Texto de Maria Wilton
Afirmar que a religião leva à violência não é só uma simplificação mas também uma generalização: “A religião gera violência, mas também gera paz. Podemos dizer que há uma ambiguidade profunda no fenómeno religioso e na relação com o sagrado que é preciso ser pensada. Não é a religião por si que gera violência, mas o nível de apropriação que cada indivíduo faz da mesma”.
A afirmação é de José Rosa, professor na Universidade da Beira Interior (UBI) e um dos organizadores do colóquio internacional Religião e Violência, que nestas quinta e sexta-feira, dias 29 e 30 de Novembro, decorrerá na UBI, na Covilhã.
Com convidados de variadas áreas profissionais, portugueses e estrangeiros, o objectivo do colóquio é debater a relação entre a violência e o fenómeno religioso – “o homo religiosus é também homo periculosus”, o homem religioso é também um homem perigoso –, discutindo a pertinência de textos sagrados na génese desta mesma violência e das radicalizações que ocorrem em todas as religiões.
José Rosa salienta que a importância deste colóquio não é estabelecer uma relação única e direta entre os dois termos, mas questionar todos os tipos de relação que se podem estabelecer: “É uma questão profundamente atual, que está em cima da mesa desde pelo menos 2001, aquando dos ataques do 11 de Setembro.”






