Opinião de Joana Rigato
Presépio de José Aurélio no Santuário de Fátima
Há dias foi a festa de Natal da escola dos meus filhos. Uma escola pública muito bem conceituada, onde os professores e os pais se envolvem para tornar possível um espetáculo de duas horas e meia, que enche um cinema inteiro. O palco estava muito giro, decorado com caixas gigantes a simular prendas, para dar contexto cénico às atuações dos miúdos. Tudo graças ao envolvimento pessoal de montes de gente que ofereceu o seu tempo para fazer aquilo. Admirável.
Mas voltei a ficar perplexa e triste, como todos os anos. Há três anos que vou a estas festas de Natal. No total já assisti a 27 atuações (nove turmas, portanto nove atuações por ano) e, até agora, não houve uma que falasse de Jesus e do presépio, da origem da festa do Natal na nossa cultura (cujas raízes são cristãs, quer se queira quer não). Não houve sequer nenhum turma que encenasse alguma estória que focasse o espírito de solidariedade e amor que é suposto ser o cerne desta festa. Nem uma.
Não peço muito: um conto, um poema, uma música, uma história lida pelos miúdos, sei lá, que fale, por exemplo, de alguém que está sozinho e passa a ter amigos no Natal. Alguém que não tem o que comer ou vestir, e é ajudado no Natal. Alguém que aprende a perdoar, a incluir, a amar de forma mais generosa no Natal. Uma família que está dispersa e se reúne e faz as pazes no Natal. Nada disso.










