Texto de Maria Wilton
Ricardo Araújo Pereira:
“Todos estão “à procura: não acredito em Cristo, mas acredito nos cristãos”
(foto reproduzida daqui)
O encontro 3 Milhões de Nós pretendeu renovar a linguagem para aproximar a mensagem cristã dos jovens
“Eu fiz a escola primária num colégio de freiras vicentinas, depois estudei num colégio de padres franciscanos; depois, então, estudei num colégio de padres jesuítas e, no fim, Universidade Católica. Muitas vezes as pessoas perguntam-me se é por isso que eu sou ateu. E não é: eu sou ateu apesar disso.”
Foi assim que, entre muitas gargalhadas, o humorista Ricardo Araújo Pereira começou a sua intervenção no encontro 3 Milhões de Nós, que encheu a Aula Magna, em Lisboa. Sábado passado, 10 de Novembro, cerca de 1700 pessoas – jovens, na maior parte – ouviram um conjunto de convidados a falar sobre temas como a espiritualidade, o mundo do trabalho ou a família. O título da iniciativa remete para o facto de, em Portugal, haver cerca de três milhões de pessoas com menos de 25 anos, que o encontro pretendia atingir, com criatividade e novas linguagens, como diria a irmã Núria Frau, responsável da iniciativa.
O humorista falou sobre viver a espiritualidade sem fé, partindo da sua experiência de, não sendo crente, ter frequentado escolas católicas. Destacou o impacto que para ele teve o “padre Joaquim”, um professor de Português do colégio dos padres franciscanos. Recentemente falecido, a sua recordação emocionou o fundador dos Gato Fedorento. Ricardo Araújo Pereira acrescentou que, enquanto ateu, está sempre a pensar no fim da vida e na sua finalidade ou propósito. Mas que, apesar disso, se considerava semelhante a quem tem fé: todos estão “à procura: não acredito em Cristo, mas acredito nos cristãos”.
Um painel com frases escritas pelos participantes,
no qual a frase de Ricardo Araújo Pereira foi reproduzida
(foto © Maria Wilton)
Acerca da experiência de ter fé falou também Zohora Pirbhai, da Comunidade Ismaili de Lisboa, um dos grupos muçulmanos mais importantes. A oradora pretendia dar outra perspetiva acerca do Islão. Assumindo-se como feminista e islâmica, salientou que, no seu modo de entender o seu islão, os dois conceitos não se excluem mutuamente.
Portugal “resiste à crise de fé”
Da experiência cristã falou o padre jesuíta Pedro Rocha Mendes, para quem os jovens continuam a tentar preencher a vida com algo mais: “O mundo em que vivemos”, virtual, descartável e instantâneo, como caracterizou, “está voltado para a satisfação imediata, mas todos nos apercebemos que a satisfação não gera felicidade, mas sim, mais insatisfação.”







