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quarta-feira, 28 de novembro de 2018

“Não é a religião que gera violência, mas o nível de apropriação que cada indivíduo faz da mesma”

Texto de Maria Wilton


Afirmar que a religião leva à violência não é só uma simplificação mas também uma generalização: “A religião gera violência, mas também gera paz. Podemos dizer que há uma ambiguidade profunda no fenómeno religioso e na relação com o sagrado que é preciso ser pensada. Não é a religião por si que gera violência, mas o nível de apropriação que cada indivíduo faz da mesma”. 
A afirmação é de José Rosa, professor na Universidade da Beira Interior (UBI) e um dos organizadores do colóquio internacional Religião e Violência, que nestas quinta e sexta-feira, dias 29 e 30 de Novembro, decorrerá na UBI, na Covilhã. 
Com convidados de variadas áreas profissionais, portugueses e estrangeiros, o objectivo do colóquio é debater a relação entre a violência e o fenómeno religioso – “o homo religiosus é também homo periculosus”, o homem religioso é também um homem perigoso –, discutindo a pertinência de textos sagrados na génese desta mesma violência e das radicalizações que ocorrem em todas as religiões.
José Rosa salienta que a importância deste colóquio não é estabelecer uma relação única e direta entre os dois termos, mas questionar todos os tipos de relação que se podem estabelecer: “É uma questão profundamente atual, que está em cima da mesa desde pelo menos 2001, aquando dos ataques do 11 de Setembro.”

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Xeque saudita de Meca saúda Portugal como “uma das fontes da civilização islâmica”

Texto de António Marujo


Painel de azulejos na Mesquita Central de Lisboa 
(foto © Maria Wilton)

O xeque Saleh Bin Abdullah Himeid, imã da Mesquita de Al-Haram, em Meca (Arábia Saudita), enalteceu em Lisboa o papel de Portugal como “uma das fontes da civilização islâmica”, que deixou “traços marcantes na cultura e na ciência”. Ao mesmo tempo, referiu que, quando estava em Medina, o profeta Maomé “não incluiu qualquer referência à exclusão de nenhum grupo na sociedade” do islão nascente, tendo antes feito uma “abordagem pluralista, que incluía a vivência em comum”. 
Saleh Bin Abdullah Himeid foi o convidado de honra, sexta-feira passada, 26 de Outubro, na sessão solene de encerramento das comemorações dos 50 anos de criação da Comunidade Islâmica de Lisboa (CIL)que decorreram  na Mesquita Central de Lisboa. A Mesquita de Al-Haram é a mais importante do mundo, já que é ali que se encontra a Caaba, que contém a relíquia mais sagrada do islão. 
Na sua intervenção de sexta-feira, o xeque Himeid, que é também conselheiro do Palácio Real saudita, recordou ainda pensadores importantes do islão que viveram no território que hoje é Portugal, nomeadamente em Beja e Santarém, e onde os muçulmanos foram dominantes entre os séculos VIII e XIII, deixando um legado artístico e cultural (como algumas centenas de palavras de origem árabe) assinalável.
Na plateia, entre outras personalidades, estavam o primeiro-ministro António Costa, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, e o presidente da Comissão da Liberdade Religiosa, José Vera Jardim. Representantes de diversas confissões religiosas, entre os quais o núncio apostólico (representante do Vaticano) em Lisboa, Rino Passigato, bem como o presidente da CIL, Abdool Vakil, o imã da Mesquita Central, xeque David Munir e o xeque Zabir Edriss, que acompanha não muçulmanos convertidos, também estavam presentes. 


O xeque Saleh Bin Abdullah Himeid, imã da Mesquita de Al-Haram, 
de Meca, na sessão solene em Lisboa (foto © Maria Wilton)

Antes, o xeque saudita presidira à oração de Jumah (oração do meio-dia de sexta-feira, a mais importante da semana islâmica). No seu sermão, o imã de Al-Haram afirmou: “Alá criou os seres humanos diferentes nos seus gostos, percepções, caracteres, natureza, inteligência e convicções. Cada pessoa tem a sua própria convicção, visão, compreensão e consciência. Assim, a diferença entre as pessoas não significa que alguns são melhores do que outros quanto às suas raças, tribos e classes, mas é uma diferença pelos benefícios, criatividade e multiplicidade de formas de conhecimento e cultura.”

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Violência doméstica entre testemunhas de Jeová?

No Público de hoje refere-se um artigo no último número da revista Sentinela, da Associação das Testemunhas de Jeová (ATJ) que, na opinião de alguns ex-membros do grupo, alude à ideia de que cônjuges que sejam violentados devem permanecer com o agressor, na esperança de os conseguirem converter e de modo a não difamar aquele grupo religioso. A jornalista Natália Faria falou com várias ex-Testemunhas de Jeová, que se dizem chocadas com a alegação e partilham mesmo experiências que demonstrarão, segundo eles, a perpetuação deste tipo de comportamentos por parte de pessoas daquele credo religioso. 
O porta-voz da ATJ considera “repulsiva toda e qualquer forma de violência, incluindo a violência doméstica”, acrescentando que é “da responsabilidade de cada pessoa tomar as suas próprias decisões”. Também a socióloga Helena Vilaça, que há alguns anos estudou uma congregação de Testemunhas de Jeová, recusa que aquela seja a regra: “Não me parece que possamos concluir que as Testemunhas de Jeová são piores do que os outros ou que fazem a apologia da violência doméstica”…
O texto pode ser lido aquiNum outro texto, fala-se sobre a identidade das Testemunhas de Jeová. (M.W.)

sábado, 21 de novembro de 2015

Violência nas religiões e o reino de Jesus

Crónicas

No DN deste sábado, Anselmo Borges escreve sobre A violência nas religiões:

O casamento das religiões com o poder e a política corrompe-as. Aí está porque, para lá da urgência do diálogo inter-religioso, condições essenciais para a paz são a leitura histórico-crítica dos textos sagrados e a laicidade do Estado, com a separação da(s) Igreja(s) e do Estado e o respeito pelos direitos humanos.
(texto na íntegra aqui)


No comentário aos textos da liturgia católica deste Domingo, Vítor Gonçalves escreve, sob o título O reino para este mundo:

Alegro-me com a coragem do Papa Francisco em enfrentar os escândalos financeiros de altos dignatários da Igreja. E vejo nisso a mesma procura da verdade que Jesus nos pede, e a todos nos convida a mudar de critérios. É tão fácil ser “reizinho” nos mesquinhos reinos que criamos! Mas são muitos os sinais de quem não desiste de viver como Jesus. Há 50 anos, quatro dezenas de bispos e cardeais presentes no Concílio Vaticano II firmaram um pacto de opção preferencial pelos pobres. Ficou conhecido por “Pacto das Catacumbas” pois a reunião aconteceu nas Catacumbas de Domitilia, lembrando o cristianismo perseguido dos primeiros séculos. O documento que foi entregue ao Papa Paulo VI foi agora traduzido e publicado entre nós pelas Paulinas(...)
Sim. O reino de Jesus não é deste mundo mas é para este mundo. E cresce com a verdade de vivermos cada vez mais como Jesus. Todos, com a coragem e a humildade de um caminho conjunto!

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Centenas de investigadores da lusofonia debatem Ciência das Religiões em Lisboa

Agenda


   Realiza-se de 9 a 13 de maio, em Lisboa, o 1ºCongresso Lusófono de Ciência das Religiões, apresentado pela organização como “um evento científico internacional de importância fundamental para a actualidade dos estudos das religiões e espiritualidades”.
   Este congresso decorre nas instalações da Universidade Lusófona, que vai dar espaço à dinâmica de investigação dos países que falam português e de outros departamentos universitários de países não lusófonos, mas que estudem as realidades religiosas dos espaços da lusofonia.
   Há cerca de trezentas comunicações programadas, tantas quantos os congressistas inscritos, do Brasil, Portugal, Angola e Moçambique, distribuídos por 28 simpósios temáticos, entre os quais: Secularização e Fenómeno religioso na construção da modernidade ocidental; Religião, Multiculturalismo e Direitos Humanos; O Corpo e a Religião; Laicidade, Liberdade Religiosa e Ensino Religioso; Currículo, Identidade Religiosa e Praxis Educativa; Das curas milagrosas das religiões e das práticas supersticiosas de cura; Catolicismo, tradição, modernidade; Diversidade Religiosa, Psicologia e Imaginário; Espiritualidades Contemporâneas, Pluralidade Religiosa e Diálogo; A Gnose Cristã: Estudo e problemas; Dinâmicas de Identificação e Transformação nas Religiões de Matrizes Africanas; Divindades e Rituais Religiosos na Amazónia Oriental. Do programa constam ainda mesas-redondas como Media, Política e Religião ou Laicidade, Laicismo e Intolerância Religiosa.
   A multiplicidade religiosa “veio dar nas últimas décadas novas dimensões ao estudo sobre o Fenómeno Religioso”, explica a organização, pelo que o “fenómeno na lusofonia inclui todo o globo terrestre para onde estas populações se deslocam, plena imagem do que é, de facto, a globalização com todas as suas redes, e desafios”.
   Paralelamente, os congressistas vão visitar locais de culto religioso, como a Sinagoga, a Mesquita Central, o Templo Sikh Sangat e o Templo Hindu Rhada Krishna, em Lisboa, ou o Santuário de Fátima, em Ourém.
   Os congressistas têm uma recepção na Câmara Municipal de Lisboa, dia 8, às 18h00. A abertura dos trabalhos é no dia 9, às 10h00, logo após a inauguração da exposição Terra Justa - Caminho das Causas, sobre grandes causas e valores da humanidade, que percorre todo o Campus universitário. Nessa noite, o Auditório Agostinho da Silva recebe um concerto musical multi-étnico e multi-religioso, com a participação de grupos musicais de várias tradições religiosas ou espirituais.
   No dia 11 é inaugurada no edifício U da Lusófona, a exposição Observar para a Liberdade, organizada pelo Observatório para a Liberdade Religiosa.
   O 1º Congresso Lusófono de Ciência das Religiões, cujo programa detalhado pode ver aqui, é uma iniciativa conjunta lançada pelos programas de pós-graduação da Universidade Lusófona de Lisboa, da Universidade Federal Juíz de Fora, da Universidade Estadual do Pará, da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná e da Universidade Presbiteriana Mackenzie no Brasil.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Contra certos factos, há argumentos!

Crónica



Num tempo que cruza a rapidez necessária com a precipitação a evitar, constrói-se uma semântica dominante. E assim se confunde o argumento com a proposição, a argumentação com a demonstração. Parte-se para a demonstração sem o cuidado dos argumentos. Argumenta-se como quem demonstra. (...) Há que assumir, claro, a regra e as leis inquestionáveis, porque absolutamente demonstráveis e provadas. Quem não come, morrerá de fome. Mas como quantificar o sofrimento de quem experimenta a fome. Com que tabela se quantifica a dignidade humana? E o amor? A felicidade? A beleza? É nesta janela de ambiguidades que sobrevivem ou são esquecidos os valores sem preço, desenhados no aprofundamento da ética. Como o invisível não é quantificável diante do visível, assim os argumentos humanos não são automaticamente aplicáveis num padrão financeiro. Por isso – fazendo eco das palavras do papa Bergoglio –, sem a adequada ética, refém de uma lógica meramente capitalista e desumana, “esta economia mata”!

O mesmo se aplica às religiões. O Princípio é da demonstração e não da argumentação sujeita às múltiplas variáveis das relações e emoções reais. Assim, se a força motriz da fé é a dúvida, capaz de construir convicções, um dogma elevado à categoria de Princípio pode ser um contra-senso, porque no campo da interpretação é contra argumentável.

Num tempo em que tudo se debate, tudo se questiona, como assumir a dinâmica de uma Verdade - que se quer infalível -, numa plataforma global e plural de verdades, conceitos e preconceitos discutíveis - que redefinem padrões e resgatam mistérios? E, já agora, como redesenhar o acolhimento na diversidade? Como lidar com a diversidade ampliada mediaticamente?

Não sabemos que trilho percorrerão as religiões na saída deste labirinto, mas as últimas décadas indicam possibilidades nunca antes percorridas.
(texto publicado na SIC Notícias, que pode ler na íntegra aqui)




quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Infografia histórica das religiões do mundo

Clicar AQUI para aceder ao site russo "The World Religions Tree Infographics". Utilizando os sinais de mais e menos, do canto superior esquerdo, ampliar o gráfico para conhecer as principais tradções religiosas do planeta e suas ramificações até à atualidade:

domingo, 13 de maio de 2012

Monoteísmo conduz ao fundamentalismo?

Hoje ao serão (22h30), Paula Moura Pinheiro conversa, no programa Câmara Clara da RTP2, com Anselmo Borges e João Gouveia Monteiro, ambos docentes da Universidade de Coimbra. Um dos motes é debater se o monoteísmo conduz ao fundamentalismo. Mas vários outros temas de atualidade serão tratados, como se pode ler no press release distribuído pelo programa:
"Na semana em que a Santa Sé chegou a acordo com a República Portuguesa sobre os feriados religiosos a suprimir, uma conversa sobre os limites do laicismo do Estado. Anselmo Borges é padre, teólogo, Professor de Filosofia na Universidade de Coimbra e autor em questões religiosas. João Gouveia Monteiro é ateu, Professor de História na Universidade de Coimbra e autor em questões de História Medieval e de Civilização e cultura. Ambos organizaram o colóquio internacional que agora dá origem ao livro As Três Religiões do Livro, editado pela Imprensa da Universidade de Coimbra, e ambos convergem em diversas ideias. Duas dessas ideias: a escola pública contemporânea devia ensinar História das Religiões, há mais verdade no conjunto de todas as religiões que numa só religião. O mau tratamento a que as mulheres são sujeitas nas três religiões do livro e as melhores edições da Tora, da Bíblia e do Corão em português são outros dos temas tratados".

domingo, 29 de abril de 2012

"Identidades religiosas em Portugal": comentários de Anselmo Borges


Anselmo Borges comenta, na sua coluna semanal no DN, os resultados do inquérito sobre "Identidades religiosas em Portugal: identidades, valores e práticas - 2011", realizado pela Universidade Católica. Escreve ele, a dado ponto:
" (...)Como conclui o relatório assinado por Alfredo Teixeira, do Centro de Estudos de Religiões e Culturas, da UC, referindo-se à reconfiguração da pertença religiosa em Portugal, "pode observar-se um decréscimo relativo da população que se declara católica e um incremento da percentagem relativa às outras posições de pertença religiosa, com um particular destaque para o universo protestante (incluindo os evangélicos)". "Globalmente, o crescimento relativo dos sem religião em relação ao número de católicos é mais pronunciado do que o crescimento do número dos pertencentes a outras denominações religiosas. Isto é particularmente relevante no caso da categoria 'crentes sem religião'" (4,6%). O conjunto constituído pelos não crentes concentra-se na região de Lisboa e Vale do Tejo.
Como escreveu Vasco Pulido Valente, a diminuição percentual dos católicos "não se pode tratar como uma catástrofe" (já a sua afirmação de que "o católico típico português, como se esperaria, é hoje uma mulher da província e de meia-idade, longe de qualquer cidade importante e sem educação escolar (ou sem quase educação escolar)" é uma caricatura apressada). De qualquer modo, dizer, como fez o porta-voz da CEP, que "o que é essencial é a qualidade e não a quantidade" pode ser uma resposta preguiçosa.
As explicações para a situação são múltiplas, e a Igreja não é a única responsável. Assim, não se pode esquecer a secularização da consciência nem o materialismo e o hedonismo da nossa cultura bem como a abertura maior do mercado religioso, também por causa da imigração. O sentido de mais autonomia, maior prosperidade e a escolarização poderão contribuir para a indiferença religiosa, o ateísmo e a crença sem pertença. Mas, por parte da Igreja, não poderá ignorar-se a influência negativa dos escândalos da pedofilia, a ostentação do Vaticano, a hierarquização, que não favorece a real participação dos fiéis e nomeadamente das mulheres, a quebra no dinamismo pastoral do clero, a inadaptação aos novos tempos, concretamente no domínio sexual, que conduz a fracturas face à doutrina oficial.(...)"
Ler o texto completo: "Menos católicos mais católicos?" (DN, 28.4.2012)

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

"Deus Vem a Público - Entrevistas sobre a transcendência"

O facto de o autor ser membro da equipa deste blog (e fica assim feita a competente declaração de interesses) não pode inibir a referência a uma obra que acaba de ser publicada e que é certamente um acontecimento editorial, no seu âmbito. Refiro-me a "Deus Vem a Público: Entrevistas sobre a transcendência", cujo autor é o jornalista do Público e um internacionalmente premiado especialista em assuntos religiosos - António Marujo.
A obra, de quase 500 páginas, reúne aquele que é o primeiro volume de uma série de entrevistas com nomes cimeiros das religiões, da filosofia, da teologia, da cultura, da ciência, da política, da arte ... Entre outros: Abbé Pierre, Aga Khan, Aloísio Lorscheider, Andrea Riccardi, Bronisław Geremek, Dalai Lama, Erri de Luca, Eugen Drewermann, Gianfranco Ravasi, Gianni Vattimo, Godfried Danneels, Hans Küng, Irmão Roger de Taizé, Jacques Arnould, Jacques Gaillot, Jean-Yves Calvez, Johann Baptist Metz, José António Pagola, Joseph Comblin, Jordi Savall, Juan José Tamayo, Juan Masiá, Jürgen Moltmann, Lavinia Byrne, Leonardo Boff, Raimon Panikkar, Rino Fisichella, Timothy Radcliffe.
Muitos destes documentos testemunham sobre o pensamento oficial, sobre a heterodoxia, sobre o olhar original, o testemunho de vida, a busca de sentido. Todos eles se interrogam sobre esse mistério que é Deus, que continua a ocupar e mobilizar energias na nossa contemporaneidade.
Ler o livro é, assim, atravessar universos plurais de surpresa e abrir-se a encontros inesperados. Nestas entrevistas - e transcrevo um excerto da introdução do autor - "se debatem cortinas de dogmas que por vezes tolhem a possibilidade de um debate sério e mais rico sobre muitas das questões que a Deus e à humanidade dizem respeito. Ou revela-se o espantoso empenhamento radical de mulheres e homens na construção de uma «parábola de comunhão» para a casa comum da família humana. Ou ousa-se propor novos horizontes aos modos de olhar.
Esta obra que, juntamente com o segundo volume que se anuncia - bem poderá ser vista como o compêndio de uma carreira com mais de 20 anos a acompanhar o fenómeno religioso no mundo actual - constitui, de algum modo, um desafio a todos, sejam crentes ou não crentes, porque não remete para um qualquer universo esotérico, mas para as grandes e incontornáveis perguntas do nosso viver pessoal e colectivo. desse ponto de vista, é susceptível de abrir horizontes de desanuviamento para um mundo encerrado em si mesmo e carente de chaves para reinventar o futuro.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

11 de Setembro e Assis no encontro inter-religioso de Munique

A Comunidade de Santo Egídio promove deste domingo até terça-feira um encontro religioso ao mais alto nível para evocar o décimo aniversário do 11 de Setembro e os 25 anos da Jornada de Oração pela Paz de Assis. A iniciativa tem lugar em Munique, na Alemanha.
Líderes políticos e religiosos e personalidades do mundo dos media e da academia de mais de 60 países participarão em momentos de oração e num programa intenso de debates que se estendem, por vezes em sessões paralelas, até ao fim do dia 13.
Delegações católicas, das confissões protestantes, das igrejas ortodoxa e orientais, do judaísmo e do islão, do budismo japonês, cingalês e cambojano; das antigas religiões índias, como o jainismo e o parsismo; das religiões tradicionaiss, como o xintoísmo.

terça-feira, 8 de março de 2011

Bento e Anselmo

Texto de Bento Domingues no "Público" do domingo passado, 6 de Março... 
...E de Anselmo Borges no DN de sábado, 5 de Março.
Continuo a reflexão da semana passada sobre as religiões mundiais. Hoje, sobre as religiões proféticas, abraâmicas, monoteístas.Em primeiro lugar, o judaísmo. Quantos cristãos se lembram de que Jesus era judeu e de que os primeiros discípulos também? Não se pode esquecer o que há de comum entre judaísmo e cristianismo. Também o cristão acredita em um só Deus, o Deus criador e consumador do mundo e da história, em quem o homem pode, com razões, pôr a sua confiança. Também aceita a Bíblia Hebraica ("Antigo Testamento") e reza os Salmos. Também o cristão está vinculado por uma ética da justiça e da promoção da paz, na base do amor de Deus e do próximo. Como disse Thomas Mann, referindo-se aos Dez Mandamentos, eles são "manifestação fundamental e rocha da decência humana", "o ABC da conduta humana". Ler mais aqui.