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domingo, 11 de novembro de 2018

Fórum pela Paz celebra os cem anos do Armistício

Texto de Eduardo Jorge Madureira

O Armistício declarando o fim da I Guerra Mundial que, desde 1914, opunha tropas alemãs e aliadas, foi assinado fez cem anos neste domingo, 11 de Novembro. As celebrações oficiais da efeméride, que têm decorrido em França, onde se encontram dezenas de chefes de Estado e de governo, têm sido acompanhadas por múltiplas outras evocações de um conflito de uma violência e uma crueldade até então nunca vistas. Como é habitual nos aniversários de acontecimentos relevantes, têm abundado os colóquios, os seminários, as exposições, as edições de livros e de números especiais de revistas e de jornais.
A revisitação de um período negro do século XX não tem provocado polémicas excessivas. Mas elas não têm faltado. Uma diz respeito ao lugar a conceder, por estes dias, à memória do marechal Philippe Pétain, o Dr. Jekyll que se transformou em Mr. Hyde, para usar a imagem que o historiador Serge Klarsfeld traçou no diário francês Le Monde (8 de Novembro). Tendo sido um dos chefes militares que conduziram o exército francês à vitória em 1918, Pétain seria, poucas décadas depois, o rosto do colaboracionismo com o ocupante nazi da França na II Guerra Mundial. “A nossa memória colectiva assume o veredicto de 1945”, sintetizou, no mesmo jornal, Laurent Joly, também historiador.
O “consenso negativo” em relação ao marechal ocorre numa ocasião em que os jornais têm dado conta de um acréscimo de violência contra os judeus em França, tendo o número de acções antissemitas em França subido quase 70 por cento nos primeiros nove meses deste ano. A denúncia foi feita pelo primeiro-ministro Edouard Philippe, num texto de homenagem às vítimas da “Noite de Cristal”, os judeus que, a 9 de novembro de 1938, na Alemanha, viram as suas sinagogas, lojas e casas destruídas por uma onda de violência nazi.

“É melhor festejar a concórdia do que a vitória”

Não é, pois, por acaso que algumas vozes – como a do director do Libération, Laurent Joffrin – têm pedido que este dia 11 de Novembro de 2018 celebre a paz e a concórdia entre os povos da Europa – que, feito inédito, duram desde há mais de 70 anos – em vez de homenagear a vitória dos aliados. No editorial “1918, Uma paz com memória curta”, Laurent Joffrin escreve que foi o nacionalismo das nações europeias, que hoje há quem pretenda restaurar, o causador da morte de 18 milhões de seres humanos; e que foram os valores viris, cuja ausência hoje se deplora, que conduziram a uma brutalidade inédita, com a utilização de canhões de enorme calibre e de metralhadoras, de gás de combate, com a destruição de incontáveis edifícios civis, e a um genocídio contra os arménios, promovido por jovens turcos.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

“Uma efectiva conversão ecológica” para Cuidar da Casa Comum

“Promover nas comunidades cristãs e nos respectivos espaços (paróquias, escolas, obras e movimentos) uma efectiva conversão ecológica e sugerir caminhos de actuação concreta com vista a uma ecologia integral” é um dos objectivos a que se propõe a rede Cuidar da Casa Comum, que será apresentada publicamente esta sexta-feira, dia 23, no salão paroquial do Campo Grande (Lisboa), a partir das 21h30.
A rede, que tem já uma página na internet, pretende reunir instituições, organizações, obras, movimentos católicos e de outras igrejas cristãs, bem como pessoas a título individual, propondo-se “aprofundar e difundir”, no âmbito daquelas organizações, a encíclica Laudato si’ – Sobre o cuidado da casa comum, publicada em Maio de 2015 pelo Papa Francisco.
“Acompanhar, no espaço eclesial, as questões ecológicas de âmbito nacional e mundial, evidenciando as suas causas e consequências e equacionando-as à luz da encíclica, de modo a promover a tomada de consciência colectiva acerca da sua relevância e urgência”, é outro dos objectivos da rede.
Criada numa perspectiva ecuménica, a rede Cuidar da Casa Comum pretende promover sessões de esclarecimento e sensibilização, fomentar “focos de cuidado da casa comum” (grupos locais empenhados na promoção de uma ecologia integral), incentivar “a reflexão sobre estilos de vida pessoal e colectiva, partilhar testemunhos de gestos e comportamentos de ecologia integral, fazer pontes com iniciativas relevantes que ocorram no espaço eclesial e na sociedade civil”.
O aprofundamento e difusão da “teologia da Criação” e a celebração em comum do Dia da Criação são outras das propostas da rede.
A rede inclui uma comissão de apoio teológico e científico, que reúne professores de Teologia, ambientalistas e cientistas.
Sobre a rede, Manuela Silva, economista, responsável da Fundação Betânia e principal dinamizadora da iniciativa, descreve nesta entrevista as suas intenções mais importantes.
Em França, um projecto denominado Igreja Verde, surgido durante o ano passado, propõe-se também promover a ideia da conversão ecológica e dinamizar práticas de sustentabilidade e comportamentos ambientalmente responsáveis nas estruturas, organizações e movimentos das igrejas Católica, Protestantes e Ortodoxas.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Em defesa da Amazónia e da Casa Comum

Bispos brasileiros condenam extinção de reserva amazónica, dias depois de o Papa Francisco e o Patriarca Bartolomeu terem publicado um documento conjunto assinalando o Dia de Oração pelo Cuidado da Criação.


O Patriarca Bartolomeu e o bispo católico Geraldo Majella Agnelo, durante a cerimónia 
da bênção das águas, que abriu o simpósio Religião, Ciência e Ambiente, 
em Manaus (Amazónia, Brasil), em Julho de 2006 (foto © RSE)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou esta terça-feira, dia 5, uma nota em que manifesta um “veemente repúdio” pelos decretos que extinguem a Reserva Nacional de Cobre e seus Associados (Renca). A decisão governamental afronta a Constituição Federal, considera a presidência da CNBB, pelo facto de não consultar os povos indígenas.
Os bispos acrescentam que esta decisão evidencia a lógica de mercado que tem sido adoptada no Brasil, “em detrimento da vida, da dignidade da pessoa e do cuidado com a Casa Comum”. E exemplificam: “Políticas governamentais de incentivo às hidrelétricas, à mineração e ao agronegócio, com flexibilização de licenças ambientais, anulam os esforços em prol de sua preservação”, considera a CNBB.
A nota dos bispos em defesa da Amazónia, intitulada “Viver a vocação de guardiões da obra de Deus”, pode ser lida na íntegra aqui e pede a “revogação revogação integral dos decretos de extinção da Renca”.
Também a Rede Eclesial Pan-Amazónica (Repam), integrada no Conselho Episcopal Latino-Americano e do Caribe (Celam), que reúne todas as conferências episcopais da região, repudiou a decisão governamental brasileira. E, apesar de o Presidente Michel temer ter anunciado há dias a revisão de um dos decretos em causa – que abre uma reserva amazónica à exploração mineira – acabou por manter a extinção da Renca, que agora foi condenada pela CNBB.
Esta situação surge no contexto da celebração do terceiro Dia de Oração pelo Cuidado da Criação, assinalado no passado dia 1 de Setembro, pela primeira vez, com uma mensagem conjunta do Papa Francisco e do Patriarca Bartolomeu, de Constantinopla.
No documento, que pode ser lido aqui na íntegraFrancisco e Bartolomeu relacionam as trágicas consequências das mudanças climáticas com a situação das populações mais vulneráveis: “O ambiente humano e o ambiente natural estão a deteriorar-se conjuntamente, e esta deterioração do planeta pesa sobre as pessoas mais vulneráveis. O impacto das mudanças climáticas repercute-se, antes de mais nada, sobre aqueles que vivem pobremente em cada ângulo do globo. O dever que temos de usar responsavelmente dos bens da terra implica o reconhecimento e o respeito por cada pessoa e por todas as criaturas vivas. O apelo e o desafio urgentes a cuidar da criação constituem um convite a toda a humanidade para trabalhar por um desenvolvimento sustentável e integral.”

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

A difícil questão da laicidade


Tudo coberto excepto os seus olhos: que cultura cruel dominada pelo homem; 
- Nada coberto excepto os seus olhos: que cultura cruel dominada pelo homem.” 
(ilustração reproduzida daqui)


“A persistência do quadro teológico-político como um horizonte nunca ultrapassado  deixa perceber as razões pelas quais o conceito de laicidade está completamente armadilhado”, escreve António Guerreiro, no Público de sexta-feira passada. O texto reproduz-se a seguir:

O secularismo republicano francês, fixado com força de lei no conceito jurídico-político da laicidade, que institucionaliza a separação entre o Estado e a religião, consagra logicamente “a defesa da liberdade de consciência individual contra todo o proselitismo” e, por conseguinte, a proibição de “signos religiosos ostensivos” na esfera pública. O princípio da laicidade é o da universalização da cidadania republicana de modo a anular o comunitarismo e os seus efeitos de segregação. Assim, ordem temporal, o saeculum, e ordem intemporal, a religião, devem manter-se estritamente separados.
A laicidade francesa visa a formação de uma cidadania esclarecida que responda à injunção iluminista do “ousar saber” e do uso público da razão. Entendida nesta perspectiva, a laicidade opõe-se a um multiculturalismo que reforça o poder regressivo do dever de pertença étnico-religiosa. Quando se passa desta dimensão teórica da laicidade para os desafios reais – sociais e políticos – com que ela se confronta, as coisas complicam-se bastante, como sabemos. A verdade é que a laicidade francesa, que no seu princípio visa a neutralização da afirmação religiosa em tudo o que é tutelado pelo Estado, se tornou a ideologia de uma república obcecada com o religioso, praticando uma espécie de teologia política negativa que instaura o religioso como categoria separada.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Pedro Meca (1935-2015), o companheiro da noite: “Que palavra pode substituir a palavra revolução?”


Pedro Meca (foto reproduzida daqui)


Esteve em Lisboa em 1998, visitando organizações de apoio aos sem-abrigo. Numa delas, quando passava no sector da roupa, perguntou: “Onde está o espelho?” Não havia. Os sem-abrigo, os pobres, não têm direito a ver-se ao espelho? “Têm, o espelho faz mesmo falta. Há gente que não se vê inteiro há anos.”
“Romper com o assistencialismo” era a lógica proposta por este “companheiro da noite”, que morreu esta semana com 80 anos, em Paris. O funeral decorreu nesta manhã de sábado, na capela do convento de Saint Jacques, na capital francesa. Foi o “companheiro da noite dos que nada tinham, um mendicante”, disseram os dominicanos da província de França, anunciando a morte do homem que dedicou a sua vida a estar e viver com os mais pobres, ajudando-os a encontrar trabalho e a devolver-lhes a dignidade perdida e a autoestima.
A história do espelho contou-a Pedro Meca, nessa passagem por Lisboa, quando lhe fiz também uma entrevista (publicada no livro Deus Vem a Públicoed. Pedra Angular/Sistema Solar).
Pedro-Maria Meca  Zuazù nasceu em Villava, Pamplona (no País Basco espanhol, perto da fronteira com França), em 1935. Aos 17 anos foi para França com a família, acabando por se tornar frade dominicano. Conheceu ainda o Abbé Pierre, fundador dos Companheiros de Emaús, com quem trabalhou, como empregado de bar, no Claustro, um bar aberto para os sem-abrigo.
Em 1985, decidiu fundar a associação Companheiros da Noite que, sete anos depois, inaugurou na rua Gay-Lussac, no coração do Quartier Latin, de Paris, o bar La Moquette. O espaço, aberto até às cinco da manhã, destina-se a quem vive na rua e não tem sítios para conversar ou beber um café quente. Ali ninguém pode dormir, mas apenas sentir que pode estar. Conversando, fazendo silêncio, jogando às cartas, festejando aniversários, encontrando amigos e conhecidos ou, até, participando em debates regulares ou oficinas de escrita.

Um café numa chávena de louça e com colher de metal

No La Moquette, o café é sempre oferecido numa chávena com um pires e a respectiva colher de metal. “Os sem-abrigo diziam muitas vezes que o que tocavam ia sempre para o lixo”, explicava Pedro Meca.
Em cada Natal, recorda o serviço de imprensa das Obras Missionárias Pontifícias (OMP) de Espanha, Pedro Meca celebrava eucaristia numa tenda instalada no centro de Paris, e na qual participavam mais de mil pessoas sem casa. O La Moquette passou também a assegurar que as pessoas que morriam na rua, e cujo corpo não era reclamado por ninguém, tivessem um funeral digno. Muitos companheiros de rua do falecido participam nessas celebrações, proporcionando uma despedida digna ao falecido.  

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

"Estados gerais do Cristianismo" durante três dias em França

Três dias de debates e de ateliers sobre a situação do Cristianismo em França, por iniciativa da revista La Vie,a partir deste fim de tarde. Fisicamente, o evento tem lugar na Universidade Católica de Lille, mas é possível acompanhar boa parte dos cerca de 30 debates previstos através do Facebook, de um blog e de transmissão por webstream, além, naturalmente, da informação de apoio disponibilizada no site da publicação francesa. Tudo a partir do site de La Vie. O programa completo: AQUI.
Entre os temas que serão objecto de debate destaca-se:
  • Quelle présence chrétienne dans le débat public?
  • S'aimer toute une vie, une utopie?
  • Divan ou confessionnal?
  • Quelle forme d'engagement aujourd'hui?
  • La science a-t-elle du sens?
  • Notre vie a-t-elle un sens?
  • Les chrétiens ont-ils un problème avec le sexe?
  • Changer l'église, oui, mais dans quel sens?
  • Grand Forum du samedi Évangéliser, est-ce provoquer?
Ver, a propósito desta iniciativa, as declarações do director de Redacção de La Vie ao diário Le Monde:
"Il faut qu'une société civile chrétienne émerge"

sábado, 2 de janeiro de 2010

O catolicismo em França 1952-2009

O jornal La Croix acaba de publicar os dados mais recentes sobre a prática religiosa dos católicos em França. A realização deste estudo há largos anos permite uma perspectiva temporal e evolutiva que é reveladora: a percentagem daqueles que se referenciam ao catolicismo passou neste cerca de meio século de três quartos para dois terços, enquanto que a prática da missa dominical passou, entre o início dos anos 60 e a actualidade de um quarto para menos de 5%.



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