar, conhecer e seguir10 de Abril – “Não pescas nada...!”

Ilustração: Bernadette Lopez (Berna), reproduzida daqui

Texto anterior no blogue
Eucaristia: a revolução - crónicas de Anselmo Borges

domingo, 27 de março de 2016

Vida, esperança, paixão e o dia novo

Crónicas de Páscoa

Das últimas duas semanas, reproduzem-se a seguir as crónicas com reflexões provocadas pela Páscoa. Ontem, no DN, Anselmo Borges escrevia, sob o título Esperança enlutada:

Em Domingo de Páscoa, lembro E. P. Sanders, da Universidade de Oxford, que, na sua obra A Figura Histórica de Jesus, quis dar uma visão convincente do conjunto da vida do Jesus real (...). também sabemos que, "depois da sua morte, os seus seguidores fizeram a experiência do que descreveram como a "ressurreição: aquele que tinha morrido realmente apareceu como "pessoa viva, mas transformada". "Acreditaram nisso, viveram-no e morreram por isso". Assim, criaram um movimento, que cresceu e se estendeu pelo mundo e mudou a história. Grande parte da humanidade foi atingida por esse movimento e pela esperança que transporta de Vida eterna.
(texto na íntegra disponível aqui)

Ilustração de Sieger Köder, 
reproduzida daqui

No Domingo passado, Vítor Gonçalves escrevia sobre Voltar à Paixão:

A salvação que Jesus trouxe vive-se todos os dias em que vencemos a morte com mais vida, em que colocamos todas as forças e qualidades ao serviço do maior bem, em que recusamos poderes ou glórias pessoais para que a felicidade seja para todos. A paixão de Jesus relembra-nos que a tentação de julgar é desculpa para não mudarmos, que a ânsia de milagres pode ser recusa de uma relação de amor e confiança com Deus, que mesmo num último momento é possível a compaixão e a abertura à vida sem fim.
Queremos entrar cada vez mais nesta Paixão de Jesus, que nos apaixona por erradicar os calvários do mundo?
(texto na íntegra disponível aqui)


No dia 13, o mesmo autor escrevia sobre Tirar ou dar vida:

Poucos dias depois de assinalar-se o Dia Internacional da Mulher, o encontro de Jesus com a mulher adúltera do Evangelho de João revela uma actualidade premente. Segundo a organização não-governamental Action Aid, a violência doméstica é responsável pela morte de cinco mulheres por hora no mundo. No Largo Camões, em Lisboa, foi inaugurada nesse dia 8 de março, uma exposição dos jornalistas Teresa Campos e José Carlos Carvalho (da revista Visão) que percorreram Portugal para dar a conhecer as histórias das 28 mulheres “mortas por quem dizia amá-las” ao longo de 2015. Em 2014 tinham sido 42. A Action Aid prevê que mais de 500 mil mulheres serão mortas por seus parceiros ou familiares até 2030! Noutro tempo e lugar, em contexto de infracção à Lei, Jesus deteve a fúria sanguinária de quem queria agir “em nome de Deus”, para tirar a vida à mulher apanhada em adultério!
(texto na íntegra disponível aqui)


Domingo passado, frei Bento Domingues escrevia sobre A Páscoa do escravo:

Diz-se que o Papa alterou o ritual da 5ª feira Santa: as mulheres já podem ser incluídas na cerimónia do lava-pés. É uma forma miserável de anestesiar e reduzir o sentido da intervenção do Papa. A alteração que o seu gesto visa provocar não é de tipo ritual, mas de acção transformadora. Pertence ao seu programa de ver o mundo a partir dos excluídos. Levar o centro às periferias.
(texto na íntegra disponível aqui)


O gosto perverso de acusar era o título da crónica de frei Bento, há duas semanas atrás:

Nas sociedades ocidentais, esta prática desarmada por Jesus já não é a mais comum. Em questões de sexo, vale tudo ou quase, embora o voyeuirismo ainda alimente alguns meios de comunicação social. Mas o gosto perverso de acusar, de encontrar alguém em falta, dentro e fora das religiões, nos espaços sagrados ou profanos, diz-nos que os fariseus e os escribas ainda não são uma espécie em extinção. Quem dera! Mas ainda persiste o gosto de novas formas de apedrejar “suspeitos” em praça pública.
(texto na íntegra disponível aqui)


Na semana passada, Anselmo Borges escrevia sobre A paixão e a política:

Pascal observou agudamente nos Pensamentos: Jesus estará em agonia até ao fim do mundo; é preciso não dormir durante este tempo.” Todos sabemos do calvário do mundo, e as personagens são as mesmas.
(texto na íntegra disponível aqui)


No dia 12, o mesmo autor escrevia, sob o título Bem-aventurados os ricos:

O que está em vigor são as bem-aventuranças ao contrário, como escreve Jesús Mauleón: "Bem-aventurados os ricos, porque têm massa, manjares, luxo e abundância para pagar todas as suas necessidades e caprichos. Bem-aventurados os ricos, porque muita gente crê que são mais respeitáveis do que os pobres. Bem-aventurados os ricos, porque podem permitir-se ter à sua volta gente que os serve e lhes recorda que o são. Bem-aventurados os ricos, porque, embora neste mundo nem tudo se possa comprar com dinheiro, pode-se comprar tantas coisas e tantas pessoas... Bem-aventurados os ricos, porque, quanto mais dinheiro acumulam, embora não seja muito claro como, mais espertos parecem." Etc.
(texto na íntegra disponível aqui)


No comentário aos textos da liturgia católica deste domingo, Vítor Gonçalves escreve, sob o título O dia novo:

Primeiro foi a espera. A dos discípulos, tolhidos pelo medo, fechados talvez na casa onde Jesus os reunira na ceia. E a de Maria, que foi ao túmulo, envolta num amor que o sofrimento não apagou totalmente. Perante a pedra retirada e o sepulcro vazio, a incredulidade de Pedro e a fé de João, continuam a ser espera. Quantas esperas existem em nós como vazios desejosos de plenitude? Em palavras ou em silêncio, esperamos, e isso, tantas vezes sem o sabermos, é já abertura para o encontro e a comunhão com Deus. Jesus veio como o jardineiro, humilde e sem triunfalismos, chamar Maria pelo nome; veio como o amigo que nenhuma parede pode deter, dar a paz aos discípulos. Este é o dia novo em que toda a esperança se realizou. O dia novo que nos faz novos!

domingo, 6 de março de 2016

Pais e filhos, histórias subversivas, eutanásia, Spotlight e dinheiro sujo

Crónicas

No seu comentário aos textos bíblicos da liturgia católica deste Domingo, Vítor Gonçalves escreve, sob o título Do Pai aos irmãos:

Não sabemos se o pai da parábola que Lucas nos narra era um bom educador. Mas sabemos que amava os seus filhos. Que pouco lhe interessavam os bens e as propriedades, a fama ou as honrarias, e tudo seria capaz de sacrificar por causa deles. Com que dor aceitou ser “morto” pelo filho mais novo quando lhe deu a parte da herança reclamada? Com que esperança suspirou pelo seu regresso? Com que alegria saiu ao seu encontro e deu início à festa? Com que dor descobriu a dureza de coração do filho mais velho? Com que humildade veio insistir com ele para acolher o irmão? Quem imagina Deus sentado no seu trono celeste a “ver o mundo passar” bem pode mudar de ideias, sob o risco de “inventar” um Deus que não é o Pai de Jesus Cristo!


Ilustração: Bernadette Lopez (Berna), 
reproduzida daqui

Na crónica de hoje, no Público, frei Bento Domingues toma também como pretexto a “parábola do filho pródigo”. Sob o título Um contador de histórias subversivas, escreve:

A parábola não ensina, dá que pensar. Liberta a imaginação. Não nos deixa acorrentados às religiões que herdámos. A fé cristã, ao proclamar, na Eucaristia dominical, a parábola do Filho Pródigo vem dizer: não estraguem o Domingo! É a festa das pessoas em processo de transformação. A Eucaristia - o Papa Francisco tem insistido muito neste ponto - não é um prémio, uma recompensa para os bem-comportados, segundo um código de moral convencional. É um convite para a festa, para a festa de Deus revelada nos gestos e nas palavras de Jesus.


Na crónica de ontem, no DN, Anselmo Borges escrevia sobre Os dois pais, a liberdade, Spotlight:

A Igreja Católica tem muitos e graves problemas para resolver, mas a questão da reconciliação sã com a sexualidade é fundamental. O título deste texto, aparentemente desconexo, tem um vínculo: o sexo. Se se dissesse claramente, sem receios, que Jesus é filho de José e de Maria, não haveria lugar para o cartaz. Também é sabido que a pedofilia não deriva necessariamente do celibato obrigatório. Mas a lei do celibato pode ser causa de sexualidades distorcidas. Porque é que a Igreja há-de impor como lei o que Jesus entregou à liberdade?

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

O risco de salvar, a voz e a escuta

No comentário aos textos da liturgia católica deste domingo, Vítor Gonçalves escreve sobre O risco de salvar:

(Ilustração: Bernadette Lopez (Berna), reproduzida daqui)

Vencer o mal e cuidar de quem sofre é o trabalho arriscado de nos darmos mais abundantemente, de não nos fecharmos em desculpas estéreis ou mortes antecipadas, de salvar o que parecia perdido. “Tudo o que arriscas, sempre se multiplica” está escrito numa folha dada aos peregrinos de Santiago, no acolhimento de Arudy, nos Pirinéus franceses. Como se Deus no-lo dissesse ao coração!
(Texto na íntegra aqui)


Na semana passada, comentando o episódio da Transfiguração, escrevia sobre A voz e a escuta:

O único pedido do Pai aos discípulos do Filho, no deslumbramento do Tabor, é que escutemos Jesus. Depois de afirmar o seu amor, diz-nos que Ele é a sua voz, e as suas palavras terão força de vida eterna. Abrir os ouvidos e o coração a Jesus é acolher as palavras sempre renovadoras do Evangelho. Deixamos de escutar Jesus quando o esquecemos e nos enredamos em discursos de palavras ocas, quando o que dizemos não se vê no que fazemos, quando pelo poder e pelo medo queremos dominar os outros e o mundo. E neste serviço de escutar, que só pode ser humilde como é a terra onde se lançam as sementes, é preciso escutarmo-nos e escutar todos. Escutar para dialogar, escutar para procurar caminhos mais humanos e divinos, escutar para iluminar.
(Texto na íntegra aqui)

Texto anterior no blogue
Quem dizeis vós que eu sou? - Visões e imagens contemporâneas de Cristo - uma proposta em Braga, sobre Jesus na arte contemporânea