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segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Depois da estreia em Madrid, Taizé regressa a Wrocław daqui a um ano

António Marujo, em Madrid


O irmão Alois, domingo à noite, em Madrid, anunciando o próximo encontro europeu de jovens
 em Wrocław: a cidade polaca acolherá a iniciativa pela terceira vez 
(foto reproduzida daqui

Depois da experiência inédita de Madrid, em 2019 será a vez de uma cidade repetente: Wrocław (Breslau ou Breslávia), na Polónia, acolherá no final de 2019 o 42º encontro europeu de jovens da “peregrinação de confiança na Terra”, promovido pela comunidade monástica ecuménica de Taizé (França). 
O anúncio foi recebido entusiasticamente por cerca de 3500 polacos que participam no encontro de Madrid. “No momento em que a construção da Europa encontra grandes resistências e em que as incompreensões se multiplicam entre os países, um encontro na Polónia dará a milhares de jovens a possibilidade de fazer a experiência de que a confiança mútua pode ser construída”, disse o irmão Alois, prior de Taizé, justificando a iniciativa de regressar a Wrocław. 
A cidade polaca, situada na Baixa Silésia, no sudoeste do país (a cerca de 100 quilómetros da fronteira com a Alemanha e um pouco menos da República Checa) receberá o encontro pela terceira vez, depois de ali se terem realizado os encontros de 1989 e 1995. Wrocław foi a primeira cidade do Leste europeu a receber a iniciativa, depois da queda do Muro de Berlim e dos regimes comunistas dos países do Leste). Na Polónia, já se realizaram também encontros em Varsóvia, em 1999, e Poznan, em 2009. 
 O anúncio do próximo encontro, que decorrerá entre 28 de Dezembro de 2019 e 1 de Janeiro de 2020, foi feito num dos pavilhões da feira internacional de Madrid, perante cerca de 20 mil pessoas – muitos madrilenos juntaram-se aos 15 mil jovens inscritos de toda a Europa. O arcebispo de Gniezno e primaz da Polónia, Wojciech Polak, e o bispo auxiliar de Wrocław, Andrzej Siemieniewski, estavam também presentes no momento final da oração da noite, durante a qual foi feito o anúncio. 

sábado, 29 de dezembro de 2018

A “invasão” catalã da catedral de Madrid

Texto de António Marujo, em Madrid


O cardeal Carlos Osoro (primeiro de branco, à esquerda), junto dos irmãos de Taizé, 
neste sábado, na catedral de Almudena

Na igreja de Almudena, a catedral católica de Madrid, canta-se em catalão: “L’ajuda em vindrà del Senyor, del Senyor el nostre Deu...” É uma invasão pacífica, em tempos de tensões nacionalistas que têm atravessado a Espanha, nos últimos anos. Mas o canto, ao concluir a oração do meio-dia deste sábado, 29 de Dezembro, eleva-se como traço de reconciliação e hospitalidade entre diferentes culturas, nações, povos e estados. 
Na catedral estão alguns milhares de jovens, russos e ucranianos, ingleses e irlandeses, polacos e alemães, gente que veio de toda a Europa para o 41º encontro europeu de jovens da peregrinação de confiança sobre a Terra, promovida pela comunidade monástica de Taizé, que reúne monges católicos e protestantes. E também o cardeal Carlos Osoro, actual arcebispo de Madrid, que canta igualmente em catalão. 
Hospitalidade. Essa é uma palavra-chave para este encontro, o primeiro na capital espanhola, a única das grandes capitais europeias que ainda não tinha acolhido esta iniciativa. “A hospitalidade aproxima-nos, além das diferenças e mesmo das divisões que existem, entre cristãos, entre religiões, entre crentes e não crentes, entre povos, entre opções de vida ou opiniões políticas”, afirmou o irmão Alois, o prior de Taizé, na meditação durante a oração de sexta-feira à noite, no início do encontro. “É certo que a hospitalidade não cola essas divisões, mas faz-nos observá-las sob uma outra luz: torna-nos aptos a escutar e ao diálogo”, acrescentou. 
Num dos pavilhões da Ifema (Feira Internacional de Madrid), perante mais de vinte mil jovens de toda a Europa e da capital espanhola, o irmão Alois acrescenta: “A hospitalidade é um valor fundamental para todo o ser humano. Todos nós viemos à vida como pequenos bebés frágeis que precisaram de ser acolhidos para viver, e esta experiência fundamental marca-nos até ao último suspiro.”
É também a hospitalidade que se pratica na igreja de san Antón, no centro de Madrid. Aberta 24 horas por dia, a igreja é animada pelos Mensajeros de la Paz, uma organização criada pelo padre Ángel García Rodríguez. A ela recorrem pessoas sem-abrigo, sem trabalho e sem dinheiro para viver. De manhã cedo, os bancos da igreja transformam-se em mesas de pequeno-almoço. Durante o resto do dia, há quem vá buscar roupa, quem consulte um médico, quem peça o apoio de um advogado, quem passe apenas para beber um café ou uma bebida quente, quem ponha o sono em dia ou se aqueça debaixo de um cobertor. “Acompanhamos estas pessoas porque é preciso fazer uma igreja mais aberta”, diz Pedro Blasco, um dos responsáveis pelos mais de 200 voluntários que ali prestam serviço diariamente, 24 horas por dia, 365 dias por ano.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

“Uma efectiva conversão ecológica” para Cuidar da Casa Comum

“Promover nas comunidades cristãs e nos respectivos espaços (paróquias, escolas, obras e movimentos) uma efectiva conversão ecológica e sugerir caminhos de actuação concreta com vista a uma ecologia integral” é um dos objectivos a que se propõe a rede Cuidar da Casa Comum, que será apresentada publicamente esta sexta-feira, dia 23, no salão paroquial do Campo Grande (Lisboa), a partir das 21h30.
A rede, que tem já uma página na internet, pretende reunir instituições, organizações, obras, movimentos católicos e de outras igrejas cristãs, bem como pessoas a título individual, propondo-se “aprofundar e difundir”, no âmbito daquelas organizações, a encíclica Laudato si’ – Sobre o cuidado da casa comum, publicada em Maio de 2015 pelo Papa Francisco.
“Acompanhar, no espaço eclesial, as questões ecológicas de âmbito nacional e mundial, evidenciando as suas causas e consequências e equacionando-as à luz da encíclica, de modo a promover a tomada de consciência colectiva acerca da sua relevância e urgência”, é outro dos objectivos da rede.
Criada numa perspectiva ecuménica, a rede Cuidar da Casa Comum pretende promover sessões de esclarecimento e sensibilização, fomentar “focos de cuidado da casa comum” (grupos locais empenhados na promoção de uma ecologia integral), incentivar “a reflexão sobre estilos de vida pessoal e colectiva, partilhar testemunhos de gestos e comportamentos de ecologia integral, fazer pontes com iniciativas relevantes que ocorram no espaço eclesial e na sociedade civil”.
O aprofundamento e difusão da “teologia da Criação” e a celebração em comum do Dia da Criação são outras das propostas da rede.
A rede inclui uma comissão de apoio teológico e científico, que reúne professores de Teologia, ambientalistas e cientistas.
Sobre a rede, Manuela Silva, economista, responsável da Fundação Betânia e principal dinamizadora da iniciativa, descreve nesta entrevista as suas intenções mais importantes.
Em França, um projecto denominado Igreja Verde, surgido durante o ano passado, propõe-se também promover a ideia da conversão ecológica e dinamizar práticas de sustentabilidade e comportamentos ambientalmente responsáveis nas estruturas, organizações e movimentos das igrejas Católica, Protestantes e Ortodoxas.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Pierre Bühler: “Foi o Papa e não Lutero quem provocou a ruptura”



Pierre Bühler (Foto © Tiago Miranda, reproduzida daqui)

Nascido em 1950, o suíço Pierre Bühler é professor emérito de teologia da Universidade de Zurique e um dos mais importantes especialistas europeus em Lutero. Esteve em Lisboa em Novembro, no congresso internacional que assinalou os 500 anos do início da Reforma protestante. No dia em que os cristãos assinalam o final da semana pela unidade (cujo início, dia 18, foi aqui evocado), fica a leitura de Pierre Bühler sobre o contributo de Lutero.

“Para Lutero, a liberdade é, antes de mais, ser libertado, para ser livre”, diz Pierre Bühler.  O iniciador da Reforma só queria uma Igreja renovada, mas a excomunhão decretada pelo Papa levou-o a imaginar uma nova Igreja. “Nesse sentido, foi a autoridade católica que provocou a ruptura, não os reformadores.”

Houve jovens católicos a boicotar cerimónias evocativas da Reforma. O que falta ao diálogo ecuménico para ultrapassar tal intolerância?
– Esses grupos devem ser uma reacção integrista à separação das confissões. Por vezes, do lado católico, ouve-se que a separação deveria ser confessada como um erro... É a primeira vez que temos um centenário da Reforma celebrado em conjunto. Mas, em ambos os lados, há movimentos integristas que vivem ainda na oposição entre católicos e protestantes. Mas também há jovens católicos muito interessados no diálogo ecuménico com os protestantes.
A busca de Lutero e dos outros reformadores visava sobretudo a unidade: os reformadores nunca quiseram uma nova Igreja, eles queriam reformar a Igreja tal como ela era. Foi só porque houve uma excomunhão que Lutero teve de imaginar uma nova Igreja. Ele queria viver na Igreja como ela era, mas renovada. Nesse sentido, foi a autoridade católica que provocou a ruptura, não os reformadores.
(A entrevista pode ser lida aqui na íntegra)

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Fátima, 100 anos, de Maio a Outubro (4) – Maria: factor de unidade ou perturbação no catolicismo e no diálogo ecuménico?

Depois de Maio, podemos voltar a parte do muito que se publicou sobre Fátima e que ajudará a sistematizar informação e elementos para vários debates sobre o fenómeno, que importa agora aprofundar.

Hoje, dia em que a liturgia católica assinala a Assunção de Nossa Senhora e a Igreja Ortodoxa festeja a Dormição de Maria, trago aqui dois textos sobre a figura da mãe de Jesus: um, publicado no Público de 7 de Maio (e que, por isso, tem uma referência final datada); o outro, um texto publicado no número de Maio/Junho da revista Bíblica. Em ambos, procuro apresentar alguns elementos sobre o modo como Maria é olhada e venerada e de que modo isso influencia ou não a fé de tantos crentes (incluindo o Papa Francisco, cuja relação com Nossa Senhora é também tratada no primeiro texto.

Este é o quarto trabalho desta série, que incluirá mais dois textos, nos dias 13 de Setembro e 13 de Outubro. Os textos já publicados podem ser lidos nestas ligações:



PAPA FRANCISCO: DEVOTO DE MARIA, MAS NÃO MARIANO

Maria é importante no cristianismo? E a que ponto? Há uma forte presença da mãe de Jesus na teologia, na vida dos crentes – e dos Papas. Mas o entendimento do seu lugar no dogma cristão tem sido objecto de debates e muitas polémicas. Aqui se recordam alguns desses episódios e se tenta perscrutar o entendimento do Papa Francisco sobre a figura da mãe de Jesus.



O Papa Francisco no Santuário de Fátima, a 12 de Maio último 
(foto reproduzida daqui)

Na primeira metade do século VIII, São João Damasceno, um dos mais importantes teólogos cristãos do primeiro milénio cristão, escrevia que “Maria é a primeira das novas criaturas”.
Com essa afirmação, queria destacar o papel da mãe de Jesus na configuração da fé cristã. Mãe de Cristo e irmã dos crentes, primeira seguidora e discípula do seu filho, protectora e advogada de quem a ela recorre, Maria de Nazaré pode ser também arquétipo da figura da mãe, da presença do feminino na antropologia e figuração da deusa-mãe. A sua personalidade é, desde o início do cristianismo, venerada em diferentes graus, a ponto de ter sido proclamada pelo Concílio de Éfeso, em 431, como Theotokos – literalmente, “portadora de Deus”, ou seja, mãe de Deus.
O catolicismo e o cristianismo ortodoxo (predominante no leste europeu e no Médio Oriente) herdaram esse entendimento e essa veneração. Ao contrário do protestantismo, que se afastou daquilo que considerava os desvios e exageros da tradição católica.
Característica da identidade católica, a veneração a Maria é, no entanto, objecto de debates, divergências, opiniões diferentes – mesmo no interior do catolicismo. Esses diversos graus de adesão e as distintas expressões de linguagem utilizadas manifestam também, quase sempre, modos de ver e de se relacionar com a mãe de Jesus muito díspares.
O Papa Francisco não foge à regra: devoto da figura de Nossa Senhora, ele afirma, desse modo, a sua absoluta identidade católica. Mas, vindo da América Latina, ele dá a essa devoção uma configuração que não coincide completamente com algumas tradições. E que, se acentua a dimensão popular da irmã e companheira que apoia e auxilia os crentes, também afirma em permanência a centralidade de Jesus e do seu evangelho como fundamentos da fé cristã. Maria é, nesta perspectiva, tomada como a primeira seguidora de Jesus e a referência dos crentes.

A desatadora dos nós e a ternura para ajudar

No modo como Francisco se relaciona com a figura de Maria contam, desde logo, os gestos iniciais: na primeira manhã depois de eleito, o novo Papa dirigiu-se à basílica de Santa Maria Maior, em Roma. Ali, Inácio de Loiola, fundador dos jesuítas, a ordem a que pertence Jorge Mario Bergoglio, celebrara a primeira missa de Natal, em 1538. Mas Bergoglio, agora Francisco, não foi lá por causa do fundador da sua ordem, antes para rezar e colocar um ramo de flores. Era a sua forma de saudar a imagem conhecida como Salus Populi Romani, a protectora do povo de Roma.


Nossa Senhora Desatadora dos Nós, 
a imagem preferida do Papa Francisco

A invocação que Bergoglio/Francisco prefere, no entanto, é outra: Nossa Senhora Desatadora dos Nós, uma representação pictórica que ele viu na Igreja de St. Peter am Perlach, em Augsburgo (Alemanha), quando lá viveu, a partir de 1986, para fazer a tese em teologia. Numa pagela que o então padre e, depois, bispo Bergoglio passou a distribuir às pessoas, a imagem de Nossa Senhora Desatadora dos Nós era apresentada como alguém capaz de desfazer “todos os nós do coração, todos os nós da consciência”, todos os nós “da vida pessoal, familiar e profissional, da vida comunitária” que “as mãos bondosas de Maria vão desatando um a um.”

domingo, 3 de julho de 2016

Papa quer Europa menos museu e mais doadora de tesouros

(Este blogue estará com um ritmo intermitente até Setembro)


O último acto do Juntos Pela Europa, em Munique, neste sábado à tarde
(foto reproduzida daqui)

Comunidade de Santo Egídio pede suspensão de artigo de Schengen para acolher refugiados em extrema  vulnerabilidade

O Papa Francisco quer que a Europa reflicta se o seu património é “parte de um museu” ou se “ainda é capaz de inspirar a cultura e de doar os seus tesouros à humanidade inteira”.
A pergunta foi feita pelo Papa numa mensagem gravada e transmitida, em vídeo, na Karlsplatz, no centro de Munique. Na capital da Baviera (Alemanha), terminou ontem, sábado, o congresso Juntos Pela Europa, iniciativa que reúne cerca de 300 movimentos e comunidades de diferentes igrejas cristãs – católicas, ortodoxas, protestantes, anglicanas e igrejas livres.
Dirigindo-se a umas quatro mil pessoas concentradas na praça – além dos participantes, também outros que apareceram para a sessão final, incluindo mais de um milhar de jovens –, o Papa afirmou que a Europa vive grandes problemas, que os cristãos de diferentes igrejas devem saber enfrentar com o “acolhimento e a solidariedade em relação aos mais débeis e desfavorecidos, construindo pontes e ultrapassando conflitos”.
Aludindo aos refugiados que buscam protecção no continente, Francisco insistiu na ideia de uma Europa que coloque no centro a pessoa humana, através do acolhimento e da cooperação económica, cultural e social. 
O documento final insiste numa ideia repetida por diferentes intervenientes e de muitos modos durante os três dias de trabalho: a Europa, com uma profunda crise a manifestar-se em vários aspectos – incapacidade de acolher os refugiados que buscam protecção, o “brexit” da semana passada, a crise financeira que não se ultrapassa –, não deve tornar-se “uma fortaleza e erigir novas fronteiras”. Pelo contrário, afirmam, “não há alternativa ao viver juntos”.
As “experiências terríveis de duas guerras mundiais” serve para mostrar onde pode acabar a lógica dos egoísmos nacionais ou culturais, avisam os participantes.

Um apelo às Igrejas: já chega de separação 

Também para os responsáveis das igrejas cristãs vai um apelo, um ano antes de se assinalarem, em 2017, os cinco séculos anos do início da Reforma protestante de Martinho Lutero, e reconhecendo o contra-testemunho que é dado pela divisão das igrejas: “Pedimos aos responsáveis das igrejas que ultrapassem as divisões. Enquanto cristãos, queremos viver juntos, na reconciliação e em plena comunhão.”

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Cristãos da Europa vão ao circo para defender integração dos muçulmanos

(Este blogue estará com um ritmo intermitente até Setembro)


O Circo Krone, em Munique, onde decorre o congresso Juntos Pela Europa, 
quinta-feira de manhã, antes da intervenção do cardeal Kasper

As luzes do Circo Krone, em Munique (Alemanha) acendem-se e piscam, a arena está montada, a orquestra dá o tom, mas as acrobacias que se aplaudem são outras: depois da “tragédia” da II Guerra Mundial e de os antigos inimigos se terem transformado em amigos, é preciso continuar a mostrar que os 70 anos de paz na Europa não foram “sonho, mas realidade” e que “a economia é a base da vida mas não é o sentido da vida”.
Foi o cardeal católico alemão Walter Kasper que, na abertura do congresso Juntos Pela Europa, que congrega dois mil participantes de uns 40 países, alertou: “A Europa precisa de mais do que de economia.” Kasper tem sido uma das vozes que, na Igreja Católica, mais tem apoiado o Papa Francisco no seu desejo de reforma – por exemplo, na questão da integração dos divorciados na Igreja Católica.
Uma Europa que integrou celtas, normandos e outros povos deve ser capaz, hoje, de integrar os muçulmanos, sublinhou Kasper, na sua curta intervenção na abertura do congresso. “Os problemas do mundo vêm ter connosco; e não são estatísticas, são pessoas com rosto”, acrescentou.
“Enquanto cristãos, católicos ou evangélicos, temos de mostrar que somos capazes de mostrar que o amor é mais forte do que o ódio, para que seja possível vivermos em conjunto na Europa, sem medo”, disse ainda o cardeal.
No início do congresso, que se prolonga até amanhã, sábado, foram várias as vozes a insistir na urgência de uma nova alma na construção europeia. “Depois do ‘brexit”, da semana passada, não podia haver um melhor momento para dar um testemunho de unidade”, disse Gerhard Proß, um dos responsáveis da iniciativa.
“Depois do ‘brexit’, o que devemos fazer a partir do Evangelho?” – perguntava o bispo luterano alemão, Heinrich Bedford-Strohm, que já presidiu ao Conselho Nacional das Igrejas Evangélicas (protestantes) da Alemanha.
“A Europa tem necessidade de uma nova força espiritual, porque não é só a economia que dá força” ao continente, acrescentou. “Devemos ser capazes de continuar a colocar no centro a dignidade da pessoa humana e é por isso que devemos continuar a falar de refugiados”, acrescentou.
A presidente do Movimento dos Focolares, Maria Voce, acrescentava, na conferencia de imprensa de apresentação da iniciativa, ontem de manhã: “A tendência para o aumento dos nacionalismos e do racismo são fruto de uma Europa que esqueceu os seus valores”. Por isso, acrescentou, é importante os cristãos darem testemunho desses valores.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Lisboa é a casa do ecumenismo durante quatro dias

O papel das igrejas cristãs numa Europa laica, que enfrenta crises como a dos refugiados, é um dos temas da reunião dos Conselhos Nacionais das Igrejas da Europa

Começou esta terça-feira, em Lisboa, o encontro dos Conselhos Nacionais das Igrejas da Europa, um organismo da Conferência das Igrejas da Europa (CEC).
É a primeira vez que Portugal acolhe este encontro ecuménico, que decorre na catedral de São Paulo, da Igreja Lusitana, ramo português da Comunhão Anglicana.
Para além dos Conselhos Nacionais, alguns dos quais contam com a colaboração da Igreja Católica, a CEC representa um total de 114 confissões religiosas de toda a Europa, sobretudo ortodoxas e protestantes.
Neste encontro, Portugal faz-se representar por D. José Jorge de Pina Cabral, bispo da Igreja Lusitana e dirigente do Conselho Português de Igrejas Cristãs (COPIC). O papel das igrejas numa Europa laica, mas que enfrenta crises como a dos refugiados, está no topo da agenda até ao fim do encontro, na sexta-feira.
(o texto pode continuar a ser lido aqui)

Texto anterior no blogue
Em nome da Síria, em nome das crianças da Síria - campanha das crianças sírias pela paz, no Dia Mundial da Criança




segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Unidade dos cristãos: ideias novas, experiências concretas e um casal ecuménico

A propósito da Semana pela Unidade dos Cristãos, que hoje termina, o padre Pablo Lima, de Viana do Castelo, propõe algumas ideias concretas. Num artigo com o título Um novo modelo de unidade, escreve:

Com certeza, ainda há muito por fazer, mesmo no campo prático e acessível a todos. Neste ano jubilar da misericórdia, a um ano de distância dos quinto centenário da Reforma, um uso pastoral inteligente do tema das “indulgências” não pode esquecer que foi essa questão prática a provocar o cisma de Ocidente… Uma nova sensibilidade teológica deveria evitar que, num jornal católico, se chame “calvinista” a um teólogo da Reforma, porque o termo é paralelo ao título “papista” aplicado aos católicos, ou ainda, anunciar uma celebração ecuménica com o título de “encontro inter-religioso”. E seria também oportuno que, sendo a comunhão sob as duas espécies aquela que é referida nos textos evangélicos e a forma privilegiada pela reforma litúrgica, se pudesse tornar normal que, em cada eucaristia, ao menos alguns fiéis junto com o presbítero, pudessem comungar sob as duas espécies, até conseguirmos o mesmo para a totalidade da assembleia celebrante.
(artigo completo para ler aqui)


Num outro texto, o padre Paulo Terroso, de Braga, escreve sobre Bose: onde a utopia da unidade dos cristãos é um lugar
“Sem nunca os ter procurado – assim se pode ler no página da internet da comunidade – mas fruto de um grande dom do Espírito, desde o princípio fazem parte da comunidade cristãos de várias confissões». Este dom do Espírito levou a comunidade a “fazer um compromisso para a Unidade de todos os cristãos na fidelidade à palavra de Cristo: ‘Que todos sejam um’ (Jo 17,21)”.
(texto completo aqui)



Na semana em que se celebra o diálogo e a oração ecuménica de modo mais efectivo, a Ecclesia registou, na rádio, o testemunho de Dina Rego, católica, e Alberto Teixeira, ortodoxo, que casaram em Julho de 1994, segundo o ritual ortodoxo, numa pequena capela à beira-Sado, em Setúbal.
Na celebração, Dina e Alberto tiveram amigos católicos, ortodoxos e protestantes. Duas décadas depois, dizem que é possível viver em casal diferentes realidades eclesiais: “Ou se ama a pessoa inteira ou não há outra maneira”, diz ela. “Para a Dina, talvez tenha sido mais difícil”, passando dos 45 minutos da missa católica para as quatro horas que por vezes duram as liturgias ortodoxas, acrescenta ele.
A entrevista pode ser ouvida aqui.


Também a Rádio Vaticano foi ao encontro da experiência de três jovens – uma italiana, uma irlandesa e uma alemã – que estão na paróquia do Bonfim (Porto), a viver uma fraternidade provisória durante um mês, proposta pela comunidade ecuménica de Taizé (França). A reportagem pode ser ouvida aqui.



Texto anterior no blogue
Papa vai à Suécia celebrar Lutero - uma comemoração dos 500 anos da Reforma protestante