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segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Seis anos, 26 assassinatos: México, o país mais perigoso para os padres católicos

Texto de Maria Wilton



México: a violência é, hoje, uma marca endémica do país 
(foto Tim Mossholder/Pexels) 

O México “continua a ser o país mais perigoso para exercer o sacerdócio apesar de a sua população ser maioritariamente católica”. O alerta é do padre Omar Sotelo, diretor do Centro Católico Multimedial (CCM), na Cidade do México, capital federal do país. Sotelo lamenta ainda que o tempo da presidência de Enrique Peña Nieto tenha sido, até à data, o mais mortífero para o clero mexicano, já que, nesse período de tempo (2012-2018), morreram até agora 26 padres.
Em entrevista ao jornal mexicano Procesoo padre Sotelo explica: “O aumento no número de assassinatos coincide precisamente com o início da guerra contra o narcotráfico, quecomeçou com Calderón (anterior Presidente) e continuou com Peña Nieto. Esta foi uma guerra para a qual as instituições não estavam preparadas, o que as levou a  serem infiltradas pelo crime organizado.”
Como termo de comparação, no ano de 2017, em toda a América Latina, foram assassinados 14 padres católicos. Destes, metade foram-no no México. O maior problema, segundo Omar Sotelo, é o facto de nenhum dos crimes parecer ter resolução: “Há investigações a decorrer, suspeitos, gente detida que fica livre e dados sem certezas da burocracia judicial.” O padre mexicano denuncia ainda a brutalidade destes crimes dizendo que os sacerdotes são sequestrados,  torturados e só depois mortos.
Dá como exemplo o assassinato do padre José Ascencio Acuña, em setembro de 2014, na comunidade de São Miguel Totolapan. Suspeita-se que tenha sido levado a cabo por membros de crime organizado em conluio com o governo municipal: “Neste caso, havia ordens de detenção contra o deputado do PRI, Saúl Beltran, mas elas não só não foram levadas a cabo como o caso foi praticamente arquivado.”

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Iluminar monumentos: uma “red wednesday” para lembrar os cristãos perseguidos

Texto de Maria Wilton


Quatro monumentos portugueses serão iluminados de vermelho, na quarta-feira, 28 de Novembro, a partir das 20h, como homenagem e recordação dos cristãos perseguidos em todo o mundo. Será uma Red Wednesday, quarta-feira vermelha para recordar pessoas vítimas de violências. 
A Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), organização católica internacional dependente da Santa Sé e responsável pela iniciativa em Portugal, escolheu pela segunda vez o Santuário do Cristo-Rei (Almada) e a Basílica dos Congregados (Braga), que já se tinham iluminado este ano. Desta vez, a lista será acrescentada com o Mosteiro dos Jerónimos (Lisboa) e a Torre dos Clérigos (Porto). Em Fevereiro, os dois primeiros monumentos iluminaram-se como parte de uma jornada de oração e de sensibilização da opinião pública para a questão da perseguição aos cristãos que, na altura, juntou também o Coliseu de Roma, a Catedral maronita de Santo Elias, em Alepo (Síria), e a Igreja de São Paulo, em Mossul (Iraque). 
Segundo Félix Lungu, porta-voz da AIS em Portugal, esta Red Wednesday é “uma forma de mostrar que Portugal também se importa com os direitos humanos”, e pretende “despertar para esta realidade”, já que a religião é um tema que “costuma ficar em segundo plano na agenda mediática”.
Na última sexta-feira, 23, a Basílica da Sagrada Família em Barcelona (Espanha) foi iluminada com o mesmo propósito, juntando-se a um leque de monumentos internacionais, que se iluminarão na ocasião mais propícia em cada país. Esta quarta-feira, além de Portugal, juntam-se a esta iniciativa países como o Reino Unido (Parlamento Britânico),  Austrália, Irlanda e Estados Unidos, todos com o mesmo intuito de combater a indiferença perante a dramática realidade atual.
Segundo o relatório sobre a Liberdade Religiosa no Mundodivulgado na semana passada pela AIS, estima-se que o número de cristãos perseguidos no mundo seja perto de 300 milhões. Isto significa que um em cada cinco cristãos reside em países onde há perseguição ou discriminação com base nas questões da fé. A falta de liberdade religiosa, relembra a AIS, apresenta por vezes contornos dramáticos, com pessoas, famílias e comunidades inteiras a sofrerem violência, terrorismo, ameaças, perseguição, prisão e até a morte. 

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Violações à liberdade religiosa agravaram-se no mundo, diz relatório

Texto de Maria Wilton




Mapa-mundo das violações à liberdade religiosa: os casos mais graves concentram-se 
numa longa franja que se estende do Norte de África ao Extremo Oriente; 
na Ásia, são muito poucos os países onde não há discriminações e perseguições graves 
(fonte: Liberdade Religiosa no Mundo 2018, AIS)


A situação dos grupos religiosos minoritários agravou-se em 18 países e, em comparação com 2016, há mais países com violações significativas da liberdade religiosa, conclui o relatório que acabou de ser divulgado há minutos pela Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), uma organização católica internacional. 
Neste levantamento exaustivo que é feito de dois em dois anos, analisam-se as situações da liberdade religiosa, seja no âmbito das confissões maioritárias e das minorias em cada país. Verificam-se as normas legais e relatam-se, quando existem, episódios de detenção, perseguição, tortura ou mortes por causa da fé. Os dados são recolhidos e tratados para estabelecer as situações de intolerância, discriminação, perseguição ou genocídio, por ordem crescente de gravidade. 
De acordo com o relatório 2016-18 da Liberdade Religiosa no Mundo (LRM), registam-se violações significativas da liberdade religiosa em 38 países – aproximadamente, 20 por cento das nações do mundo. Entre esses 38 com graves violações, predominam as perseguições em 21 e as discriminações nos outros 17. Estas violações da liberdade religiosa podem ter três autores principais: o Estado, grupos nacionalistas religiosos e organizações criminosas ou terroristas. 
Ao todo, o relatório da LRM analisa 197 países. A quase totalidade das situações mais graves registam-se na Ásia e África. O documento dá conta de um aumento de episódios de nacionalismo agressivo, hostil às minorias religiosas. É o caso de grupos religiosos hegemónicos e de líderes violentos como os talibãs no Paquistão e Afeganistão ou o Boko Haram, na Nigéria. Uma das situações mais preocupantes deste tipo de perseguição acontece em Mianmar (antiga Birmânia) que, desde 2012, sofre uma grande campanha de ódio, discriminação e violência contra os muçulmanos, liderada pelo movimento nacionalista budista militante conhecido como Ma Ba Tha, ou Comité Budista para a Protecção da Raça e da Religião. 

Anti-semitismo e discriminações legais

No entanto, não só nos continentes africano e asiático se regista o aumento de ataques motivados por ódio religioso. Como exemplo de anti-semitismo na Europa, o relatório recorda o caso de Sarah Halimi, uma judia de 65 anos que foi espancada e atirada pela janela da sua casa em Paris, em Abril de 2017. O autor do crime era muçulmano e foi escutado por vizinhos, também muçulmanos, a gritar frases religiosas em árabe, incluindo citações do Alcorão, durante o homicídio. Dez meses após o ataque, a morte da senhora Halimi foi classificada como “homicídio, com o anti-semitismo como factor agravante”. 

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

A Quaresma serve para (mudar) alguma coisa?



Depois de uma sexta-feira de jejum pela paz, o Cristo-Rei, de Almada, 
ficará este sábado “pintado” de vermelho, 
para recordar os cristãos perseguidos (foto reproduzida daqui)





Não disparar onde haja crianças, Stop.
Na glória não necessitamos de mais anjos.
(Gloria Fuertes, “Telegrama Celestial para Lugares Conflituosos”, in Dios Sabe Hasta Geometria, ed. PPC. Madrid)

A iniciativa proposta pelo Papa para hoje, de jejuar pela paz (e nomeadamente, pelos povos do Congo e Sudão do Sul, especialmente martirizados nos últimos meses), coincide com a sexta-feira da primeira semana da Quaresma, como o próprio Papa Francisco referiu. Este é um tempo, portanto, em que os cristãos são convidados a um exercício mais intenso de reflexão e oração em ordem à mudança de vida.
Comentando um dos textos da liturgia católica de Domingo passado, o teólogo e assistente pastoral Joaquim Nunes, que vive e trabalha na Alemanha, escrevia no seu blogue precisamente sobre essa perspectiva da mudança de vida: “Seria bom que as nossas práticas de quaresma e as mensagens de quaresma que produzimos não esquecessem esta mensagem da ‘velha’ aliança que é hoje mais nova do que nunca: somos testemunhas do amor de Deus que nos salva de graça e não precisa das nossas penitências e continências para gostar de nós; e esta salvação é mesmo para todos. Nós é que podemos precisar delas para continuar a viver de maneira sustentável neste planeta, em fraternidade e em paz (em “aliança”) com Deus, com os outros e com criação. A quaresma propõe-nos treinos de mudança (metanoia) para uma vida neste sentido…” (texto disponível na íntegra aqui; o blogue tem este endereço).
Na Quaresma, os católicos são convidados a abdicar de algumas coisas que considerem supérfluas e, com o dinheiro que gastariam, ajudar outras pessoas e causas que mais necessitem. Cada diocese destina, depois, o fruto dessa renúncia quaresmal para um fim determinado. Neste ano, várias dioceses apoiarão as vítimas dos incêndios de 2017 e os cristãos perseguidos em diversos países e regiões do mundo, como resume esta notícia da Rádio Renascença.  
Precisamente para recordar os cristãos perseguidos, a imagem do Cristo-Rei, em Almada, e a Basílica dos Congregados, em Braga, serão neste sábado, 24, iluminadas de vermelho, numa ideia dinamizada pela Ajuda à Igreja que Sofre, que segue idênticas iniciativas que já “pintaram” de vermelho o Coliseu de Roma ou diversas igrejas em Mossul (Iraque) e Alepo (Síria). O patriarca da Igreja Católica dos caldeus, Louis Sako, enviou uma mensagem de agradecimento aos portugueses que têm ajudado a reconstruir as casas de muitos cristãos do seu país, destruída por anos de guerras na região.
Mas servem a Quaresma e a renúncia quaresmal para mudar alguma coisa? Sobre a renúncia quaresmal, escrevi há dez anos na Ecclesia um texto, questionando alguns dos destinos dados aqueles fundos, que acabam por ficar para projectos da própria diocese ou de estruturas internas da Igreja. Como há sempre algumas dioceses que dirigem o dinheiro para causas mais “interiores”, penso que essa reflexão se mantém válida. O texto pode ser lido aqui.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Ekhlas, uma das vítimas do “novo fenómeno de violência com motivação religiosa”

Relatório diz que 75 por cento da população mundial vive com severas restrições à liberdade religiosa


Países com violações significativas da liberdade religiosa 
(Fonte: AIS, Relatório sobre Liberdade Religiosa no Mundo 2016; 
o mapa está disponível no sítio digital do relatório)

Ekhlas, uma adolescente da minoria yazidi, do Norte do Iraque, foi raptada pelos militantes do Daesh, da sua casa em Sinjar, viu o pai e o irmão serem mortos à sua frente. Ela e todas as outras raparigas com mais de oito anos foram raptadas, encarceradas e violadas. Uma delas, com nove anos, foi violada tantas vezes que acabou por morrer. Ekhlas acabou por escapar, depois do bombardeamento da área onde estava encarcerada. A sua história, que a própria contou a um grupo de deputados britânicos, traduziu-se na aprovação, em Abril deste ano, de uma moção, por 278 votos a favor e nenhum contra, em que os deputados britânicos da Câmara dos Comuns pedem ao Governo que apele ao Conselho de Segurança das Nações Unidas para que este remeta ao Tribunal Penal Internacional os crimes cometidos pelo Daesh.
O caso de Ekhlas, um entre milhares, é um dos relatados no relatório bianual 2014-16, sobre a Liberdade Religiosa no Mundo, divulgado esta quinta-feira pela Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), fundação de direito pontifício dependente da Santa Sé.
Em termos globais, o relatório faz a conta e conclui que “mais de 75% da população mundial vive em áreas com severas restrições à liberdade religiosa”, de acordo com dados do Pew Research Center). E, dos 196 países analisados, 38 revelam sinais de graves e sistemáticas violações da liberdade religiosa.
A situação na Síria e no Iraque, onde o Daesh tem dominado vastos territórios, bem como a de outros países asiáticos e africanos leva os autores do relatório a concluir que “nunca o fundamentalismo religioso foi tão letal como agora”.
Há um “novo fenómeno de violência com motivação religiosa”, que pode ser denominado de “híper-extremismo islamita”, acrescenta o documento. Este fenómeno tem provocado morte, destruição, deslocações forçadas de pessoas numa escala sem precedentes e instabilidade regional, que colocam em risco “a paz mundial, estabilidade e a harmonia social do Ocidente”.
A AIS considera que os factos coligidos no documento revelam uma realidade inquietante: “Em algumas regiões do Médio Oriente, que incluem o Iraque e a Síria, este híper-extremismo está a eliminar todas as formas de diversidade religiosa e ameaça fazer o mesmo em certas zonas de África e do subcontinente asiático.”
Este “híper-extremismo” é visível “em actos de pura selvajaria, denota intenções genocidas, que já foram, aliás, denunciadas, no que diz respeito” ao Daesh, pela ONU e pelos parlamentos de vários países – em Portugal, a Assembleia da República condenou, em Abril, “formalmente e por unanimidade”, o “terrível genocídio” contra os cristãos e outras minorias étnicas e religiosas em África e no Médio Oriente.

Aumentam os refugiados e o antisemitismo

O aumento extraordinário do número de refugiados no mundo – mais de 65 milhões, o maior de sempre, ultrapassando mesmo o número de refugiados na altura da II Guerra Mundial, é outra das consequências maiores desta violência que se reivindica de uma inspiração religiosa.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Em nome da Síria, em nome das crianças da Síria


Foto reproduzida daqui

A Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) promove, durante o dia de hoje, uma jornada de oração pela paz e de solidariedade com as crianças sírias que, hoje mesmo, sairão também à rua no seu país devastado pela guerra. “Em nome dos filhos” é o título da iniciativa, promovida em conjunto pelos patriarcas ortodoxo e católico do país, bem como pelos responsáveis de todas as confissões cristãs, por ocasião do dia Internacional da Criança.
“São milhares as crianças da Síria que apenas conhecem o dia-a-dia de um país em guerra. Todas elas carregam já histórias de sofrimento, de dor, de medo. Estas crianças são o rosto maior de uma tragédia que parece não ter fim à vista”, escreve a AIS, na apresentação da iniciativa.
Estavam previstas concentrações de crianças sírias nas cidades (ou nas ruínas que delas restam) de Damasco, Alepo, Homs, Tartus ou Marmarita.

Numa carta conjunta, os patriarcas ortodoxo e católico escrevem: “As crianças da nossa pátria, Síria, são os pequenos irmãos e irmãs do menino Jesus necessitado. Há mais de cinco anos que sofrem feridas, traumas ou a morte por causa de uma guerra sangrenta. Muitos perderam os pais e tudo o que queriam e gostavam. (...) A Ele, a Cristo, Rei do Universo, que como criança vulnerável nos braços de sua mãe segura o mundo na sua mão, te rogamos: ‘Olha as lágrimas dos nossos filhos, seca as lágrimas das mães, permite que este pranto de dor cesse de uma vez’”.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Orações pela paz, carta aberta de uma muçulmana, o Vaticano e a guerra, e o “Imagine” de John Lennon

Agenda e crónicas


Imagem reproduzida daqui

Domingo, às 13h, uma oração inter-religiosa pela paz de corre na Mesquita Central de Lisboa, com a presença de vários responsáveis de diferentes comunidades religiosas. A notícia foi dada pelo presidente da Comunidade Islâmica de Lisboa, Abdool Vakil, no debate de Actualidade Religiosa da Rádio Renascença, que pode ser ouvido aqui.
Também no Domingo, mas a partir das 16h, no santuário do Cristo-Rei, a Ajuda à Igreja que Sofre promove uma oração pela paz no mundo, tendo em conta realidades e acontecimentos recentes em países como a República Centro-Africana, o Iraque, a Nigéria, a Síria, o Sudão do Sul e a França. O programa pode ser lido aqui.

Sobre a questão do extremismo muçulmano que os atentados de Paris trouxeram de novo  ao debate público, Faranaz Keshavjee escreveu na Visão uma Carta aberta de uma muçulmana aos portugueses, na qual escreve:

Num mundo em que o diferente deixou de ser abstrato e distante, e no qual o desafio de viver juntos é cada vez mais complicado, e onde a maior informação pode significar menos contacto e até maior confusão, é imperioso que trabalhemos no sentido de uma nova ética cosmopolita, que não entende apenas as diferenças, mas faz por conhecê-las, e aprender com elas, para que olhemos para a diversidade como uma oportunidade e não como um peso.


No CM desta sexta-feira, Fernando Calado Rodrigues escreve, sobre O Vaticano e a guerra:

Em resumo: esmagar os terroristas, só por si, não garante que estes Estados Islâmicos não ressurgem noutros pontos, como aliás tem acontecido... É preciso investir, a sério, na melhoria da vida das pessoas, tanto nos países orientais, como nas cidades ocidentais onde estes fenómenos se têm instalado. E é necessário combater sempre o ódio e tentar construir a paz, suceda o que suceder.


No Igreja Viva, suplemento do Diário do Minho, Paulo Terroso escreve também a propósito dos acontecimentos de Paris. Sob o título O nosso canto de paz não é o “Imagine” de John Lennon, diz:

Também aqui é-nos oferecido um mundo de paz, “num só Corpo”, mas o caminho é todo um Outro. É que Jesus constrói a paz destruindo em si a inimizade e não o inimigo. Precisamos sim de declarações de guerra e de guerras santas, mas só se forem para destruir a inimizade, não os outros. E isto, como sustenta Cantalamessa, “não faz sentido só no âmbito da fé; vale também no âmbito político, para a sociedade”.


segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Liberdade religiosa no mundo em “grave declínio”

Relatório apresentado esta terça-feira em Lisboa com presença de arcebispo libanês; perseguição de minorias e estados uniconfessionais provocam aumento dramático de refugiados; patriarca greco-melquita traça retrato trágico da situação na Síria



Refugiados no Médio Oriente 
(foto reproduzida daqui)

A liberdade religiosa está numa fase de “grave declínio”, de acordo com a edição de 2014 do relatório Liberdade Religiosa no Mundo, que avalia 196 países. Preparado pela Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), organização internacional dependente da Santa Sé, o documento será apresentado no auditório da Assembleia da República, a partir das 17h desta terça-feira, dia 4 de Novembro, com a presença do arcebispo libanês de Bekaa, Issam John Darwish.
Outra conclusão importante do relatório é que, entre os casos de violações mais graves da liberdade religiosa, predominam países de maioria muçulmana e onde os governos usam a religião para impor regimes autocráticos e ditatoriais.
De acordo com informações da Fundação AIS em Portugal, o estudo conclui ainda que “a perseguição das minorias religiosas” e o aumento dos estados uniconfessionais está a provocar uma vaga muito elevada de populações em fuga, o que tem contribuído para a “crise mundial de refugiados”.
 Michael Gulbenkian participa também na apresentação do relatório. O arcebispo Darwish, anuncia a AIS, irá falar sobre a liberdade religiosa no Líbano. O país está confrontado com uma forte ameaça de colapso económico e político por ter acolhido, nos últimos anos, milhares de refugiados provenientes da Síria e do Iraque.

“Pelas armas não se muda nada”

A presença de Issam Darwish em Portugal integra a campanha da AIS no sentido de sensibilizar a população portuguesa para a violência que estão a sofrer os cristãos do Médio Oriente. Nos últimos dias, no âmbito desta acção, esteve em Portugal o patriarca Gregorios III, da Igreja Católica Greco-Melquita, com sede em Damasco (Síria), que concelebrou mesmo a eucaristia do dia de Fiéis Defuntos, na sé patriarcal de Lisboa.
No mesmo dia, em entrevista a Sofia Lorena, no Público, o patriarca Gregorios dizia: “O que temos de ver é que pelas armas não se muda nada. São fáceis de conseguir, mas não levam a solução nenhuma”. E acrescenta: “É irresponsável que os grandes países pensem que vão resolver esta situação com armas, é uma tontice.” Para este responsável, “se a América e a Rússia já tivessem alcançado algum acordo que preservasse os seus interesses estaria tudo bem”. E acrescenta: “A paz não chega porque falta esse consenso. A América e a Rússia não querem saber de democracia na Síria.” (o texto pode ser lido aqui na íntegra)