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segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Papa insiste no papel das mulheres em lugares de responsabilidade

Texto de António Marujo


O Papa Francisco com Marianne Schlosser e Mario Botta, os dois laureados 
(foto reproduzida daqui)


O Papa Francisco sublinhou que “é muito importante que se reconheça cada vez mais a contribuição das mulheres no campo da investigação teológica científica e do ensino da teologia, considerados durante muito tempo territórios quase exclusivos do clero”. 
Num curto discurso na cerimónia de entrega do Prémio Ratzinger, no passado sábado, 17 de Novembro, o Papa acrescentou: “É necessário que esta contribuição seja estimulada e encontre um espaço mais amplo, de modo coerente com a crescente presença de mulheres nos diversos campos de responsabilidade da Igreja, em particular, e não só no campo cultural.”
O Prémio Ratzinger deste ano contemplou, pela segunda vez, depois da francesa Anne-Marie Pelletier, o nome de uma mulher: Marianne Schlosser, professora na Universidade de Viena, especialista em teologia das épocas patrística (primeiros séculos cristãos) e medieval. São Boaventura é um dos autores que tem trabalhado e Joseph Ratzinger (o Papa emérito Bento XVI), patrono do prémio, dedicara também, em 1959, a São Boaventura e a Teologia da Históriaum dos seus primeiros trabalhos de jovem teólogo. 

As doutoras da Igreja

“Desde que Paulo VI proclamou doutoras da Igreja a Teresa de Ávila e Catarina de Sena, não pode haver dúvida alguma de que as mulheres possam alcançar os cumes mais altos da inteligência da fé. João Paulo II e Bento XVI também o confirmaram, incluindo na série de doutoras os nomes de outras mulheres, Santa Teresa de Lisieux e Hildegarda de Bingen”, afirmou o Papa. 

quarta-feira, 16 de maio de 2018

“Alegrai-vos e exultai”: uma obsessão pela alegria e a reabilitação dos rebeldes e radicais


(Foto: Jordan Whitfield, reproduzida daqui

Uma obsessão ou fixação no tema da alegria. Ou a continuação da reabilitação dos rebeldes e radicais. A última exortação do Papa Francisco, Gaudete et Exsultate (Alegrai-vos e exultai), publicada no dia em que se completaram cinco anos sobre o início do seu pontificado, mereceu, nos últimos dias, duas leituras diferentes: António Pedro Monteiro, padre dehoniano e capelão hospitalar, diz que o documento confirma a fixação do Papa no tema da alegria, que não se dissocia da santidade: “Considerando acertado o cliché segundo o qual existe uma necessidade pessoal de afirmarmos aquilo que nos falta – e todos sabemos bem o que é ter um chefe, ou director, ou superior cuja arrogância da sua autoridade é proporcional à sua profunda insegurança –, poderíamos interpretar a fixação de Francisco como: ‘digam comigo: falta-nos alegria’. (...) Se a fixação de Francisco na alegria é mesmo porque ele sente a falta dela entre os habitantes do Reino de Deus de tradição romana, talvez nos falte integrar mais, integrar melhor, cuidar mais, cuidar melhor. Esse é o caminho dos santos: encontrar a alegria na integração e no cuidado. De facto, alegria e santidade ao modo de Jesus, não se dissociam. (o texto está disponível aqui na íntegra)

Já Robert Mickens escrevia, sexta-feira passada, no La Croix International (aqui, o original, em inglês, para assinantes; aqui, uma tradução portuguesa, com o texto na íntegra) que o Papa continua a procurar “levar a Igreja e seus membros de volta ao básico do Evangelho em relação àquilo que significa ser um seguidor de Cristo”. E acrescenta: “Deveria estar claro agora que aqueles que estão mais escandalizados e confusos com o Papa Francisco encontram-se nas fileiras do clero católico e entre os leigos com uma mentalidade clericalista.
Eles julgam o primeiro papa que veio do Novo Mundo e o único jesuíta a ser eleito bispo de Roma como não convencional e não institucional, para dizer o mínimo. E isso tem pouco a ver com o seu local de nascimento ou pertença à maior ordem religiosa masculina da Igreja. 
Francisco, assim como o santo de Assis cujo nome ele escolheu após a eleição ao papado, perturba seus críticos clericalistas porque ele é um discípulo radical de Jesus Cristo. De fato, ele talvez seja o papa mais radicalmente evangélico desde os primeiros séculos do cristianismo.”
Mickens destaca a seguir que uma das últimas figuras apontadas pelo Papa como referência foi a do padre italiano Zeno Saltini (1900-1981), que fundou uma comunidade intencional nos anos 1940 para cuidar de órfãos de guerra e das crianças abandonadas.
O padre Zeno criou uma comunidade, com o nome Nomadelfia (um neologismo para dizer lei da fraternidade), onde se procura viver tendo como horizonte as primeiras comunidades cristãs, sem propriedade privada, aqui descrita
Sobre essa comunidade, e a visita que o Papa lhe fez, na semana passada, Fernando Calado Rodrigues escreveu também, na sua última crónica no JN.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Mudanças no episcopado: qual a missão de um bispo?



Como um pastor, ele apascenta o seu rebanho 
(ilustração de Berna  Bernadette Lopez, reproduzida daqui)


O padre António Luciano dos Santos Costa, 66 anos, foi nomeado bispo de Viseu na quinta-feira passada, dia 2, substituindo assim o actual titular, D. Ilídio Leandro. O novo bispo, que será ordenado 17 de Junho e tomará posse da diocese em Julho, já foi enfermeiro antes de ser padre.
Essa experiência anterior leva António Luciano Costa a afirmar que a missão da Igreja Católica no mundo deve ser antes de mais “sinal de salvação junto dos mais frágeis, dos doentes, dos débeis, de todos os que hoje precisam de ajuda”, numa atenção muito grande à “saúde integral das pessoas”
A nomeação do novo bispo de Viseu surge num momento em que ocorrem várias mudanças no episcopado português. Desde Novembro, José Traquina é o novo bispo de Santarém e, em Março, Manuel Linda foi nomeado para novo titular da diocese do Porto, cargo de que tomou posse a 15 de Abril – resolvendo, neste caso, a substituição de D. António Francisco dos Santos, que morreu em Setembro, depois de ter marcado indelevelmente a sua passagem pela diocese (como já antes por Aveiro). 

Sustentação, governo, solidariedade e trabalho

No caso do Porto, o novo bispo, Manuel Linda, tem pela frente problemas vários na estrutura da diocese. Nas suas primeiras declarações, falou de temas como a sustentação do clero, a homossexualidade ou a dinâmica sinodal enquanto “capacidade de ouvir as estruturas e as pessoas”; da necessidade de os padres estarem “nas ruas”, onde vivem as pessoas; e do caminho “equilibrado” que Braga escolheu para a aplicação dos critérios sugeridos pelo Papa na exortação Amoris Laetitia, sobre a família; e ainda perguntava sobre a razão de algumas pessoas se deixarem cativar pelas missas em latim, dizendo que talvez os padres e bispos se tenham de penitenciare referiu-se ainda à valorização do diaconado feminino. 

No momento da despedida, o até agora bispo de Viseu, Ilídio Leandro, falava, em entrevista à TSF, das exigências ao poder político, do uso do preservativo (“o aborto nunca, mas o uso do preservativo pode ser equilibrador duma relação a dois”) e acerca dos católicos recasados, dos quais diz que “a Igreja está mandatada para não deixar perder as pessoas”. 
Ilídio Leandro diz que procurou, nos 12 anos como bispo de Viseu, governar “em comunhão com as pessoas”. E, sobre o governo do país, diz que não o afecta “ser de esquerda ou de direita, desde que os direitos humanos das pessoas, sobretudo das que mais precisam, sejam salvaguardados” e que os políticos olhem para “os problemas das pessoas e, concretamente, do interior”. 
Ainda traumatizado pela devastação dos incêndios que mataram 19 pessoas na sua diocese, enaltece, entretanto, a generosidade de muitas pessoas e o trabalho da Cáritas.

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Mulheres no Santo Ofício e mística feminina

Crónica/Agenda

No JN de segunda-feira passada, Fernando Calado Rodrigues escrevia sobre a nomeação de três mulheres para a Congregação da Doutrina da Fé, do Vaticano: 

O Papa Francisco deu mais um sinal claro da sua determinação em dar mais relevo às mulheres no interior da Igreja Católica. No sábado passado, pela primeira vez, foram nomeadas três peritas como consultoras da Congregação da Doutrina da Fé. Nunca antes esse encargo tinha sido assumido por leigos, era sempre reservado a clérigos.

A partir de agora o conjunto dos consultores daquela Congregação - que já teve a designação de Santa Inquisição Romana e Universal e que, depois, se chamou Congregação do Santo Ofício – passa a ser maioritariamente feminino. É composto por dois consultores clérigos e três leigas. Tem dois especialistas em Direito Canónico, a legislação que regula a Igreja Católica – o P. Manuel Arroba Conde e a Doutora Linda Ghisoni; e três teólogos – o P. Sergio Paolo Bonanni e a professora Michelina Tenace, docentes de teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, e a professora Laetitia Calmeyn, que também ensina teologia no Collège des Bernardins, em Paris.
(o texto pode continuar a ser lido aqui)


Vale a pena referir desde já, a propósito, que o Graal – Movimento internacional de mulheres cristãs organiza, entre 23 e 27 de Julho, na Golegã, o seu VIII programa de Verão Mulheres Teologia e Mística, desta vez dedicado ao tema A Escada de Jacob: “Não te deixarei partir enquanto não me abençoares.” (Gn 32, 27). O itinerário prevê dois assuntos fundamentais: Dinâmicas do desejo e procura espiritual no mundo actual(a abordar por Teresa Messias) e Experiências religiosas extraordinárias no cristianismo das origens(Esther Miquel). Conversas sobre teologia e política, confronto com Deus, e arquitectura, além de oficinas várias, estão também incluídas. Mas informações através do endereço mtm.graal@gmail.comou do telefone 927 949 387. 

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Entre Bragança e a Coreia: Que os sinos repiquem nos campanários

 As comunidades da Diocese de Bragança-Miranda estão a ressentir-se com a falta de clero e sentem-se cada vez mais abandonadas. A torcida da fé que ainda fumega nas aldeias mais remotas do Nordeste Transmontano está quase a apagar-se.
S. João Maria Vianney, o Santo Cura de Ars, dizia: “Deixai uma paróquia 20 anos sem padre e lá os homens adorarão os animais”. Talvez tenha razão, mas há pelo menos uma realidade no mundo que contradiz essa afirmação: a Igreja coreana.
No século XVII a fé cristã foi introduzida naquela península asiática com a chegada de livros católicos em chinês do jesuíta italiano Matteo Ricci. Até à chegada dos primeiros sacerdotes franceses, em 1836, os católicos alimentaram e mantiveram a fé, extraordinariamente, sem o alimento da eucaristia. Diversas perseguições foram decapitando as comunidades coreanas, habituando-se estas a viver e a aprofundar a sua fé mesmo sem sacerdotes, de tal modo que a Coreia é considerada um caso único no mundo de uma “nação que se evangelizou a si mesma”.
Durante os últimos anos o concelho de Vinhais foi particularmente fustigado pela diminuição do clero. Em pouco tempo, de sete diminuíram para três o número de sacerdotes que o servem. Há localidades que não têm missa durante mais de dois meses. D. José Cordeiro, o bispo desta diocese, tem-se disponibilizado ele próprio a celebrar em alguns domingos nessas comunidades. Numa delas, alguém lhe terá manifestado o abandono em que se encontram e lhe fez este apelo: “Todos nos abandonaram, por favor que a Igreja não nos abandone”.
(o texto pode continuar a ser lido aqui) 

Imagens: Igreja de Gimonde, Bragança (foto Fernando Calado Rodrigues) e Mártires da Coreia (ilustração reproduzida daqui)

domingo, 12 de novembro de 2017

Os filhos dos padres

No Jornal de Notícias deste sábado, o padre Fernando Calado Rodrigues regressa ao registo de crónica semanal que já manteve em tempos. Sob o título “Os filhos dos padres”, escreve:

Nos primeiros séculos do cristianismo, embora se valorizasse a opção pelo celibato, ela não era impeditiva da ordenação. A comunidade gerava os seus líderes e escolhia os que poderiam presidir à eucaristia e perdoar os pecados. Um pouco como acontece hoje em algumas ordens monásticas, nas quais, de entre os seus membros, se escolhem os que possam assumir esse serviço aos irmãos, nunca entendido como uma promoção ou - o que é pior ainda - como o exercício de um poder vedado a outros, ou uma carreira.

A crónica pode ser lida na íntegra aqui.
Calado Rodrigues passará a escrever no JN todos os sábados, excepto o primeiro de cada mês.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Resistências ao Papa, ética, saltos e humor

Na sua crónica deste sábado no DN, Anselmo Borges analisa vários episódios do que se tem passado (e pode vir a passar) na oposição ao Papa. Com o título A resistência a Francisco, termina a citar Tomás Halík:

Disse, com razão, o teólogo checo Tomás Halík, um dos mais influentes na actualidade, que fala da fé como “a coragem para entrar na nuvem do Mistério”: “Estou profundamente convencido de que o Papa Francisco inicia um novo capítulo na história do cristianismo. Teve a coragem de dizer que as tentativas para reduzir o cristianismo à moralidade sexual, à criminalização do aborto e à demonização dos gays e dos preservativos foram uma obsessão neurótica. Todos sabemos que a defesa dos que estão por nascer e da família tradicional é importante, mas esta agenda não deve ofuscar valores ainda mais importantes como o amor misericordioso, o perdão, a justiça social, a solidariedade com os pobres, a responsabilidade ambiental, a paz e o diálogo amigável entre pessoas de culturas, nações, raças e religiões diferentes. O Papa é uma personalidade profundamente espiritual com uma mensagem profética que ultrapassa as fronteiras entre Igrejas e religiões, cristãos e humanistas.”
(texto na íntegra aqui)


Domingo, no Público, frei Bento Domingues escrevia sobre Ética e religião:

Jesus de Nazaré pôs em causa o que havia de mais sagrado na religião em que cresceu, a partir de um postulado ético radical: o Sábado é para o ser humano e não o ser humano para o Sábado. O dia de Deus, para não se tornar o dia da suprema idolatria, tem de coincidir com o da promoção da maior liberdade. As instituições que não seguem este critério metem os humanos numa cadeia religiosa e fazem-lhes o que não fazem aos animais
(texto na íntegra aqui)


No comentário aos textos bíblicos da liturgia católica de Domingo passado, Vítor Gonçalves escrevia sobre O grande salto:

Nestas ruas de Roma recordo o gesto inesperado do poeta Rainer Maria Rilke ao oferecer, a uma pedinte de uma destas ruas, uma rosa. Imagino a surpresa dos seus olhos e o salto no coração pela beleza concentrada naquela flor. Nos três dias seguintes “viveu da rosa”, como respondeu o poeta ao seu amigo. A beleza convida-nos a um salto redentor: largar as cadeias da simples sobrevivência, ver para além da tentação de possuir, viver do que alimenta o espírito e na morte quotidiana difunde a eternidade. A mão de Jesus que ergue o jovem morto tem a beleza do gesto criador de Deus que Michelangelo plasmou no tecto da Capela Sistina. E todas as ressurreições nos lembram que só a beleza salva o mundo. Como dizia o poeta António Botto: “O mais importante na vida é ser-se criador – criar beleza.” Que salto para a beleza nos falta ainda dar?
(texto na íntegra aqui)


Sexta, no CM, Fernando Calado Rodrigues escrevia sobre Humor e fé:

A missa dominical não deveria ser sentida, portanto, como uma obrigação. Deve ser antes a celebração de que os cristãos necessitam para recarregar as baterias da felicidade para, durante a semana, irradiarem alegria e amor nos ambientes que frequentam.
(texto na íntegra aqui)

Texto anterior no blogue
A Alegria do Amor: sobre o amor na famíliacomentário de Ana Cordovil e Jorge Wemans, à exortação Amoris Laetitia, do Papa Francisco

quinta-feira, 2 de junho de 2016

A Alegria do Amor: sobre o amor na família

Texto de Ana Cordovil e Jorge Wemans

(no final do artigo, indicam-se as ligações para várias crónicas sobre o mesmo documento, escritas por frei Bento Domingues e pelos padres Anselmo Borges, Fernando Calado Rodrigues e Paulo Terroso)


(foto © BillionPhotos.com/Fotolia; reproduzida daqui


Falemos então do Amor.

Desse Amor que Jesus anunciou como mensagem maior da Vida.
E falemos da Alegria que todos os homens e mulheres experimentam nas suas relações amorosas. De modo muito concreto lembremos tantos rostos que de formas tão diversas e surpreendentes nos ajudam a dizer a Alegria do Amor!
Cabe-nos agradecer, com respeito e emoção, a coragem de muitos e muitas que enfrentam dificuldades sem sentido na construção do Amor que querem viver, na família que querem construir. São estes rostos de coragem que queremos ter, hoje, presentes!

No meu coração, estes rostos têm naturalmente nomes e histórias que desejava partilhar convosco, mas penso não ter esse direito.

Somos um casal que nos demos mutuamente o matrimónio há quase 40 anos e que continuamos a viver um com o outro. Não nos sentimos em nada melhor que outros que percorreram caminhos diferentes, ou que devamos ser vistos como exemplo. Até nos envergonha a possibilidade de olharem para nós como modelo…
Claro que toda a vida – todas as vidas – é fonte de inspiração, por negação ou simpatia, para outros. Devemos inspiração, companhia e apoio a muitos casais que vivem segundo as “regras” da Igreja para a união entre duas pessoas que se amam. Mas, não menos inspiradores, estimulantes e presença viva de Jesus nas nossas vidas têm sido outros “casais” apontados como “irregulares”: mães solteiras, divorciados, gente perdida em processos de doenças diversas com filhos para cuidar, casais do mesmo sexo, casais apenas com união de facto ou vivendo mesmo em casas diferentes, recasados...
Na nossa vida de casal temos tido muitas incertezas no Amor que nos une, mas temos tido a sorte de encontrar força num Amor maior e generoso que se nos dá e nos guia. Esse Amor maior está em nós, naturalmente, mas fortalece-se com a Palavra, com a vida de todos os dias, com a vida comunitária e, como já referimos, cresce graças àqueles crentes e não crentes que nos têm acompanhado.
Entre estes estão também as famílias que nos precederam e as que se vão construindo hoje e nos surpreendem a cada dia como as dos nossos filhos, genros e netos, mas também um grande número de homens e mulheres que fazem das suas relações diversas de Amor testemunhos de Alegria.
Neste contexto, a exortação A Alegria do Amor é, por várias razões, um ótimo começo de conversa. Nela, o Papa Francisco tenta, de um modo sincero, franco e aberto, dar nome. Dar nome às coisas e às situações. E nomear é já um bom começo…
O texto nomeia homens e mulheres que querem viver o seu Amor com a Alegria do Evangelho e que são olhados como menores, ou pecadores. Como podemos nós fazer esse julgamento contra alguém que quer viver o Amor? O Deus que nos ilumina nas horas mais difíceis e com quem nos alegramos não é esse Deus julgador que se alimenta da verificação das regras cumpridas, ou por cumprir.

sábado, 28 de maio de 2016

O ateu e o bispo

Crónicas

Na sua crónica de ontem no Correio da Manhã, Fernando Calado Rodrigues recorda, a propósito da morte de Marco Panella, uma carta que o fundador do Partido Radical Italiano escreveu ao Papa Francisco, em Abril, a propósito da viagem do Papa a Lesbos. Com o título O ateu e o bispo, cita o padre Fernando Calado:

 “Escrevo-te do meu quarto no último andar, perto do céu, para te dizer que, na realidade, eu estive contigo em Lesbos, quando abraçavas a carne torturada daquelas mulheres, daquelas crianças, e daqueles homens que ninguém quer acolher na Europa”, dizia Marco Panella, numa carta escrita na cama do hospital e entregue pelo amigo arcebispo ao Papa. Terminava essa carta com a expressão carinhosa italiana: “Ti voglio bene davvero tuo Marco” (Quero-te, muito, de verdade, o teu Marco).
Estas palavras, para além do afeto pelo Papa, demonstram bem que, para lá de tudo o que os separava, os unia a predileção pelos mais desprezados.

(O texto pode ser lido aqui na íntegraficam a seguir as ligações para os textos de Fernando Calado Rodrigues dos dois últimos meses:
13 de Maio – O sonho do Papa [acerca da Europa]; 29 de Abril – Papa e tecnologia22 de Abril – O Papa em Lesbos8 de Abril – A fuga aos impostos1 de Abril – Dia de enganos.)

Texto anterior no blogue


segunda-feira, 28 de março de 2016

A Uber da confissão, a Igreja e a tecnologia

Crónicas

A relação da instituição eclesiástica é o mote de duas crónicas recentes. A 17 de Março, no Igreja e Media, Paulo Terroso escrevia sobre Geoconfess, a Uber da confissão:

Tanguy Levesque, um católico francês de 40 anos e pai de seis filhos, criou uma aplicação verdadeiramente disruptiva: a GeoConfess. Uma aplicação que liga “os confessores com falta de penitentes, com os penitentes com falta de confessores”, assim se lê página da internet da plataforma. O funcionamento é simples. O sacerdote inscreve-se na plataforma indicando o local onde se encontra, os dias e horários em que está disponível para confessar. Informações que podem ser alteradas dependendo da deslocação e disponibilidade do confessor.
(Texto disponível aqui)


No dia 18, Fernando Calado Rodrigues falava sobre o mesmo tema, precisamente sob o título Igreja e tecnologia:

Uma outra transformação está também a verificar-se no que se passa pela Internet. Há bem pouco tempo falava-se de “realidade virtual”, de “comunidades virtuais” e até de “paróquias virtuais”. Cedo, porém, se começou a perceber que o que acontece na rede é cada vez menos virtual e é, cada vez mais, uma extensão da vida real – um espelho da realidade, até. Por isso, as comunidades virtuais converteram-se em redes sociais. E, tal como tudo na vida, o que acontece e se transmite on-line pode ter os seus efeitos positivos, mas pode igualmente ampliar e acentuar efeitos perversos. Compete também à Igreja aproveitar todas as potencialidades das ainda consideradas novas tecnologias e alertar para os seus perigos.
(Texto disponível aqui)


Texto anterior no blogue
Vida, esperança, paixão e o dia novo - Crónicas de Páscoa

domingo, 6 de março de 2016

Pais e filhos, histórias subversivas, eutanásia, Spotlight e dinheiro sujo

Crónicas

No seu comentário aos textos bíblicos da liturgia católica deste Domingo, Vítor Gonçalves escreve, sob o título Do Pai aos irmãos:

Não sabemos se o pai da parábola que Lucas nos narra era um bom educador. Mas sabemos que amava os seus filhos. Que pouco lhe interessavam os bens e as propriedades, a fama ou as honrarias, e tudo seria capaz de sacrificar por causa deles. Com que dor aceitou ser “morto” pelo filho mais novo quando lhe deu a parte da herança reclamada? Com que esperança suspirou pelo seu regresso? Com que alegria saiu ao seu encontro e deu início à festa? Com que dor descobriu a dureza de coração do filho mais velho? Com que humildade veio insistir com ele para acolher o irmão? Quem imagina Deus sentado no seu trono celeste a “ver o mundo passar” bem pode mudar de ideias, sob o risco de “inventar” um Deus que não é o Pai de Jesus Cristo!


Ilustração: Bernadette Lopez (Berna), 
reproduzida daqui

Na crónica de hoje, no Público, frei Bento Domingues toma também como pretexto a “parábola do filho pródigo”. Sob o título Um contador de histórias subversivas, escreve:

A parábola não ensina, dá que pensar. Liberta a imaginação. Não nos deixa acorrentados às religiões que herdámos. A fé cristã, ao proclamar, na Eucaristia dominical, a parábola do Filho Pródigo vem dizer: não estraguem o Domingo! É a festa das pessoas em processo de transformação. A Eucaristia - o Papa Francisco tem insistido muito neste ponto - não é um prémio, uma recompensa para os bem-comportados, segundo um código de moral convencional. É um convite para a festa, para a festa de Deus revelada nos gestos e nas palavras de Jesus.


Na crónica de ontem, no DN, Anselmo Borges escrevia sobre Os dois pais, a liberdade, Spotlight:

A Igreja Católica tem muitos e graves problemas para resolver, mas a questão da reconciliação sã com a sexualidade é fundamental. O título deste texto, aparentemente desconexo, tem um vínculo: o sexo. Se se dissesse claramente, sem receios, que Jesus é filho de José e de Maria, não haveria lugar para o cartaz. Também é sabido que a pedofilia não deriva necessariamente do celibato obrigatório. Mas a lei do celibato pode ser causa de sexualidades distorcidas. Porque é que a Igreja há-de impor como lei o que Jesus entregou à liberdade?

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Peter e Betty, misericórdia e aborrecimento, os livros e o viver

Crónicas

No dia em que o Papa Francisco termina a sua viagem ao México visitando Ciudad Juárez, vale a pena recuperar a crónica de Alexandra Lucas Coelho sobre Peter e Betty, que vivem naquela que é uma das cidades mais violentas do mundo. Com o título Se Cristo fosse vivo, escrevia:

Conheci Peter e Betty em 2010. Ele tinha 87 anos, ela 76.
Viviam num bairro pobre da cidade mais violenta do mundo. Não eram marido e mulher, nem parentes, mas algo que eu nunca tinha visto num par: camaradas de casa, de luta e de Deus. Peter crescera na Chicago de Al Capone, fora piloto na II Guerra, sobrevoara Nagasáqui depois da bomba, tornara-se padre carmelita. Um dia partiu para a América Latina onde encontrou Betty, que crescera no Iowa entre 13 irmãos, era freira e enfermeira da Ordem da Misericórdia, trabalhava com os índios nas montanhas do Peru. Juntos percorreram o continente, entre combates e ditaduras, até que nos anos 1990 foram viver para Ciudad Juárez, fronteira do México com a cidade texana de El Paso. Essa semana em que os conheci foi igual à anterior e à seguinte em Juárez, corpos furados de balas ou sem cabeça, mulheres violadas, tiroteio, raptos, tortura, extorsão. Peter e Betty não viviam em Juárez apesar disto, mas por isto. A vida deles era, a cada dia, abraçar os vivos e honrar os mortos. 
(texto para continuar a ler aqui)


Domingo, no Público, frei Bento Domingues escrevia, sob o título Tanta misericórdia já aborrece:

À saída de uma Igreja em Braga, um senhor, que eu não conhecia, veio directo a mim, indignado: eu já não posso com tanta misericórdia! Sem suspeitar o que dali podia vir, pedi-lhe alguma para mim. Explicou-se. Como bom e velho bracarense, sou católico, desde pequeno. Aprendi a doutrina na família e na igreja, onde também casei. Tenho filhos e netos. A minha mulher educou-os bem, raramente falto à missa e pertenço a várias confrarias.
Sendo assim, disse-lhe que não precisava da misericórdia de ninguém. Sorriu e acrescentou: sei quem é e conheço as suas ideias. Quero desabafar.
(texto para continuar a ler aqui)


Sexta, no CM, Fernando Calado Rodrigues escrevia sobre A ilha da reunião:

O Papa Francisco e o Patriarca Cirilo, da Igreja Ortodoxa Russa, encontraram-se hoje em Havana, Cuba. Nos anos 60, esta ilha foi o palco da tensão mais grave entre as duas superpotências de então – os Estados Unidos e a União Soviética – colocando o mundo à beira da guerra nuclear. Na altura João XXIII contribuiu para que prevalecesse a paz. E, há pouco tempo, o Papa Francisco conseguiu que Cuba e os EUA reatassem relações diplomáticas suspensas há mais de cinquenta anos.
(texto para continuar a ler aqui)


Sábado passado, no DN, Anselmo Borges escrevia, sob o título Viver:

E aí estão três tarefas para a espiritualidade: dar-se conta do viver; agradecer por a Vida nos fazer viver, nos vivificar: vivemos graças à Fonte da Vida; vivificarmo-nos, darmos vida uns aos outros, na compaixão e na ajuda mútua para nos libertarmos. Lá está o poema zen: "O que é o mar? O que permite o peixe nadar. O que é o ar? O que permite o pássaro voar. O que é o Nada e o Vazio? A Vida que te faz viver." "Vejo a ervita entre as gretas do pavimento. Donde lhe virá a força para abrir passagem entre o asfalto?" "Palpo aqui uma Presença latente/Não sei quem é. /Mas brotam lágrimas de agradecimento." Então, o que é morrer senão sair para dentro da Vida verdadeira, definitiva e eterna: "vida no seio da Vida da vida"?
(texto na íntegra aqui)


No comentário aos textos bíblicos da liturgia católica de Domingo passado, Vítor Gonçalves escrevia sobre Livros livres:

Entramos em Quaresma em ambiente de luta e de escolha. Ler e pensar são dois grandes presentes de qualquer livro. E a Bíblia continua a ser um dos mais interpeladores. Se nas suas palavras, e nas de muitos livros lidos, vislumbrarmos como Deus nos ama livres e responsáveis, a Páscoa acontecerá todos os dias!
(texto na íntegra aqui)