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segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Joana Gomes: Trocar o certo pelo incerto

Texto e vídeos de Maria Wilton
Entrevista de António Marujo e Maria Wilton



Numa aldeia do Chade, onde era a única branca, contraiu malária e chegou a dormir com 40º Celsius numa casa sem eletricidade. Sentiu medo quando, durante algumas horas, foi a única mulher num centro de refugiados em revolta, na Sicília. Nada disto a demove de voltar a trabalhar com refugiados, desta vez em Adjumani, no norte do Uganda, para gerir os projetos de educação do Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS, da sigla inglesa).
Joana Gomes, 30 anos, estava na Sicília em 2016, quando se registou uma das grandes vagas de chegada de refugiados à Europa. Uma experiência “muito intensa: vinham todos com depressão, não conseguiam dormir e andavam muito perdidos e desorientados – já que o processo de pedir asilo e estatuto de refugiado era muito novo”, contava ao RELIGIONLINE, antes de partir para o Uganda, no final de setembro. 
Tendo dedicado vários anos a trabalho de voluntariado e missionário, Joana recorda algumas das suas experiências. Na Sicília, esteve no mesmo centro de acolhimento a refugiados em três momentos diferentes. Isso permitiu acompanhar as mudanças dos migrantes: de refugiados perdidos a pessoas mais estáveis e, por fim, cidadãos inseridos na sociedade. 
Entre as histórias que a marcaram, está a de Buba, um jovem natural da Gâmbia. 



Natural de Lisboa, licenciada em serviço social, na Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa e com mestrado em Gestão de recursos humanos no ISCTE, Joana sempre olhou para a problemática dos refugiados como algo que a toca especialmente. Por várias vezes na Europa, viu condições de vida muito precárias: “A Europa diz que está preocupada e a acolher mas aquilo não era bem um acolher. Temos de tentar perceber qual a causa de saída dos países (dos refugiados), o que está a acontecer lá e trabalhar na origem.”

domingo, 19 de agosto de 2018

Os refugiados, a bomba-relógio e os medos católicos


O padre Camillo Ripamonti, no Centro Astalli, em Roma, 
junto de refugiados

Há a história de um camaronês que tem gravadas, na pele, as marcas da tortura; de um colombiano detido numa cadeia mas que pode sair para ajudar outros; de uma fila de refugiados que carrega uma “bagagem de sofrimento” e vai diariamente buscar comida a um centro de apoio; de um nigeriano que viu morrer gente no barco em que se meteu para chegar a Itália, depois de ter ido a pé do seu país até à Líbia; de um missionário que teme a bomba-relógio que as políticas europeias podem provocar; de um padre que alerta que ninguém pode ser deixado a dormir debaixo da ponte; de um cardeal criticado por defender o dever evangélico de acolher o estrangeiro; de uma revista católica que coloca na capa a foto de um ministro e lhe diz: “Vade retro”; e, ainda, do responsável do Serviço Jesuíta aos Refugiados em Itália que diz ser inadmissível que haja pessoas a more no Mediterrâneo. 
Hoje, no Público, publico uma reportagem sobre os receios das organizações católicas que trabalham no acolhimento aos refugiados em Itália, tendo em conta o novo quadro político do país e as indecisões dos governos europeus. E também uma entrevista com o director do Serviço Jesuíta aos Refugiados-Itália, padre Camillo Ripamonti, que começa por dizer porque quis ser médico, antes de ser padre, e porque é que o trabalho que agora faz lhe levou quase as mesmas realidades...

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Um jejum contra a violência e as fotos do purgatório dentro da igreja




(foto reproduzida daqui)

O Papa Francisco convocou para esta sexta-feira, dia 23, um jejum pela paz e, em especial, pelas populações da República Democrática do Congo e do Sudão do Sul, tendo em conta a “trágica continuação de situações de conflito em diversas partes do mundo”.
Ao convidar os crentes (incluindo “os irmãos e irmãs não católicos e não cristãos” com as “modalidades que considerarem mais oportunas”) para um dia de “oração e jejum”, o Papa acrescentou que cada pessoa se deve perguntar, na sua própria consciência: “O que posso eu fazer pela paz?” E acrescentou: “Certamente podemos rezar; mas não só. Cada um pode dizer concretamente ‘não’ à violência naquilo que depender dele ou dela. Porque as vitórias obtidas com a violência são falsas vitórias; enquanto trabalhar pela paz faz bem a todos!”
Na sua mensagem para a Quaresma deste ano, o Papa explica precisamente o sentido do jejum, relacionando-o com o fim da violência: “o jejum tira força à nossa violência, desarma-nos, constituindo uma importante ocasião de crescimento. Por um lado, permite-nos experimentar o que sentem quantos não possuem sequer o mínimo necessário, provando dia a dia as mordeduras da fome. Por outro, expressa a condição do nosso espírito, faminto de bondade e sedento da vida de Deus. O jejum desperta-nos, torna-nos mais atentos a Deus e ao próximo, reanima a vontade de obedecer a Deus, o único que sacia a nossa fome.”
Como proposta de oração para este dia de jejum, a Cáritas Portuguesa convidou um conjunto de instituições e movimentos católicos a redigir uma Via-Sacra que servisse de meditação para este dia. “Esta iniciativa resultou, primeiro, num gesto simbólico de união entre aqueles que têm por missão a evangelização e a erradicar a pobreza; segundo, num texto com um alinhamento diversificado que vive da identidade de cada uma destas organizações.” O texto está disponível aqui.
 
A propósito da violência que não se limita às guerras declaradas, merece também referência a iniciativa da Igreja Católica que, nas Filipinas, juntou aos objectivos de uma tradicional Marcha pela Vida a luta contra os assassinatos suspeitos, a declaração da lei marcial no sul do país ou a ideia de restabelecer a pena de morte. Numa semana em que assistimos a um dos mais graves massacres na guerra da Síria e a um novo massacre de jovens numa escola dos Estados Unidos, vale a pena reparar na forma como os católicos de um país se mobilizam contra a instalação de uma “cultura de violência”, como referiu o bispo Broderick Pabillo.
Uma forma de alertar consciências contra outras violências que a Europa está a infligir a muitas pessoas que no continente buscam refúgio, é aquela que propõe a paróquia da Vera-Cruz, em Aveiro: até 4 de Março, dentro da igreja paroquial, os fiéis e muitos visitantes que ali entram serão surpreendidos pelas fotografias de Ricardo Lopes feitas em campos de refugiados.
Grécia: o Purgatório Europeu, pretende mostrar “rostos, a preto e branco, cenas do quotidiano do sofrimento de quem é esquecido”. E os objectivos, como explica o pároco, padre João Alves, são mesmo o de “incomodar quem ali está ou passa, ajudar à relação entre a Eucaristia e a caridade, porque este ano é dedicado à caridade, e percebermos que a paróquia tem uma fraca sensibilidade sócio-caritativa da comunidade celebrante”. Uma reflexão mais para este tempo, como se pode ler nesta notícia.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Pintasilgo, europeia notável

 Agenda


Maria de Lourdes Pintasilgo (foto reproduzida daqui,
onde também se pode ler um perfil biográfico)

Nesta quarta-feira, entre as 17h e as 18h15, o edifício Caleidoscópio (jardim do Campo Grande, em Lisboa) acolhe uma sessão de homenagem a Maria de Lourdes Pintasilgo, inserida no ciclo de encontros Tributo a Europeus Notáveis.
A “apresentação de Maria de Lourdes Pintasilgo” será feita por Manuela Silva, sua companheira de tantas lides e professora catedrática da Universidade de Lisboa. Às 17h45, Isabel Allegro de Magalhães (professora catedrática da Universidade Nova de Lisboa e membro do Graal, e António Figueiredo Lopes, Presidente do EuroDefense-Portugal, darão dois curtos testemunhos sobre aquela que foi a única mulher primeira-ministra em Portugal.

Sobre Maria de Lourdes Pintasilgo, há vários textos neste blogue. Entre eles, uma referência ao livro Maria de Lourdes Pintasilgo – Retratos Sem Molduraa notícia de umas jornadas e da publicação de um livro sobre vozes de mulheres na experiência religiosa, um texto sobre um documentário televisivo realizado por Graça Castanheira e onde se evoca também o relatório Cuidar o Futuro, coordenado por Pintasilgo, e uma evocação nos cinco anos da sua morte.

Para outros textos, basta escrever “Pintasilgo” na pesquisa do blogue.

domingo, 3 de julho de 2016

Papa quer Europa menos museu e mais doadora de tesouros

(Este blogue estará com um ritmo intermitente até Setembro)


O último acto do Juntos Pela Europa, em Munique, neste sábado à tarde
(foto reproduzida daqui)

Comunidade de Santo Egídio pede suspensão de artigo de Schengen para acolher refugiados em extrema  vulnerabilidade

O Papa Francisco quer que a Europa reflicta se o seu património é “parte de um museu” ou se “ainda é capaz de inspirar a cultura e de doar os seus tesouros à humanidade inteira”.
A pergunta foi feita pelo Papa numa mensagem gravada e transmitida, em vídeo, na Karlsplatz, no centro de Munique. Na capital da Baviera (Alemanha), terminou ontem, sábado, o congresso Juntos Pela Europa, iniciativa que reúne cerca de 300 movimentos e comunidades de diferentes igrejas cristãs – católicas, ortodoxas, protestantes, anglicanas e igrejas livres.
Dirigindo-se a umas quatro mil pessoas concentradas na praça – além dos participantes, também outros que apareceram para a sessão final, incluindo mais de um milhar de jovens –, o Papa afirmou que a Europa vive grandes problemas, que os cristãos de diferentes igrejas devem saber enfrentar com o “acolhimento e a solidariedade em relação aos mais débeis e desfavorecidos, construindo pontes e ultrapassando conflitos”.
Aludindo aos refugiados que buscam protecção no continente, Francisco insistiu na ideia de uma Europa que coloque no centro a pessoa humana, através do acolhimento e da cooperação económica, cultural e social. 
O documento final insiste numa ideia repetida por diferentes intervenientes e de muitos modos durante os três dias de trabalho: a Europa, com uma profunda crise a manifestar-se em vários aspectos – incapacidade de acolher os refugiados que buscam protecção, o “brexit” da semana passada, a crise financeira que não se ultrapassa –, não deve tornar-se “uma fortaleza e erigir novas fronteiras”. Pelo contrário, afirmam, “não há alternativa ao viver juntos”.
As “experiências terríveis de duas guerras mundiais” serve para mostrar onde pode acabar a lógica dos egoísmos nacionais ou culturais, avisam os participantes.

Um apelo às Igrejas: já chega de separação 

Também para os responsáveis das igrejas cristãs vai um apelo, um ano antes de se assinalarem, em 2017, os cinco séculos anos do início da Reforma protestante de Martinho Lutero, e reconhecendo o contra-testemunho que é dado pela divisão das igrejas: “Pedimos aos responsáveis das igrejas que ultrapassem as divisões. Enquanto cristãos, queremos viver juntos, na reconciliação e em plena comunhão.”

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Cristãos da Europa vão ao circo para defender integração dos muçulmanos

(Este blogue estará com um ritmo intermitente até Setembro)


O Circo Krone, em Munique, onde decorre o congresso Juntos Pela Europa, 
quinta-feira de manhã, antes da intervenção do cardeal Kasper

As luzes do Circo Krone, em Munique (Alemanha) acendem-se e piscam, a arena está montada, a orquestra dá o tom, mas as acrobacias que se aplaudem são outras: depois da “tragédia” da II Guerra Mundial e de os antigos inimigos se terem transformado em amigos, é preciso continuar a mostrar que os 70 anos de paz na Europa não foram “sonho, mas realidade” e que “a economia é a base da vida mas não é o sentido da vida”.
Foi o cardeal católico alemão Walter Kasper que, na abertura do congresso Juntos Pela Europa, que congrega dois mil participantes de uns 40 países, alertou: “A Europa precisa de mais do que de economia.” Kasper tem sido uma das vozes que, na Igreja Católica, mais tem apoiado o Papa Francisco no seu desejo de reforma – por exemplo, na questão da integração dos divorciados na Igreja Católica.
Uma Europa que integrou celtas, normandos e outros povos deve ser capaz, hoje, de integrar os muçulmanos, sublinhou Kasper, na sua curta intervenção na abertura do congresso. “Os problemas do mundo vêm ter connosco; e não são estatísticas, são pessoas com rosto”, acrescentou.
“Enquanto cristãos, católicos ou evangélicos, temos de mostrar que somos capazes de mostrar que o amor é mais forte do que o ódio, para que seja possível vivermos em conjunto na Europa, sem medo”, disse ainda o cardeal.
No início do congresso, que se prolonga até amanhã, sábado, foram várias as vozes a insistir na urgência de uma nova alma na construção europeia. “Depois do ‘brexit”, da semana passada, não podia haver um melhor momento para dar um testemunho de unidade”, disse Gerhard Proß, um dos responsáveis da iniciativa.
“Depois do ‘brexit’, o que devemos fazer a partir do Evangelho?” – perguntava o bispo luterano alemão, Heinrich Bedford-Strohm, que já presidiu ao Conselho Nacional das Igrejas Evangélicas (protestantes) da Alemanha.
“A Europa tem necessidade de uma nova força espiritual, porque não é só a economia que dá força” ao continente, acrescentou. “Devemos ser capazes de continuar a colocar no centro a dignidade da pessoa humana e é por isso que devemos continuar a falar de refugiados”, acrescentou.
A presidente do Movimento dos Focolares, Maria Voce, acrescentava, na conferencia de imprensa de apresentação da iniciativa, ontem de manhã: “A tendência para o aumento dos nacionalismos e do racismo são fruto de uma Europa que esqueceu os seus valores”. Por isso, acrescentou, é importante os cristãos darem testemunho desses valores.

quinta-feira, 24 de março de 2016

Condenar os “actos de horror”


Foto: Lusa, reproduzida daqui

Perguntava-se, no texto anterior neste blogue, a propósito de um debate em Lisboa, se Deus estaria de volta de forma violenta...
O Papa Francisco voltou a pedir, nesta quarta-feira, uma “condenação unânime” dos actos de “horror” vividos em Bruxelas na terça depois de, na própria manhã dos atentados ter recusado a “violência cega” que provocou dezenas de mortos.
O cardeal-patriarca de Lisboa pediu também, num curto depoimento gravado em vídeo que a Europa mantenha viva a herança dos direitos humanos e de respeito pelas leis. E apelou a que não se confundam os grupos radicalizados, “que não devem ser confundidos com populações, etnias ou religiões”.  
Também as duas estruturas europeias de bispos – a Comece, que representa os episcopados dos países dos 28 países da União Europeia – e a CCEE, que abrange todos os episcopados da Europa, condenaram os atentados.
Também a Conferência das Igrejas Europeias  manifestou a mesma posição, com um texto divulgado na própria terça-feira:

Esta manhã, em Bruxelas, as horas de ponta e os voos da manhã foram violentamente interrompidos por múltiplos ataques terroristas. (...) A Conferência das Igrejas Europeias (CEC) lamenta esta perda de vidas e perturbação da paz. Condenamos os violentos ataques e apelamos a respostas pacíficas nas próximas horas e dias. Oramos por aqueles que perderam as suas vidas, as suas famílias e comunidades e pelas pessoas que colocam em risco a sua própria segurança ao ajudarem os outros.

“Nesta época de Semana Santa e Páscoa, lamentamos estas explosões de violência”, referiu o secretário-geral da CEC, Heikki Huttunen. (...) “Temos de encontrar novamente o nosso caminho, e devemos todos contribuir para a criação de sociedades nas quais todos se sintam seguros e parceiros no bem comum.”

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Famílias como as nossas – dois amigos a caminho da Croácia para trazer refugiados



Dois amigos – Nuno Félix e Pedro Policarpo, ambos casados, ambos pais de quatro filhos menores – decidiram pegar nos seus carros e ir à Croácia buscar refugiados que desesperam por ajuda. Partem de Lisboa amanhã, sexta-feira, às 19h (no jardim frente ao Palácio de Belém), e estão, para já, a incentivar outras pessoas que queiram fazer o mesmo que eles: trazer uma família (sem a desmembrar) que possa ser apoiada em Portugal, de modo a refazer parte da sua vida. Mas o apoio na hora da partida pode ser manifestado por quem assim o entender.
“Só queríamos mostrar que qualquer pessoa, com os seus meios, pode ajudar o próximo”, diz Nuno Félix ao RELIGIONLINE, a propósito da ideia. “Por vezes complicamos muito quando se trata de fazer algo pelo outro. Nós não somos melhores nem mais corajosos que outros, nem vamos correr riscos para lá do que correríamos a fazer turismo. Só não podíamos ficar à espera perante a demissão do papel dos Estados e a falência total da resposta humanitária da União Europeia.”
A caravana, que conta para já com a adesão garantida de quatro viaturas (cada uma delas com piloto e co-piloto), mas que tem já duas dezenas de pessoas a manifestar vontade de participar também, propõe-se fazer os três mil quilómetros até à Croácia passando por Madrid, Barcelona, Marselha e Milão. Dia 28, segunda-feira, às sete da manhã, contam chegar a Zagrebe, para recolher as famílias que sejam escolhidas e empreender com elas a viagem de regresso a Portugal. Contam, para isso, com o apoio da Cáritas croata e de outras organizações não-governamentais e humanitárias a trabalhar no terreno.
A iniciativa tem já um grupo no Facebook intitulado Famílias como as nossas e está explicada aqui em pormenor. Nessa página, várias pessoas quiseram reunir apoios para que outros, que desejavam ter o mesmo gesto mas diziam não ter meios de pagar a viagem, pudessem levar os seus carros. Assim, nasceu a possibilidade de apoiar com vales para gasóleo e também com medicamentos. Os dois iniciadores da ideia fazem questão, no entanto, de não aceitar apoio: “Não é preciso ser ajudado para ajudar.”

domingo, 26 de abril de 2015

Pastores e mercenários, justiça e misericórdia, futuro e bombas, poder e serviço

Crónicas

No comentário aos textos da liturgia católica deste domingo, designado do Bom Pastor, Vítor Gonçalves escreve sobre Pastores ou mercenários?:

Aprender a ser bom pastor insere-se no aprender a sermos humanos. Liga-se aos valores e à educação, na família e na convivência social. Aprende-se mais pelo exemplo do que pelas teorias, pelas escolhas e pela capacidade de aprender com os erros. Fundamenta-se em princípios que se chamam: direito à vida, à liberdade, ao trabalho, e a todos os outros da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Concretiza-se na responsabilidade por construir um mundo mais justo e humano. E para os que acreditamos em Jesus Cristo compromete-nos em dar a vida como Ele. Grava-se no nosso espírito desde tenra idade e, por isso, as palavras de Umberto Eco numa entrevista da revista do Expresso na semana passada são uma interpelação: “É impossível pensar o futuro se não nos lembrarmos do passado. Da mesma forma, é impossível saltar para a frente se não se der alguns passos para trás. Um dos problemas da actual civilização – da civilização da internet – é a perda do passado.”
Quem nos marcou profundamente para querermos ser bons pastores? Que memórias nos alimentam o gosto de dar a vida pelos outros? Que pastores ou mercenários estamos a criar?
(o texto integral pode ler-se aqui)


A crónica de frei Bento Domingues no Público deste Domingo, intitulada Sem justiça nem misericórdia, deixa uma pergunta e uma resposta:

Porque será que tantas pessoas, de tantos países – católicos ou não – se reconhecem, se solidarizam e se sentem interpeladas pelas atitudes e mensagens deste Papa, como se ele fosse o seu guia espiritual?
Talvez por ele não querer mandar em ninguém e denunciar aqueles que querem tornar a Igreja uma instituição de poder, de dominação das consciências, em vez de uma fraternidade de serviço, seja de quem for, mas, sobretudo, daqueles que sobram na sociedade.
(o texto integral pode ler-se aqui)


Na crónica de sábado no DN, intitulada O futuro com quatro bombas, Anselmo Borges referia o armamento nuclear, a crise ambiental, a manipulação genética e o “cansaço vital”. E notava, sobre este último:

Neste sentido, quando a Europa parece envergonhar-se das suas raízes cristãs, foi para muitos uma saudável e bela surpresa a saudação de Páscoa do primeiro-ministro britânico, David Cameron, de que fica aí o essencial. “A Semana Santa é um tempo no qual os cristãos celebram, com a ressurreição de Jesus, o triunfo da Vida sobre a morte. Para todos os outros, é o momento de reflectirem sobre o papel que desempenha o cristianismo nas nossas vidas.” O cristianismo é “uma forma de vida”: quando há sofrimento, necessidades, a Igreja está presente. “Sei por experiência que, nos piores momentos da vida, a proximidade da Igreja é uma enorme consolação.” Através de toda a Inglaterra, a Igreja pratica o amor; por isso, “deveríamos sentir orgulho em dizer: este é um país cristão”. Acolhemos e abraçamos todas as religiões e quem não tem nenhuma, “mas somos um país cristão”. Como tal, “temos o dever de erguer a voz e denunciar a perseguição dos cristãos no mundo”. Devemos recordar e agir a favor de todos estes “cristãos valentes” que sofrem.
(o texto integral pode ler-se aqui)


No CM de sexta-feira, Fernando Calado Rodrigues escrevia sobre as novas regras para os centros sociais paroquiais, sob o título O poder e o serviço:

Não falta, todavia, quem aspire à direção de uma IPSS, mais atraído pelas quantias que movimenta e pelos empregos que garante do que por uma genuína caridade cristã ou pelo serviço à comunidade. Isso pode levar, como já levou, a que por vezes os recursos sejam usados, não para combater a pobreza, mas para gerar e alimentar “clientelas”. Uma tentação a que ninguém está imune, tanto padres como leigos, e que pode mesmo descambar em esquemas de corrupção e de tráfico de influências.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

"Somos todos pessoas" - De branco, no Domingo, pelas vítimas da indiferença no Mediterrâneo


Migrantes socorridos no Mediterrâneo (foto reproduzida daqui)

Um pano branco à janela ou uma peça branca de roupa é o apelo de um conjunto de organizações católicas para o próximo Domingo. O objectivo é que cada pessoa manifeste a sua indignação pela tragédia que se tem consumado no Mediterrâneo e “pelos milhares de pessoas que têm sido engolidas pelo oceano”, como afirmou o presidente da Cáritas Portuguesa, Eugénio Fonseca, citado na Ecclesia.
A iniciativa inclui uma prece no momento da oração dos fiéis, em cada eucaristia celebrada, pedindo a Deus que ajude a construir “uma só família humana”.
Convocada poucas horas antes da reunião dos responsáveis políticos da União Europeia, a iniciativa #somostodospessoas pretende afirmar a solidariedade para com as vítimas dos naufrágios no Mediterrâneo. Ao mesmo tempo, os seus promotores pretendem afirmar a possibilidade de medidas “de maior humanização” para com os migrantes, mais do que a “excessiva preocupação securitária” por parte da Europa.
Na página da Cáritas na internet, afirma-se que estes migrantes que naufragam e morrem no Mediterrâneo “têm sido ultrajados na sua dignidade humana ao tentarem atravessar fronteiras à procura das mais básicas condições para a sua sobrevivência”.
Só nestes primeiros 112 dias de 2015, morreram já mais de 1500 pessoas, número 50 vezes superior ao de 2014. “Os acontecimentos dos últimos dias, nomeadamente a morte de mais de 700 pessoas que se viram trancadas no porão do navio, e muitos outros já vividos não só no nesta região mas também noutros lugares onde a imigração é considerada irregular face às leis humanas vigentes, obrigam-nos a não ficar calados, sob pena de sermos cúmplices de um verdadeiro massacre que deveria envergonhar o mundo, particularmente os que têm responsabilidades políticas”, lê-se no site da Cáritas Portuguesa.
Os promotores da iniciativa recordam uma frase do Papa Francisco: “São homens e mulheres como nós, irmãos que procuram uma vida melhor, famintos, perseguidos, feridos, explorados, vítimas de guerras. Procuram uma vida melhor, procuravam a felicidade.” E acrescentam: “Acreditamos que a União Europeia pode e deve fazer mais por cada uma destas pessoas, nomeadamente, olhando de forma diferente para os seus países de origem. As organizações da Igreja Católica pedem medidas que ultrapassem a excessiva preocupação securitária e de controlo de fronteiras e que se pensem alternativas de maior humanização.”

As organizações que convocam a iniciativa, com o apoio da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana, são Agência Ecclesia, Cáritas Portuguesa, Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal, Comissão Nacional Justiça e Paz, Comissão Nacional Justiça, Comissão Paz e Ecologia dos Religiosos, Departamento Nacional da Pastoral Juvenil, Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, Obra Católica Portuguesa de Migrações, Rádio Renascença, Serviço Jesuíta aos Refugiados, Sociedade de São Vicente de Paulo. O Santuário de Fátima também já anunciou juntar-se à ideia.