Mostrar mensagens com a etiqueta Porto. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Porto. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Rui Osório (27 Outº 1940–31 Maio 2018), padre e jornalista

In Memoriam

Padre e jornalista, jornalista e padre, sempre e em todos os momentos assumindo essa dupla missão e vocação, Rui Osório morreu quinta-feira passada, dia 31 de Maio, no Porto, na sequência de problemas cardíacos. Passa hoje o sétimo dia sobre o acontecimento. 
Colocado perante a questão de saber se se sentia mais padre ou mais jornalista, Rui Osório respondia assim: “É uma falsa questão. Foi sempre tudo muito pacífico. Vivi sempre em paz com as duas realidades. E tenho a certeza de que fosse ou não padre faria uma carreira de jornalista idêntica à que fiz.” (nesta entrevista de vidapode ler-se sobre esse entendimento que tinha da sua dupla filiação, bem como sobre o modo como se aproximou do jornalismo profissional e como entendia questões actuais do catolicismo, como o papel das mulheres na Igreja; ao lado, capa da revista Público Magazine, de 20/12/1992, com Rui Osório a celebrar a eucaristia e a trabalhar na redacção do JN). “Homem da Igreja e do jornalismo”, um “combatente da liberdade”, foi como o Presidente da República a ele se referiu. 
Próximo de muitos, advogado dos mais novos, querido por tantos, cheio de bonomia e serenidade, Rui Osório, como escreveu anteontem Manuel Pinto, “nunca deixou de ser padre entre os jornalistas e foi também sempre um jornalista nos meios eclesiais e na sociedade.” (o texto pode ser lido aqui)
Cedo o pequeno Rui pôs a hipótese de ser padre, coisa que ninguém na família imaginava. Nesse tempo, muitos rapazes iam para o seminário com a ideia de estudar, mas Rui Osório queria mais do que isso, como ele contava nesta entrevista ao programa Ecclesia, em Julho de 2014, quando completou 50 anos de ordenação como presbítero:


Não é despropositado o uso da palavra “presbítero” em relação a Rui Osório: essa era uma palavra que ele próprio gostava de usar, para marcar a sua adesão ao pensamento conciliar e ao modo de entender o cristianismo ministerial dos primeiros séculos. Mas também havia outro factor: formado em pleno II Concílio do Vaticano, Rui Osório sempre fez das orientações conciliares uma pauta que o guiava na sua acção enquanto padre e enquanto cristão cuja actividade profissional acabou por ser o jornalismo. 
Isso foi notório também quando assumiu, desde o início de Janeiro de 1970, a chefia de redacção do novo jornal Voz Portucalense (VP), criado após o regresso do exilado bispo António Ferreira Gomes à diocese do Porto, em 1969, como se recorda na edição deste dia 6 de Junho da Voz Portucalense
No jornal, fez vincar essa orientação conciliar, através de uma moderna linguagem jornalística e gráfica. Na TSF, Manuel Vilas Boas recordou essa etapa na crónica de obituário, afirmando que a VP se afirmou, nessa fase, como um dos mais notáveis semanários católicos dos anos setenta” e que Rui Osório foi “um dos homens mais carismáticos da comunicação social portuguesa”.

sábado, 3 de março de 2018

A santidade na história e no cinema

Agenda - Ciclo de cinema no Porto


O tema musical de Irmão Sol, Irmão Lua, 
num vídeo com imagens do filme de Zefirelli


A Santidade na História é o tema do 5º ciclo de cinema religioso, promovido pelo núcleo do Porto do Centro de Estudos de História Religiosa (CEHR) da Universidade Católica Portuguesa. Depois de exibição de Visão da Vida de Hildegard von Bingen, filme de 2009, realizado por Margarethe von Trotta, o ciclo continua já nesta segunda-feira, dia 5 de Março, às 21h, com o filme Irmão Sol, Irmã Lua (1972), de Franco Zeffirelli.
Cada sessão, que decorre na cripta da Igreja paroquial da Senhora do Porto começa por uma breve introdução do filme e termina com um tempo de debate. No próximo filme, a apresentação estará a cargo de Arlindo de Magalhães, membro do CEHR e presbítero responsável pela Comunidade Cristã da Serra do Pilar.
O ciclo pretende ajudar à compreensão do fenómeno da santidade como realidade historicamente situada e enquanto manifestação tão pluriforme quanto sublime do processo de discernimento e assunção da “vocação radical” e comum a todos os batizados.
No conjunto, uma vez por mês, até Novembro, serão exibidas várias obras cinematográficas que, incidindo sobre algumas figuras-chave da história do cristianismo, tornarão possível não só um aprofundamento do conhecimento das respectivas biografias mas igualmente do carácter pessoal, contextualizado e paradigmático com que o tema da santidade nelas se concretiza.
Os filmes deste ciclo abordarão as histórias de Santa Rita de Cássia (Abril), Santo António de Pádua (Maio), Teresa de Jesus (Junho), São Vicente de Paulo (Julho), São João Bosco (Outubro) e Maximiliano Kolbe (Novembro). O calendário completo com as datas e os comentadores de cada sessão pode ser consultado aqui.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

As palavras e os gestos de D. António Francisco


Velório do corpo de D. António Francisco na sé do Porto 
(foto diocese do Porto, reproduzida daqui)

O padre Lino Maia contava que, no primeiro Natal passado como bispo do Porto, em 2014, D. António Francisco dos Santos convidou uma pessoa sem-abrigo da cidade, para a sua mesa de Natal.
Por causa de atitudes como esta, não soam ocas as palavras de D. António quando prometia uma acção pastoral de proximidade junto das pessoas mais vulneráveis – pobres, desempregados, doentes, idosos – ou também para com comunidades onde o conflito com a Igreja institucional assumiam manifestações duras, como foi o caso de Canelas, mal chegou à diocese do Porto.
De tudo isso o então novo bispo do Porto falava em Julho de 2014, na entrevista que então deu a Manuel Vilas Boas, para a TSF, e que se pode escutar aqui.

No dia em que o país e os católicos se despedem do bispo do Porto (hoje, às 15h, na catedral da cidade), pode ler-se também esta evocação do eurodeputado Paulo Rangel.


terça-feira, 3 de novembro de 2015

Padre Leonel Oliveira (1934-2015): testemunha do Evangelho

In Memoriam

      
«Desde o meu curso de Teologia que me sinto devorado pelo desejo de tudo saber, o que se passa, o que se pensa, o que se diz. Foi a Teologia que me despertou para o Mundo, e desde então abri todas as janelas que pude, apesar de viver num pequeno país periférico e numa Igreja de trazer por casa, Igreja que está em Portugal e que nunca desprezei mas a que nunca me limitei, Igreja que amei com o maior amor que tenho para lhe dar, mas por quem nunca me deixei domesticar.»

As palavras são do P. Leonel Oliveira, um justo e um profeta que foi hoje a sepultar, depois de, ao longo dos seus 81 anos, ter sido uma testemunha do Evangelho. Praticamente no início do seu ministério, foi enviado para a periferia do Porto, uma zona de missão, mergulhando no meio de gente simples e lançando, desde a primeira metade dos anos 1970, a semente de uma comunidade acolhedora, no Padrão da Légua. Não foi bem recebida esta ousadia (ver AQUI a enunciação do projeto que a animava) pelos responsáveis diocesanos, por membros do clero e mesmo por alguns membros da população.

Dedicou-se, depois, ao trabalho operário, numa cooperativa de mobiliário, em Sobrado, Valongo, a que se seguiu a opção por ir viver em pleno coração do Bairro da Sé, na zona histórica do Porto. A Viela do Anjo e as iniciativas a partir desse espaço lançadas visaram ajudar a população local a assumir com autonomia e determinação a luta contra a degradação socioeconómica e moral e por condições de vida dignas.

Já antes colaborara com a experiência de catecumenato na Comunidade Cristã da Serra do Pilar, uma referência eclesial que emergia na outra margem do Douro. Viria a assumir, em meados dos anos 90, por solicitação do bispo diocesano, a responsabilidade pelo Centro Catecumenal do Porto, um espaço de iniciação e de formação de cristãos adultos na fé e na participação na vida da Igreja e da sociedade, que teve por base a capela de Fradelos, no coração da Cidade Invicta.

Um homem atento, culto, despojado e disponível, de uma grande vivência espiritual, foi um testemunho marcante por onde passou. 

Seria de todo o interesse reunir e publicar muito do que escreveu.

Alguns textos do (e relacionados com a ação do) P. Leonel Oliveira:

Texto anterior no blogue
Todos-os-Santos: Santidade para quem - crónicas de Vítor Gonçalves sobre os textos da liturgia

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Albino Reis, um missionário entre tormentas


Padre Albino Reis (foto reproduzida daqui)

Apanhado no meio de um processo para o qual em nada contribuiu, o padre Albino Reis, 53 anos, novo pároco de Canelas (Vila Nova de Gaia) afirma que irá continuar a sua missão pastoral, “por causa das pessoas que nunca abandonaram a Igreja” – e refere em especial o grupo de jovens que manteve a animação litúrgica e a catequese, além de outras pessoas que mantêm via a paróquia, para lá de quem é o pároco.
Canelas vive, desde há mais de um mês, um conflito pouco usual, mesmo conhecendo casos de outros choques entre populações e párocos, ou entre as populações e o bispo por causa de processos de mudança nas paróquias. Neste caso, a diocese do Porto esclareceu o que se passou, num memorando essencial para entender o caso e que, infelizmente, pouca atenção tem merecido na maior parte das notícias que têm saído na comunicação social.
Neste caso, quer o bispo, conhecido pelo seu modo dialogante de conduzir estes processos, quer o novo pároco, de personalidade muito próxima de todos, foram apanhados no meio de uma tormenta que, tudo o indica, está a ser alimentada desde fora.
Sábado passado, na TSF, Manuel Vilas Boas passou uma entrevista ao novo pároco de Canelas, esclarecedora sobre a personalidade deste antigo missionário na Amazónia. Albino Reis, que fez objecção de consciência ao serviço de capelão militar, foi trabalhar para o Brasil como forma de cumprir o serviço cívico, apesar de isso significar o dobro do tempo de serviço em relação à capelania militar e um décimo do dinheiro que receberia como capelão. Na Amazónia, e depois no México, trabalhou em zonas conturbadas, entre indígenas e gente sem-terra, entre garimpeiros e pistoleiros, entre o exército zapatista e o exército mexicano.
Regressado a Portugal, e depois de deixar os Missionários Combonianos, onde tinha estado, foi trabalhar para a diocese do Porto, como pároco de Vilar de Andorinho e capelão do Centro Hospitalar de Gaia e Espinho, onde passa as manhãs, apoiando quem o solicita, como se pode ver nesta curta reportagem.
Sobre o conflito em que se viu metido, Albino Reis diz que ele tem sido mantido por um grupo de pessoas que aproveita a situação e que a igreja paroquial tem estado cada vez mais cheia. Os primeiros momentos, confessa, foram muito duros. “Ninguém quer isto para a vida, ninguém gosta de fazer o seu trabalho diante de uma contestação agressiva, malcriada, provocadora.” Mas mantém a esperança de que o conflito se vá esvaziando por si...
A entrevista pode ser escutada aqui na íntegra.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

D. António Francisco: “Não podemos ficar silenciosos diante dos que clamam por casa, emprego ou pão”

O novo bispo do Porto, D. António Francisco dos Santos, reafirmou, numa curta entrevista à RTP, que “não podemos ficar silenciosos e silenciados diante daqueles que clamam por pão, por casa, por emprego, e que sobretudo reclamam que se lhes anuncie um caminho de esperança para o futuro”.
A declaração, que pode ser ouvida aqui na íntegrainsiste em algumas das ideias que D. António Francisco fez questão de sublinhar na sua tomada de posse, na semana passada. Na ocasião, o novo bispo do Porto pediu que as pessoas sejam “ousadas, criativas e decisivas sempre, mas sobretudo quando e onde estiverem em causa os frágeis, os pobres e os que sofrem”.
Na homilia, da qual se podem ouvir pequenos excertos aquiD. António referiu-se ainda aos traços da comunidade humana do Porto e ao diálogo como “timbre” do seu viver como bispo. 

(aqui pode ler-se um pequeno perfil do novo bispo do Porto)


No vídeo, pode ouvir-se na íntegra a homilia da posse de D. António: