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sábado, 8 de dezembro de 2018

Judaísmo: A partilha da luz no Hanukkah em Cascais

Texto, fotos e vídeo de Maria Wilton


As velas de Hanukkah: “A luz é a única coisa que, quando partilhamos, não ficamos com menos. 
Se passarmos uma chama, ficamos com duas.”

A Baía de Cascais está calma. A noite de quinta-feira, 6 de dezembro, parece outra qualquer, na hora de regressar a casa. Mas a roda gigante que ali está montada para a época do Natal celebra, hoje outra festa. No letreiro luminoso, lê-se: “Feliz Hanukkah”. 
Ali ao lado, quase escondida de quem passa, cerca de uma centena de pessoas reúne-se numa grande tenda para assinalar a quinta noite do Hanukkah, a Festa das Luzes judaica. É uma das mais importantes do calendário: durante oito dias, recorda-se a inauguração do segundo Templo de Jerusalém, depois de este ter sido profanado pelos selêucidas sírios.
A história de Hanukkah está contada no primeiro e segundo livros dos Macabeus, que integram a Bíblia judaica. Nestes está descrita em detalhe a história que originou a celebração: Em 165 a.E.C. (antes da Era Comum), o rei Antioco Epifânio queria helenizar a Síria e a Judeia, de maneira violenta. Para isso, proibia celebração do Shabat, a leitura da Bíblia e a circuncisão e mandou colocar no Tempo de Jerusalém uma estátua de Júpiter, chegando a ordenar sacrifícios com porcos.
Os israelitas revoltaram-se e Judá Macabeu liderou uma guerra de guerrilha contra a ocupação selêucida. Quando, depois da reconquista de Jerusalém, os judeus purificaram o Templo, conta-se que foi encontrado um pote com azeite para acender a chama sagrada durante um dia. Mas o azeite queimou durante oito dias.


Um judeu na cerimónia de quinta-feira: a festa assinalar a libertação da ocupação selêucida

Em memória desses acontecimentos, os judeus acendem as velas de um menorá ou hanukkiah, candelabro com nove braços. Neste, um dos braços está tipicamente elevado em relação aos restantes e essa vela, a shamashé utilizada para acender as oito restantes, uma por cada noite de Hanukkah.

terça-feira, 30 de outubro de 2018

O atraso que salvou pela segunda vez o judeu Judah Samet

Texto de Maria Wilton


O memorial com os nomes das vítimas do massacre 
(foto reproduzida daqui)

Por ter estado a falar com a empregada doméstica, Judah Samet, 80 anos, um judeu húngaro sobrevivente do Holocausto, chegou atrasado à sinagoga, escapando à morte certa: sábado passado, 27 de Outubro, a pequena cidade de Squirell Hill, em Pittsburgh, na Pensilvânia (EUA) foi abalada com o ataque ocorrido na sinagoga Tree of Life, do qual resultou a morte de onze pessoas. 
Judah Samet sobreviveu à sua detenção no campo de Bergen-Belsen, mudou-se primeiro para o Canadá para estar com familiares e, depois, para os Estados Unidos, atrás da mulher que se tornaria sua esposa. Acerca do que se viveu sábado, em Pittsburgh, na sinagoga que costuma frequentar, comenta que parece a história a repetir-se: “É quase como ‘cá vamos nós outra vez’. Já estamos com 70 anos de distância do Holocausto e agora acontece tudo outra vez.”
A conversa com a empregada acabou por ser o que o atrasou – e salvou. Como o próprio contou ao Washington Post, quando Samet chegou ao parque de estacionamento da sinagoga, já estavam lá alguns polícias, que lhe disseram para não entrar no recinto. 



Judah Samet: escapar pela segunda vez ao anti-semitismo 
(foto reproduzida daqui)

O atirador, Robert Bowers, 46, rendeu-se às autoridades depois do tiroteio e enfrenta agora 29 acusações no ataque, já considerado o mais mortífero a atingir a comunidade judaico-americana. O suspeito está acusado de dois crimes de ódio, pelos quais poderá ser condenado à pena de morte, obstrução de exercício de práticas religiosas, resultante em morte, e obstrução de práticas religiosas resultante em ferimentos a membros da força policial. 

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Festa do Yom Kipur: acrescentar misericórdia à justiça – e o que faz aqui Nina Simone?


Texto de António Marujo


O que faz um homem que errou e não sabe para onde voltar-se em busca da redenção? Em Sinnerman, Nina Simone canta esse homem que corre, corre e não encontra onde esconder-se – e que apenas encontra a paz quando se socorre de Deus e do seu refúgio.
“Mais do que expressar a nossa fé em Deus, o Yom Kipur é a expressão da fé de Deus em nós”, escreve o rabi judeu inglês Jonathan Sacks, a propósito da festa que os judeus de todo o mundo assinalam desde a noite de 18 de Setembro ao fim da tarde de 19 de Setembro, no décimo dia do sétimo mês – o mês de Tishrei.  “Para aqueles que se abrem totalmente a ele, o Yom Kipur é uma experiência transformadora de vida. Diz-nos que Deus, que criou o universo em amor e perdão, nos alcança em amor e perdão, pedindo-nos para amar e perdoar os outros. Deus nunca nos pediu para não cometer erros. Tudo o que Ele pede é que reconheçamos os nossos erros, aprendamos com eles, cresçamos através deles e façamos as pazes onde pudermos”, escreve ainda, num texto com o título Yom Kipur – como ele nos salva, que pode ser lido aqui, na íntegra, em inglês. 
O Yom Kipur, a Festa do Perdão, fala da possibilidade do erro e da possibilidade da purificação. Concluindo o período de dez dias da festa de Rosh Hashaná (literalmente, a “cabeça do ano”, ou Ano Novo judaico), Yom Kipur é a festa maior do judaísmo, assinalada por um jejum de 24 horas. Os cultos das sinagogas sucedem-se, como explica o rabi Marcelo M. Guimarães neste texto, que lê mesmo nas palavras de Paulo, na Carta aos Romanos – “Que homem miserável sou eu! Quem me há-de libertar deste corpo que pertence à morte?” – alguma influência das orações do dia da expiação (Marcelo Guimarães integra a Associação Ministério Ensinando de Sião, que reúne judeus, não-judeus e descendentes de judeus que acreditam em que Jesus, Yeshua haMashiasch é o Messias de Israel). (Ao lado: James Tissot, Agnus Dei. O bode expiatório (1894), Museu de Brooklyn, Nova Iorque, EUA; ilustração reproduzida daqui)

sexta-feira, 30 de março de 2018

O “Seder” de Páscoa: fazer perguntas, a base da liberdade


O Seder de Pessah (a ceia da Páscoa judaica) começa com perguntas, porque as perguntas são a base da liberdade, diz o rabi Eliahu Birnbaum. Falando neste vídeo, em castelhano, sobre a refeição ritual que recorda a saída dos israelitas do regime de escravatura a que estavam sujeitos no Egipto dos Faraós, o rabi Birnbaum acrescenta: “Uma pessoa que é um escravo não pode fazer perguntas”. “Fazer uma pergunta significa expandir-se, expandir o seu pensamento”, de modo a mudar o mundo e mudar-se a si mesmo”, acrescenta.
O rabi Eliahu Birnbaum é responsável do movimento Shavei Israel, que procura aproximar comunidades que se afastaram do judaísmo por circunstâncias diversas (aquipode ler-se uma entrevista, em castelhano, sobre esse trabalho).
No Seder (que é celebrado hoje, sexta-feira, 30 de Março, ou dia 14 do mês de Nisan do ano de 5778 do calendário hebraico), não se trata de fazer apenas perguntas informativas acerca do que aconteceu há uns 3200 anos atrás, acrescenta ainda Birnbaum. Mas também perguntas “pessoais e existenciais”, de modo a que cada um sinta que saiu também do Egipto – e não apenas os seus antepassados –, de forma a criar “um vínculo entre a nossa geração e a geração que saiu do Egipto”.
(aqui pode ouvir-se, com a tradução para português e em versão animada, uma interpretação de Echad Mi Yodea, a canção tradicional que as crianças entoam, no início da refeição de Seder.)



domingo, 25 de março de 2018

Jerusalém: uma cruz para os judeus, um tapete para os cristãos e um talit para os muçulmanos, a fórmula para a paz em Israel


A Cúpula do Rochedo e a Mesquita de Al Aqsa, vistas do Jardim das Oliveiras 
(foto © António Marujo)

No texto da semana passada nas Reflexões Islâmicas, página produzida por Mohamed Yioussuf Adamgy, responsável da revista Al Furqánpode ler-se a tradução, em português, de um artigo de Manuel Ismail Fernández Muñoz, publicado no seu blogue La Taberna del Derviche. Reproduz-se a seguir a versão portuguesa do texto. 

Respondi ao eco do chamamento de Jerusalém, como muitas almas fizeram ao longo dos séculos, para orar aqui e retornar testemunhando que, além de ser a Cidade Sagrada, Jerusalém é um estado de ser.
Aqui pode-se sentir Deus nas entranhas ouvindo cada uma das orações. Pode-se chorar de amor no Muro, prostrado diante da Presença que encheu o espírito na Cúpula da Rocha, ou seguir os passos de Jesus ao longo da Via Dolorosa até chegar ao Santo Sepulcro. Um túmulo vazio porque ele ressuscitou.
Jerusalém é três vezes santa e outras tantas mais para cada um dos peregrinos que chegam aqui, bebem dela e voltam reconfortados. Jerusalém, sem dúvida, é a Casa do Senhor. Um Deus que, no entanto, é tão grande que não cabe em todas as suas igrejas, mesquitas e sinagogas. É por isso que tem que ser compartilhado entre nós.
Agora, que é o momento de partir, sinto-me triste, não porque não tenha sentido Deus derramando-se no meu coração, mas porque vi a ignorância em que meus irmãos e irmãs estão imersos. Bem disse Anthony de Mello que Jerusalém era a cidade onde todos dizem amar a Deus enquanto se odeiam mutuamente até a morte... E, infelizmente, isso também é o que eu encontrei aqui.
Rezando no Túmulo do Jardim, mergulhando nos mistérios que a minha mente esconde e imaginando Jesus caminhando como um jardineiro, por este lugar há séculos atrás, ouvi um capelão dizendo à sua congregação:
- Eu estou hospedado num hotel muçulmano. Certamente que isso é um pecado!
E fiquei muito triste, tanto por aquele homem quanto pelas pessoas que o seguiam, porque não tinham entendido a mensagem de amor de Galileu ou mesmo lido claramente no Evangelho a parábola do Bom Samaritano. Então, pensei, de que os servia vir à Terra Santa, orar nos lugares onde Jesus esteve, se não se esforçavam por fazer o que ele fez? Mas é que a cruz de Jesus pesa muito.
Tentando esquecer o sucedido, algumas horas depois, dirigi-me à Esplanada das Mesquitas e vi que inúmeros polícias palestinos negavam o acesso ao recinto aos não-muçulmanos, e igualmente pensei que esses homens não haviam lido o versículo do Alcorão Sagrado que diz: “É verdade que aqueles que creêm, os judeus, sabeus e cristãos que crêem em Allah e no Último Dia, e agem com rectidão, não terão nada a temer nem se atribularão.” (Surah 5: 69).

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Natan Peres, novo rabi de Lisboa, quer uma estrutura judaica mais forte

      


Natan Peres (foto Monique Kooijmans, reproduzida daqui)

     “A comunidade [judaica] em Lisboa tem um legado muito importante, tem uma história muito rica, tem tradições. Mas temos muito para criar em relação à infraestrutura judaica, em relação à disponibilidade de alimentos ‘kasher’, ao ensino e a educação judaica. A ideia é criar uma estrutura judaica mais forte em Lisboa, recolocar o judaísmo português no mapa do judaísmo mundial”, diz o novo rabi da Comunidade Judaica de Lisboa, Natan Peres.
     Nascido no Brasil há 44 anos, formado em Nova Iorque e Jerusalém como rabi, Peres chegou a Lisboa para ser o novo responsável religioso da sinagoga, substituindo o rabi Eliezer di Martino. 
     Em entrevista à Renascença, Natan Peres recorda o facto de, durante séculos, os judeus terem tido de fugir dos lugares onde viviam, o que os torna particularmente sensíveis à questão dos refugiados: “O povo judeu encontrou-se várias vezes, ao longo da história, numa posição de refugiados. Se há algum povo que pode compreender a situação dos refugiados e o quão difícil isso é, somos nós”, diz. “É nosso dever” ajudar os refugiados, acrescenta, e a Europa “ainda está a aprender a lidar com este influxo, uma realidade nova, em relação ao número de pessoas”. 
     O novo rabi também fala sobre a recente declaração dos EUA no sentido de reconhecer Jerusalém como a capital do Estado de Israel: “Estas questões políticas de vez em quando influenciam-nos a questionar coisas que não são questionáveis. A nossa ligação a Jerusalém é uma coisa que não se deve questionar. Agora, ser ou não ser a capital de um Estado judeu, é um departamento diferente. Cabe aos órgãos políticos resolver a questão do estatuto de Jerusalém.” 
     Em dia de Shabath judaico, um texto mais completo pode ser lido aqui.

sábado, 13 de janeiro de 2018

À procura de Sefarad nas judiarias portuguesas: as 300 marcas de judeus em Trancoso obrigados à conversão

Porta da vila de Trancoso (foto reproduzida daqui)
Em Trancoso, podem encontrar-se 300 marcas em casas que assinalam lugares onde teriam habitado judeus obrigados a converte-se ao cristianismo. Na judiaria de Trancoso, situada dentro das muralhas da pequena vila, viviam artesãos, médicos, colectores de impostos e pessoas com muitas outras actividades – incluindo algumas que chegaram a ser conselheiros de reis, médicos da coroa e altos dignitários da sociedade de então.
Em dia de Shabath judaico, traz-se aqui a referência a um texto (que pode ser lido aqui, em castelhano) de Nora Goldfinger na página de Shavei Israel (uma organização de divulgação e estudo do judaísmo sefardita) acerca das judiarias de Trancoso e da Covilhã.
Entre as marcas referidas por Goldfinger, podem descobrir-se um IHS, acrónimo para Jesus, ou um AM, abreviatura de Ave-Maria, como relatei num reportagem que publiquei em Abril de 2011, no Público, quando a Rota das Judiarias começava a ganhar forma (o texto, que pode ser lido aqui na íntegra, fala também das judiarias de Belmonte, Guarda, Tomar e Castelo de Vide. Entre as marcas que se encontram no “jogo de pista” que se pode jogar em Trancoso, descobrem-se ainda um círculo com um pentagrama – até ao início do século XX, a estrela de Salomão poderia ter sido usada por judeus ou por adeptos da cabala – ou uma cruz grega numa outra porta.
Já na Covilhã, recorda Nora Goldfinger, a cidade teve um importante contributo de judeus, que chegaram ao ponto de colocar a “estrela de David” no brazão covilhanense.

sábado, 22 de agosto de 2015

Muçulmanos, judeus, budistas, hindus: a vocação inter-religiosa de Taizé

Comunidade já estabelece pontes concretas com crentes de muitas religiões, ultrapassando a sua vocação ecuménica


Um sol tecido pelos índios Dakota, na exposição Artogether 
que se pode ver em Taizé, durante este Verão 

Bacary Dieme, 38 anos, vem do Senegal, é muçulmano, mas isso não o impede de rezar numa igreja cristã: “É uma ocasião de descobrir como os cristãos rezam. Voltamo-nos todos para o mesmo Deus, no interior de cada um, e isso é o mais importante.”
O senegalês esteve em Taizé, a comunidade da Borgonha (França), que reúne monges católicos e protestantes. Nos mesmos dias, cinco monges budistas, um hindu, outros oito muçulmanos e dois judeus estiveram também na aldeia, para as celebrações aniversárias da comunidade.
O rabino judeu Levi Weiman-Kelman, de Jerusalém, foi mesmo convidado pela comunidade a fazer a oração inicial da refeição de Taizé com os seus convidados – que incluíam uma centena de responsáveis religiosos, entre os quais um enviado do Papa e o patriarca de Lisboa.
A presença destes líderes de outras religiões em Taizé é um dos testemunhos de que, além da vocação ecuménica e de reconciliação entre os cristãos, Taizé assume já também um importante papel no diálogo inter-religioso.
Bacary conhece há 15 anos a pequena comunidade de três irmãos de Taizé que vive em Dacar (Senegal).
Foram eles que o convidaram a vir a França, para a semana que assinalou os aniversários da comunidade: o centenário do nascimento do irmão Roger, os 10 anos da sua morte (16 de Agosto) e os 75 anos da sua chegada a Taizé (20 de Agosto).
No ano 2000, quando Bacary regressou a casa depois de fazer o exame de acesso à universidade, percebeu que não tinha condições para estudar.

sábado, 4 de outubro de 2014

שמע ישראל - Yom Kipur, o Dia do Perdão

Lê-se no livro bíblico do Levítico: “O Senhor falou a Moisés nestes termos: ‘No décimo dia deste sétimo mês, que é o dia do perdão, fareis uma assembleia sagrada; fareis penitência, e apresentareis uma oferta queimada em honra do Senhor. Não fareis nenhum trabalho nesse mesmo dia, porque é um dia de perdão, para se fazer sobre vós o rito da purificação diante do Senhor, vosso Deus. E todo aquele que não fizer penitência nesse mesmo dia, Eu o farei desaparecer do meio do seu povo. E todo aquele que fizer qualquer trabalho nesse mesmo dia, Eu o farei desaparecer do meio do seu povo. Não fareis, então, trabalho algum: é uma lei perpétua para os vossos descendentes, onde quer que habiteis. Este dia é para vós um dia de descanso absoluto, durante o qual jejuareis; a partir do nono dia do mês, de uma a outra tarde, observareis o vosso descanso sabático.”
Hoje, para os judeus, é o Dia do Perdão ou de Yom Kipur, a festa mais importante, de carácter pessoal, no calendário judaico. Yom Kipur ocorre no dia 10 do mês de Tishrei, o primeiro mês do calendário, e celebra-se depois da festa de Rosh Hashanah, o Ano Novo judaico – o calendário judaico entrou, há 10 dias, no ano de 5775 da criação da humanidade.
Neste dia, os judeus – mesmo muitos dos que não observam outros preceitos – abstêm-se de trabalhar, jejuam e participam no culto da sinagoga. Pretende-se que seja um dia para expiar as falhas do ano anterior – daí também o outro nome da festa, o Dia da Expiação.
“No Yom Kipur, o julgamento sobre cada ser humano, que se iniciou em Rosh Hashana, será selado. Este dia é, essencialmente, o último recurso, a última chance de mudar o julgamento, de demonstrar arrependimento e fazer as pazes com as pessoas a sua volta e com D'us”, pode ler-se aqui.
De acordo com a tradição judaica, “o Yom Kipur expia os pecados entre o homem e D'us, e não os pecados de uma pessoa para a outra. Para expiar estes pecados, deve-se buscar o perdão do próximo e corrigir os erros cometidos contra as pessoas atingidas, se possível. Isso tudo deve ser feito antes de Yom Kipur. Portanto, Yom Kipur é conhecido também como um dia de reconciliação, aonde judeus se esforçam para fazer as pazes com as pessoas além de se aproximar de D'us através da oração e do jejum. Assim, durante os dez dias que antecedem a Yom Kipur, os judeus são encorajados a procurar alguém que possam ter ofendido e pedir sinceramente perdão, para que o Ano Novo possa começar com uma ardósia limpa!”
Este dia tem também um tom de alegria, explica o mesmo texto: “a alegria que se revela na espiritualidade do dia e expressa a confiança de que D'us aceita o nosso arrependimento, perdoa os nossos pecados, e sela o nosso veredicto para um ano de vida, saúde e felicidade.”

No final da última oração do dia de Yom Kipur, cada crente reza: שמע ישראל, o “Shemá Israel” (Escuta Israel), que constitui o centro da profissão de fé monoteísta. Depois disso, se as pessoas estão em grupo, cantam e dançam, sob o mote: “Até ao próximo ano, em Jerusalém!”

(O vídeo a seguir oferece uma interpretação do Shemá Israel)


quinta-feira, 17 de abril de 2014

Pessah: Para o ano que vem, em Jerusalém


É uma celebração que oscila entre a refeição ritual e a leitura e memória do relato da saída do regime de escravatura do Egipto. Como escreve G. Haddad na sua obra Comer o Livro: “A absorção dos elementos rituais intercala-se como uma pontuação na leitura de um livro específico desta festa: a Agadá. Agadá significa conto, mito, história, récita, comentário da epopeia da saída do Egipto”, passando de um regime de escravidão para a liberdade.
A Pessah (Páscoa) é celebrada anualmente pelos judeus, desde há cerca de 3400 anos, entre 15 e 22 do mês de Nissan (15 a 22 de Abril).
Durante estes dias, o alimento simbólico por excelência é a matsa (pão ázimo) que substitui o pão, em memória da fuga precipitada dos escravos hebreus, que não tiveram tempo de deixar levedar o pão. Ao longo destes oito dias, é interdito comer alimentos que fermentem, como o milho, o trigo, o centeio ou o malte...
Um dos elementos centrais da festa é o seder (ordem), cerimónia familiar em que se conta, segundo uma determinada ordem, a história da saída do Egipto e se comem os alimentos simbólicos; além da matsa (pão ázimo), maror (ervas amargas), simbolizando a amargura da escravidão, karpass (vegetais), água salgada ou vinagre, representando as lágrimas dos escravos hebreus, e harosset, pasta de figos e nozes simbolizando a argamassa com que se construíam as pirâmides.

domingo, 19 de janeiro de 2014

Anticiclone papal

Crónicas

Na sua crónica desta sexta-feira no Correio da Manhã, com o título “O anticiclone papal”, Fernando Calado Rodrigues analisa as nomeações do Papa para novos cardeais, anunciadas na semana passada:

A lista dos purpurados de Bergoglio, sendo surpreendente, é todavia congruente com a sua atenção às periferias, a qual não se tem cansado de referir nas mais variadas circunstâncias. Verifica-se, uma vez mais, uma profunda coerência entre as palavras do atual Papa e a forma concreta como governa a Igreja.

O texto integral pode ser lido aqui.

Já há quinze dias, o mesmo autor falava do efeito Francisco, antecipando precisamente algumas expectativas que o anúncio dos cardeais veio confirmar. Sob o título “Um bom 2014”, escrevia:

Espera-se que 2014 seja o ano em que frutifiquem as ideias que o cardeal Bergoglio carregou desde o “fim do mundo” e semeou durante o ano de 2013. José Manuel Vidal escreve no sítio espanhol “Religión Digital”, de que é diretor, que 2014 será o ano em que se consolidará “a revolução tranquila de Francisco”. O ano em que “a primavera da Igreja florescerá em todas as estruturas e níveis”. Não é ele o único a acalentar essas expectativas e a fazer votos para que assim seja.

(texto completo aqui)

Na semana passada, a crónica era sobre o episódio da recusa da Comunidade Judaica do Porto em participar numa iniciativa conjunta com outras comunidades judaicas e com uma paróquia católica do Porto, para a criação de um Centro da Memória Judaica. O texto pode ser lido aqui.