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quinta-feira, 19 de abril de 2018

Capacetes Brancos da Síria: cristãos, muçulmanos e ateus juntos para salvar vidas






Nidal Izzden (de frente) e Ahmad Al Yousef (à direita), com os coletes dos Capacetes Brancos, ontem, em Fafe (foto de Manuel Meira)


Os Capacetes Brancos salvam pessoas dos escombros nos bombardeamentos na guerra na Síria. Com cerca de quatro mil membros, de todas as religiões, tornaram-se um símbolo de resistência da sociedade civil neste conflito. Dois deles estão em Portugal.

Em quatro anos, os Capacetes Brancos (CB) da Síria já resgataram 114 mil pessoas. “Se não fosse a esperança numa Síria em paz, já teríamos morrido”, dizem Ahmad Al Yousef, 38 anos, que era professor de matemática, e Nidal Izzden, 37, dentista de profissão. Os dois membros dos CB estão em Fafe desde quarta-feira, para participar num conjunto de iniciativas no âmbito do festival Terra Justa – Encontro de Causas e Valores da Humanidade.
Os CB já só esperam, agora, a solidariedade dos povos, já que os governos dos países mais poderosos ficam-se pelas condenações verbais. Com cerca de quatro mil membros, dos quais cerca de 400 mulheres, reunindo muçulmanos, cristãos “e até ateus”, os CB já pagaram também um preço alto da sua missão: 237 foram mortos quando socorriam outras pessoas.
P. – Há alguma história que vos tenha marcado mais, nestes quatro anos de missões?
AHMAD AL YOUSEF (A.Y.) – Houve um voluntário dos CB que me ligou [ontem]: um dia foi chamado para ajudar depois de um bombardeamento; poucos minutos depois, os aviões voltaram para bombardear ali perto; disseram-lhe para ir ao segundo sítio e descreveram-lhe o local. Ele percebeu que era a casa dele; correu para lá, assustado e, quando chegou, a casa estava destruída. Viu a esposa e perguntou pela mãe, que tinha ficado no quarto, sob os escombros. Ficou em choque e começou a chamar por ela, a dizer que estava a salvar os outros e não tinha conseguido salvar a mãe...
(o texto pode continuar a ser lido aqui)


segunda-feira, 9 de setembro de 2013

A guerra que nos querem vender

Crónica 




Na sua edição de final de Agosto, a revista The Economist publicava na capa uma imagem de Bashar Al-Assad a preto e branco semi-fundida com imagens de corpos de alegadas vítimas de gás sarin, sobre a qual surgia este título: “Hit him hard” (dêem-lhe com força). Muitos outros meios de comunicação seguiram caminhos idênticos, antes mesmo de haver inspecções aos locais onde centenas de pessoas, incluindo crianças, foram gaseadas de forma hedionda e inaceitável.
Apesar do clamor das opiniões públicas de tantos países, incluindo nos Estados Unidos; apesar da mobilizadora vigília organizada em Roma e um pouco por todo o mundo pelo Papa Francisco; apesar de advertências como a do secretário-geral das Nações Unidas, Obama avançará para a intervenção militar na Síria, salvo surpresa de última hora. Fá-lo-á num quadro em que as consequências de tal acção se mostram imprevisíveis e de que se pode suspeitar com boas razões que quem acabará por sofrer mais serão os já martirizados civis sírios.
Barack Obama e os Estados Unidos não conseguiram convencer o mundo de que não são os interesses militares, económicos e geopolíticos que verdadeiramente motivam mais esta intervenção à margem das leis internacionais. A maquinaria da guerra já foi posta em movimento e, quando assim é, os grandes media costumam adotar uma lógica de atuação que os torna funcionais à própria guerra. Nesse simulacro de cobertura, começa-se por abandonar as grandes questões éticas e morais, em favor de uma abordagem asseptizada: entram em cena especialistas militares; imagens e gráficos de equipamentos; munições e posicionamentos no terreno; antevisões e comentários às movimentações e falas dos intervenientes. A tecnologia, a estratégia e as operações são aquilo que enche os ecrãs. As pessoas eclipsam-se desse tipo de cobertura e só aparecem quando porventura se consegue alguma imagem dos ‘efeitos colaterais’ dos mísseis.
Não há informação mais controlada do que aquela que nos chega em tempo de guerra. E controlo, neste cenário, significa frequentemente manipulação. É por isso que importa accionar todos os recursos, toda a capacidade crítica e toda a prudência para não embarcar à primeira naquilo que nos vão vender. Os grandes media, de uma forma ou de outra, não se limitam a cobrir a guerra. Fazem, ainda que involuntariamente, parte da própria guerra.

Manuel Pinto, no Página Um (foto reproduzida daqui)


quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Opiniões públicas em vigílias e orações contra a guerra


(foto reproduzida daqui)

O jejum e a vigília convocados pelo Papa Francisco poderão ser um sinal forte da determinação das opiniões públicas contra a hipótese de mais uma intervenção armada. A concretizar-se, esta intervenção seguir-se-ia às sempre ambíguas posições da União Europeia e dos Estados Unidos – apoio não declarado a rebeldes armados, em lugar de uma acção decidida e eficaz no campo diplomático – e que, de novo, levaram a uma situação que se assemelha ao que já foi visto em Belgrado, no Afeganistão ou no Iraque, sem que a guerra tenha resolvido qualquer problema – bem pelo contrário...
Em Portugal, em simultâneo com a vigília de oração presidida pelo Papa na Praça de São Pedro (entre as 19h e as 24h), estão previstas várias iniciativas – a agência Ecclesia tem divulgado várias delas. Em Évora, um grupo de crentes e não-crentes mobilizou-se também para, entre as 21h e as 23h, na Igreja de São Vicente, fazer uma “vigília de reflexão e partilha”. A iniciativa incluirá o testemunho de Adel Sidarus, cristão copta, professor universitário de origem egípcia, e momentos de música e poesia.

A convocatória recorda as guerras mundiais e o seu nível de violência e destruição, bem como as intervenções armadas em países como o Afeganistão, o Iraque ou a Líbia, que não tiveram os resultados que sempre foram anunciados – antes agravaram os conflitos que se propunham extinguir. Por contraste, recorda-se o papel de Gandhi, Luther King, Mandela ou do movimento em defesa de Timor-Leste, que recusaram a luta violenta e conseguiram encontrar soluções de reconciliação e diálogo.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Situação dos refugiados sírios é crítica, alerta ACNUR


É crítica a situação dos refugiados sírios na região. O alerta é da Agência das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) e é no Iraque que o problema é mais grave. Segundo Adrian Edwards, porta-voz do ACNUR, a situação no campo Domiz, na cidade de Dohuk, no noroeste do país, é especialmente preocupante.
“Actualmente o campo abriga 35 mil refugiados sírios e atingiu um nível crítico de superlotação. Milhares de famílias estão já a dividir as suas tendas com novos refugiados, já que 3.500 não têm o seu próprio abrigo”. Em consequência disto, o saneamento básico nestes campos é abaixo dos padrões humanitários considerados aceitáveis, havendo o sério risco de disseminação de doenças.
A guerra civil na Síria já causou mais de 70 mil mortos. O regresso das crianças à escola é visto como absolutamente necessário e prioritário. Entre as organizações que estão a ajudar directamente os refugiados sírios, destaca-se a Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, em cujo site pode ler-se a continuação desta notícia. (foto AIS)


sexta-feira, 5 de abril de 2013

Vencer o medo dos dias de chumbo


Exposição

Corpos e rostos distorcidos, sombras de medo, cabeças de animais, pietás, anjos... A exposição Os Desastres da Guerra, de Graça Morais, parte de fotografias retiradas de jornais relativas a conflitos, actos de violência, tragédias e guerra. Para mostrar um quadro que, na expressão da própria pintora, fala da “fuga do caos e do abismo”. Explica ela: “São milhões de seres humanos que migram em busca de um futuro melhor. Fugidos de guerras, de genocídios, do terrorismo, de catástrofes naturais, lutando numa cruzada contra a fome, a doença, as injustiças sociais e as perseguições políticas.
 É através destas pinturas que faço uma reflexão profunda sobre a resistência de mulheres e homens que procuram o seu lugar na Terra, lugar no qual recusam a fatalidade do Medo e a indignidade do Mal.”
Esta é uma pintura, assim, que nos fala das sombras e da caminhada do medo, mas também da empatia, da fuga e da resistência. Num dos (excelentes) textos do catálogo, escreve José Manuel dos Santos: “Estas obras dizem o nosso nome, usam a nossa língua, olham-nos no nosso olhar. (...) fugimos na sua fuga, paralisamos no seu medo, sofremos no seu sofrimento.” O autor cita mesmo Octavio Paz para dar uma dimensão quase religiosa a esta obra: “Tu pintura es el lenzo de Verónica / de ese Cristo sin rostro / que es el tempo.” Não por acaso, o tema da Pietá é um dos que se repete neste conjunto.
Estes quadros de Graça Morais dão, assim – escreve ainda José Manuel dos Santos – “uma atenção à indiferença, uma proximidade à distância, uma recusa à aceitação, um juízo de valor ao juízo da realidade”. E João Pinharanda, comissário da exposição, acrescenta num outro texto que a vontade da pintora com a sua obra é expulsar as sombras e vencer os “medos dos nossos dias de chumbo”. Um grito de alma, um grito de arte.

(ilustração: A Caminhada do Medo V, 2011; este texto foi publicado no Mensageiro de Santo António, Abril 2013)

Os Desastres da Guerra
Pintura de Graça Morais
Fundação Arpad Szènes-Vieira da Silva
De Quarta a Domingo, das 10h às 18h (entrada gratuita das 10h às 14h); até 14 de Abril

Sábado, dia 6 de Abril – debate "E depois da Guerra?"
15h – visita à exposição, guiada pela artista
16h – debate com Adelino Gomes, José Manuel dos Santos, José Tolentino Mendonça, Luísa Soares de Oliveira e Viriato Soromenho-Marques

sábado, 9 de maio de 2009

Contra a manipulação ideológica da religião

O Papa contestou ao final da manhã, em Amã (Jordânia) a manipulação ideológica da religião. Esta pode levar à violência, afirmou. "É sobretudo a manipulação ideológica da religião, por vezes para fins políticos, que é o verdadeiro catalisador das tensões e das divisões e por vezes mesmo das violências na nossa sociedade." Ver mais aqui. Importa sublinhar cada vez mais este tipo de afirmações, tal como defendi em comentário anterior. Os responsáveis religiosos têm hoje um papel fundamental na erradicação da violência, mesmo quando ela ganha contornos políticos evidentes.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

As religiões no meio dos conflitos

Nos conflitos que atravessam o Médio Oriente e, em particular, a Terra Santa, muitos líderes religiosos recusam sistematicamente a ideia de que eles sejam de motivação religiosa, atribuindo antes razões políticas. O que é certo é que da parte de outros líderes religiosos há, pelo menos, a confirmação de que há graves factores religiosos a travar (pelo menos) a resolução pacífica dos problemas.

Não é raro ver imãs e xeques muçulmanos com discursos inflamados contra Israel e os judeus; nem é pouco frequente escutar rabinos judeus que só se referem à violência terrorista, sem entender que também há mortes inocentes entre palestinianos e muçulmanos; e ouvem-se muitos líderes cristãos a entrar no jogo da defesa de um dos lados, sem entender que o conflito (os conflitos, já que são vários) só se resolvem numa lógica de não-violência, perdão e reconciliação.

Hans Kung tem razão, quando defende que só haverá paz no mundo quando houver paz entre as religiões. E para isso é preciso que os responsáveis religiosos repitam cada vez, como João Paulo II antes da invasão do Iraque: “A guerra é uma derrota da humanidade. Nunca mais a guerra.”

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Santa Sé diz na ONU que vítimas civis não são um mero efeito colateral

As vítimas civis dos conflitos armados não podem ser consideradas como “um mero efeito colateral da guerra”, afirmou na ONU o arcebispo Celestino Migliore, observador permanente da Santa Sé junto das Nações Unidas. Quinta-feira passada, o arcebispo falou, no Conselho de Segurança, sobre os critérios morais para a protecção de civis em conflitos armados.

O embaixador do Vaticano afirmou que, nos últimos tempos, “a segurança dos civis nos conflitos está-se fazendo cada vez mais crítica, por vezes mesmo dramática, como tem sucedido na Faixa de Gaza, no Iraque, Darfur e na República Democrática do Congo”. Migliore apelou por isso à garantia da “protecção de civis através de um maior respeito das normas do direito internacional”. O que exige três pilares fundamentais: “Acesso humanitário, protecção especial para as crianças e mulheres, assim como o desarmamento”.

“O terrível maltrato de civis em tantas partes do mundo não parece um mero efeito da guerra”, afirmou. “Vemos civis que são convertidos deliberadamente em meios para alcançar objectivos políticos ou militares.” E deu exemplos: “Quando as mulheres e as crianças são usadas como escudo de combatentes; quando se nega o acesso humanitário à Faixa de Gaza; quando no Darfur as pessoas são expulsas e as aldeias destruídas; quando vemos a violência sexual que destrói a vida de mulheres e crianças na República Democrática do Congo.

“A protecção dos civis exige não apenas um renovado compromisso para aplicar o direito humanitário, mas requer em primeiro lugar e sobretudo boa vontade política e acção”, acrescentou o arcebispo. Requer ainda “líderes que exerçam o direito de defender seus próprios cidadãos ou o direito à autodeterminação, recorrendo apenas aos meios legítimos”.

O representante da Santa Sé disse que o crescente aumento das vítimas civis na guerra se deve também “à produção massiva e contínua inovação e sofisticação de armamentos”. “A maior qualidade e distribuição de arma de pequenos calibre e de armas leves, assim como as minas terrestres e as bombas de fragmentação fazem com que seja muito mais fácil e eficaz o assassinato de seres humanos.”

Nessa medida, saudou como uma boa notícia a adopção da Convenção sobre as Bombas de Fragmentação e apelou a que os países ratifiquem este tratado “como uma prioridade e um sinal de compromisso para enfrentar o drama das vítimas civis”.

(Fonte: www.zenit.org)