Texto de Maria Wilton
O documento considera fundamental envolver, valorizar e
dar protagonismo aos jovens dentro da Igreja (Foto Helena Lopes/Pexels)
A presença feminina e a participação das mulheres nas estruturas da Igreja Católica e nos seus processos decisórios é “um dever de justiça”, diz o documento final do Sínodo dos Bispos sobre os Jovens, que decorreu de 3 a 28 de outubro deste ano, em Roma, e foi dedicado ao tema Os Jovens, a fé e o discernimento vocacional. O texto invoca mesmo o modo “como Jesus se relacionou com homens e mulheres do seu tempo e na importância do papel dalgumas figuras femininas na Bíblia”, para dizer que a falta de presença das mulheres “empobrece o debate e o caminho da Igreja”.
Durante a assembleia sinodal – que reuniu mais de 200 bispos de todo o mundo – foram ouvidos também vários jovens que participaram como auditores e observadores e que expressaram as suas preocupações e dúvidas, uma das bases para a construção do documento. Para este sínodo, foi mesmo considerado importante ouvir jovens de outras confissões ou “alheios ao horizonte religioso”, já que “todos os jovens, sem exceção, estão no coração de Deus e, consequentemente, também no coração da Igreja.”
Na primeira metade do documento, considera-se importante não só a reflexão sobre o papel da mulher na Igreja, como também sobre a diferença entre a identidade masculina e feminina e a homossexualidade.
Entre os assuntos que tocam os jovens são referidos três pontos cruciais: o ambiente digital, os migrantes e os abusos sexuais ou psicológicos, por parte de membros do clero, como um “sério obstáculo” para a missão da Igreja.
No tópico “corpo e afetividade”, o texto refere que “a moral sexual é frequentemente causa de incompreensão e afastamento da Igreja, uma vez que é sentida como um espaço de juízo e de condenação”.
Em relação à crescente falta de afiliação religiosa o documento afirma mesmo que os bispos estão cientes “de que um número consistente de jovens, pelos motivos mais variados, nada pede à Igreja, porque não a consideram significativa para a sua existência. Aliás, alguns pedem-lhe expressamente para ser deixados em paz, uma vez que sentem a sua presença como importuna e até mesmo irritante.”






