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sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Um novo centro médico, prenda de Natal do Papa aos pobres e sem-abrigo de Roma

Texto de Maria Wilton


As instalações médicas do centro Mater Misericordia, na Praça de São Pedro 
(foto reproduzida daqui)

O Papa Francisco anunciou no sábado, 22 de dezembro, a abertura de um novo centro médico no Vaticano, destinado a prestar serviços de emergência e primeiros-socorros aos pobres e sem-abrigo que precisarem de cuidados de saúde. De acordo com um comunicado da Santa Sé, o espaço é um presente do Papa, na época natalícia, aos mais desfavorecidos, e surge na sequência de outros serviços para as pessoas sem-abrigo que circulam na zona, como duches públicos e uma barbearia solidária.
O novo centro “Mãe da Misericórdia” acabou de ser construído recentemente e localiza-se na Praça de São Pedro, no local de um antigo posto dos correios do Vaticano. Substitui o centro de São Martinho, inaugurado em 2016.
A clínica será gerida em conjunto pelo Governo do Vaticano e pelo gabinete de serviços de saúde do Vaticano. Conta com três quartos separados para visitas médicas, um gabinete para o diretor da clínica, duas casas de banho e uma sala de espera. Os quartos terão novos equipamentos e máquinas para possibilitar os primeiros exames médicos e análises.
Além de serviços básicos para as pessoas sem-abrigo, que se realizarão à segunda, quinta e sábado, é também propósito do centro ajudar os peregrinos que precisam de assistência médica durante acontecimentos na praça ou audiências papais.
O serviço do novo centro médico será realizado por especialistas médicos voluntários e pessoal de saúde da Santa Sé e da Universidade de Roma-Tor Vergata, bem como por voluntários da Associação de Medicina Solidária e da Associação Italiana de Podólogos. Além disso, o centro de saúde promoverá a formação de estudantes e pós-graduados da Faculdade de Medicina de Tor Vergata.
Desde que Francisco é Papa tem feito um grande esforço para promover diversas iniciativas em favor dos mais necessitados e sem-abrigo que circulam na zona de São Pedro, convidando-os a assistir a concertos, oferecendo visitas guiadas aos Museus do Vaticano, organizando almoços e melhorando os serviços médicos e de higiene nas redondezas. Também no último Dia Mundial dos Pobres, 18 de novembro, um centro médico ambulatório foi colocado na Praça de S. Pedro, permitindo que todos os que precisassem fizessem avaliações médicas gratuitas.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

O neo-cardeal que pode ir para a prisão


O arcebispo de origem polaca Konrad Krajewski, que é o assessor do papa Francisco para as obras de caridade, não ficou muito entusiasmado com o facto de ter sido eleito cardeal, a avaliar por um artigo agora publicado pelo site Religión Digital
Krajewski prefere estar próximo dos sem abrigo e dos pobres, acolhendo-os, alimentando-os e prestando serviços de que necessitam.
"E  - escreve Religión Digital - caso houvesse dúvidas de que a sua filosofia de vida é inspirada no Evangelho, o futuro cardeal pergunta: "Se nesta pessoa pobre ou sem abrigo você vê Jesus, o que é que lhe vai dar? Roupa estragada, de que você já não precisa? Comida fora de prazo? Não! Você daria a Jesus o melhor que tem!" 
Não admira que Krajewski se dê tão bem com o papa Bergoglio, que nunca se cansa de dizer aos ricos que vão ao Vaticano com a intenção de doar dinheiro: 
"Dê um emprego aos pobres!" 
Não é que conte com o total apoio de Francisco no seu trabalho com os refugiados, aos quais já chegou a ceder o seu apartamento. Algo que, admitiu ao Papa, "pode não ser compatível com a lei". Mas se for para a cadeia, conta que Francisco lhe disse: "Eu irei visitar-te!".

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Iria Hans Rosling dizer em Davos que as Nações Unidas estão loucas?





Se o médico e académico sueco Hans Rosling (27 de Julho de 1948 – 7 de Fevereiro de 2017) ainda estivesse vivo e fosse convidado para ir ao Fórum Económico Mundial que estes dias está a decorrer em Davos (Suíça), talvez fosse dizer que as Nações Unidas estavam loucas quando anunciaram o objectivo de erradicar a pobreza extrema para todas as pessoas até 2030, no âmbito dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável
Provavelmente, Hans Rosling também diria que não podemos continuar a ter um mundo em que mais de 80 por cento da riqueza criada em todo o mundo vai parar aos mais ricos, que representam apenas um por cento da população mundial, como nos diz o relatório da Oxfam divulgado no início desta semana. 
Olhando para as realidades das pessoas mais pobres, o objectivo de erradicar a pobreza extrema parece impossível, diz a apresentação deste vídeo, gravado há pouco mais de dois anos. Nesse ano, não houve chuva no Malawi, mas a muitas pessoas – como mostram alguns exemplos apontados por Hans Rosling – basta muito pouco, como uma pequena colheita de milho, para quebrar o ciclo vicioso da pobreza.
Quando, em Setembro de 2015, os Chefes de Estado ou Governo dos países do mundo estabeleceram os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável ou ‘Agenda 2030’ e declararam a sua determinação em acabar com a pobreza e a fome, muitas pessoas poderiam abanar a cabeça e pensar como Astérix Estes romanos são doidos”.
O médico sueco voluntariou-se para ir trabalhar em Moçambique quando a descolonização deixou o país sem assistência médica. Muitas voltas depois acabou a ensinar saúde internacional no seu país e criou a página Gapminder na internet, onde ajuda a dar significado às estatísticas. 
Hans Rosling, que morreu há pouco menos de um ano, deixou um conjunto de mensagens fundamentadas de esperança e incentivo a persistir no combate às injustiças (iniquidades, como se diz habitualmente no campo da saúde) no acesso aos bens da terra e aos cuidados de saúde. 
No vídeo acima reproduzido, Hans Rosling mostra como tem sido a evolução de indicadores de saúde no ultimo século, o que significa viver com um dólar por dia ou como são as casas das pessoas que vivem com um ou dez dólares por dia. Mostra o que acontece quando essas pessoas estão doentes e como é importante olhar para a história de todo o século XX.
“Loucas estariam as nações se não quisessem acabar com a pobreza.” Assim, o objectivo de erradicar a pobreza extrema não é inatingível. Só o é, como explica Hans Rosling, porque a visão de muitas pessoas altamente letradas está atrasada em seis décadas. 

(Este texto teve o contributo de Cláudia Conceição; sobre o fórum de Davos, pode ler-se aqui, em inglês, o teor da intervenção do secretário-geral do Conselho Ecuménico de Igrejas, Olav Fykse Tveit, que falou sobre o perigo nuclear)


terça-feira, 26 de maio de 2015

Pentecostes, um mundo de irmãos, ecologia e combate à pobreza

Não desistir do Espírito do Pentecostes era a proposta de frei Bento Domingues, na sua crónica do último domingo, no Público:

No começo dos Actos dos Apóstolos, Jesus Cristo manifestou-se um bocado desesperado. Tinha passado a vida a tentar convencer os Doze de que foram chamados, não para ocupar lugares de chefia, mas para dar a vida por um mundo novo, no qual as pessoas são apreciadas pelo serviço que prestam. Ele próprio veio para servir, não para dominar. No entanto, a única pergunta que lhe fazem depois da ressurreição é miserável: Senhor, será agora que vais restaurar a realeza em Israel? O Mestre é muito firme: só vos pertence ser minhas testemunhas até aos confins da Terra e da única coisa que precisais é do Espírito de Deus. Foi ele que animou a minha vida.
Não celebramos a festa de Pentecostes por nostalgia. A Terra nunca foi um paraíso. Precisamos do espírito do Pentecostes para que nenhuma geração desista de um mundo onde não haja indigentes, mas irmãos.
(o texto pode ser lido na íntegra aqui)


Também Vítor Gonçalves escreveu sobre a mesma festa cristã, propondo uma Litania de Pentecostes:

Vem, Espírito Santo! Vem com o dom do Temor de Deus,
responsabilizar toda a humanidade no cuidado da vida e dos dons recebidos e adquiridos. Aquele temor que não é medo, mas atenção e fidelidade ao essencial, confiado na salvação oferecida em Jesus; aquele nos faz viver em mais amor e verdade, na comunhão com Deus – Trindade.
(o texto pode ser lido na íntegra aqui)


No DN de sábado, Anselmo Borges continuava a reflexão sobre Ecologia e religião, iniciada na semana anterior:

 “Dominai a Terra”, disse Deus aos primeiros homens, segundo o Génesis. Há quem acuse essa ordem divina da presente situação. Má interpretação, pois o que Deus mandou foi cuidar da Terra como quem cuida de um jardim. E aí está outra razão para o Papa Francisco publicar em breve uma encíclica sobre a preservação do meio ambiente: é preciso cuidar da natureza, porque é criação, dom e presente de Deus.
(o texto pode ser lido na íntegra aqui)


Já Fernando Calado Rodrigues escreveu acerca da pobreza e a falta de vontade política para combater o flagelo, sob o título Os pobres não votam:

Nos tempos de crise, não são os ricos os mais afetados, são os pobres os que mais sofrem. E muitos dos que antes não o eram acabam por ser lançados para níveis próximos do limiar da pobreza. Nesta última crise, que o país atravessa, resvalaram para essa situação mais duzentos mil portugueses.
É por isso urgente um envolvimento de todos – a começar pelos partidos políticos – na implementação de uma estratégia nacional para a erradicação da pobreza.
(o texto pode ser lido na íntegra aqui)

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Queremos uma sociedade mais justa? – uma Sessão de Estudos promovida pelo Metanoia


(foto reproduzida daqui)

“O ponto de interrogação no título não é nada inocente. Ao regressarmos a este tema estamos conscientes de um certo cansaço, de alguma impaciência, de bastante desilusão, de uma dúvida crescente.” A afirmação pode ser lida na apresentação da Sessão de Estudos 2015, promovida pelo Metanoia – Movimento Católico de Profissionais e que decorre sábado e domingo da próxima semana (dias 28 de Fevereiro e 1 de Março), na Casa Diocesana de Vilar, no Porto.
O programa, que pode ser consultado aquiprevê a participação dos economistas Carlos Farinha Rodrigues e Manuela Silva e do juiz Álvaro Laborinho Lúcio. Farinha Rodrigues, que intervém às 10h45 de sábado, 28, fará um ponto de situação sobre as desigualdades em Portugal. Às 14h30, Manuela Silva intervém acerca do tema “De uma ‘economia que mata’ a uma economia mais justa”. Finalmente, às 16h45, Laborinho Lúcio fala sobre “Justiça Social e Cidadania – Caminhos para uma Sociedade mais Justa”. Um filme e um debate sectorial completam o programa.
O encontro propõe-se, segundo os organizadores, atingir quatro objectivos:
“1. Fazer um ponto de situação da sociedade portuguesa em matéria de justiça social, em vertentes como a distribuição de rendimentos e de oportunidades, os índices de pobreza, as virtualidades e os limites das políticas públicas aplicadas.
2. De forma particular, analisar algumas áreas específicas para perceber como estão a contribuir para a reprodução das desigualdades ou para a sua redução. Para tal, selecionámos áreas da educação, da saúde e do emprego/trabalho, sem prejuízo de contributos noutras áreas que os participantes queiram apresentar.
3. Tentar explicitar alguns subentendidos – antropológicos, filosóficos, políticos, teológicos -, procurando responder a perguntas como estas:
- Porque temos uma sociedade tão injusta?
- Porque devemos procurar uma sociedade mais justa?
- O que estamos dispostos a fazer para termos uma sociedade mais justa?
- Qual o lugar da ação pessoal, das organizações e do Estado?
4. Identificar perspetivas, caminhos e campos de intervenção que merecem mais atenção, conhecimento e ação.”
O texto de apresentação da iniciativa acrescenta ainda, sobre a contextualização da Sessão de Estudos, os seguintes enunciados:

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Ir a Roma e ver os sem-abrigo

Crónica

No DN de hoje, Miguel Marujo escreve a propósito da homilia de ontem do Papa Francisco, e dos sem-abrigo que rodeiam a Praça de São Pedro: 

É ditado popular que nem todos cumprem: ir a Roma e ver o Papa. Mas é impossível não ver os sem-abrigo, nos quais quase tropeçamos nas arcadas de edifícios do Vaticano e da Cidade Eterna. São muitos, tapados por cobertores, que escondem o rosto e a miséria. De dia, vê-se que esses muitos são também imigrantes que procuraram na Europa a vida que a guerra, a fome e a pobreza lhes roubaram nos seus países de origem. (...)
Talvez os governantes europeus devessem vir mais a Roma, mas não para ver o Papa.

(o texto integral pode ser lido aqui)

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

O que é ser criança pobre em Portugal?

No Público de sábado, o presidente da Cáritas, Eugénio Fonseca, dá uma entrevista sobre a pobreza, onde diz que, em Portugal, se continuam a estigmatizar os pobres e não a pobreza. A entrevista começa com a seguinte pergunta e resposta:

P. - O que é ser uma criança pobre em Portugal?
R. - É não ter possibilidade de fazer o número de refeições que se considera que são necessários. Temos crianças que, se não fosse a escola ou alguma Instituição Particular de Solidariedade Social em que estão, não teriam acesso a uma refeição digna. Para muitas, a única completa do ponto de vista dos nutrientes é a que recebem na escola ou na instituição. Depois, é não ter acesso a cuidados de saúde que são determinantes para superar doenças que se podem tornar crónicas. E não ter acesso a todos os recursos educativos que a generalidade das crianças têm. Quando digo recursos digo material escolar, apoio escolar para reforço das aprendizagens. Porque uma criança se não é bem alimentada, se dorme em condições precárias, tem um risco acrescido de contrair doenças e de insucesso escolar. Outro risco ainda é um que não estamos a acautelar devidamente e que está a tomar proporções próximas daquelas que existiam antes do 25 de Abril: o abandono escolar.

(a entrevista pode ser lida aqui)

Textos anteriores no blogue: 
Cardeal Maradiaga diz em Lisboa que evangelização deve tocar realidades como o trabalho e a economia
Padre Joaquim Carreira, o quatro português "Justo entre as Nações" por ter salvo judeus em Roma


segunda-feira, 16 de junho de 2014

'A Crise no Limite': diagnóstico de um país em sofrimento


Para ver o vídeo, clicar na imagem ou AQUI.
Um agradecimento à Renascença, à jornalista Maria João Cunha e à equipa que com ela trabalhou, por esta reportagem.

domingo, 24 de novembro de 2013

“Dêem-me uma pobre que não seja rica”


A crónica de Eduardo Jorge Madureira, no Diário do Minho deste domingo, 24 de Novembro:

“O ‘pobrezinho’ era uma entidade que povoou a minha infância”, lembra António Alçada Baptista no primeiro volume da Peregrinação Interior, que inclui as Reflexões sobre Deus. Recordando o que se passava na década de 30 do século XX, regista o autor: “Em todas as ‘boas’ casas da minha meninice meiga e temente cultivavam-se os pobrezinhos, regavam-se com bocadinhos de pão com conduto, com pequenas moedas de cobre e cultivava-se sobretudo a sua pobreza”. Nada parecia faltar: “Havia a comida dos pobres, a esmola dos pobres, as visitas dos pobres e a sexta-feira, sobre ser dia aziago, era também o dia dos pobres”. Para o católico António Alçada Baptista, “as conversas sobre pobres entravam naquela zona de espiritualidade provinciana que abrangia as novenas, os lausperenes e as santas missões”.                   
As coisas para os pobres, explica, eram objectos no meio do caminho entre o uso e o lixo. “Estavam predeterminadas e correspondiam ainda à dificuldade de desapossamento das coisas, mesmo as que já não servem, que está na base da civilização em que vivemos”. Para o comprovar, relata o caso de uma alma distinta, aliás, devidamente nomeada, a quem a mulher pergunta o que fazer à lista telefónica antiga, no momento em que tinham acabado de entregar a nova edição. A resposta foi simples: dar a um pobre. Oferecer uma lista telefónica a um pobre é, de facto, uma boa piada, mas é, também, “uma caricatura exacta da dificuldade que tem o homem de encarar uma coisa que, sem merecer obviamente o caixote do lixo, na realidade não serve para nada”. 
Conta Alçada Baptista que cada rico se dava “mesmo ao luxo de ter o ‘seu’ pobre” e que “os ricos deliravam com estes pobrezinhos assim cordatos, cumpridores, submissos e respeitadores”. A Peregrinação Interior, que teve a primeira edição em 1971, regista ainda que, nesse Portugal, que tantos pensavam longínquo, havia muitas espécies de pobres. “Quanto ao modo como adquiriam os meios de subsistência, havia os pedintes, os necessitados e os envergonhados”, cuja distinção o autor estabelece com rigor.
Sobre a singular relação dos ricos com os seus pobres, Alçada Baptista conta um eloquente episódio, identificando uma das protagonistas.

domingo, 27 de outubro de 2013

Os muito ricos e os muito pobres

A coluna "Os Dias da semana" que dominicalmente Eduardo Jorge Madureira tem do Diário do Minho intitula-se hoje "Os muito ricos e os muito pobres".

Uma das histórias que se contavam repetidamente a seguir ao 25 de Abril de 1974 era sempre apresentada como verídica. Pouco importava, no entanto. O que contava era a clareza com que servia para expor dois projectos políticos distintos, um, social-democrata; outro, muito mais à esquerda. Os protagonistas eram Olof Palme, na altura primeiro-ministro da Suécia e líder do Partido Social Democrata e Otelo Saraiva de Carvalho. O enredo praticamente não existe e a versão mais curta pode resumir-se a uma brevíssima troca de palavras.
O essencial é isto: Otelo vai à Suécia explicar o que pretendem os militares portugueses que derrubaram o fascismo. Quando encontra Olof Palme, depois das iniciais palavras de circunstância, diz-lhe que o objectivo da revolução portuguesa é acabar com os ricos. O primeiro-ministro sueco testemunha-lhe um programa diferente: “Nós, os sociais-democratas suecos, queremos acabar com os pobres. O que mais nos incomoda é a pobreza”.
Olhando, hoje, para grande parte dos dirigentes políticos europeus, é difícil não julgar que o que desejam com a sua acção é, sobretudo ou apenas, manter-se no poder, permanecendo nas graças dos muito ricos que, zelosamente, servem e de quem, de facto, dependem. O que promovem é o empobrecimento cada vez mais generalizado, designadamente das pessoas mais ou menos remediadas, o reverso, afinal, do projecto social-democrata, que tinha em Olof Palme um generoso inspirador.
Ao mesmo tempo que se empreendem políticas para empobrecer a maioria dos cidadãos, é fabricado e difundido um imaginário ideológico que apresenta os pobres como um grupo parasitário, absolutamente avesso ao que prescreve a doxa vitoriosa dos doutrinários do empreendedorismo. Estranha gente, que fabrica pobres e lhes destrói a reputação.