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terça-feira, 30 de outubro de 2018

O atraso que salvou pela segunda vez o judeu Judah Samet

Texto de Maria Wilton


O memorial com os nomes das vítimas do massacre 
(foto reproduzida daqui)

Por ter estado a falar com a empregada doméstica, Judah Samet, 80 anos, um judeu húngaro sobrevivente do Holocausto, chegou atrasado à sinagoga, escapando à morte certa: sábado passado, 27 de Outubro, a pequena cidade de Squirell Hill, em Pittsburgh, na Pensilvânia (EUA) foi abalada com o ataque ocorrido na sinagoga Tree of Life, do qual resultou a morte de onze pessoas. 
Judah Samet sobreviveu à sua detenção no campo de Bergen-Belsen, mudou-se primeiro para o Canadá para estar com familiares e, depois, para os Estados Unidos, atrás da mulher que se tornaria sua esposa. Acerca do que se viveu sábado, em Pittsburgh, na sinagoga que costuma frequentar, comenta que parece a história a repetir-se: “É quase como ‘cá vamos nós outra vez’. Já estamos com 70 anos de distância do Holocausto e agora acontece tudo outra vez.”
A conversa com a empregada acabou por ser o que o atrasou – e salvou. Como o próprio contou ao Washington Post, quando Samet chegou ao parque de estacionamento da sinagoga, já estavam lá alguns polícias, que lhe disseram para não entrar no recinto. 



Judah Samet: escapar pela segunda vez ao anti-semitismo 
(foto reproduzida daqui)

O atirador, Robert Bowers, 46, rendeu-se às autoridades depois do tiroteio e enfrenta agora 29 acusações no ataque, já considerado o mais mortífero a atingir a comunidade judaico-americana. O suspeito está acusado de dois crimes de ódio, pelos quais poderá ser condenado à pena de morte, obstrução de exercício de práticas religiosas, resultante em morte, e obstrução de práticas religiosas resultante em ferimentos a membros da força policial. 

segunda-feira, 26 de março de 2018

O silêncio acusador de Emma Gonzalez diante das armas que matam os seus amigos


Um olhar fixo, um coração e um peito que batem forte. Foi assim sábado passado, com Emma Gonzalez, a adolescente que se tornou o rosto da revolta dos estudantes do seu país contra o lóbi das armas e as sucessivas matanças nos Estados Unidos.
Durante os sete minutos em que Emma se dirigiu às centenas de milhares de pessoas que a escutavam na “Marcha pelas Nossas Vidas”, em Washington, Emma começou por evocar os nomes de todos os seus 17 colegas e amigos que foram mortos na escola de Parkland, no sul do estado da Florida, a 14 de Fevereiro (e incluindo três professores e funcionários): Carmen Schentrup (16 anos), Aaron Feis (37), Alex Schachter (14), Scott Beigel (35), Helen Ramsay (17), Gina Montalto (14), Joaquin Oliver (17), Alaina Petty (14), Cara Loughran (14), Chris Hixon (49), Luke Hoyer (15), Nicholas Dworet (17), Martin Duque Anguiano (14), Peter Wang (15), Alyssa Alhadeff (14), Jaime Guttenberg (14), Meadow Pollack (18) nunca mais poderão estar com os seus amigos.
Depois, uns longos 4’25” – quatro minutos e vinte se cinco segundos – foram feitos de silêncio. Um silêncio perturbador, que olha de frente políticos criminosos. Um silêncio apenas quebrado pela comoção de alguns, incapazes de conter lágrimas, aplausos ou o grito de “nunca mais”. Seis minutos e vinte segundos – 6’20” – depois de chegar ao palco – o mesmo tempo que durou o tiroteio na escola  Stoneman Douglas –, Emma recordou que o atirador ainda circulou durante uma hora, antes de ser detido. “Todos os que lá estavam compreendem; todos os que foram tocados pelo aperto frio das armas compreendem...”
E conclui o som do seu silêncio, afirmando: Lutem pelas vossa vidas, antes que o trabalho seja feito por outra pessoa.”
(Neste caso, a frase correcta é: o vídeo DEVE SER VISTO nesta ligação; nesta outra, pode ler-se, em inglês, uma reportagem sobre a Marcha; e, claro, Emma traz-nos à memória uma canção que nos fala também de tantas coisas que pode o silêncio fazer:




quinta-feira, 10 de outubro de 2013

A violência da crise e a proliferação das armas

Agenda



O aumento dos crimes contra as pessoas é um dos factos que serve como pano de fundo à Conferência de Outono do Observatório sobre a Produção, Comércio e Proliferação das Armas Ligeiras, dedicada ao tema “A violência da crise e a proliferação das armas”. A iniciativa decorre este sábado, 12 de Outubro, entre as 9h30 e as 18h00, no Fórum Picoas, em Lisboa. A entrada é livre.
Entre Abril e Junho deste ano, o Observatório concluiu, através da análise de notícias dos media, que os crimes contra pessoas representaram 22 por cento do total de crimes praticados no país. No trimestre anterior, eles tinham sido apenas por 16 por cento.
No contexto que Portugal atravessa, o Observatório nota que as consequências da crise se fazem sentir com violência na vida de muitos cidadãos. “Diversas têm sido as reacções da sociedade e as manifestações de cidadãos inconformados com as medidas que vão sendo impostas e o crescendo de dificuldades que tendem a apagar do seu horizonte a esperança”, diz o Observatório, na apresentação da iniciativa. “Se é certo que os protestos têm sido em geral comedidos e as manifestações decorrido de forma ordeira, há que admitir que essa ordem poderá ser ultrapassada com o prolongamento da crise e das duras condições que pesam sobre as pessoas, até ao ponto de se assistir a violência na rua e a comportamentos de grande agressividade.”
 Estas são razões para que o assunto se debata, diz ainda a convocatória da iniciativa, com o objectivo de debelar essa violência. “É necessário perceber o que poderá desencadear respostas violentas que levem ao recurso às armas que proliferam na sociedade portuguesa, de que modo esta se foi armando, de forma legal e ilegal, e como esta potencialidade de violência se poderá reduzir a dimensões minimamente controláveis.”
No debate, cujo programa completo pode ser consultado aquiparticipam, entre outros, Isabel Guerra, Manuel Carvalho da Silva, os jornalistas Jorge Wemans e Helena Garrido, responsáveis da PJ e da PSP, bem como José Manuel Pureza, do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, que procurará apontar formas concretas para prosseguir a acção.

O debate de sábado pode ser acompanhado em directo via internet, através do endereço http://directo.telecom.pt. O Observatório das Armas espera publicar também, dentro de semanas, um conjunto de reflexões e propostas de acção.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Quem com armas mata, com armas morre


Mais um massacre nos Estados Unidos. Desta vez, na cidade de Newtown, no Connecticut. Mais 20 crianças mortas, para lá de outros adultos, incluindo o rapaz que atitou a matar – ao que parece, usando armas que a mãe, professora, tinha em casa (o autor do crime terá também morto o pai e a mãe e ter-se-à suicidado a seguir ou sido morto pela polícia –as circunstâncias estão ainda pouco esclarecidas).
Nas rádios, televisões e jornais repetem-se, como em vezes anteriores, vozes que se espantam a perguntar como é possível tal coisa. A memória é curta e a incapacidade de ver fundo é muita. Em 1999, um massacre na escola de Columbine, no centro interior dos Estados Unidos, também já tinha espantado muita gente. Três anos depois, Michael Moorre fez mesmo um filme a partir desse acontecimento: Bowling for Columbine desmonta a paranóia de uma sociedade que se diverte com armas de fogo, que defende as armas de fogo, que se mata com armas de fogo. Mas Michael Moore é um homem de esquerda e os factos que apresenta no filme são vistos por muitos como ideologia e não como realidades que devem ser profundamente debatidas e alteradas.
Agora, mais uma vez, é de novo tarde demais para chorar as vítimas duplamente inocentes desta tragédia. E da próxima vez, será de novo tarde demais, se os Estados unidos nada fizerem para inverter este flagelo social. Uma sociedade que persiste em matar com armas, com armas morre. 
Há vozes, entretanto, que começam a colocar os dedos nas feridas certas. Os bispos católicos dos EUA criticam a “cultura de violência”. A RTP entrevistou um intendente da Florida (erradamente identificado no site como governador do Connecticut) que diz que é preciso mudar a lei, acabar com a facilidade de acesso a armas ligeiras e com o poder do "lobby" das armas que vigoram nos Estados Unidos.
O Presidente Obama, numa declaração a propósito deste último massacre, recordou vários outros massacres do género e disse que é necessário tomar medidas para evitar que casos como este se repitam. Pode ser que tenha entendido que é necessário de vez mudar a lei e começar a criar uma mentalidade menos violenta no seu país.
Mas este é um problema que atravessa fronteiras, como não se tem cansado de repetir o Observatório Permanente Sobre a Produção,
Comércio e a Proliferação de Armas Ligeiras. Basta recordar que há pouco mais de um mês este organismo da Comissão Justiça e Paz alertara, por exemplo, para o aumento significativo das licenças de armas ligeiras em Portugal, em 2011.

(Foto: REUTERS/Newtown Bee/Shannon Hicks/, reproduzida daqui)

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Armas ligeiras de fácil acesso para jovens

Muitos jovens que integram bandos violentos ou de assaltantes envolvem-se com esses grupos a partir de idades precoces – 12, 13 anos. Uma das razões é o fácil acesso a armas ligeiras. Esta é uma das tendências verificadas num estudo que está a ser feito pelo Núcleo de Estudos para a Paz, do Centro de Estudos Sociais (NEP/CES) da Universidade de Coimbra. Ainda sem conclusões – estará pronto dentro de um ano, está precisamente a meio –, o estudo procura medir factores como a oferta e a procura de armas ligeiras, e os custos que lhes estão associados.
O Observatório sobre a Produção, Comércio e Proliferação das Armas Ligeiras da Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP), da Igreja Católica, promoveu ontem, em Lisboa, uma audição pública de balanço dos dois anos de aplicação da lei das armas – que está em revisão no Parlamento. José Manuel Pureza, do NEP/CES, afirmou que há um grande desconhecimento sobre as armas que existem em Portugal, o que “alimenta o alarmismo, o racismo e a xenofobia”.
Mais informações sobre o debate
aqui.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Proliferação de armas ligeiras em Portugal - audição pública

O Observatório sobre a Produção, Comércio e Proliferação das Armas Ligeiras, da Comissão Nacional Justiça e Paz, organiza amanhã uma Audição Pública sobre o tema "Armas e violência: um retrato português", coincidindo com o terceiro aniversário da publicação da Nova Lei das Armas.
Esta iniciativa decorrerá a partir das 17 horas, no Centro Nacional de Cultura, Rua António Maria Cardoso, 68, ou Largo do Picadeiro, 10, ao Chiado, em Lisboa. Intervirão o Prof. Doutor José Manuel Pureza, do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (apresentação de enquadramento), o secretário de Estado da Administração Interna, Dr. Rui de Sá Gomes, a Dr.ª Rosário Farmhouse, Alta Comissária para a Integração e Diálogo Intercultural, D. Januário Torgal Ferreira, Bispo das Forças Armadas e de Segurança e Vogal da Comissão Episcopal da Pastoral Social, e Cândida Pinto, Jornalista da SIC e da Revista Visão.
Esta Audição surge na sequência dos sinais surgidos no Verão passado, que, para a Comissão Nacional Justiça e Paz, proporcionaram "aviso claro de muita insegurança e violência latente em algumas zonas críticas da periferia de grandes cidades".
Mais informações AQUI.