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sexta-feira, 5 de outubro de 2018

“Com o Papa Francisco – Dizer o seu pensamento a várias vozes”

Agenda
Texto de Maria Wilton


Papa Francisco (foto reproduzida daqui)

Na próxima segunda-feira, dia 8, a partir das 18h30, a Capela Nossa Senhora da Bonança (conhecida como Capela do Rato) em Lisboa, será palco de uma sessãde leituras de textos do Papa Francisco, escolhidos por um conjunto de pessoas, entre os quais crentes e não-crentes, algumas das quais personalidades públicas da cultura das artes, da política ou da universidade. 
A sessão “Com o Papa Francisco – Dizer o seu pensamento a várias vozes”, organizada pela escritora e jornalista Leonor Xavier, começará e terminará com duas peças musicais do compositor João Madureira. No início, o actor Luís Miguel Cintra lerá o Cântico da Criaturas, de S. Francisco de Assis. 
Leonor Xavier, que sugeriu a ideia e convidou os intervenientes, diz que o objetivo é fazer “uma colagem de textos” da grande diversidade de assuntos sobre os quais o Papa Francisco já falou e escreveu. O Papa é a “a grande figura do séc. XXI” e, à luz dos últimos acontecimentos, “fazia sentido” esta espécie de homenagem.
Juntar personalidades crentes e não crentes a várias pessoas que participam na comunidade era importante; isso “impede que se forme um circuito fechado de pessoas” e traz as questões que o Papa propõe para o debate da sociedade.
A ideia foi recebida com interesse e entusiasmo não só pelo novo capelão, padre António Martins, como por todos os convidados. A escritora Alice Vieira não é excepção: “É uma iniciativa extremamente importante porque o Papa merece o apoio de todos – e é muito reconfortante ver o apoio que ele tem em não católicos.” 
Também há quem se junte por ver na iniciativa algo diferente e inovador. O cantor Vitorino Salomé afirma que o seu interesse pessoal reside “na tradição de contestação ao status quomantido pela Capela do Rato.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Andar junto ao chão

Exposição/crónica de José Tolentino Mendonça


(Fotos de Rui Martins; reproduzidas daqui)


Numa crítica publicada na revista E, do Expresso, José Luís Porfírio descreve o que se vê: “A noite parece crescer a partir de um chão granuloso que se lamenta debaixo dos nossos pés convertidos em visão desta peça singular, o escuro cresce para melhor exaltar a luz deitada num esquife flutuando sobre o chão de ferro que geme e nos desequilibra. Ao longe, não sabemos onde nem quando, a água corre, temperando, cristalina, os lamentos do chão. Vemos com os ouvidos e vemos em estereofonia sentindo o piso irregular e a água correndo algures, porém, o mais importante é a luz que transfigura a matéria...”
Na Capela de Nossa Senhora da Bonança, conhecida como Capela do Rato, em Lisboa, pode ainda ver-se, entre quinta-feira e domingo (dias 6 a 9 de Setembro) a instalação “Junto ao chão”. Serão os últimos dias para poder ver esta mostra original, em que as cadeiras foram retiradas do espaço litúrgico e substituídas pela instalação do artista plástico Carlos Nogueira e textos do poeta Manuel de Freitas.
Essa matéria, escreve ainda José Luís Porfírio, é “escória de ferro escondida pela sombra, um leito de sal flutuando sobre a noite, é o foco de luz que o ergue do chão, e é o gravador trazendo a água e o vento”.
«capela/ escória de ferro, ferro, sal, luz,/ o som do vento e da água que corre,/ bonança» são os elementos presentes e evocados na instalação, que extraiu os bancos do espaço e o imergiu na penumbra, cobrindo o claro chão liso de porosa gravilha cinza.
«Junto ao chão é também o lugar de um corpo que só pode olhar para o alto, e tentar descobrir, como diz São João da Cruz citado por Carlos Nogueira, o caminho para chegar das coisas que vêem às coisas não se vêem», escreve Luísa Soares de Oliveira na folha da exposição. (Aqui podem encontrar-se elementos sobre o artista.)
Matéria, no texto citado, são ainda “os nossos corpos intrigados e hesitantes, barulhentos de vozes orientando-se nessa penumbra, ou o meu corpo isolado sem mais ninguém”, numa relação com o espaço que nos pode levar a “uma capela imaginária que pode morar dentro de nós.”

Na sua crónica semanal na revista EJosé Tolentino Mendonça escreveu também sobre esta exposição. Transcreve-se o texto a seguir:

Foi o escritor Gonçalo M. Tavares que um dia, na Capela do Rato, me disse: “vocês poderiam retirar todas estas cadeiras e encher de areia o pavimento, para lembrar aos crentes que a fé é experiência de nomadismo e estrada, mais do que confortável sedentarismo”. Ele talvez nem se recorde já, mas, desde aí, isso ficou-me na cabeça e tenho contado muitas vezes esta história, embora, confesso, mais como repto a uma desinstalação interior do que propriamente como desafio a uma reconfiguração do espaço sagrado em tais moldes.

terça-feira, 20 de março de 2018

Celebrar a Mulher: Poesia e Prosa a Várias Vozes


Agenda

Celebrar a Mulher: Poesia e Prosa a Várias Vozes é o título da iniciativa que o movimento Nós Somos Igreja, em colaboração com a Capela do Rato, propõe para esta quarta-feira, 21 de Março, às 18h, em Lisboa.
A sessão realiza-se na semana em que a Igreja Católica celebra a Anunciação a Nossa Senhora e a proposta consta de leituras de textos, em verso e prosa, por diferentes vozes: homens e mulheres, crentes e não crentes, convidam deste modo a descobrir a unidade na diversidade, dizem os promotores da iniciativa, que decorre na Capela do Rato, em Lisboa (Calçada Bento da Rocha Cabral, 1-B, junto ao Largo do Rato).  
Entre as vozes que participarão e levarão textos, contam-se as de Alice Vieira, António Carlos Cortês, Camané, Carlos Alberto Moniz, Filipa Vicente, Gilda Oswaldo Cruz, Inês Pedrosa, Jorge Wemans, José Manuel Pureza, Luísa Ribeiro Ferreira, Margarida Pinto Correia, Maria Antónia Palla, Nelida Piñon, Simoneta Luz Afonso e Vitorino.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Quando a Filosofia e a Literatura se cruzam


Agenda


Vittorio Carpaccio, Santo Agostinho no estúdio, escrevendo as Confissões 
(Scuola di San Giorgio degli Schiavoni, Veneza)
 
Quando a Filosofia e a Literatura se cruzam é o título do curso que se inicia na próxima segunda-feira, 15 de Janeiro, na Capela Nossa Senhora da Bonança (conhecida como Capela do Rato), em Lisboa.
As sessões, com ritmo semanal, decorrem às segundas-feiras, sempre entre as 18h15 e as 20h, e abordarão autores de séculos passados como Platão, Santo Agostinho, Goethe, Voltaire ou Nietzsche, ou mais recentes como Albert Camus, Clarice Lispector, Milan Kundera, Umberto Eco ou Gonçalo M. Tavares.
Coordenado cientificamente por Maria Luísa Ribeiro Ferreira, o curso conta com as intervenções, entre outros, de Fernanda Henriques, Viriato Soromenho-Marques ou José Tolentino Mendonça.
Outras informações e o calendário dos temas e oradores podem ler-se aqui.
As inscrições encontram-se encerradas mas, à semelhança do que aconteceu com os cursos anteriores, sobre Filosofar é também agir (2017), e Os filósofos também falam de Deus (2016), o áudio das sessões ficará disponível em linha (no caso, as gravações podem ser encontradas nos anos respectivos, na rubrica O curso dos dias, da página da Capela do Rato).

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Alberto Neto [1931-1987] – Um profeta com palavras de poeta

Sábado passado, no Souto da Casa (Fundão), decorreu um encontro de homenagem ao padre Alberto Neto, pedagogo e educador de gerações, renovador do catolicismo, que foi durante vários anos assistente da Juventude Estudantil Católica, capelão da Capela do Rato, em Lisboa e, depois, pároco de Rio de Mouro. Alberto Neto morreu em 1987, vítima de um crime até hoje nunca esclarecido. 
Um texto com algumas impressões e uma síntese sobre o encontro de sábado pode ser lido aqui (de onde se reproduz também a imagem ao lado). Uma outra notícia pode ser lida aqui
Durante a homenagem, Jorge Wemans deu um testemunho sobre as suas memórias acerca de Alberto Neto, que a seguir se reproduz na íntegra:


Alberto Neto [1931-1987] – O homem que desenhava portas e janelas nos muros insuperáveis  

Muito obrigado por este convite que me deixa meio sem jeito… estão na sala pessoas que terão conhecido melhor o P. Alberto Neto e outras que com ele conviveram mais longamente do que eu e, portanto, seria muito mais interessante ouvi-las a elas... Algumas, se as conheço devo-o ao P. Alberto.
Quero agradecer na pessoa do Dr. António Lourenço Marques a todos os que contribuíram para esta homenagem e aos que para ela hoje convergiram. Saúdo de modo especial D. Estela, no rosto de quem revemos a fisionomia do irmão.
Tive a sorte de ser acompanhado pelo Alberto – desculpem a informalidade do tratamento, mas era assim que nos referíamos a ele quando não estava presente – em momentos muito importantes da minha vida e da nossa vida coletiva, desde os anos finais de década de sessenta até meados dos anos oitenta. Tê-lo como amigo nesses anos cruciais foi uma espantosa benção que nunca poderei agradecer suficientemente.
O primeiro contato com ele tive-o por ocasião das operações de socorro organizadas a partir da equipa de sacerdotes da Martens Ferrão como respostas às cheias de novembro de 1967. Depois foi um crescendo de aproximação: foi assistente da minha equipa de base da JEC, era capelão da Capela do Rato quando da vigília de dezembro de 1972, na sequência da qual fui preso, era ele que conduzia o carro em que um grupo de nós foi exigir e saudar a libertação dos presos políticos em Caxias (26/04/1974). Presidiu à celebração do meu casamento, batizou o nosso primeiro filho, já depois de casado vivi durante dois anos na Casal Ribeiro numa comunidade que ele também integrava… enfim… as nossas vidas não se cruzaram apenas, foram, por períodos longos e decisivos, mesmo muito próximas. O que constituiu para mim uma enorme bênção!

Escolhi trazer para esta manhã de celebração da memória do Alberto três virtudes suas. Mas antes do mais quero dizer-vos como é comovente estarmos aqui tantos anos depois da sua morte sem qualquer outro objetivo para além de recordar um homem que não fundou obra, escola, partido, seita ou qualquer instituição. Limitou-se a viver. Levou o viver a sério. Foi nosso amigo. E é essa amizade que nos traz aqui hoje.

domingo, 8 de novembro de 2015

Sínodo sobre a Família: que caminhos?

Agenda

“Sínodo sobre a Família: que caminhos?” é a proposta de debate para esta segunda-feira, dia 9, às 21h30, no ciclo de Conversas à Capela, que tem lugar na Capela do Rato (Calçada Bento da Rocha Cabral, 1-B), em Lisboa.

No debate, participam Karin Wall, socióloga da família que trabalha no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, o padre José Tolentino Mendonça e eu próprio.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

A esperança em debate, num documentário sobre viver com o HIV

Agenda  debate


(foto SIC, reproduzida daqui)

Uma história de esperança, para um debate sobre a esperança. Um documentário comovente e de grande qualidade cinematográfica é o pretexto para um debate esta quarta-feira, na Capela do Rato, em Lisboa (Cç. Bento da Rocha Cabral, 1-B, ao Rato): o documentário, dos jornalistas Cândida Pinto e João Nuno Assunção, e com imagem de Jorge Pelicano, intitula-se “Alexandra – Viver com HIV” e fala da luta contra o preconceito, dos sonhos que permanecem apesar disso e da amizade e do amor.
Eu sou a Alexandra, não sou o HIV", diz a protagonista, a dada altura. “Hoje faço uma vida igual à das jovens da minha idade. Tenho um pequeno acréscimo que é o VIH, mas tomo a indispensável medicação diária e vou às consultas regulares. De resto não sou diferente. Faço uma vida exactamente igual a todas as outras raparigas de 19 anos. E agora estou num momento decisivo da minha vida: quero realizar o meu sonho, quero muito ir para a faculdade, estudar psicologia, porque é uma coisa que me fascina e que eu não consigo explicar. Faço-me entender?”
O debate, a partir das 21h30, conta com a participação de Cândida Pinto, da documentarista Joana Pontes, do colunista Daniel Oliveira e de Henrique Joaquim, responsável da Comunidade Vida e Paz.
Pode ver-se o documentário aqui, como aperitivo para o debate, mas nada como vê-lo em ecrã maior e, sobre ele, conversar a seguir.