Texto de Maria Wilton
O memorial com os nomes das vítimas do massacre
(foto reproduzida daqui)
Por ter estado a falar com a empregada doméstica, Judah Samet, 80 anos, um judeu húngaro sobrevivente do Holocausto, chegou atrasado à sinagoga, escapando à morte certa: sábado passado, 27 de Outubro, a pequena cidade de Squirell Hill, em Pittsburgh, na Pensilvânia (EUA) foi abalada com o ataque ocorrido na sinagoga Tree of Life, do qual resultou a morte de onze pessoas.
Judah Samet sobreviveu à sua detenção no campo de Bergen-Belsen, mudou-se primeiro para o Canadá para estar com familiares e, depois, para os Estados Unidos, atrás da mulher que se tornaria sua esposa. Acerca do que se viveu sábado, em Pittsburgh, na sinagoga que costuma frequentar, comenta que parece a história a repetir-se: “É quase como ‘cá vamos nós outra vez’. Já estamos com 70 anos de distância do Holocausto e agora acontece tudo outra vez.”
A conversa com a empregada acabou por ser o que o atrasou – e salvou. Como o próprio contou ao Washington Post, quando Samet chegou ao parque de estacionamento da sinagoga, já estavam lá alguns polícias, que lhe disseram para não entrar no recinto.
Judah Samet: escapar pela segunda vez ao anti-semitismo
(foto reproduzida daqui)
O atirador, Robert Bowers, 46, rendeu-se às autoridades depois do tiroteio e enfrenta agora 29 acusações no ataque, já considerado o mais mortífero a atingir a comunidade judaico-americana. O suspeito está acusado de dois crimes de ódio, pelos quais poderá ser condenado à pena de morte, obstrução de exercício de práticas religiosas, resultante em morte, e obstrução de práticas religiosas resultante em ferimentos a membros da força policial.





