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sábado, 25 de agosto de 2018

Verdade, confiança, dar a palavra aos crentes: uma nova Reforma da Igreja




Protestos no Chile contra o encobrimento dos crimes de abusos sexuais do clero católico 
(foto reproduzida daqui)

Hoje, no Público, dia em que o Papa Francisco chega à Irlanda para encerrar o Encontro Mundial de Famílias, escrevo um texto longo sobre as possibilidades de saída da crise dos abusos sexuais do clero:

Conhecer a verdade, restaurar a confiança, dar a palavra aos crentes e promover uma nova reforma da Igreja. Estas são algumas das urgências para enfrentar o que está a acontecer no catolicismo. Uma crise só comparável, na dimensão, extensão, gravidade e profundidade, à que levou à Reforma do século XVI. Nesta crise, revelam-se, tal como há 500 anos, problemas graves como abuso de poder, clericalismo, formas de nepotismo, centralidade da instituição em detrimento do evangelho, má gestão de bens... O Papa Francisco, que este sábado chega à Irlanda, tem alertado para várias destas questões e já repetiu que considera muito grave o que se passa.
(o texto pode continuar a ser lido aqui)

No mesmo jornal, há outros textos sobre o mesmo tema:
Natália Faria escreve sobre os casos conhecidos em Portugal, para concluir que, afinal, os padres já condenados em tribunal continuarem a exercer o ministério. Ou seja, os mínimos continuam por fazer. O texto pode ser lido aqui

Maria João Guimarães descreve a Irlanda que Francisco visita, estabelecendo as profundas diferenças da actual sociedade irlandesa e do seu catolicismo com aqueles que o Papa João Paulo II encontrou, em 1979. Para ler aqui

Também João Miguel Tavares dedica a sua crónica ao assunto, para defender uma investigação mundial sobre o tema e um estudo aprofundado sobre o celibato. Para ler aqui

  

sábado, 18 de agosto de 2018

Os abusos sexuais na Pensilvânia e a urgente Reforma da Igreja


Esta foto de Ivan Alavarado/Reuters/CNS (reproduzida daquié mais um sinal dos sentimentos 
de raiva, nojo, náusea, horror e traição que atingem fiéis católicos por todo o mundo: 
dia 25 de Julho, numa missa na catedral de Santiago do Chile, 
uma mulher segura um cartaz onde diz: “Não mais bispos encobridores”. 

No Expresso Diário de quinta-feira, dia 16, publiquei um texto sobre os abusos sexuais por membros do clero em seis dioceses da Pensilvânia (Estados Unidos): 

(...) um relatório de 1356 páginas regista 300 casos supostos de “padres depredadores” sexuais em seis dioceses, que vitimaram pelo menos mil crianças e adolescentes, entre 1947 e o início deste século. 
O padre jesuíta Thomas Reese, do Catholic News Service, uma das vozes que tem defendido a abertura de arquivos e a tolerância zero para com estes casos, afirmou que o documento deve ser um “alerta” para outras dioceses: os responsáveis devem contratar investigadores externos para averiguar tudo o que se passou até hoje e publicar os resultados. 
Naquele que é talvez o comentário mais certeiro ao caso, Reese acrescentou, citado pelo jornal digital Crux: “Muitos bispos pensam: ‘Isto aconteceu antes de eu chegar aqui, lamento que tenha acontecido, mas já mudámos os procedimentos e já não está a acontecer.’” O problema, acrescenta, é que não se averiguou toda a sujidade, ao mesmo tempo. Se isso tivesse sido feito “não estaríamos a ser mortos com mil golpes”. O relatório da Pensilvânia é apenas mais um, depois de outros. “É a mesma história em todos os lugares.”
(o texto pode continuar a ser lido aqui)

Como seria de esperar, o caso está a levantar uma avassaladora onda de reacções. A mais forte, até ao momento, será o apelo lançado por centena e meia de teólogos, educadores e leigos responsáveis de instituições católicas, que fizeram um apelo a que todos os bispos dos EUA apresentassem a sua resignação ao Papa Francisco, tal como fizeram, em Maio, os 34 bispos do Chile.
O apelo foi lançado sexta-feira mas, nesta tarde de sábado, o número de signatários já ia em mais de 700. “Hoje, pedimos aos bispos católicos dos Estados Unidos que orem e genuinamente considerem submeter ao Papa Francisco a sua renúncia colectiva como um acto público de arrependimento e lamento diante de Deus e do povo de Deus”, lê-se num texto publicado ontem mesmo, sexta-feira, em inglês e espanhol no blogue Daily Theology e noticiado pelo National Catholic Reporter (NCR).
Este seria “o primeiro de muitos passos para chegar à justiça, à transparência e à conversão” e só depois poderá começar o doloroso trabalho de cura, acrescenta o texto. 
Num editorial do mesmo NCR, com o título O corpo de Cristo deve reclamar a nossa Igrejaa prestigiada publicação católica alinha pelo mesmo tom muito crítico, defendendo uma urgente Reforma da Igreja. O texto começa por escrever que “raiva e nojo não parecem palavras suficientemente fortes” para definir o que se está a passar e soma três palavras: “Náusea? Horror? Traição?”
O editorial acrescenta, depois: “As revelações dos últimos dois meses tornam inegavelmente claro que é a hora de os leigos reclamarmos que esta Igreja nos pertence. Nós somos o corpo de Cristo, nós somos a Igreja. É tempo de exigirmos que os bispos assumam as suas verdadeiras vocações como servos do povo de Deus. E eles devem viver desse modo.

Dizer duas coisas aos bispos

No texto, admite-se que os leigos, neste momento, podem “fazer muito pouco” para provocar as mudanças necessárias nas “grandes questões” que afligem a Igreja – “carreirismo, abuso de poder, falta de transparência, nenhuma prestação de contas”. Os leigos têm pouco poder, diz o editorial, mas a raiva deve ser transformada em “determinação” e na exigência de mudanças claras. 

domingo, 5 de agosto de 2018

O terramoto chileno provoca o abalo que o Papa quer para toda a Igreja

Na edição de hoje do Público, escrevo um texto sobre o caso dos abusos sexuais no Chile e o modo como o Papa o pretende aproveitar para que ele seja um exemplo para toda a Igreja – não só na questão da pedofilia, mas também no modo como é exercido o poder e como se devem afrontar questões como o elitismo, o narcisismo e o clericalismo:


O Papa Francisco com os bispos do Chile, em Maio deste ano, 
no Vaticano (foto reproduzida daqui)

O Papa foi posto em causa, mandou investigar o que se passava na questão dos abusos, começou a tomar decisões, escreveu uma carta duríssima aos bispos chilenos. Mas o que Francisco tem dito e feito ultrapassa, neste caso, o que se passa no Chile e está para lá do tema dos abusos. Uma viagem, em sete pontos, aos abalos que já se deram e às ondas de choque que o Papa está a provocar no catolicismo.

Terramoto, cataclismo, abalo, devastação — as palavras que se possam escolher não chegam para dizer o que se está a passar com a Igreja Católica, no Chile, nem aquilo que o Papa Francisco tem vindo a fazer em relação ao problema. Perante um drama de dimensão incalculável, a resposta do Papa tem sido invulgarmente dura e enérgica e reflecte a sua visão de muitos dos problemas que atravessam o catolicismo — e não apenas sobre o que se está a passar no Chile, e não só sobre a questão dos abusos sexuais.
(o texto pode continuar a ser lido aqui)

(Sobre alguns casos de abusos em Itália, pode ser lido, também no Público de hoje, este trabalhoe o editorial do jornal também é dedicado ao tema.)

sábado, 19 de maio de 2018

Uma bomba, uma “vergonha” – Papa Francisco, um homem de palavra


Eugen Schönebeck, Kreuzigung (Crucificação), 1964, 
Städel Museum, Frankfurt am Main, Alemanha (pormenor)

Bomba, decisão totalmente inédita, resolução sem precedentes na história da Igreja, viragem absoluta, revolução. Abundam os qualificativos para caracterizar o que se passou esta tarde de sexta-feira, com o anúncio de que todos os 34 bispos do Chile colocaram o seu lugar à disposição do Papaque já tinha dito sentir “vergonha” pelas “práticas reprováveis” que este caso foi revelando. 
O epílogo da reunião de todos os bispos do Chile com o Papa, em Roma, como que confirma o título do documentário sobre Francisco, que o realizador Wim Wenders apresentou nestes dias no Festival de Cinema de Cannes: Francisco, um Homem de Palavra
Depois de se ter sentido posto em causa, mesmo durante a sua viagem ao Chile, em Janeiro passado, Francisco quis averiguar o que se passava no país. O primeiro passo foi enviar os padres Charles Scicluna e Jordi Bertomeu falar com todos os envolvidos – vítimas, clérigos, bispos –, de modo a que lhe fosse apresentado um relatório – um documento de 2300 páginas; o seguinte foi encontrar-se com várias vítimas, às quais pediu perdão pelos seus erros de avaliação e prometeu decisões; o último foi convocar todos os bispos chilenos para uma reunião em Roma, que decorreu esta semana, na qual pretendia fazer um caminho de discernimento, de modo a avaliar profundamente o que aconteceu, daí retirando todas as consequências. 
Esta sexta-feira, dois bispos chilenos divulgaram um comunicado colectivo da Conferência Episcopal do Chile (CEC), na sequência da reunião com o Papa. Nele dão conta da sua decisão unânime de colocar o futuro de cada um nas mãos do Papa, afirmando querer pedir perdão “pela dor causada às vítimas, ao Papa, ao povo de Deus e ao país” pelos seus “graves erros e omissões” e anunciam ter colocado os seus cargos nas mãos do Papa, “para que ele livremente decida com respeito a cada um”. 
Caberá, agora, a Francisco decidir em relação a cada bispo se continua ou não a desempenhar as respectivas funções. É de prever que o Papa aceite rapidamente os pedidos de demissão de quatro bispos que já nesta quarta-feira tinham apresentado a sua resignação: Juan Barros, de Osorno, que está no centro de todo este caso, acusado de encobrir o padre Fernando Kadima, já antes condenado por abuso de menores; Horacio Valenzuela, de Talca; Tomislov Koljatic, de Linares; e Andrés Arteaga, auxiliar de Santiago, que não esteve em Roma por sofrer de Parkinson. 
Em entrevista ao La Vie, reagindo já à decisão dos bispos, o padre e psicoterapeuta francês Stéphane Joulain diz que compete ao Papa avaliar, caso por caso, mas que é possível que ele não aceite todos os pedidos de demissão. “Não me parece que todos os bispos chilenos sejam culpados de negligência. Esta demissão colectiva pode também querer dizer que eles não querem que um ou outro seja visado, em particular. Do ponto de vista da justiça, o Papa tem o dever de designar os responsáveis. É muito provável que ele analise caso por caso”, diz. 
O anúncio dos bispos (que pode ser lido aqui na íntegra, em castelhano) começa por manifestar ao Papa o agradecimento “pela sua escuta de pai e sua correcção fraterna”. Mas, sobretudo, os bispos dizem que pedem perdão “pela dor causada às vítimas, ao Papa, ao Povo de Deus e ao país pelos [seus] graves erros e omissões”.  Dois parágrafos depois, reiteram o agradecimento às vítimas, pela sua “perseverança e valentia, apesar das enormes dificuldades pessoais, espirituais, sociais e familiares que tiveram de enfrentar, tantas vezes no meio da incompreensão e dos ataques da própria comunidade eclesial”. E acrescentam: “Imploramos o seu perdão e a sua ajuda avançando no caminho da cura e da cicatrização das feridas”.

“Psicologia elitista” e “espiritualidades narcisistas”



Procissão dos penitentes em Lavacolhos (Fundão), Março de 2018

A onda de choque provocada por este anúncio não se ficou por aqui. O canal Tele 13, do Chile, divulgou na íntegra o conteúdo da carta que, no início da reunião, terça-feira passada, o Papa entregara a cada um dos bispos. Uma espécie de guião para a reflexão e as conversas destes três dias. Usando o método dos Exercícios Espirituais de Santo Inácio, o Papa confrontou os bispos com a realidade do que se passou, pediu um discernimento evangélico e uma acção consequente. 

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Um sucesso, uma Igreja piramidal e o crime da pedofilia


A viagem do Papa ao Chile (depois seguida de uma visita ao Peru) continua a motivar leituras diversas. Inês Batalha Mendes, portuguesa que reside e trabalha em Santiago do Chile como analista de risco, escreveu sobre o tema numa crónica da Visão. E considera que, numa determinada perspectiva, a visita poderia ser considerada um sucesso:

Dias antes do início da visita papal, o presidente da Câmara dos Deputados, Fidel Espinoza, propôs adiar a discussão do projeto de lei sobre identidade de género por considerar que o mesmo era “de alta sensibilidade” para a Igreja. Tal como há várias leituras da realidade, também é certo que existem várias igrejas dentro da igreja. Suponho que o senhor Espinoza pretendia com isto não ofender aquela parte da Igreja e da sociedade mais preocupadas com as batalhas contra o aborto, os contracetivos, a identidade de género, o casamento homossexual do que com as questões de justiça social que têm sido uma preocupação constante deste papado. A agenda do Papa Francisco no Chile foi coerente com essa visão. No decurso da visita abordou temas de exclusão social (visitou uma prisão de mulheres), da importância de estender pontes (visitou a Araucanía e abordou o conflito mapuche), falou de acolher o outro e da dignidade humana (visitou o norte do país onde a crise migratória é mais visível). Temas cuja discussão é necessária e atual no Chile. Só por isso a visita deveria ser considerada um sucesso!
(o texto pode ser lido aqui na íntegra)

No DN de sexta-feira, Anselmo Borges regressa também ao assunto, para escrever:

Desta viagem, há muitas conclusões a tirar. Duas principais: contra uma Igreja piramidal e vertical, exige-se uma Igreja cada vez mais horizontal; depois, tolerância zero para a pedofilia, mas é urgente perceber que a pedofilia não é só um pecado, é também um crime e impõe-se agir em consequência.
(texto disponível aqui na íntegra; acerca da viagem, já aqui tinham sido publicados outros comentários e análises)


segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Pedofilia e críticas ao Papa


Um dos altares para a celebração da eucaristia, durante a viagem do Papa ao Chile 
(foto reproduzida daqui)

As afirmações do Papa no Chile, a propósito dos abusos sexuais e de um caso concreto registado no país, continuam a motivar debate. No JN desta segunda-feira, Fernando Calado Rodrigues escreve sobre o tema, para afirmar:

“Reconhecer que o Papa não esteve bem e dizê-lo claramente não deverá ser entendido como um ataque, mas antes como um contributo para que ele possa corrigir o seu erro. A crítica destrutiva não deveria acontecer no seio da Igreja. Mas também não é positivo para as comunidades cristãs que os fiéis assumam um posicionamento acrítico em relação ao Mundo, à Igreja e até aos seus líderes. Os cristãos devem, isso sim, desenvolver uma atitude crítica, mas construtiva, a qual deverá ser sempre de uma correção fraterna: irmãos que se corrigem uns aos outros, para que todos possam ser melhores.”
(O texto pode ser lido aqui na íntegra)

O tema, que tinha merecido mesmo um pedido de desculpas do Papa às vítimas, por causa das suas declarações, motivou também, entre outros, um texto do brasileiro Mauro Lopes, no blogue Caminho Pra Casa, que acrescenta vários elementos informativos sobre o caso que está na origem da polémica, e ainda uma reflexão do teólogo chileno Iván Navarro, na página de Reflexión y Liberación (aqui, em castelhano).
 (sobre o tema, já aqui  tinha sido publicada a tradução do editorial do National Catholic Reporter.)

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Papa Francisco no Chile e Peru: uma viagem difícil mas emocionante





O Papa Francisco à chegada ao Chile (foto reproduzida daqui)

O Papa Francisco já está no Chile desde ontem para uma viagem que o levará também, entre quinta-feira e Domingo, ao Peru. Uma viagem que o secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin, considerou que seria difícil, ao mesmo tempo, emocionante
No ReligionDigital, José Manuel Vidal comentou os temas espinhosos para estes dias de regresso de Bergoglio à América Latina: no Chile, houve protestos violentos contra os custos da visita (cerca de seis milhões de dólares), mas o Papa terá de enfrentar questões como os abusos sexuais cometidos por membros do clero, a situação dos índios mapuches, a perda de credibilidade da Igreja, além do crescimento económico que está a gerar  graves desigualdades e a questão política do acesso da Bolívia ao mar; no Peru, será de novo a questão dos abusos, dos indígenas e, ainda, de uma Igreja cuja liderança está partida em dois, com um sector claramente do lado das reformas desejadas pelo Papa e o outro a querer prosseguir uma linha de conluio com os poderes político e económico; ao mesmo tempo, o país vive dias de agitação política, depois do perdão presidencial ao antigo Presidente Fujimori. (O texto de Vidal, que sugere alguns gestos que o Papa pode protagonizar durante estes dias, pode ser lido, na íntegra, aqui em castelhano.)
No seu primeiro discurso, o Papa referiu-se precisamente à questão dos abusos (dos quais pediu perdão) e à sabedoria dos povos indígenas. Depois, Francisco foi rezar junto do túmulo de Enrique Alvear, que ficou conhecido como “bispo dos pobres” e morreu em 29 de Abril de 1982, com 66 anos - um dos gestos que Vidal escreve, no seu texto, que ele poderia protagonizar.
Precisamente no Peru, onde o Papa chega na quinta-feira, o Vaticano nomeou, na semana passada, um bispo colombiano para liderar uma importante organização católica, que tem alguns dos seus responsáveis acusados de abusos.
Esta viagem surge num contexto em que aumenta claramente a oposição interna ao Papa, no interior da Igreja Católica. Um dos últimos episódios foram as acusações dirigidas ao cardeal Oscar Maradiaga, coordenador do C-9, o grupo de cardeais conselheiros do Papa e um dos homens mais próximos de Francisco. Em causa estariam casos de utilização de fundos indevidos e uma investigação a um bispo auxiliar de Maradiaga – que, no entanto, terá sido ordenada pelo próprio cardeal.
O próprio Papa telefonou ao cardeal, depois de surgidas as notícias, afirmando a sua solidariedade e manifestando a sua dor com o que estaria a ser feito, como Maradiaga contou numa entrevista.
Este é o mesmo Papa que, no entanto, inspira muitas coisas, em muitas pessoas – cristãs ou não-cristãs, crentes ou não-crentes – como escrevia, há duas semanas, Alexandra Lucas Coelho: “Não é pouco que muitos milhões de cristãos no mundo tenham em Francisco a sua referência de carne-e-osso. Não é pouco o que ele inspira em não-cristãos, talvez especialmente não-crentes. Talvez Francisco ainda venha a ser a pessoa que fará da Igreja Católica uma instituição menos injusta, mais à altura do papa que hoje tem. E como nessa nova imaginação sonhada por ele fariam diferença contra-poderes assim à frente de outras crenças. Diferença política, para todos nós.” (O texto integral pode ser lido aqui)

(Uma síntese do que tem sido a oposição declarada ao Papa foi publicada no Guardian e traduzida pelo Público, aqui; um dos capítulos do livro Papa Francisco - A Revolução Imparável, que publiquei com Joaquim Franco, desenvolve também este tema.)