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quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Fim-de-semana teológico: modernidade, intrigantes linguagens da fé e reforma da Igreja

Agenda

De amanhã até sábado, a teologia marcará forte presença no Porto e em Lisboa: no Porto, realiza-se o colóquio internacional Catolicismo, modernidade e anti-modernidade; em Lisboa, decorrem as V Jornadas de Teologia Prática, sobre As intrigantes linguagens da fé e o IV Colóquio de Teologias Feministas, com o tema A reforma da Igreja. Entre os diferentes contributos para as três iniciativas, estão o da actriz Maria do Céu Guerra, da escritora Alice Vieira, do biblista e poeta José Tolentino Mendonça, do patriarca de Lisboa, dos historiadores Luís Salgado de Matos, Maria Lúcia de Brito Moura e de várias teólogas estrangeiras.
A primeira iniciativa, que cruza a teologia com outras áreas do saber, decorre entre quinta-feira e sábado, promovida pelo Centro de Estudos do Pensamento Português, da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa (Porto). No colóquio sobre Catolicismo, modernidade e anti-modernidade, serão debatidas questões como cientismo, metafísica e religião; missionação, laicização e secularização; educação e ensino: doutrinas e instituições; e as relações entre Igreja e Estado. Um último painel analisará o tema geral nas realidades de Portugal, Galiza, Brasil e Bélgica. O programa detalhado está disponível aqui.
Na sexta-feira, o dia começa pela Católica, mas desta vez em Lisboa: pouco depois das 10h, Maria do Céu Guerra fará uma performance sobre o Cântico dos Cânticos, na versão de Fiama Hasse Pais Brandão. Mesas de debate sobre a fé sensível, os lugares das linguagens (homilia, blogue e quotidiano), as parábolas, narrativas e profecias ocuparão depois o tempo até às 18h. O programa completo pode ser consultado aqui.
Precisamente às 18h tem início a primeira intervenção do Colóquio de Teologias Feministas. Organizado pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, mas decorrendo nas suas instalações de Lisboa, o colóquio tem duas conferencistas convidadas: Maaike de Haardt, presidente da ESWTR (Sociedade Europeia de Mulheres na Pesquisa Teológica) e Marta Maria Zubía Guinea, professora de Direitos Humanos e Cristianismo, na Universidad de Deusto, Espanha.
Mais elementos a propósito deste colóquio podem ser lidos aqui e a apresentação e o programa estão disponíveis aqui.  

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Culturas femininas e teologias feministas


Ilustração: Primavera, de Boticelli (pormenor)

O Conselho Pontifício para a Cultura (CPC) confirmou o tema da sua próxima assembleia plenária, que decorrerá em Fevereiro de 2015: Culturas femininas: igualdade e diferença será debatido pelos membros e consultores do CPC (entre os quais os portugueses D. Carlos Azevedo e José Tolentino Mendonça) e por convidados.
Questões como a “ideologia de género”, os “direitos das mulheres invisíveis”, a “espiritualidade da mulher”, “a igualdade e a reciprocidade” são alguns dos temas a tratar na assembleia, cuja sessão inicial é aberta ao público.
Aqui podem ler-se mais detalhes sobre a notícia e um texto do cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do CPC, sobre o tema.
O anúncio deste debate surge poucos dias antes da realização, em Lisboa, do IV Colóquio de Teologias Feministas, que decorre nos próximos dias 14 e 15. Sob o tema Franciscovai e reconstrói a minha Igreja que está em ruínas, o colóquio pretende debater a reforma da Igreja Católica. Na apresentação do programa, pode ler-se: “Move-nos o desejo de debater algumas temáticas ligadas à reforma da Igreja, nomeadamente, algumas interrogações, como, por exemplo, Que lugar têm as mulheres nesta reconstrução? Serão “o ângulo morto da reforma de Francisco”? Terão todas as reformas que passar por Francisco? De que estamos, realmente, à espera? O que esperamos?”
O colóquio realiza-se nas instalações de Lisboa do Centro de Estudos Sociais, da Universidade de Coimbra (Picoas Plaza). Entre as intervenientes, estão Maaike de Haardt, presidente da Sociedade Europeia de Mulheres na Pesquisa Teológicae as espanholas Marta Zubia Guinea e Roser Solè Besteiro. (Os objectivos, programa e ficha de inscrição no colóquio podem encontrar-se aqui)
Recorde-se que, no final de Setembro, o Papa nomeou cinco mulheres entre os 30 membros da Comissão Teológica Internacional (CTI), um organismo dependente da Congregação para a Doutrina da Fé.
Embora ainda em número reduzido, nunca antes a CTI tinha tido um tão grande número de mulheres, que passam a representar 16 por cento dos membros da comissão, criada em 1969.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Sermos melhores cristãos, mesmo com ideias diferentes – sobre um texto do bispo Nuno Brás

Há dias, na revista espanhola Vida Nueva, o padre Antonio García Rubio, pároco de Nossa Senhora do Pilar (Madrid), escrevia, numa “carta ao Papa”: “A mim, pessoalmente, cada um dos seus gestos e palavras provocam-me até ao ponto de me sentir convidado e empurrado a ser outro padre e outro cristão diferente.”
Há meses que me pergunto: “E o que fazemos, agora, com o que o Papa Francisco anda a dizer-nos e a fazer? Como assumimos, enquanto crentes e comunidades, os desafios que ele diariamente nos coloca?” Seja no campo de uma nova atitude perante o mundo, da aceitação do pluralismo na Igreja ou de trabalhar por uma profunda mudança na Igreja.
Em alguns casos, dá a sensação de que muita gente ainda não deu conta de que sopram ventos de frescura do lado do Vaticano. Ventos que acentuam a importância de radicar a nossa vida no evangelho de Jesus como fonte primeira; e que reforçam a ideia de que não devemos ter cristãos obedientes mas gente adulta pelo baptismo. E capaz de correr riscos.
O texto que o bispo auxiliar de Lisboa, Nuno Brás, escreveu há dias, sobre a freira beneditina espanhola Teresa Forcades i Vila no jornal Voz da Verdade parece revelar falta de entendimento de alguns sinais dos tempos que o Papa não se tem cansado de nos desvelar. E, sobretudo, não é um texto que manifeste preocupação em acolher, mas antes em condenar – ainda para mais, sem qualquer possibilidade de defesa ou contraditório por parte da visada.
O livro A Teologia Feminista na História de Teresa Forcades (ed. Presente) acabou de ser traduzido em Portugal. É um pequeno estudo, de 100 páginas, sobre a relevância de algumas mulheres crentes no desenvolvimento de ideias teológicas e sociais. E sobre o apagamento a que muitas dessas ideias foram sujeitas porque foram formuladas por... mulheres.
Nuno Brás não leu o livro, a avaliar por aquilo que diz no artigo. Prefere apenas tomar o que leu nos jornais, cuja linguagem e imediatismo tantas vezes já criticou, mesmo em artigos do Voz da Verdade: “A serem verdadeiras as entrevistas que deu [Teresa Forcades] e as notícias que a mostraram a andar por várias partes do mundo à procura de seguidores, quase sempre denunciada pelos Bispos desses lugares, é uma dessas”. Ou seja, alguém que quer correr sozinho com o seu modo de viver a fé, seduzido “pela exposição mediática”, que gosta, sobretudo, de “se ver ao espelho”.