domingo, 14 de dezembro de 2003

Bispo do Porto Defende Despenalização do Aborto

Bispo do Porto defende despenalização do aborto


Por ALEXANDRA CAMPOS
Público, 14 de Dezembro de 2003
"Correndo o risco de ser interpretado como uma voz dissonante dentro da Igreja Católica, o bispo do Porto, D. Armindo Lopes Coelho, afirma-se contra a penalização das mulheres que praticam o aborto, numa entrevista ontem publicada no 'Expresso'.
D. Armindo é 'uma pessoa muitíssimo inteligente, um bom teólogo e as pessoas devem estar atentas ao que ele diz', comenta, a propósito, o antigo bispo de Setúbal, D. Manuel Martins , escusando-se a fazer mais declarações.
Na entrevista ao semanário, o bispo do Porto diz claramente que é 'contra a penalização' e defende que 'as crianças devem viver e ser amadas pelos pais', até porque 'as instituições onde se colocam crianças indesejadas nunca são as melhores soluções'.
D. Armindo assume igualmente uma posição crítica relativamente aos grupos organizados contra e a favor da despenalização do aborto: enquanto existirem, acentua, 'haverá sempre tensão e guerra no ar'.
Sublinhando que os abortos clandestinos se continuarão a praticar mesmo após a entrada em vigor de uma hipotética despenalização, o bispo do Porto considera ainda que a 'única' solução para o problema é a 'criação de condições sociais para que as famílias possam criar os seus filhos'.
Apesar de preferir esperar que D. Armindo venha a público 'explicar o que quis dizer', José Paulo Carvalho, presidente da Federação Portuguesa pela Vida (que congrega várias associações contra a despenalizaçãodo aborto), foi ontem adiantando ao PÚBLICO que as afirmações do bispo mostram que o debate sobre o aborto "não é uma questão religiosa, não é uma guerra de católicos contra o resto do mundo".
"Acho que ele deve explicar o que quis dizer. Também se tem afirmado que Bagão Félix é contra a penalização, quando ele apenas disse que se deve discutir se a pena de prisão é a mais adequada" para quem interrompe voluntariamente a gravidez, acrescentou.
Frisando que não pretende "meter-se em polémicas com bispos", José Paulo Carvalho concluiu que o que D. Armindo pretendeu acentuar na entrevista foi que "a legalização não resolve o problema do aborto clandestino".

Vozes na Igreja contra a penalização do aborto
DN, 14.12.2003

ELSA COSTA E SILVARUTE ARAÚJO
Um novo debate sobre a despenalização do aborto volta a estar em cima da mesa, motivado por afirmações que surgem do interior da própria Igreja e contrárias à posição oficial católica. Em entrevista ao Expresso, D. Armindo Coelho, Bispo do Porto, afirmou ser «contra a penalização», apesar de ver «como solução única a criação de condições sociais para que as famílias possam criar os seus filhos». Uma liberalização da interrupção voluntária da gravidez mantém-se fora de questão, mas o afastamento das mulheres que praticaram aborto da barra dos tribunais reúne novos apoios.
D. Jacinto Botelho, Bispo de Lamego e membro da Comissão Episcopal da Família e da Educação Cristão, também diz que «ninguém está interessado em que as mulheres sejam penalizadas». Não vê nas palavras de Armindo Coelho grande discordância com a posição oficial da Igreja, já que «uma coisa é criminalizar as pessoas e outra é penalizar o acto».
«Temos de condenar o mal, mas ser tolerante com quem o pratica», afirma o prelado. Uma atitude que estende ao julgamento das mulheres acusadas de terem praticado aborto, a decorrer em Aveiro: «Deve haver da parte da Igreja uma atitude de perdão que é, aliás, a do Evangelho». Quanto a uma nova iniciativa legislativa, D. Jacinto Botelho é mais cauteloso, lembrando que a «Igreja não aceita o aborto» e que não pode aceitar ambiguidades que considerassem a descriminalização «como um entendimento de que esse acto não é grave».
A visão é partilhada por António Pires de Lima. Para o porta-voz do CDS-PP, «está fora de causa que a Igreja modifique a sua posição». O partido popular «partilha a ideia humanista da Igreja - se para nós a liberalização não é solução, também não queremos ver estas mulheres na barra dos tribunais». Por isso, «a solução do ponto de vista jurídico não é fácil». António Pires de Lima concorda ainda com o Bispo do Porto noutro ponto: mesmo liberalizando, haverá sempre grávidas a recorrerem a abortos ilegais, devido «ao estigma social».
Já para Francisco Louçã, do Bloco de Esquerda, D. Armindo «revelou um enorme sentido de responsabilidade, que traduz uma corrente de opinião muito forte: é preciso acabar com a perseguição a estas mulheres». Mais: «Há uns anos, nenhuma voz dentro da Igreja se levantava neste sentido. Se o Bispo do Porto o fez, é porque tem por base uma profunda convicção e porque contacta com outros bispos que a partilham».
Por seu lado, José Paulo Carvalho, da Federação Defesa da Vida, apenas admite uma «discussão da pena em cada um dos casos, consoante as condições atenuantes». Mas, acrescenta, «não há nada de insultuoso em uma mulher ir a tribunal, o único local onde se pode defender com toda a dignidade sobre a sua culpa ou inocência».
Estas declarações surgem num momento em que está a ser lançada uma nova petição para despenalizar a interrupção voluntária da gravidez. Iniciativa que terá de enfrentar o acordo de coligação entre o PSD e o CDS-PP (que antecedeu a formação do Governo), no qual os partidos se comprometem a não mexer na questão do aborto.
Vários bispos contactados pelo DN preferiram não fazer qualquer comentário sobre o assunto.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2003

...::: TodosUno :::...:

"Descubrir nuestro ser complementario,
debe ser primordial en la existencia;
es fácil cuando existe coincidencia
de gustos, de pensar y de escenario.

Mas, si el otro es ajeno o es contrario
y no existe siquiera la presencia,
solamente será mi competencia
si lo siento de Dios como emisario.

No hay que tener un único estandarte,
ni buscar en los míos mi acomodo,
pues Dios a todo el mundo se reparte,

mas se muestra en distinta forma y modo,
por lo tanto, dejemos ya la parte,
y vayamos a Dios, que es uno y todo. "

sábado, 6 de dezembro de 2003

Pontes, em vez de muros

Manuel Pinto

O “Diário de Notícias” tem em curso uma iniciativa que é merecedora de “distinção e louvor”. Há umas semanas atrás, começou a publicar nas suas edições dominicais uma troca de cartas públicas entre dois conhecidos intelectuais do nosso país: o cardeal-patriarca de Lisboa D. José Policarpo e o professor da Universidade Nova, colunista e ensaísta Eduardo Prado Coelho.
As cartas são uma forma de diálogo entre duas pessoas que se posicionam em horizontes filosóficos e ideológicos distintos, mas que, ao aceitarem este desafio do jornal, colocam diante dos nossos olhos argumentos de um lado e de outro sobre grandes questões dos nossos dias.
A iniciativa não é totalmente inédita: há perto de dez anos algo de semelhante foi feito em Itália, pelo diário “Corriere della Será”, tendo por protagonistas Umberto Eco e o cardeal Carlo Martini. De qualquer modo, no nosso meio, não é frequente ver oportunidades que permitam o diálogo entre mundos e referências que não só andam distantes como muitas vezes se desconhecem. As vicissitudes da nossa História fizeram com que se criassem clivagens que levaram a que a dimensão religiosa fosse como que “evacuada” dos grandes debates culturais, processo de que todos, tanto na esfera religiosa e como na esfera laica - somos responsáveis e de que todos saímos a perder.
É claro que estes diálogos só fazem sentido se os intervenientes partirem de uma base simples mas decisiva, que consiste em reconhecer o interlocutor e o universo de onde ele enuncia o que sente e pensa. E exige, ao mesmo tempo, a vontade de aprender e de progredir numa consciência mais larga e rica da vida e do mundo.
A este propósito, o esforço que se tem vindo a fazer em Braga, nos últimos tempos, a propósito da visita pastoral do Arcebispo às paróquias da cidade é, de algum modo, convergente com essa procura de um diálogo que não se limita àqueles que são iguais a nós e que pensam como nós. O convite a pessoas diversas – e não faria mal alargar bastante mais o leque desses convites – para que se pronunciem sobre o que entendem dever ser, hoje em dia, a presença da Igreja na cidade é uma iniciativa meritória. Assim como o weblog que é um espaço de partilha e debate aberto na Internet e que tem tido algumas achegas bem interessantes.
Vivemos num mundo em que, em todos os lados e em todos os terrenos, precisamos de valorizar mais o que nos aproxima uns dos outros do que aquilo que nos separa. Precisamos, em suma, muito mais de pontes do que de muros.
(in Diário do Minho, 8.12.2003)

quinta-feira, 4 de dezembro de 2003

Os Cristãos na Europa de Hoje

O Centro de Reflexão Cristã realiza na próxima terça-feira, dia 9, às 18.30, na sua sede em Lisboa (Rua Castilho, 61-2º Dto) uma conferência intitulada "Os Cristãos na Europa de Hoje", pelo Bispo auxiliar de Lisboa Manuel Clemente.
O CRC anuncia, entretanto, para Janeiro um ciclo de colóquios centrado nos temas recentemente lançados pela Conferência Episcopal "Sete Pecados sociais, Sete sinais de Esperança". (E-mail do CRC aqui)

segunda-feira, 24 de novembro de 2003

Breve conversa
entre Laura Ferreira dos Santos e Osvaldo Manuel Silvestre
(a propósito do livro de Laura Ferreira dos Santos
"Diário de uma Mulher Católica a Caminho da Descrença - I"
(Angelus Novus Editora, 2003)

Osvaldo Manuel Silvestre (OMS) - O teu livro, desde o título - Diário de uma
mulher católica a caminho da descrença - parece sugerir que o caminho da
descrença é tão duro e tortuoso como o da fé. Será? E se é, a que se
deve isso? A tudo o que se deixa para trás? Ou antes ao facto de nunca
se deixar tudo para trás?

Laura Ferreira dos Santos (LFS) - Só posso dizer que, no meu caso, esse caminho
para a descrença foi de facto tão duro e tortuoso como o da fé. Depois
de aderir mais convictamente ao cristianismo, há uns vinte anos atrás,
uma missa era para mim um grande motivo de alegria, um espaço físico e
espiritual em que tudo parecia bater certo, lugar de um grande
apaziguamento e harmonia interiores. Tinha os meus problemas com o que a
igreja hierárquica ia dizendo e escrevendo, mas tentava relativizá-los
em função do que me parecia muito mais importante do que os seus
desacertos "ideológicos". No fundo, talvez a minha maior dificuldade no
caminho da descrença seja o facto de continuar a aceitar a maior parte
ou a totalidade dos ensinamentos evangélicos, mas sem conseguir aderir
ao Deus para que se julga remeterem, aparecendo-me a Igreja católica
sobretudo como um clube para homens, legitimando de diversos modos o
papel inferior da mulher na sociedade.

O. M. S. Inspiraste-te nalgum modelo de diarística para o teu livro?
Sentes-te mais próxima, quanto a isso, de Santo Agostinho ou de Virgina
Woolf (ou de Santa Teresa)?

L. F. S. Como muitas e muitos de nós, li os textos referidos, assim como
outros do género. Até que ponto me influenciaram, é algo que não consigo
avaliar bem. Se Agostinho e Teresa de Ávila me estão até certo ponto
próximos pela temática religiosa, dir-se-ia que a certeza das suas
convicções religiosas me afasta deles, sentindo-me mais identificada com
alguns dos tormentos de fé expostos por João da Cruz ou Teresa de
Lisieux, não a Teresa edulcorada pelas suas irmãs carmelitas, mas a
Teresa para quem o "pensamento do céu" já não é um tema pacífico, mas um
tema de combate e de tormento, temendo que depois da morte já só haja
uma "noite do nada", ou escrevendo que quando canta a alegria de estar
em Deus canta apenas aquilo em que ela quer crer, não aquilo em que crê
na verdade. Diários ou não, sinto-me portanto mais próxima dos escritos
em que se capta à saciedade uma luta de corpo a corpo com a crença ou
com esse ser que tem vindo a ser designado androcentricamente por Deus.
Por outras palavras, textos cujas autoras ou cujos autores têm descrito
a vivência da crença como se o fizessem num processo que deixa sangue
entre os dedos, textos aliás escritos do único modo que Nietzsche
respeitava. Algo assim como o Diário íntimo de Unamuno, texto que
"saltou" das minhas memórias antigas (li-o quando tinha 19 anos) quando
me deparei com esta pergunta.

O. M. S. Como explicas a raridade lusa de obras que, como a tua, façam
da fé uma questão tão agónica quanto polémica? Ou seja, como explicas
que a um país de inquestionada tradição católica corresponda uma tão
débil produção teológica?

L. F. S. De imediato, o que me apetece dizer é que em Portugal é tudo
tão pequenino quanto os sinais de trânsito ou as placas que indicam os
nomes das diversas localidades, que, numa viagem de automóvel, só
conseguimos decifrar quando acabámos de passar por elas. Basta comparar
os sinais de limite de velocidade que encontramos nas auto-estradas
portuguesas e nas espanholas. Bom, a questão é obviamente complexa,
aproveitando desde já para esclarecer que o meu Diário não se enquadra
na dita "produção teológica", pelo menos no sentido habitual do termo.
No entanto, é verdade que, no nosso país, essa produção é de facto
débil. Aliás, penso que, em Portugal, uma investigação aprofundada, pelo
menos no campo das letras, que é o âmbito que conheço melhor, poucos
incentivos recebe. Veja-se, por ex., o que se passa na maior parte (ou
totalidade) dos centros de investigação universitários, em que é
sobretudo o número de artigos publicados a ser contabilizado, não se
atendendo à sua qualidade. Nesta óptica, cinquenta filmes feitos pelo
mesmo realizador num único ano seriam muito mais subsidiados que A vida
é bela, talvez o único filme que Roberto Begnini realizou no mesmo
espaço de tempo. Por outro lado, só os trabalhos em equipa parecem ser
subsidiados. Se Nietzsche, nos tempos actuais, se propusesse fazer um
trabalho de índole semelhante ao que realizou, nunca obteria um centavo.
Mas se se associasse a Peter Gast, à irmã, a Paul Rée, a Wagner, etc,
poderia eventualmente receber uns cobres. Mas, nesse caso, alguém o
leria hoje? Claro que não estou contra o trabalho em equipa,
imprescindível em certas áreas. Fazer dele um dogma é que me parece um
fundamentalismo.

Neste Diário, a temática religiosa, entendida num sentido muito amplo,
aparece perspectivada tendo em conta a situação da mulher e o modo como
o "religioso" intervém nela. Perante a raridade para que a pergunta
aponta, talvez se deva colocar a hipótese de que, em Portugal, a maior
parte das pessoas que poderia produzir textos deste género tenha
rapidamente deixado de acreditar em Deus, acrescentando-se, por outro
lado, a questão óbvia de que o nosso país se encontra longe de temáticas
ditas "feministas", nem sequer utilizando uma linguagem inclusiva, que
trate, sem discriminação, homens e mulheres. Por aqui, só há "homens" e
"filhos", pois já se sabe há muito que todas as mulheres são homens e
todas as filhas são filhos. A meu ver, só o cruzamento das duas
temáticas por uma pessoa que as levasse muito a sério poderia dar um
texto como o meu. E, pelos vistos, por uma razão ou outra, não deve
haver em Portugal muita gente nessas circunstâncias. Daí a minha própria
dificuldade em conseguir encontrar um padre com quem possa dialogar
sobre estes assuntos, pois oiço frequentemente dizerem-me que nunca se
tinham confrontado com as minhas questões, alguns assumindo honestamente
que talvez por serem homens...

O. M. S. Como vês a intransigência da igreja de Roma no que toca ao
ordenamento de mulheres como sacerdotes? A verificar-se uma alteração do
estado de coisas com um novo Papa, pensas que isso se deverá a boas
razões (teológicas) ou à falta de vocações masculinas?

L. F. S. Perante as vistas curtas que a Igreja católica manifesta em
tantas áreas, apetece brincar e dizer: se essa ordenação for devida à
falta de vocações masculinas, as boas razões teológicas serão com
certeza encontradas.

Durante milhares de anos, um acto particularmente importante nas
religiões como o sacrifício cruento foi interdito às mulheres. Segundo
uma teoria, para que os homens, sem o privilégio de dar à luz, pudessem
dispor de um outro privilégio que aplacasse a sua inveja da maternidade:
o privilégio do sacrifício cruento, vertendo o sangue de uma vítima para
que uma certa forma de "vida" pudesse surgir. Por esta ou por outras
razões, o facto é que as grandes religiões monoteístas (judaísmo,
cristianismo e islamismo), nas suas versões mais "oficiais", foram
declarando o papel subordinado da mulher, pois, como diz Paulo, "a
cabeça da mulher é o homem". E, se pudesse, creio que a Igreja Católica
reescreveria o discurso das Bem-aventuranças, pondo de um lado as
adequadas aos homens, e do outro as adequadas às mulheres. Penso que
Cristo foi um grande defensor das mulheres, mas a sua (?) Igreja não
conseguiu manter-se ao mesmo nível. Pela voz da Igreja católica e de
outras religiões continua a manifestar-se um antigo horror à mulher que,
se por um lado pode quase configurar uma espécie de crime contra a
humanidade, por outro é uma posição merecedora de estudo aprofundado,
pois esclarece-nos muito sobre as questões de género, ajudando-nos a
perceber por que é que os homens actuam em sociedade como se
pertencessem a uma espécie de "raça" superior.

O. M. S. O teu livro aparece com a indicação de que se trata do volume
I. Significa isso que pensas publicar mais volumes? Com que
regularidade? Se entretanto o caminho te conduzir de facto à descrença,
admites a possibilidade de uma alteração de título?

L. F. S. De facto, não tencionava "descontinuar" este Diário. Aliás, no
meu computador, lá vai crescendo, ao sabor dos tempos. Agora a respeito
da regularidade de publicação, não posso prevê-la neste momento, tanto
mais quanto não sei se os problemas de saúde de que padeço irão diminuir
ou aumentar a sua escrita. Um outro volume para daqui a um ano?...

Quanto à eventualidade de ser conduzida "de facto" à descrença, eis aí
um problema que começa logo pela definição de crença e descrença, cujo
conteúdo irei tentando delimitar ao longo do "caminho". Um determinado
tipo de descrença não elimina radicalmente a possibilidade da crença.
Falta saber em quê. Seja como for, para já, não entrevejo uma mudança de
título, como se aí estivesse um ponto de partida (ou de chegada)
demasiado marcante para ser deitado fora antes de ser devidamente
explorado. E vontade para efectuar essa exploração é algo que não me falta.

terça-feira, 4 de novembro de 2003

Receios

Leio no Aviz:
«O nosso sentimento actual de desorientação, de recaída na violência, de perda na insensibilidade moral; a nossa viva impressão de uma quebra profunda no campo dos valores da arte e no da decadência dos códigos pessoais e sociais; os nossos receios de uma nova ?idade das trevas? em que a própria civilização, tal como a conhecemos, possa desaparecer ou se restrinja a pequenas ilhas de preservação arcaica ? esses receios tão palpáveis e generalizados que se transformaram num cliché do estado de espírito da época ? tiram de uma comparação a sua força e a sua evidência aparente. [?] A nossa experiência do presente, os juízos, tantas vezes negativos, que fazemos acerca do nosso lugar na história, vivem continuamente contra o fundo daquilo a que eu gostaria de chamar o ?mito do século XIX? ou o ?jardim imaginário da cultura liberal?. [?] A minha tese é que certas origens da inumanidade, da crise que nos obriga hoje a uma redefinição da cultura, devem ser procuradas na longa paz do século XIX e no nó mais denso do tecido complexo da civilização. [?] A arte, as investigações intelectuais, o desenvolvimento das ciências, múltiplos sectores de actividade universitária, floresceram numa estreita proximidade espacial e temporal relativamente aos campos de extermínio. Ao contrário do que acontecia nas fantasias das fábulas apocalípticas do século XIX, a barbárie irrompeu do coração da Europa.»
"GEORGE STEINER, in Bluebeard's Castle

sábado, 1 de novembro de 2003

"Señas de nuestro tiempo
: [Marcial Romero]

'Una pieza de teatro que corresponda a la situación del mundo
hoy. ¿De qué debería tratar? De la respiración desasosegada.'

(E. Canetti, 1979, Apuntes 1973-1984)

Nuestro tiempo como preocupación, como problemático, como desorientación, como cierre y apertura, como tiempo que navega en aguas turbulentas, como tiempo histórico y a-histórico, vamos, un tiempo de orillas, en el que el puente entre el antes y el después está roto (1).
Hay que reconocer que nuestro siglo XX ha resultado un tiempo emocionalmente intenso, a poco que nos fijemos en los constantes movimientos de masas humanas reventadas en el orbe mundial (2) o en la violencia endémica que afecta a poblaciones enteras. Y esta ya es una razón suficiente que empuja por sí misma a pararse a considerarlo. La idea de nuestro tiempo no puede borrar esta memoria fatídica, cruel y dolorosa (3). Nuestro tiempo está impregnado de ese blanco y negro nocturno de entreguerras que, sobre todo en Occidente, ha mantenido a nuestros abuelos y padres en una rumia de víctimas y verdugos (4): una constante reiteración de la muerte. (...) "
La vida y la poesía

Entrevista: Francisco Brines -nº 22 Espéculo (UCM): "Es que el hombre no es el poeta. La vida es una cosa y la poesía otra. La poesía es un espejo al que nos asomamos y en el que aparece un personaje que no tiene nuestro rostro, pero que sabemos somos nosotros, pero nosotros de una manera muy peculiar; es como cuando aparecemos u aparecen personas que nos son cercanas en los sueños: somos nosotros o ellas, pero con otro rostro. La poesía devela aspectos oscuros y desconocidos en nosotros y que sólo por el método poético llegamos a conocer; pero también podemos opacar otros que son muy nuestros."
Francisco Brines, 2003

terça-feira, 21 de outubro de 2003

RECOMENDAÇÕES DE S. BERNARDO

«Ainda que conhecesses todos os mistérios, toda a vastidão da terra, toda a altura do céu e a profundidade do mar, se te ignorasses a ti mesmo, serias como aquele que constrói sem alicerces e prepara não um edifício, mas uma ruína. Tudo o que construíres a teu lado não será senão um monte de poeira que o vento dispersa. (...). O sábio será sábio em relação a si e será o primeiro a beber a água do seu poço.»
(via Abrupto)

sexta-feira, 17 de outubro de 2003

Não durmais já, não durmais

Todos os que militais
debaixo desta bandeira,
não durmais já, não durmais,
pois que não há paz na terra.
E como capitão forte
o nosso Deus quis morrer,
sigamo-lo sem nos deter,
pois nós lhe demos a morte.
Oh que venturosa sorte
teve ele após esta guerra!
Não durmais já, não durmais,
porque Deus falta na terra.
Com grande contentamento
se oferece a morrer na cruz,
para a todos nos dar luz
com seu grande sofrimento.
Oh glorioso vencimento!
Oh que ditosa esta guerra!
Não durmais já, não durmais,
porque deus falta na terra.
Aventuremos a vida!
Não há quem melhor a guarde
que quem a deu por perdida.
Pois é Jesus nosso guia,
sendo o prémio desta guerra.
Não durmais já, não durmais
porque não há paz na terra.
Ofereçamo-nos inteiras,
a morrer por Cristo todas,
para nas celestiais bodas
nós estarmos prazenteiras.
Sigamos esta bandeira,
pois Cristo vai na dianteira.
Nada a temer, não durmais,
pois que não há paz na terra.

Santa Teresa de Ávila
(no Intrusos)
João Paulo II: 25 anos depois de Habemus Papam


(Do The New York Times via A Montanha Mágica)

segunda-feira, 13 de outubro de 2003

Le principe de lucidité
"« LE FEU SACRÉ », DE RÉGIS DEBRAY

Le principe de lucidité
Par MICHEL COOL
Rédacteur en chef de Témoignage chrétien.

Dans l’inventaire que Régis Debray dresse des valeurs supposées démodées de notre modernité, le fait religieux succède à Dieu, héros de son précédent ouvrage (1). Dans cet essai (2), on retrouve son verbe érudit et ciselé pour tordre le cou à certains poncifs sur le fait religieux, objet de ressentiments souvent injustes et injustifiés.
Première cible du président du tout nouvel Institut européen en sciences des religions, la présomption laïque de la France. Non contente d’avoir été « la fille aînée » de l’Eglise catholique, « elle se prend parfois pour la fille aînée de la laïcité. Ce droit d’aînesse reviendrait plutôt au Mexique, où la Séparation fut inscrite dans la Constitution par Benito Juarez, bien avant [1860]. » Raison de plus, insiste l’auteur, pour être modeste et ne pas confondre la « piété républicaine », dont il reste lui-même imprégné, avec « un combat antireligieux que la laïcité n’est aucunement ».
Régis Debray remet ainsi plusieurs pendules à l’heure. Non, les religions ne sont ni plus bellicistes qu’hier ni plus criminelles de guerre que ne le prétendent leurs procureurs amnésiques des crimes commis au XXe siècle au nom d’idéologies athées : « A Athènes comme à Rome, la guerre était déjà une entreprise religieuse. (...) L’imbrication du divin et du sanglant ne date pas d’hier. (...) Ce sont les hommes qui font la guerre des dieux. » Quant à l’islam, qui fait rugir les nouveaux dévots d’une laïcité radicale, son extrême pluralité culturelle et spirituelle devrait amener à plus de discernement.

En bon horloger soucieux que les aiguilles tournent dans le bon sens, l’auteur appelle son lecteur à être enfin à l’heure à l’école du fait religieux. A s’émanciper de la « censure faraude et suicidaire », cause de l’inculture religieuse depuis plusieurs générations. Or, pour lire un journal, comprendre le monde ou se comprendre soi-même, le fait religieux demeure un gué indispensable.

Le principe de lucidité gouverne chaque page de ce livre. Il offre, en outre, une sélection de photographies et de citations qui illustrent fort à propos l’extraordinaire fécondité du religieux dans notre histoire. Debray ne cache pas son admiration pour le « chef-d’oeuvre idéologique » que représente à ses yeux l’Eglise catholique romaine. Mieux que tout autre système de croyance et de gouvernement, elle a su résister aux assauts des époques, des modes et des révolutions. Elle accrédite la maxime de Goethe selon laquelle « le génie est de durer ». Fût-ce au prix de l’immobilisme, du conservatisme et du statu quo institutionnel qu’incarne Jean Paul II, qui, sur ce point, contredit la volonté rénovatrice du concile Vatican II.

Quitte à en déconcerter plus d’un, Régis Debray trouve des circonstances atténuantes à cette théocratie immuable : elle eut, selon lui, le mérite d’inventer, dès la fin du Ve siècle, des « îlots de démocratie représentative » : les monastères bénédictins.

A sa façon, ce livre est un plaidoyer pour que la France, mais aussi l’Europe, n’enterrent pas leurs racines religieuses. Leur « feu sacré » n’est pas superflu, pense Debray, pour regonfler les voiles humanistes d’un continent tenté de n’être plus qu’une zone économique."

quarta-feira, 8 de outubro de 2003

Tertullian : Some quoted passages: "Nec ratio enim sine bonitate ratio est, nec bonitas sine ratione bonitas ...

A razão sem bondade não é razão, tal como a bondade sem razão não é bondade.

Tertuliano
Adversus Marcionem II, 6, 2.
LA MUSIQUE DANS LA LITURGIE.

Tout être humain a une disposition naturelle pour s’élever et contempler:
"Le Concile Vatican II n’a jamais cessé de réaffirmer que le chant grégorien, la polyphonie et l’orgue à tuyaux étaient l’expression par excellence des mystères de la Mort-Résurrection du Christ. Dans un souci de pédagogie et de bonne compréhension de tous, il a favorisé un langage vernaculaire. Cela ne peut qu’être
qu’une bonne chose. Les défis à relever sont nombreux au plan de la création musicale et, si, pendant quelques temps, les musiciens professionnels ont fait la sourde oreille à cette invitation d’écrire dans cette nouvelle manière, on constate avec joie qu’enfin, beaucoup se mettent à l’ouvrage.
Certes, il y a beaucoup à faire et disons-le franchement, fort d’un répertoire inexistant, plusieurs personnes de bonne volonté ont composé des musiques qui sont parfois loin d’être édifiantes. La bonne volonté ne donne pas la compétence.
Il me semble difficile de prier sur une musique qui ne correspond pas à la justesse de ce qui se vit dans une liturgie alors qu’elle nous invite à passer un moment hors d’un monde étourdissant, assourdissant, et qui vit son enfer cacophonique que crie une musique torturée et tonitruante. On ne peut parler de ce cas d’introspection spirituelle, d’appel en soi-même, là où, dans le silence de son for interne, on peut se trouver bien sûr, mais surtout, faire en nous-mêmes la rencontre de ce Dieu unique et merveilleux qui nous parle au cœur de nos émotions.
L’appel est lancé, le défi est grand et magnifique. A nous d’y répondre."
Pierre Grandmaison
Titulaire des orgues de Notre-Dame de Montréal

terça-feira, 30 de setembro de 2003

Das palmas e das danças

Manuel Pinto

O papa João Paulo II conhece como ninguém as danças e as palmas nas celebrações. E, o que é mais, dá repetidos sinais de gostar desse modo de celebrar. Tem vindo a crescer, por outro lado, o uso de algumas formas de expressão corporal nas eucaristias. Não é necessário frequentar as igrejas para verificar isso mesmo: basta estar atento às transmissões da missa nos canais televisivos.
De modo que não poderiam deixar de provocar espanto e incredulidade as notícias sobre um esboço de documento que estaria a ser preparado entre congregações do Vaticano, no sentido de identificar e condenar uma lista de abusos litúrgicos e, o que seria ainda mais preocupante, incentivar os cristãos que os testemunhem a denunciá-los à autoridade eclesiástica.
Boa parte dos media gostam imenso deste tipo de notícias, porque vem justificar em cheio o primarismo religioso de muitos jornalistas, que disfarça mal uma profunda ignorância do fenómeno sobre o qual emitem as opiniões mais categóricas. É ver que, com base nos elementos divulgados, quase ninguém procurou responder a perguntas muito simples que poderiam ajudar a compreender o que se está a passar.
Desde logo, estas perguntas básicas: porque é que uma matéria “quente” como esta é filtrada para a revista “Jesus” dos Paulistas italianos? Quais são as congregações envolvidas na elaboração do documento? E, dentro dessas comissões, quem são os protagonistas? E que notícias há sobre a receptividade dos bispos, nas consultas que foram feitas? E quais os problemas reais que o documento pretende tratar? E como sentem e percebem os responsáveis da pastoral da Igreja, e mesmo os cristãos comuns, este assunto? Sobre todos estes pontos é possível inquirir e, em alguns casos, há vasta matéria publicada. Só que isso já não interessa porque desactiva a polémica e o escândalo.
Pela parte que me toca, julgo sensato que a Igreja cuide da dignidade e da qualidade das suas celebrações. Estas não podem ser actos gélidos e entediantes, mas também não é lógico que se transformem em números espanpanantes de show biz, com um mestre de cerimónias à frente. Entendo, por outro lado, que não está resolvida, no interior da Igreja, a tensão entre um ascetismo essencialista e um cuidado com as linguagens, incluindo as do corpo. Há grupos de pressão fortíssimos, que já não acharam graça nenhuma às inovações pós-conciliares, que aproveitam agora a conjuntura para marcar a agenda e determinar o quadro normativo. Quero crer que o bom senso prevalecerá. A divulgação prévia do borrão de texto é, para mim, sinal disso mesmo.
(Crónica no Diário do Minho, 29.09.2003)

quarta-feira, 24 de setembro de 2003

Religious Blogs Provide Forum for Personal Opinions on Faith, Worship and Spirituality

By Cary McMullen
Ledger Religion Editor
cary.mcmullen@theledger.com

"And on the 2,893,402,568th day, man created blogs. And he used them to post all manner of links and opinions and digital photos. And man saw that the blogs were good for speaking with others about God. And he caused the blogs to be fruitful and multiply, so that they covered the Internet."

Once, members of churches, synagogues and mosques were limited in the times and places they could express their personal beliefs and opinions. Then came blogs.

If you're behind the technological curve, Weblogs -- blogs, for short -- are a kind of interactive Web page that is easily updated. Blogs can be used as a catalogue or magazine of links to articles on a particular topic. But most bloggers, as they are known, use their Weblogs as public journals, posting on them their musings on their personal lives or on any subject of interest to them -- literature, movies, politics or religion -- and inviting responses from anyone who reads them.

Blogging readily became a forum for political commentary, but people of faith discovered it was a tool to exchange news and views. And even if cyberspace isn't exactly the same as a place of worship, bloggers say that it creates a kind of community that bridges huge distances.

As an example of what you might find on a religious blog, consider this posting from Catholic writer and former Lakeland resident Amy Welborn about the current state of the Mass:

"It's just such a disconnected, staticy, jostled mess. There is just such a stop-and-go feeling about it, such a feeling of tension as we enter the Church, wonder what we're going to have to do this week, as we warily watch the music minister, wondering what he's going to scold us for this time. . . . What is this connected to? Are the parts connected to each other? Is this connected to the universal Church? Are we connecting to God?"

Or this from the Weblog Mark Byron of Lake Wales on Alabama Gov. Bob Riley's proposed tax plan:

"The tax package is the brainchild of a tax lawyer named Susan Hamill, who found a so-so Methodist faith strengthened during a sabatical (sic) at Samford University's Beeson Divinity School. Hamill started seriously studying the Bible and grafted a help-the-poor message of the Bible to a left-leaning political outlook."

Religious bloggers say that blogs have proliferated just within the past few years. A "semi-definitive list of Christian blogs," http://blogs4god.com, cites 844 blogs. A humorous Weblog ring, www.thinkhalal.com, lists 179 Muslim blogs. And a Jewish Weblogring, www.gavroche.org/jblog. html, lists 110 blogs.

There are even a couple of bloggers who have near-celebrity status. Andrew Sullivan, the self-proclaimed conservative gay Catholic writer, has a much-referenced blog (www.andrewsullivan.com). And Jewish World Review columnist Eve Tushnet is similarly admired for her blog (http://eve-tushnet.blogspot.com).

Momentous events, such as Sept. 11 or the war in Iraq, tend to cause new ones to spring up, as a way of exchanging articles and opinions. Welborn said for Catholics, the sex-abuse scandal in the church had the same effect.

"People started coming to us for news and opinions. It seemed no one else was trustworthy. The secular press had news but not trustworthy motives, and the Catholic press is a glorified church bulletin. We wanted the truth about what was happening and to talk about it honestly. Blogs gave a real forum for that," she said.

INSPIRING OTHERS

Welborn has had her blog, titled Open Book (http://amywelborn.typepad.com/openbook) for about two years. It replaced her personal Web page, which she used to promote her articles and books but found difficult to update. Welborn said blogs are like a seminar or creative writing class.

"It gives you a forum to hash out ideas," she said, speaking by phone from Fort Wayne, Ind., where she lives with her husband and children. "It gives me a way to work out columns and articles in a more intimate setting."

"Intimate" may seem a strange word to use for such a public device, but Welborn said there are about 20 or 30 people who regularly comment on her blog postings that she thinks of as a circle.

"In the Catholic church, there's a lot of division. Blogs give people a chance to hook up with like-minded people. It doesn't replace a face-to-face church, but for people interested in ideas and issues, it's a great place," she said.

Byron, an assistant professor of business at Warner Southern College, started his blog (http://markbyron.blogspot.com) in January 2002. A reader of other blogs, especially political ones, he decided to start his own.

"At first, I wrote more on secular politics and economics, albeit from a Christian perspective. Now I'm putting more Christian content on it," he said.

Byron began adding a scripture verse -- "Edifier du jour," he calls it -- in the margin of the blog, then began adding a devotional comment to it. Christian readers began responding to them.

"The value is that it's a way to express yourself, to vent your spleen in a way you might not be able to in real life, at a fairly high intellectual level. It allows you to assume what you're doing is of value, of edification to others. You share your struggles and maybe that touches someone else's heart," he said.

GETTING PERSONAL

Sharing your personal problems with the world might seem risky. Byron occasionally writes about his wife's struggle with depression.

"It takes some nerve. I'm fairly open about myself, but I have to clear things with my wife before I post them," he said.

Writing too much about one's own life can also seem egocentric, a perennial danger for bloggers, Welborn said.

"I try to balance what I do. I have family and friends who read my personal stuff, but I'm not under the delusion everyone's going to be interested. But the kind of writing I've been doing for a long time is digging out spirituality in everyday life. If I mention my kids, it's because I'm drawing something out of it," she said.

For those who think that the media gives a distorted view of religion, individuals and organizations can set up blogs to serve as a corrective.

"A vast majority of blogs do have some sort of media watchdog function, as a fact-checker," said Ted Olsen, online managing editor of Christianity Today, who began running a Weblog within the magazine's Web page (www.christianitytoday.com) in 1999. "When Weblogs started, it was `Here's an interesting article.' Now it's `Here's a really stupid article.' Ranting is a fun thing to do, and blogs make that easy."

FUTURE BLOGS

A new blog in the works aims to give visibility to unreported stories about religion. The blog, tentatively titled faithwatch.org, will "purposely look for stories where they missed the religion angle," said Terry Mattingly, a columnist and associate professor of communications at Palm Beach Atlantic University, who is helping start the blog along with the Ethics and Public Policy Center, a Washington, D.C., think tank.

Yet another future for blogs may lie in theological education. The Rev. A.K.M. Adam, associate professor of New Testament at Seabury-Western Seminary in Evanston, Ill., is helping to organize a "disseminary" -- an alternative online seminary -- that borrows a page from Napster.

According to The Disseminary Web site (http://disseminary.org), the alternative seminary would consist initially of group blogs on a couple of topics that would run for six or seven weeks. Organizers started accepting applications this week. Eventually, Adam said, he hopes The Disseminary would offer a slate of courses led by top scholars and run online academic journals.

"It's imperative to let our imaginations be instructed by the medium," he said by phone from his office. "If we make an opportunity for people to get information they're interested in, they'll follow it. The academy prevents that by requiring people to relocate, put up vast sums of money and meet certain requirements. Theologians especially ought to be willing to extend knowledge to people who are interested in it,"

Adam also suggested that congregations could use blogs as a way of giving prospective visitors an honest look at the inner life of a church, synagogue or mosque.

"If we don't make that public at the start, it's asking someone to invest the energy to find the church before having a strong reason to know if he wants to go there," he said.

The public aspect of blogs offers a chance to engage the world in a positive way, said Olsen, the Christianity Today editor.

"I think there needs to be more thought given to what we're trying to do with blogs. Are we trying to influence culture? Rant? Talk to a circle of friends? I'm not sure most bloggers have thought it through," he said.

"It's too ad hoc -- `here's a bunch of stuff I like.' There needs to be a mission, a focus, more intentionality."

Cary McMullen can be reached via e-mail at cary.mcmullen@ theledger.com or by calling 863-802-7509.
(dica de ContraFactos & Argumentos)

segunda-feira, 22 de setembro de 2003

EL DIÁLOGO DE LAS RELIGIONES ENTRE LA TEOLOGÍA Y LA TEOPRAXIS:
"... creo que el camino tendrá que pasar por la elaboración de una integración verdaderamente dialéctica, que intente, en lo posible, hacer justicia a ambas instancias. Personalmente he propuesto la categoría de pluralismo asimétrico. Pluralismo, en cuanto que, igual a la segunda postura, deberá reconocer ?con realismo histórico? la independencia y originalidad de cada religión. Asimétrico, en cuanto que ?con realismo epistemológico? deberá admitir, recogiendo la preocupación de la primera postura, que, siendo todas verdaderas, no todas las religiones lo son en el mismo grado (ni lo son dentro de cada una las diferentes corrientes o propuestas)".
IGLESIA VIVA, Nº 208, oct-dic, 2001, pgs. 63-72
EL DIÁLOGO DE LAS RELIGIONES ENTRE LA TEOLOGÍA Y LA TEOPRAXIS:
"... creo que el camino tendrá que pasar por la elaboración de una integración verdaderamente dialéctica, que intente, en lo posible, hacer justicia a ambas instancias. Personalmente he propuesto la categoría de pluralismo asimétrico. Pluralismo, en cuanto que, igual a la segunda postura, deberá reconocer ?con realismo histórico? la independencia y originalidad de cada religión. Asimétrico, en cuanto que ?con realismo epistemológico? deberá admitir, recogiendo la preocupación de la primera postura, que, siendo todas verdaderas, no todas las religiones lo son en el mismo grado (ni lo son dentro de cada una las diferentes corrientes o propuestas)".
IGLESIA VIVA, Nº 208, oct-dic, 2001, pgs. 63-72
O mapa dos bispos
Manuel Pinto

Se quiséssemos procurar exemplos para justificar a actualidade da Nota Pastoral dos bispos portugueses divulgada há dias, não haveria quase dia em que não encontrássemos pano para mangas.
O documento, intitulado «Responsabilidade Solidária pelo Bem Comum», chama a atenção, em primeiro lugar, pela clareza da linguagem e pela pertinência dos assuntos que aborda. Destaca-se ainda pelo seu carácter positivo, aberto, construtivo e até didáctico. Os bispos são certeiros ao fazer o elenco daquilo a que chamam «pecados sociais»: os egoísmos individualistas, o consumismo, a corrupção, a desarmonia do sistema fiscal, a irresponsabilidade na estrada, a exagerada comercialização do fenómeno desportivo, e a exclusão social. Os comportamentos e atitudes que estão por detrás destes «pecados» exigem «uma conversão à solidariedade responsável na construção do bem comum». A frase, em si mesma, faz parte da gíria eclesiástica e, se por aqui ficasse, pouco traria de novo. Ora o Episcopado traduz o fraseado para o concreto, mostrando os problemas e as linhas do que pode ser feito na família, na escola, na economia, nos impostos, na circulação rodoviária, no ambiente, na comunicação social. E terminam com outra conta de sete «sinais positivos, imbuídos de esperança e de responsabilidade dos cidadãos, que necessitam de ser continuamente revitalizados».
Enquanto os bispos propunham este mapa de referências éticas para a vida pública, voltamos a ver aflorar, nos últimos dias, o discurso cruel e demagógico de sectores políticos que, para agradar a segmentos mais impressionáveis do eleitorado, não hesitam em acenar com o papão dos emigrantes, em vez de apelar ao dever da solidariedade da parte de quem já demandou, às centenas de milhar, terras estrangeiras.
É apenas um sinal entre muitos que ganham outro sentido à luz do alerta e do apelo ao compromisso pelo bem comum lançado pelos bispos.
Falta na Nota, a meu ver, um ponto que me parece fundamental, sobre o urbanismo e o cuidado da cidade enquanto espaço de vida e de encontro e não de sobrevivência e de morte. Falta talvez uma maior atenção às assimetrias regionais e ao abandono do espaço rural. Falta ainda uma mais clara ênfase na dimensão global e transnacional de alguns dos problemas enunciados. Mas está ali um referencial incontornável de acção, para todos, independentemente do seu posto, do seu estatuto, do seu saber. A mim ficou-me nos ouvidos um alerta que já ouvira a Jorge Sampaio, no discurso do 25 de Abril: «Não se pode conceber um mercado livre sem limites. Tal é incompatível com os princípios orientadores da lei natural, da justiça social, dos direitos humanos e do bem comum».
Crónica semanal no Diário do Minho

terça-feira, 9 de setembro de 2003

Crónicas matinais

Por um atalho que já não sei reconstituir, fui ter às Crónicas Matinais. Touché.
Daqui saltei ao já conhecido Aviz. Preciso de continuar estes diálogos, mesmo que silenciosos.