domingo, 5 de agosto de 2018
O terramoto chileno provoca o abalo que o Papa quer para toda a Igreja
segunda-feira, 29 de janeiro de 2018
Pedofilia e críticas ao Papa
terça-feira, 1 de agosto de 2017
Pedofilia: Francisco ainda precisa de fazer mudanças na Igreja
Kieran Tapsell, advogado público aposentado e autor de “Potiphar’s Wife: The Vatican’s Secret and Child Sexual Abuse”.
[Artigo publicado no National Catholic Reporter, de 28-07-2017. A tradução é de Isaque Gomes Correa e foi publicada na Newsletter o Instituto Humanitas da Unisinos].
O Papa Francisco pode se ver impedido pela teologia no tocante a ter mulheres ordenadas ao sacerdócio. Mas os Cânones 478 e 1420 exigem que os vigários gerais, vigários episcopais e judiciais também sejam sacerdotes. Estes, portanto, não podem ser mulheres, exceto com uma autorização concedida por homens em Roma. Uma regra assim pode ser alterada com o simples uso de uma caneta.
sábado, 18 de julho de 2015
Pedofilia na Igreja e acusações: é preciso bom senso
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Colóquio no Vaticano sobre pedofilia: para a cura e a renovação
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
"O ano em que o Papa declarou guerra à pedofilia"
domingo, 14 de novembro de 2010
Causas dos abusos sexuais por parte de membros do clero
O vídeo refere-se a uma conferência que fez na semana passada em Sidney, Austrália, na Inaugural Australasian Clergy Abuse Reparation & Prevention Conference .
Informação complementar:
- Brian Coyne: Healing the victims of clerical sexual abuse and healing the institutional culture!, at Catholica
- Tom P. Doyle: Pope, cardinals don’t need prayer; they need to listen, at Nat. Catholic Reporter.
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Arcebispo de Bruxelas: condutor em contramão, sob fogo mediático
Tendo sucedido em Janeiro último ao cardeal Daneels, outrora um prestigiado membro da hierarquia da Igreja, mas que esteve nos últimos meses sob a acusação de ter dado cobertura a pelo menos um caso de abusos sexuais continuados, o do bispo de Bruges, o seu sucessor, o arcebispo-primaz André-Joseph Léonard, não se tem cansado de provocar a polémica. Primeiro, foi acusado de considerar a SIDA uma "justiça imanente", espécie de castigo para pessoas que abusaram do corpo. Noutra ocasião, referiu-se à homossexualidade em termos que suscitaram a associação a uma doença semelhante à anorexia. Mais recentemente, perante uma sociedade chocada com a Igreja por causa da pedofilia, foi ao ponto de sugerir que os padres acusados desse crime não deveriam ser punidos pelo poder eclesiástico, mas antes deveriam poder viver tranquilos os anos que lhes restam de vida.
A tudo isto o visado responde (extenso comunicado difundido ontem) considerando que se trata, em boa medida, de interpretações abusivas dos media e dos comentadores e de frases eventualmente retiradas do respectivo contexto. Sobre a doença de SIDA observa que se trata de umas afirmações feitas há cinco anos, num quadro de evolução da doença diverso do actual, e que ganham agora pertinência, com a tradução do livro de 2005 para flamengo. Relativamente à homossexualidade, recorda que se limitou, num debate televisivo, a comparar "a atitude que se adopta com as pessoas anoréxic e a que devemos ter para com as pessoas homossexuais", o que não autoriza a dizer-se tratar-se nos dois casos de pessoas "anormais" ou "doentes". Finalmente, acerca de padres pedófilos, observou que se referia a casos concretos de padres de idade avançada, alguns internados em lares, relativamente aos quais os crimes prescreveram e cujas vítimas se satisfizeram com o facto de os vitimizadores reconhecerem os abusos e pedirem perdão pelo que fizeram.
Pelo menos boa parte da opinião pública belga considera estar-se perante um hierarca desbocado. A verdade é que o mal-estar na Igreja daquele país tem-se vindo a acentuar nos últimos meses e há bispos, como de Namur, que fazem questão de se distanciar dos seus posicionamentos. Há dias, Léonard fez saber que se calaria até ao Natal, uma medida apoiada pelos responsáveis de duas revistas católicas do país, mas a promessa durou poucas horas e quem não aguentou mais foi o seu porta-voz, um jovem e prestigiado teólogo leigo que anunciou ontem, em comunicado, a demissão do cargo, salientando que "o copo transbordou". E comparou mesmo o arcebispo a um condutor em contramão, convencido de que todos os outros condutores é que estão errados. Declarações que configuram "algo nunca visto na história da Igreja da Bélgica", nas palavras do chefe de redacção da revista católica daquele país "Kerk & Leven".
O que é facto é que, como dizia recentemente um dirigente católico belga, a Igreja daquele país é uma "zona sinistrada" e os factos mais recentes não são de molde a reconstruir o que tem estado a desabar.
domingo, 25 de julho de 2010
Bento Domingues sugere leituras de férias; Anselmo Borges fala de "pedofilia e ordenação de mulheres"
Anselmo Borges no DN de ontem:sexta-feira, 2 de julho de 2010
Aborto, lei, ética e o que (não) se faz
Apesar de uma notícia posterior do mesmo jornal em que se diz que é uma minoria de mulheres que o faz (o presidente do CNECV não falava de maioria, dizia apenas que "há mulheres" que o fazem), vale a pena ler a entrevista.
Miguel Oliveira da Silva tinha estado, dia 15 de Junho, num encontro promovido por jornalistas que tratam informação religiosa, onde falou exactamente sobre alguns dos temas retomados na entrevista. A importância das suas declarações levou-me a sugerir uma entrevista no Público. Na versão on-line, ele fala também da questão da pedofilia na Igreja. A ler com atenção.
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quarta-feira, 30 de junho de 2010
Papa pode ser chamado a depor nos tribunais norte-americanos
"É uma sentença ilógica. Abre-se caminho para pessoas em busca de dinheiro"
Gianni Gennari, teólogo e comentador do jornal Avvenire, dos bispos italianos, não vê "nenhuma racionalidade" na decisão tomada nesta segunda-feira pelo Supremo Tribunal norte-americano que rejeita a imunidade diplomática reivindicada pelo Vaticano, permitindo até que o Papa seja chamado a depor como testemunha ou como acusado nos casos de pedofilia. A entrevista saiu no “La Stampa” de 29 de Junho. Apareceu traduzida em português aqui.
De agora em diante, o Vaticano irá responder pelos abusos do clero?
Que uma coisa aconteça é um fato, mas não é dado que ela seja justa. Hegel se equivocou: "Nem todo o real é racional". Os juízes do tribunal dos EUA têm o direito de chamar a Santa Sé a julgamento por um crime cometido por um cidadão norte-americano, ou de outro Estado, só por ser padre? Um padre é um dependente jurídico do Vaticano? E por quê? Mesmo que viva no Pólo Sul? Mesmo se atropelar um pedestre de carro? Mesmo se roubar uma marmelada no supermercado? Que relação jurídica existe, para o direito norte-americano, entre um padre e o seu bispo quando se trata de ações totalmente pessoais e como tais incontroláveis?
A Santa Sé se sente cercada?
Vivemos um tempo de "zombarias" singulares. O limite da racionalidade parece ter sido superado. A menos que a pretensão se fundamente só no fato de que esse Papa, entristecido, reconheceu, de um lado, o horror cometido por padres como um pecado e, pela lei do Estado, também como um crime, e alguém queira se aproveitar disso para fazer dinheiro. Justamente o fato de ter decidido pela tolerância zero, por ter levado a sério as partes das vítimas seria pretexto para punir quem se recusa a proteger os réus e os entrega à justiça?
A linha defensiva da Igreja está ruindo?
Sim. Deve-se dizer, porém, que a tese defensiva de que "todo bispo é Papa em sua casa" é uma concepção ilógica da defesa, que já fez muitos danos. Todo cidadão adulto é o responsável único pelos seus atos e se, para realizá-los, usa prerrogativas de tipo associativo, como as eclesiais, comete um segundo delito, que deve ser punido com as leis da associação falsamente colocada em jogo e, assim, caluniada e prejudicada. Se nos tempos do caso Craxi, ou do caso Greganti, a polícia italiana não só tivesse entrado com força na sede do PSI e do PCI, mantendo todos presos por 10 horas, mas também tivesse escavado os túmulos de Nenni, Togliatti e Berlinguer para "procurar provas" dos crimes financeiros, além disso certos, o que se teria dito?
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Sexo: obediência e abertura
Assim abre um artigo publicado hoje no site do National Catholic Reporter, cuja leitura se sugere, como contributo para analisar o actual problema da pedofilia na Igreja.
Ler:Sex: Obedience & Disclosure
terça-feira, 6 de abril de 2010
Aprender na Europa com os Estados Unidos
" (...) Desde o início que os bispos americanos subestimaram a dimensão e gravidade do problema. Antes de 1993, apenas um terço das vítimas se apresentaram para relatar o abuso às respectivas dioceses, de modo que nem mesmo a Igreja sabia o quão grave a crise se desenhava. A maioria das vítimas não quer que outros saibam que eles foram vítimas de abusos, especialmente os seus pais, cônjuges, filhos e amigos. A cobertura mediática dos abusos do clero incentivou e capacitou as vítimas a manifestrar-se e a descobrirem que não estávamos sozinhas.
Hoje, os europeus estão chocados com as centenas de casos que vêm sendo relatados. Devem preparar-se para milhares. Nos Estados Unidos, mais de 5.000 sacerdotes, ou 4 por cento do clero, foram responsáveis por 13.000 denúncias ao longo de um período de 50 anos. Não há nenhuma razão para pensar que a Europa seja diferente. Espere-se o melhor, mas façam-se as contas e esteja-se preparado.
O maior erro de cálculo dos bispos americanos foi feito a pensar que a crise iria passar em poucos meses.
Aninhar-se e esperar que a tempestade passe é uma estratégia errada. A não ser que se queira ir para uma crise muito prolongada, como nos Estados Unidos, os bispos europeus têm de ser transparentes e encorajar as vítimas a apresentar queixa agora. É melhor pôr cá fora todas as más notícias o mais rapidamente possível do que dar a aparência de uma tentativa de encobrimento.
Uma escola dos jesuítas, em Berlim, fez a coisa certa. Teve conhecimento de sete casos de abuso. Tornou-os públicos, contratou uma advogada para passar a pente fino os seus arquivos e lidar com as vítimas, e depois escreveu aos antigos alunos pedindo às vítimas que se manifestassem. Quando, pelo menos, 120 vítimas se manifestaram dizendo que tinham sido abusados naquela escola jesuíta da Alemanha, os insensatos acharam uma loucura a escola ter-se antecipado com aquelas medidas. Mas não se tratou apenas da atitude mais cristã a ter; foi igualmente uma inteligente acção de relações públicas. Agora ninguém acusa a actual administração da escola de esconder o assunto. Além disso, em lugar de três a cinco anos de má publicidade com uma vítima atrás da outra a aparecer, eles vão ter alguns meses de publicidade negativa até que os media se virem para outro assunto.
Os bispos americanos também cometeram o erro de culpar os media. Em contrapartida, acusaram a cultura permissiva e procuraram reduzir o alcance dos abusos clericais, apontando que há 90.000 a 150.000 casos de abusos sexuais por ano, nos Estados Unidos. Embora isso seja verdade, é contraproducente para os bispos apostar nestes argumentos, que são entendidos como desculpas. Pelo contrário, os bispos devem condenar o abuso, pedir desculpas e pôr em prática políticas para se certificarem de que as crianças estão seguras. Pedir uma vez desculpas não basta. Como um marido que foi infiel à sua esposa, eles devem pedir desculpas, desculpas, desculpas.
Finalmente, os bispos americanos desculparam-se, dizendo que cometeram erros, mas não foram culpados, dada a sua ignorância. Isso não pega. Os católicos norte-americanos queriam que alguns bispos se levantassem e dissessem: "Eu cometi um erro, mudei o padre para outra paróquia, achei que ele não iria abusar novamente, fui mal aconselhado, mas assumo plena responsabilidade. Lamento e demito-me. "
Se 30 bispos dos Estados Unidos tivessem feito isso, a crise não teria ido tão longe como foi. As pessoas teriam dito: "Bom, é isso que os líderes devem fazer. Eles entenderam. Com um novo bispo, podemos arrepiar caminho e seguir em frente.(...) "
Para ler o texto na íntegra: AQUI
Ver ainda no mesmo número da revista:
- The Millstone
- Vatican Goes on Defense in Response to Media Reports.
domingo, 4 de abril de 2010
sexta-feira, 2 de abril de 2010
Ex-director do "Público" escreve sobre Bento XVI, a imprensa e a pedofilia
quinta-feira, 1 de abril de 2010
"Pedofilia e anticlericalismo"
"Tenho para mim que as violações, abusos e os crimes mais hediondos podem acontecer em qualquer meio seja ele laico ou religioso e não vejo portanto que o clero católico ou doutra fé goze duma qualquer superioridade que o torne imune a estes actos. Do que já faço alguma ideia é de que a reacção perante a pedofilia e os abusos sexuais varia em função do perfil de quem a ela é ou foi associado como responsável: se for cineasta terá abaixos-assinados de apoio; se for político os seus pares podem levar a protecção institucional até à alteração de leis de modo a que os casos sejam arquivados; se for um cidadão comum será provavelmente recebido por multidões em fúria à porta do tribunal e caso seja agredido na cadeia toda a gente achará que isso faz parte do código de honra dos presos (donde se presume que quem administra as cadeias não tem um código de honra que lhe imponha impedir que os detidos se agridam uns aos outros). Se for padre é imediatamente dado como culpado. Não menos importante, segundo este raciocínio, o actual Papa foi e é responsável por esses crimes."
segunda-feira, 29 de março de 2010
"Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar"
O escândalo dos abusos sexuais por parte do clero e do modo como alguma hierarquia tem lidado com este tipo de casos já foi considerado o pior dos últimos cem anos. Será preciso mais recuo temporal para fazer tal avaliação, mas não parece haver dúvidas que há aqui algo de muito sério e grave e que muita coisa vai depender do modo como a Igreja lhe responde.Não restam para mim dúvidas de que, em casos desta natureza, há quem se delicie em ver a Igreja a sangrar. E tomara a esses que não recuperasse dos golpes. A realidade talvez não lhes faça a vontade, porque o bom senso aconselha a distinguir o que não pode ser confundido. Também neste caso, não se pode tomar a nuvem por Juno.
Mas que a Igreja se põe a jeito, lá isso põe. Desde logo por pretender que estes são casos individuais, de "pecadores" que traíram a sua fé e esqueceram a doutrina. O número de casos e a extensão do fenómeno aí estão para mostrar que não é assim.
Mal iríamos se a resposta se limitasse a uma espécie de agravamento do regime disciplinar. Tenho para mim que se torna fundamental reflectir, ao menos sobre estes quatro pontos:
- - Os direitos e a dignidade das vítimas, nomeadamente quando crianças pequenas e, maxime, quando portadoras de deficiência;
- - a política do segredo e do encobrimento, confundida com serviço à Igreja, e que mais não é,neste tipo de casos, do que protecção da ilegalidade e do crime;
- - o lugar e a dignidade da sexualidade e o papel do seu exercício saudável e responsável numa vida equilibrada, por parte de todos os cristãos, sejam clérigos ou não;
- - a promoção e participação num debate mais largo, envolvendo diferentes instituições sociais que se confrontam com o problema dos abusos sexuais.
Não é coisa pouca o que está em jogo. É "apenas" a credibilidade.
Em linguagem evangélica: se o sal perder a força, é melhor ser deitado fora e ser pisado pelos homens (Mt 5.13b).
sábado, 27 de março de 2010
Anselmo Borges escreve sobre "a pedofilia na Igreja Católica"
Na semana passada, fui abordado por vários jornalistas sobre a calamidade dos padres pedófilos. Que achava? A resposta saía espontânea: "Uma vergonha." Aliás, no sábado, apareceu, finalmente, a Carta do Papa, na qual manifestava isso mesmo: "vergonha", "remorso", partilha no "pavor e sensação de traição".
O pior, no meio deste imenso escândalo, foi a muralha de silêncio, erguida por quem tinha a obrigação primeira de defender as vítimas. Afinal, apenas deslocavam os abusadores, que, noutros lugares, continuavam a tragédia. Ler mais aqui.





