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segunda-feira, 13 de maio de 2013

A crise de vocações, o modelo do padre e o desconhecimento da realidade


O jornal i publica hoje um trabalho sobre a falta de padres na Igreja Católica em Portugal. Trata-se de um retrato estatístico de 12 dioceses portuguesas (as que estiveram disponíveis para responder), que conclui que os padres são cada vez menos (quebra de 23,6 por cento nas 12 dioceses analisadas) e cada vez mais velhos (média etária superior a 60 anos). O que, entre outras coisas, significa que têm cada vez mais tarefas a desempenhar. O título do trabalho – "Para cada padre a começar há dois que já não rezam a missa" – resume um pouco o que se passa.
Poderia discutir-se se interessa manter o actual modelo de presbiterado. Como se poderia debater, por exemplo, o modelo de formação dos seminaristas, que continua a privilegiar (pelo menos na forma) a dimensão do poder clerical nas comunidades em que são colocados. E a não insistir sobre uma real participação das comunidades na vida que às comunidades e aos crentes diz respeito. Como também poderia analisar-se ainda em que se perde o activismo de tantos padres, tão pouco disponíveis para um ministério que seja sobretudo de escuta das pessoas e de verdadeiro cuidado com as vidas de tanta gente a precisar de quem console, de quem ajude a reencontrar esperanças destruídas e sentidos perdidos.
Mas há outro elemento que este trabalho traduz: não há, em Portugal, um serviço com dados centralizados e constantemente actualizados sobre uma realidade que deveria ser estudada e aprofundada em permanência. Aliás, a ausência de um banco de dados básicos que dê um retrato do que se passa atravessa várias áreas da vida da Igreja. Claro que as estatísticas não são a realidade, mas ajudam a compreender a realidade. E uma Igreja que desconhece o que se passa no seu interior não pode aspirar a ter a mensagem certa para as mulheres e homens deste tempo. 

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

O bispo lixeiro que chegou a cardeal



«O cardeal Jàn Chryzostom Korec nasceu em Bosany, diocese de Nitra, em 22 de janeiro de 1924. Em 1949, os comunistas subiram ao poder na Checoslováquia. O jovem Jàn Korec foi, portanto, ordenado sacerdote secretamente em 1950, enquanto em 1951 se tornou o bispo mais jovem do mundo.

Uma ordenação episcopal, segundo narra o L'Osservatore Romano, “feita com muita pressa, em um apartamento, com medo de que a polícia irrompesse de um momento a outro”.

Durante 9 anos, desempenhou sua missão de sacerdote e de bispo numa fábrica, onde trabalhou como operário e depois como guarda noturno. Em 1960, foi detido, processado e condenado a 12 anos de prisão. Foi recluído num mosteiro transformado em prisão, onde havia outros 6 bispos e 200 sacerdotes.

Em seus anos de prisão, celebrou missa e, quando estava em isolamento, imaginava estar a fazer exercícios espirituais. Em 1968, com a “Primavera de Praga”, saiu da prisão gravemente doente. Para ganhar a vida, começou a trabalhar como lixeiro em Bratislava. Pela primeira vez, celebrou a missa em público.

Em 1969, chegou a reabilitação, com a qual pôde obter um passaporte para Roma, onde se encontrou com Paulo VI, o qual lhe entregou as insignias episcopais. Em 1974, no entanto, foi anulada a reabilitação e ele foi novamente preso, para cumprir os quatro anos que lhe faltavam da sentença primitiva. Libertado logo depois pelas suas más condições de saúde, continuou trabalhando como operário até os 60 anos.

João Paulo II nomeou-o bispo de Nitra em 1990 e instituiu-o cardeal em 1991. Em 1998, chamou-o ao Vaticano para pregar os exercícios espirituais da Quaresma. Durante vários anos, foi presidente da Conferência Episcopal Eslovaca.

Numa entrevista concedida a La Civiltà Cattolica (21 de fevereiro de 1987), afirmou: "Não me atribuo grandes méritos. Quanto mais passam os anos, mais vejo claro que o que tem importância pertence à graça, isto é, a Deus”.»

Este texto foi publicado ontem pela agência Zenit,a propósito dos 60 anos de ordenação episcopal do cardeal Jàn Chryzostom Korec e da carta que sobre a efeméride Bento XVI lhe enviou, considerando-o “pastor trabalhador, fiel e prudente”.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Entendamo-nos sobre o sacerdócio

No Página 1 da RR, José Tolentino Mendonça escreve sobre o sacerdócio: "Há sem dúvida uma relação com o templo, mas Jesus é maior do que o templo, como a dado momento os Evangelhos lembram. Por isso, quando se fala do sacerdócio no cristianismo é indispensável ter em conta atransformação que Jesus opera. As categorias estritamente religiosas tornaram-se insuficientes. Como explica o jesuíta Paul Valadier 'o cristianismo é a religião da saída da religião'."
Depois do Simpósio do Clero, realizado na semana passada em Fátima, vale a pena prosseguir o debate. O texto completo está aqui.