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terça-feira, 25 de agosto de 2015

As mulheres nas religiões; a política, a ecologia e Taizé na voz do Papa

Crónicas

Na sua última crónica no DN, sábado passado, Anselmo Borges escrevia sobre As mulheres nas religiões:

O Papa João Paulo I disse que Deus tanto é Pai como Mãe e, estando para lá do sexo, também poderia ser representado como mulher. O Vaticano não gostou. Mas é neste contexto do feminino e Deus que se conta uma estória. Ao contrário do que se lê e diz, Deus criou primeiro Eva e não Adão. Eva aborrecia-se, sentia-se só e pediu a Deus alguém semelhante a ela, com quem pudesse conviver e partilhar. Deus criou então Adão, mas com uma condição: para não ferir a sua susceptibilidade, Eva nunca lhe diria que foi criada antes dele. "Isso fica um segredo entre nós..., entre mulheres!"
(o texto completo pode ser lido aqui)


Na semana anterior, a crónica era a segunda parte do texto Voz político-moral global (cuja primeira parte pode ser lida aqui): 

A encíclica Laudato si" ficará na história como a Magna Carta da ecologia integral, afirmando o teólogo X. Pikaza que "talvez não haja um documento da Igreja Católica que vá ter mais influência que esta encíclica".
Francisco acaba de designar o dia 1 de Setembro como Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação. A encíclica foi louvada pelo secretário-geral da ONU, a FAO declarou que "nunca um papa falou tão directamente sobre o meio ambiente e com tanta credibilidade moral". Obama, que acaba de tomar medidas ecológicas históricas, citou o Papa, assegurando que a luta contra as mudanças climáticas "é uma obrigação moral". 
(o texto completo pode ser lido aqui)


Também a propósito da encíclica papal sobre o ambiente, escreveu Fernando Calado Rodrigues na sua crónica do CM, com o título Oração ecológica:

O Papa Francisco estendeu ao mundo católico uma Jornada de Oração Mundial pela Criação, já celebrada pelos Ortodoxos. A partir deste ano, no dia 1 de setembro os católicos juntam-se aos ortodoxos para rezarem pelo ambiente. O Papa pretende que outras confissões cristãs, como os evangélicos e os anglicanos, se associem também a esta iniciativa. Deste modo, para além de um dia dedicado à ecologia, ele pretende que esta Jornada seja também ecuménica, de unidade entre todos os seguidores de Cristo.
(o texto completo pode ser lido aqui)


Na última sexta-feira, o mesmo autor escrevia sobre O Papa e Taizé, a propósito das celebrações deste ano na comunidade ecuménica, que têm sido referidas neste blogue:

“Ao buscar com paixão a unidade da Igreja Corpo de Cristo, o irmão Roger abriu-se aos tesouros depositados nas diversas tradições cristãs, sem com isto romper com a sua origem protestante. Pela perseverança que demonstrou durante a sua longa vida, ele contribuiu para modificar as relações entre cristãos ainda separados, traçando para muitos um caminho de reconciliação”, escreveu o Papa.

sábado, 15 de agosto de 2015

Taizé: as peregrinações cristãs pelo clima já começaram e querem chegar a Paris

Chegada prevista à capital francesa antes de 1 de Dezembro


(foto reproduzida daqui)

Uma peregrinação de cristãos pelo clima começou a 7 de Junho, na Escandinávia. Depois de passar na Noruega, Suécia, Finlândia, Dinamarca e Alemanha, chegará a Paris, antes de 1 de Dezembro, quando começa a Conferência das Nações Unidas sobre o Clima.
Em breve, juntar-se-ão a esta iniciativa inédita cristãos do Reino Unido, que atravessarão o Canal da Mancha, e um outro grupo que sairá da Itália, integrando também cristãos filipinos.
“O número de participantes pelo caminho será muito variável, mas é um símbolo importante do que os cristãos podem fazer”, diz à ECCLESIA o francês Martin Kopp, da Federação Luterana Mundial (FLM), que reúne 145 igrejas e comunidades de 98 países, juntando 72 milhões de luteranos de todo o mundo.
Martin Kopp, 28 anos, está a fazer doutoramento em teologia na área do decrescimento. No âmbito da FLM, coordena desde há mais de um ano as estruturas e iniciativas no âmbito ambiental.
Kopp está em Taizé estes dias, para participar num dos debates do encontro Por uma Nova Solidariedade, que inclui centena e meia de fóruns.
(o texto pode continuar a ser lido aqui)


domingo, 28 de junho de 2015

O ecumenismo de sangue, a democracia na Igreja e a entrevista de Edgar Morin sobre a encíclica do Papa

Crónicas

No seu texto deste domingo, no Público, frei Bento Domingues escreve sobre o ecumenismo de sangue. Sob o título Só para depois do juízo final, diz:

A teologia vive bem na oração, como consciência do mistério insondável de Deus. Este não cabe em nenhuma definição. Quando a teologia se torna soberba, pensa que tem Deus na mão e transforma-se em juíza das expressões da fé das outras confissões cristãs. Não concebe a importância de procurar os pontos de convergência no caminho para uma Realidade que não é propriedade das Igrejas Ortodoxas, da Igreja Católica Romana, ou das Igrejas Protestantes.
(texto completo aqui)


No DN de sábado, Anselmo Borges escreve sobre Democracia na Igreja, citando um livro de Karl Rahner:

"Só quando tivermos um Sínodo nacional que eventualmente (iure humano) adopte decisões normativas que possam ser chocantes para um bispo; só quando, se for o caso disso, um bispo se submeter a um árbitro imparcial; só quando os conselhos presbiterais, os conselhos pastorais, etc., tiverem autonomia e eficiência frente aos bispos..., é que a relação entre liberdade e manipulação na Igreja será tranquila e ao mesmo tempo estará num movimento contínuo, que dissolverá, sempre de novo, o anquilosamento do meramente tradicional".
(texto completo aqui)


Hoje, no Diário do Minho, na sua crónica Os Dias da Semana, Eduardo Jorge Madureira regressa à entrevista de Edgar Morin sobre a encíclica do Papa. Sob o título Laudato si’, o acto número um para uma nova civilização, escreve:

Embora se use em demasia, a expressão “não deixa ninguém indiferente” é acertada para aplicar a Laudato Si’. A carta encíclica do Papa Francisco Sobre o cuidado da casa comum não só não suscita indiferença, como se tem mostrado capaz de mobilizar a adjectivação mais veemente dos que teriam preferido que ela não tivesse sido escrita ou dos que a aplaudem sem reservas.
O Papa Francisco é “a pessoa mais perigosa do planeta”, disse Greg Gutfeld, comentador da Fox News, uma conhecida cadeia de televisão dos Estados Unidos da América. Poderá tratar-se apenas de uma frase de efeito, um daqueles sound bites que servem para alguém se fazer notar, mas é portadora de um incontornável valor sintomático. Será muito pouco menos do que isso o que uns quantos pensarão sem coragem para o afirmarem em voz alta.
Os encómios a Louvado Sejas (editada em Portugal pela Paulinas Editora) foram subscritos por gente de dimensão superior, como é o caso de Edgar Morin, um sociólogo e filósofo francês com vida e obra. Se a autoridade intelectual se medisse por honrarias, os 27 doutoramentos Honoris Causa que foram concedidos a Edgar Morin por universidades de todo o mundo garantiriam uma óbvia mais-valia aos elogios.

sábado, 27 de junho de 2015

Encíclica “Laudato Si’”, o primeiro acto de um apelo para uma nova civilização

Um guia pelos comentários à encíclica do Papa sobre o cuidado da casa comum; pensadores e investigadores, cientistas e políticos, crentes e ambientalistas coincidem na importância do texto papal; este domingo, na Praça de São Pedro, organizações e ambientalistas e ecologistas vão agradecer ao Papa a publicação de Laudato Si'

(ilustração reproduzida daqui)

A encíclica Laudato Si’ é “o primeiro acto de um apelo para uma nova civilização”, considera o sociólogo Edgar Morin, numa entrevista em que comenta o novo documento do Papa Francisco.
Publicada na semana passada, a encíclica, já considerada histórica por muitos comentadores e pensadores de relevo, tem provocado muitos comentários, incluindo de quem critica o Papa por falar de alterações climáticas e considerar que ele não deve falar sobre política ou economia. Tal é o caso do candidato republicano às presidenciais dos Estados Unidos do próximo ano, Jeb Bush.
Também o articulista espanhol Miguel Angel Belloso é muito crítico com Francisco: apesar de se apresentar como católico, ele manifesta, no DN, uma profunda ignorância sobre o que dizem a teologia e a doutrina social católica desde os primeiros séculos do cristianismo, ao escrever, por exemplo, que “Francisco chega a ser ofensivo ao assegurar que a propriedade privada não pode estar acima do bem comum”.
Em geral, no entanto, a encíclica Louvado Sejas – Sobre o Cuidado da CasaComum (versão em pdf também disponível nesta ligação) foi bem acolhida. A tal ponto que levou já um conjunto de organizações de diversos países a propor uma petição internacional de apoio ao apelo do Papa por uma ecologia integral.
A petição é dirigida aos chefes de Estado e de Governo dos países que participarão na Conferência Internacional sobre a Mudança do Clima, que decorre na primeira quinzena de Dezembro, em Paris.
“Em nome dos nossos filhos e de todas as crianças”, em nome “dos pobres e do próprio planeta” e “em nome de toda a família humana”, os signatários pedem aos líderes políticos “que acolham o apelo lançado pelo Papa Francisco na encíclica Laudato Si’, sobre o ‘cuidado da casa comum’, na qual ele reconhece que a humanidade ainda está em tempo de evitar uma catástrofe ecológica e pede compromissos concretos por uma ‘autêntica ecologia humana’”.
O texto de Francisco motivou também, e sobretudo, interessantes e importantes reflexões a propósito do seu conteúdo e das propostas que faz. O sociólogo agnóstico Edgar Morin considerou, em entrevista ao La Croixque a Laudato Si’ “é, talvez, o primeiro acto de um apelo para uma nova civilização”. O pensador francês considera a encíclica “providencial”, porque “vivemos uma época de deserto do pensamento, um pensamento fragmentado em que os partidos que se dizem ecologistas não têm nenhuma real visão da magnitude e da complexidade do problema, em que perdem de vista o interesse daquilo que o Papa Francisco, numa maravilhosa fórmula retomada de Gorbatchev, chama de “casa comum”. Na entrevista (aqui em português), Morin acrescenta que considera o texto muito “bem estruturado”.

O “undécimo mandamento”

Prior da comunidade monástica de Bosé, teólogo e cronista reconhecido em Itália, Enzo Bianchi (autor de Para Uma Ética Partilhada, ed. Pedra Angular) fala da encíclica como o “undécimo mandamento”. “A mensagem de Francisco é urgente e clara: para nos salvar, nós, humanos, devemos nos salvar junto com a terra. Há anos eu repito a mim mesmo um mandamento que eu coloco ao lado dos mandamentos bíblicos: ‘Ama a terra como a ti mesmo’”, escreve ele, num artigo publicado no jornal La Repubblica, aqui traduzido para português.

sábado, 20 de junho de 2015

Cinco notas para a leitura de uma encíclica


É um texto histórico e um marco na doutrina social da Igreja, onde o Papa o situa. A encíclica Laudato Sí – Sobre o Cuidado da Casa Comum foi apresentada anteontem em Roma e está já a marcar o debate político, financeiro, ambiental até à Conferência de Paris sobre o Clima, no final do ano. Podem destacar-se do texto algumas notas, que não impedem a sua leitura integral por cada pessoa, já que o Papa o destina a cada habitante do planeta.


1. Um texto de doutrina social católica
Quarta-feira, foi o próprio Papa que afirmou que a Laudato Sí (Louvado Sejas) é um documento de doutrina social católica. E justificou: a nossa casa comum “está a arruinar-se e isso faz mal a todos, especialmente aos mais pobres”.
O próprio texto sugere (49*): “uma verdadeira abordagem ecológica sempre se torna uma abordagem social, que deve integrar a justiça nos debates sobre o meio ambiente, para ouvir tanto o clamor da terra como o clamor dos pobres”. E acrescenta (63) que a doutrina social da Igreja é “chamada a enriquecer-se cada vez mais a partir dos novos desafios”.
A encíclica não é, portanto, um texto para simples meditação pessoal dos crentes. Porque se dirige “a cada pessoa que habita neste planeta”; e porque apela à acção consequente de cada indivíduo, e ainda de governos, poderes financeiros, multinacionais e organizações internacionais – âmbitos onde se percebe uma maior distância na aplicação de vários princípios da doutrina social da Igreja.
O Papa recorda princípios básicos da doutrina social da Igreja: por exemplo (93), a ideia de que a terra é “uma herança comum, cujos frutos devem beneficiar a todos”; o de que “toda a abordagem ecológica deve integrar uma perspectiva social que tenha em conta os direitos fundamentais dos mais desfavorecidos”; e o princípio “da subordinação da propriedade privada ao destino universal dos bens” –do qual decorre a ideia de que “qualquer forma de propriedade privada” tem uma “função social”.

2. A Igreja toma partido e propõe acções concretas
Muitas vezes, diz-se da doutrina social católica que ela não toma partido por este ou aquele campo político. Isso é verdade no campo circunstancial, mas não é verdade na afirmação de princípios irrenunciáveis, que devem ter tradução na forma como os crentes se posicionam.
A oposição de alguns católicos à ideia de que o Papa se “meta em política ou economia” ou a oposição de políticos católicos à condenação, feita por João Paulo II, da invasão do Iraque, são reflexo de uma mesma recusa da “hierarquia de valores”, afirmada pela doutrina católica. O Papa diz (23): “Há um consenso científico muito consistente, indicando que estamos perante um preocupante aquecimento do sistema climático.” Se é sabido que há quem conteste esta ideia, é evidente que Francisco está, por isso, a tomar partido por uma determinada leitura da realidade.
Mas há mais: o Papa aponta exemplos de como cada pessoa pode dar o seu contributo para ajudar a melhorar o estado da casa comum: “A educação na responsabilidade ambiental pode incentivar vários comportamentos (...) tais como evitar o uso de plástico e papel, reduzir o consumo de água, diferenciar o lixo, cozinhar apenas aquilo que razoavelmente se poderá comer, tratar com desvelo os outros seres vivos, servir-se dos transportes públicos ou partilhar o mesmo veículo com várias pessoas, plantar árvores, apagar as luzes desnecessárias...”
Com tais sugestões, o Papa indica que a educação para a criação tem de fazer parte da missão da Igreja. Grupos católicos vocacionados para a atenção à natureza, como os escuteiros, têm campo aberto para reformular a sua actuação, desafiando pessoas, empresas e governos a uma acção mais consequente.
Com estas propostas concretas, o Papa dá legitimidade à mesma ideia em campos da doutrina social católica como a necessária refundação do sistema financeiro, o primado do trabalho sobre o capital, a redistribuição da terra ou comércio de armas – todos eles temas já tratados pelos papas, desde João XXIII.

terça-feira, 26 de maio de 2015

Pentecostes, um mundo de irmãos, ecologia e combate à pobreza

Não desistir do Espírito do Pentecostes era a proposta de frei Bento Domingues, na sua crónica do último domingo, no Público:

No começo dos Actos dos Apóstolos, Jesus Cristo manifestou-se um bocado desesperado. Tinha passado a vida a tentar convencer os Doze de que foram chamados, não para ocupar lugares de chefia, mas para dar a vida por um mundo novo, no qual as pessoas são apreciadas pelo serviço que prestam. Ele próprio veio para servir, não para dominar. No entanto, a única pergunta que lhe fazem depois da ressurreição é miserável: Senhor, será agora que vais restaurar a realeza em Israel? O Mestre é muito firme: só vos pertence ser minhas testemunhas até aos confins da Terra e da única coisa que precisais é do Espírito de Deus. Foi ele que animou a minha vida.
Não celebramos a festa de Pentecostes por nostalgia. A Terra nunca foi um paraíso. Precisamos do espírito do Pentecostes para que nenhuma geração desista de um mundo onde não haja indigentes, mas irmãos.
(o texto pode ser lido na íntegra aqui)


Também Vítor Gonçalves escreveu sobre a mesma festa cristã, propondo uma Litania de Pentecostes:

Vem, Espírito Santo! Vem com o dom do Temor de Deus,
responsabilizar toda a humanidade no cuidado da vida e dos dons recebidos e adquiridos. Aquele temor que não é medo, mas atenção e fidelidade ao essencial, confiado na salvação oferecida em Jesus; aquele nos faz viver em mais amor e verdade, na comunhão com Deus – Trindade.
(o texto pode ser lido na íntegra aqui)


No DN de sábado, Anselmo Borges continuava a reflexão sobre Ecologia e religião, iniciada na semana anterior:

 “Dominai a Terra”, disse Deus aos primeiros homens, segundo o Génesis. Há quem acuse essa ordem divina da presente situação. Má interpretação, pois o que Deus mandou foi cuidar da Terra como quem cuida de um jardim. E aí está outra razão para o Papa Francisco publicar em breve uma encíclica sobre a preservação do meio ambiente: é preciso cuidar da natureza, porque é criação, dom e presente de Deus.
(o texto pode ser lido na íntegra aqui)


Já Fernando Calado Rodrigues escreveu acerca da pobreza e a falta de vontade política para combater o flagelo, sob o título Os pobres não votam:

Nos tempos de crise, não são os ricos os mais afetados, são os pobres os que mais sofrem. E muitos dos que antes não o eram acabam por ser lançados para níveis próximos do limiar da pobreza. Nesta última crise, que o país atravessa, resvalaram para essa situação mais duzentos mil portugueses.
É por isso urgente um envolvimento de todos – a começar pelos partidos políticos – na implementação de uma estratégia nacional para a erradicação da pobreza.
(o texto pode ser lido na íntegra aqui)

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Marcelo Barros: olhar o mundo segundo o espírito


A humanidade tem de deixar de ser “uma civilização predatória”, que esgota os recursos naturais da terra. Em entrevista à TSF, o monge beneditino brasileiro Marcelo Barros diz que o modo de vida das comunidades indígenas pode ajudar a criar um novo paradigma no modo como se olha o universo. Esse paradigma deve passar também pela espiritualidade e pela vida comunitária. Marcelo Barros explica ainda o sentido bíblico do “dominar a terra” – que deve ser entendido como cuidado e zelo pela natureza. 
O monge beneditino, autor de vários livros sobre ecologia e espiritualidade, recorda ainda o trabalho que fez com D. Hélder Câmara no diálogo ecuménico e com as comunidades indígenas e fala do Papa Francisco como sinal de uma Igreja que retoma a eclesiologia do Concílio Vaticano II. 
A entrevista, conduzida por Manuel Vilas Boas, pode ser ouvida aqui

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Marcelo Barros em Portugal - Ecologia e espiritualidade: mudar o paradigma


(foto reproduzida daqui)

Marcelo Barros, monge beneditino brasileiro e um dos nomes de topo daquilo que já se pode chamar a eco-teologia, está em Portugal e intervirá, hoje e amanhã, em mais dois debates – um no Porto, outro em Braga. Ontem, Marcelo Barros falou na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, numa sessão que contou com a participação de Paulo Borges, professor universitário e responsável da União Budista Portuguesa.
O debate de hoje no Porto decorre a partir das 17h, na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação e conta também com a intervenção de Margarida Felgueiras, professora da mesma faculdade, e Jorge Moreira, da Sociedade de Ética Ambiental. Amanhã, quinta-feira, em Braga, a partir das 10h, a Sala de Actos do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Munho (campus de Gualtar) recebe, além de Marcelo Barros, dois professores universitários: Jacinto Rodrigues (Porto) e José Pinheiro Neves (Minho). A vinda de Marcelo Barros a Portugal é a convite dos Missionários da Consolata.
Na intervenção de Lisboa, Marcelo Barros referiu-se à “crise ecológica gravíssima” que vivemos e que, pela primeira vez na história humana, “não é natural” e tem “custos astronómicos”, pelas catástrofes ambientais que já provocou.
Neste contexto, é necessária uma espiritualidade que reconcilie a pessoa humana com a natureza, defendeu. Mas que abranja os diferentes âmbitos da vida, aliando a ecologia ambiental à ecologia social. Marcelo Barros citou os números da concentração de riqueza no mundo (metade está na posse de dois por cento de pessoas) e dos milhares de crianças que morrem diariamente por fome, em contraste com o milhão de toneladas de alimentos que se deita para o lixo, diariamente para acentuar o paradoxo da situação actual.
As espiritualidades indígenas, através das quais Marcelo Barros descobriu a ecologia, podem ajudar-nos a descobrir que “não há separação entre natureza e história, entre natureza e cultura”. A espiritualidade ecológica pode ser, assim, um caminho de reconciliação e unidade.