segunda-feira, 5 de março de 2018

O final da vida humana e a eutanásia

Agenda – Debate



O final da vida humana e a eutanásia é o tema do debate promovido pelo CRC (Centro de Reflexão Cristã) na próxima quarta-feira, dia 7, a partir das 18h, com a participação de José Manuel Pureza e de Miguel Oliveira da Silva e moderação de Rosa Lourenço.
Pretendendo “um debate objectivo, informado e sereno, com pluralidade de pontos de vista”, o CRC juntará assim dois crentes com posições diferentes sobre o tema: José Manuel Pureza, professor de Relações Internacionais e investigador em Estudos para a Paz, é um dos signatários de um projecto de lei de despenalização de morte assistida, apresentado pelo Bloco de Esquerda no Parlamento; Miguel Oliveira da Silva, catedrático de Ética Médica, primeiro presidente eleito do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (2009-2015), é autor de um livro sobre o tema e tem chamado a atenção para os erros e abusos que a aprovação de tal lei pode permitir

O debate decorre na sede do CRC (R. Castilho, n.º 61 – 2º Dirº), em Lisboa, e tem moderação da jurista Rosa Lourenço.

sábado, 3 de março de 2018

A santidade na história e no cinema

Agenda - Ciclo de cinema no Porto


O tema musical de Irmão Sol, Irmão Lua, 
num vídeo com imagens do filme de Zefirelli


A Santidade na História é o tema do 5º ciclo de cinema religioso, promovido pelo núcleo do Porto do Centro de Estudos de História Religiosa (CEHR) da Universidade Católica Portuguesa. Depois de exibição de Visão da Vida de Hildegard von Bingen, filme de 2009, realizado por Margarethe von Trotta, o ciclo continua já nesta segunda-feira, dia 5 de Março, às 21h, com o filme Irmão Sol, Irmã Lua (1972), de Franco Zeffirelli.
Cada sessão, que decorre na cripta da Igreja paroquial da Senhora do Porto começa por uma breve introdução do filme e termina com um tempo de debate. No próximo filme, a apresentação estará a cargo de Arlindo de Magalhães, membro do CEHR e presbítero responsável pela Comunidade Cristã da Serra do Pilar.
O ciclo pretende ajudar à compreensão do fenómeno da santidade como realidade historicamente situada e enquanto manifestação tão pluriforme quanto sublime do processo de discernimento e assunção da “vocação radical” e comum a todos os batizados.
No conjunto, uma vez por mês, até Novembro, serão exibidas várias obras cinematográficas que, incidindo sobre algumas figuras-chave da história do cristianismo, tornarão possível não só um aprofundamento do conhecimento das respectivas biografias mas igualmente do carácter pessoal, contextualizado e paradigmático com que o tema da santidade nelas se concretiza.
Os filmes deste ciclo abordarão as histórias de Santa Rita de Cássia (Abril), Santo António de Pádua (Maio), Teresa de Jesus (Junho), São Vicente de Paulo (Julho), São João Bosco (Outubro) e Maximiliano Kolbe (Novembro). O calendário completo com as datas e os comentadores de cada sessão pode ser consultado aqui.

sexta-feira, 2 de março de 2018

Religiosas ou funcionárias (quase) gratuitas?




Freiras em trabalho doméstico (imagem reproduzida daqui)

Algumas freiras, “ao serviço de homens da Igreja, levantam-se de madrugada para preparar o pequeno-almoço e só se deitam depois de o jantar estar servido, a casa arrumada, as roupas lavadas e engomadas… Para este tipo de ‘serviço’ não existe um horário preciso e regulamentado, como há para os leigos, e a retribuição é aleatória, muitas vezes bastante modesta”, diz a irmã Maria, um nome fictício, num trabalho publicado pela revista Donne Chiesa Mondo (Mulheres Igreja Mundo), suplemento mensal de L’Osservatore Romano, o jornal oficial da Santa Sé. Neste número de Março (que se encontra disponível aqui, em italiano, num ficheiro pdf), o tema de fundo da revista é Mulheres e Trabalho.
A reportagem, publicada na edição da revista desta quinta-feira, dia 1 de Março (e disponível aqui, também em italiano), denuncia o trabalho “gratuito ou mal pago”,  “pouco reconhecido” e que dá azo a “ambiguidade” ou a “grande injustiça”, de muitas religiosas em instituições católicas.
A mesma freira citada refere que muitas religiosas raramente são convidadas a sentar-se nas mesas que servem: “Um eclesiástico acha que pode ter uma refeição servida por uma irmã e depois deixá-la a comer sozinha na cozinha, depois de ser servido? É normal, para um consagrado, ser servido desta forma por uma outra consagrada?” [Resumos da reportagem podem ser lidos aqui numa notícia da Ecclesiae também nesta notícia do Público (corrigindo o título da revista, que é italiano e não inglês) e ainda aqui, na página da Unisinos na internet, em português do Brasil, num texto que dá mais elementos de contextualização sobre o problema.]
Este trabalho da Donne Chiesa Mondo surge poucos dias depois de ter sido divulgado um texto em que o Papa manifesta a sua preocupação com o facto de “na própria Igreja, o papel de serviço a que todo o cristão é chamado deslize, no caso da mulher, algumas vezes, para papéis que são mais de servidão do que de verdadeiro serviço”.
No prólogo do livro Diez Cosas que el Papa Francisco Propone a las Mujeres, Francisco manifesta ainda a sua preocupação pela persistência de “uma certa mentalidade machista, inclusive nas sociedades mais avançadas, nas quais se consumam atos de violência contra a mulher”. E critica ainda o facto de as mulheres serem “objecto de maus-tratos, tráfico e lucro, assim como de exploração na publicidade e na indústria do consumo e da diversão”.
A obra, que será editada dia 7 (quarta-feira próxima), pelas Publicações Claretianas, em Madrid (Espanha), é da autoria de María Teresa Compte Grau, directora do curso de Doutrina Social da Igreja na Universidade Pontifícia de Salamanca. No livro, a autora pretende analisar o magistério do Papa Francisco sobre a mulher, bem como as linhas por ele abertas para conseguir “uma presença mais incisiva” na Igreja (uma notícia mais desenvolvida sobre este texto do Papa pode ser lida aqui). 


Síria: viver uma espécie de pausa, no meio da tragédia


Damasco, Síria. 
(Foto do padre Gonçalo Castro Fonseca, reproduzida daqui)

A guerra na Síria tem merecido uma condenação generalizada das opiniões públicas, insuficiente, no entanto, para pôr um ponto final nos massacres de populações civis, na destruição do país e na tragédia que se abateu sobre uma cultura rica e diversificada.
Quarta-feira, o Papa Francisco voltou a referir-se ao drama que se vive em Ghouta Oriental, depois de domingo passado ter condenado a violência e os massacres (notícia e vídeo aqui)
Também o secretário-geral do Conselho Ecuménico das Igrejas, Olav Tveit, afirmou no início desta semana que “o mundo dever assegurar que o povo da Síria possa agora ver o fim destes actos de guerra e condições inumanas” (notícia mais completa aqui, em castelhano)
O padre jesuíta Gonçalo Castro Fonseca, a trabalhar no Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS), em Damasco, a capital da Síria, conta no seu blogue como são vividos estes dias de bombardeamentos e massacres da população civil:
Atravessar a porta do encontro, neste médio oriente, tem-me transformado a partir das entranhas porque mais e mais sinto que o meu coração é visitado por um Amor que me ultrapassa. Não falo de Cristo, não faço homilias (o meu árabe não chega para tanto), não dou retiros, mas a experiência de Deus Encarnado nos meus amanheceres e entardeceres levam-me a lugares que nunca pensei que pudesse algum dia conhecer.
Neste momento estamos numa espécie de pausa, por um lado por proteção, por outro por impotência, quebrada pontualmente por alguma emergência que está ao nosso alcance responder. Rezamos. Como tantos, também nós aguardamos impotentes um desfecho, sem vislumbrar qual ou quando. Também eu assisto no noticiário o que vai acontecendo, mas mais perto, muito perto; perto porque conheço as ruas, conheço e amo os que sofrem, sei os seus nomes e tenho as suas vidas no meu abraço; perto porque é ali do outro lado da Porta do Oriente.
(o texto completo pode ser lido aqui)


quinta-feira, 1 de março de 2018

Enviado da UE ameaça com represálias comerciais se Paquistão não libertar Asia Bibi



Manifestação das minorias religiosas no Paquistão a favor da libertação de Asia Bibi 
(foto reproduzida daqui)
 
O enviado especial da União Europeia (UE) para a promoção da liberdade religiosa, o eslovaco Ján Figel, afirmou que a UE pode não renovar o acordo comercial com o Paquistão se o Paquistão não libertar Asia Bibi, a cristã condenada à morte por blasfémia, que está na prisão a aguardar um último recurso na justiça.
A informação, desenvolvida nesta notícia da AIS (Ajuda à Igreja que Sofre), tem a ver com o estatuto privilegiado de que goza aquele país, nas trocas comerciais com a UE, que se traduz na isenção de direitos no acesso ao mercado comunitário.
Se isso se concretizar, será uma atitude inédita da parte da UE, cujos governos e instâncias comunitárias se têm limitado, na prática, às declarações inconsequentes de condenação.
Em Setembro de 2011, a jornalista francesa Anne-Isabel Tollet, que trabalhou durante três anos como correspondente da France 24 em Islamabad (Paquistão), dizia, numa entrevista que lhe fiz para o Público: 
“O que é difícil para os países europeus é que eles podem dizer o que pensam, mas não podem impor nada. O Paquistão é um país muito orgulhoso, que tem a bomba nuclear, que deve continuar um parceiro diplomático importante para evitar que a situação se torne um barril de pólvora e que haja o risco de atentados através do mundo.”
Foi enquanto jornalista que Anne-Isabel se interessou pelo caso de Asia Bibi, a mulher cristã que está presa acusada de “blasfémia” mas que, na realidade, foi detida em 2009 por ter retirado água de um poço que lhe estava interdito, enquanto trabalhava no campo. Acusada por mulheres muçulmanas de conspurcar a água que lhes pertencia, reagiu, defendendo-se a si mesma e à fé cristã que professava e que as colegas de trabalho puseram em causa. Na entrevista citada, Anne-Isabel Tollet conta vários pormenores da história de Asia Bibi.
Foi esse facto que lhe valeu a acusação de blasfémia e a pena de morte, entretanto adiada em sucessivos avanços e recuos. Asia Bibi não pode ver ninguém, à excepção do marido (que tem vivido escondido, tal como os filhos do casal) e do advogado. E foi para contar todo esse caso que Anne-Isabel Tollet escreveu Blasfémia, publicado em Portugal pela Aletheia
Tragicamente, as questões de liberdade religiosa (sobretudo quando são cristãos que estão em causa) continuam a não merecer muita atenção da comunidade internacional, acantonada à manifestação de preconceitos ideológicos ou político-económicos. Com poucas excepções, a regra é a do silêncio ou a das declarações inconsequentes: à esquerda, o carimbo do religioso como sinónimo de fundamentalismo ou conservador, à direita por causa dos interesses financeiros, económicos, comerciais e políticos.
Pode ser que, desta vez, Asia Bibi tenha um mínimo de sorte (se se pode considerar sorte ser libertada de uma prisão injusta ao fim de nove anos). Mas o calvário continuará para muitas pessoas que não têm, sequer, quem conheça e divulgue os seus casos.