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sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Jovens portugueses no encontro de Taizé em Madrid: cuidar da espera, cuidar da terra, cuidar da linguagem

Texto de António Marujo


Um dos momentos de oração durante o encontro europeu de jovens, em Madrid 
(foto reproduzida daqui)


O problema é cuidar da espera e do desespero dos refugiados, diz Nicolau Osório, 24 anos, do Porto. A linguagem eclesiástica é um problema para os jovens, afirma Mónica Ribau, 26 anos, de Aveiro. O problema é o cuidado que devemos ter com os direitos do planeta, acrescenta Catarina Sá Couto, 29 anos, do Porto. 
Nicolau, Mónica e Catarina são três dos mais de 600 portugueses que estiveram em Madrid, entre 28 de Dezembro e 1 de Janeiro, a participar no 41º encontro europeu de jovens, promovido pela comunidade monástica ecuménica de Taizé, no âmbito da peregrinação de confiança sobre a terra
Na última tarde do ano, numa igreja da periferia de Madrid, juntam-se para partilhar experiências e ver o que podem fazer, em Portugal, para continuar o que viveram nestes últimos dias do ano na capital espanhola. 
Atenas (Grécia) foi o destino de Nicolau durante seis meses (com uma incursão de dez dias à ilha de Lesbos), num trabalho voluntário com a Plataforma de Apoio aos Refugiados. “O problema é cuidar da espera e do desespero dos refugiados”, conta o jovem licenciado em Engenharia de Minas, mas que quer procurar um trabalho na área da educação sexual.  
“São pessoas que não podem sair da Grécia. E o que me ficou não são as histórias trágicas que ouvi de tantos deles, mas os laços pessoais que se criaram. Para mim, os refugiados passaram de um rótulo a rostos e pessoas concretas”, acrescenta, aos compatriotas que o escutam. Com o seu trabalho, Nicolau também quis dizer aos refugiados que “ainda há uma Europa que quer acolher”. Por vezes, “temos medo, mas devemos acolher”. 

Direitos humanos e direitos do planeta

Catarina, que se apresenta como cristã anglicana, tem estado envolvida no movimento pela Carta da Terra – Valores e Princípios para um Futuro Sustentável, integrando também a organização Green Anglicans. E chama a atenção para a forma como todos consumimos: “Esquecemos muitas vezes que os direitos humanos e os direitos do planeta dependem uns dos outros.” E aponta: “Este banco vem de uma árvore, esta luz vem da água de uma barragem, do vento, de uma energia renovável ou da queima de carvão.” 

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

“Uma carga preciosa”

Livros para oferecer no Natal (IV)


Texto de Eduardo Jorge Madureira

No início do mês de Setembro de 2015, uma criança aparecia morta numa praia da Turquia. Ficou depois a saber-se que era um menino sírio. Tinha três anos e chamava-se Alan Kurdi. As imagens terríveis que o mostravam só, deitado na orla do mar, como que adormecido, ou tombado no colo de um agente da polícia turca correram o mundo através das primeiras páginas da imprensa, provocando uma forte comoção. Alan Kurdi tinha-se afogado no Mediterrâneo, que o seu pai com ele tentou atravessar ansiando por uma vida de segurança na Europa.
A memória desta criança e das 4176 pessoas que, no ano seguinte, fugindo da guerra e da perseguição, morreram ou desapareceram em idêntica viagem inspirou Khaled Hosseini a escrever Uma Prece ao Mar. O livro, ilustrado por Dan Williams, dá voz a um pai que conta ao filho, chamado Marwan, como eram os dias felizes da sua infância na cidade de Homs, na Síria, antes de a guerra ter chegado. Os dois, na companhia de outras pessoas, estão na praia à espera da hora certa para partirem rumo à Europa. A Deus, o pai pede que conduza em segurança a embarcação. Ao mar, pede que se lembre do filho – “uma carga preciosa” – que nela viaja.  
Uma Prece ao Maré uma leitura muito recomendável para todos e, de um modo particular, para os mais novos.

Khaled Hosseini – Uma Prece ao Mar
Ilustração de Dan Williams. Tradução Manuela Madureira
Lisboa: Editorial Presença, 2018

(Nota: Uma parte das receitas deste livro, que o jornal britânico The Guardian transformou num surpreendente filme de animação, reverte a favor do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). O filme pode ser visto a seguir (na sua versão inglesa): 


terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Papa Francisco: É inaceitável culpar os migrantes de todos os males

Texto de Maria Wilton
Ilustração © Cristina Sampaio




“A escalada em termos de intimidação, bem como a proliferação descontrolada das armas são contrárias à moral e à busca duma verdadeira concórdia. O terror exercido sobre as pessoas mais vulneráveis contribui para o exílio de populações inteiras à procura duma terra de paz. Não são sustentáveis os discursos políticos que tendem a acusar os migrantes de todos os males e a privar os pobres da esperança”, escreve o Papa Francisco, na sua mensagem para o 52.ºDia Mundial da Paz, que será celebrado no próximo dia 1 de janeiro de 2019.
Divulgada em pleno Dia Internacional dos Migrantes, proposto pelas Nações Unidas, a mensagem do Papa argentino tem como tema a “boa política ao serviço da paz”, reflectindo sobre as “virtudes” e os “vícios” da política – como a corrupção, a xenofobia e o racismo. No documento, Francisco rejeita a guerra e a estratégia de medo utilizada por alguns políticos e mostra o seu apoio aos migrantes, dizendo: “A boa política está ao serviço da paz; respeita e promove direitos humanos fundamentais (…), para que se teça um laço de confiança e gratidão entre gerações do presente e as futuras.”
O Papa Francisco, que celebrou o seu 82º aniversário segunda-feira,17de dezembro, lembra que todas as eleições e fases da vida pública são uma oportunidade para retornar aos pontos de referência que inspiram a justiça e a lei. Falando especificamente dos jovens, o pontífice lembra como os mesmos podem perder confiança no poder político quando este protege apenas os mais privilegiados. E continua: “Quando a política se traduz, concretamente, no encorajamento dos talentos juvenis e das vocações que requerem a sua realização, a paz propaga-se nas consciências e nos rostos. Torna-se uma confiança dinâmica, que significa «fio-me de ti e creio contigo» na possibilidade de trabalharmos juntos pelo bem comum.”
A propósito deste dia do migrante, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, divulgou também uma mensagem, que convida a comunidade mundial a refletir sobre o tópico: “A migração é um poderoso motor de crescimento económico, dinamismo e compreensão. (…) Mas, quando mal regulada, pode intensificar divisões dentro e entre sociedades e expor as pessoas a exploração e abuso, retirando fé aos governos.” 
Neste âmbito, o antigo primeiro-ministro português falou do Global Compact, uma iniciativa proposta pela Organização das Nações Unidas que encoraja empresas a adotar políticas de responsabilidade social corporativa e sustentabilidade.

sábado, 15 de dezembro de 2018

Perseguidos na própria terra

70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos (VI)


Texto de Fernando Sousa
Ilustração © Cristina Sampaio

Migrantes ou em fuga,  milhares de pessoas procuram todos os dias outros países onde possam ser felizes ou sobreviver à fome, à perseguição ou à guerra. São a imagem de um mundo que recusa a homens, mulheres e crianças os direitos mais elementares, da vida ao trabalho, com prejuízo para a felicidade e a paz. 
Ascende a 250 mil o número dos que, no mundo, desesperam por melhores condições de vida; desde logo, um trabalho digno e suficientemente remunerado. Foi para eles que as Nações Unidas prepararam o Pacto Global para Migração Segura, Ordenada e Regular, uma das grande novidades de 2018, que o Papa Francisco considerou urgente e foi assinado no passado dia 10, em Marraquexe
O pacto é o primeiro compromisso internacional concebido para que nações e comunidades lidem melhor com a migração no mundo e todas as suas dimensões em benefício de imigrantes e refugiados.
Compreende 23 objetivos para a melhor gestão do fenómeno migratório em níveis locais, regionais e global, e está baseado nos princípios da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e nos compromissos assinados na Declaração de Nova Iorque para Refugiados e Migrantes, adotada em Setembro de 2016 na Assembleia Geral da ONU.

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Uma celebração ininterrupta há 46 dias para salvar a família Tamrazyan

Texto de Maria Wilton


Haryarpi, Seyran e Warduhi, filhos do casal Tamrazyane, 
num dos momentos do culto ininterrupto na Igreja Bethel, em Haia 
(Foto reproduzida daqui)

Uma igreja protestante em Haia, na Holanda, está a fazer celebrações religiosas contínuas desde 26 de outubro, às 13h30. Devido a uma lei do país, pouco conhecida, a polícia não pode interromper qualquer cerimónia religiosa para fazer detenções dentro do templo. É por isso que, nos últimos 46 dias, oficiais de imigração não têm podido entrar dentro da Igreja Bethel para deter os cinco arménios da família Tamrazyan, que lá se encontram desde então.
Os refugiados fugiram para lá, de modo a escapar a uma ordem de deportação. Para os proteger, mais de 550 líderes religiosos, leigos cristãos e outros responsáveis têm rodado em permanência. O que começou em outubro, como uma medida de emergência tomada por um pequeno grupo de pastores locais, é agora um movimento muito alargado, que atrai pessoas de diferentes confissões para a pequena igreja protestante.
O plano para evitar a ordem de deportação foi concebido em segredo, para que a família não fosse posta em perigo, contou o pastor Axel Wicke, da Igreja Bethel a um canal de televisão norte-americano: “Eu tinha copiado e colado [os guiões d]as liturgias dos últimos 10 anos num documento enorme, e nós simplesmente cantámos e rezámos a partir daí, até encontrarmos outros pastores que assumiram o controlo”, explicou. Apesar de a polícia não estar no exterior, a igreja está a ser monitorizada mais intensamente do que o habitual, garantiu.
A cerimónia tem contado também com apoiantes da comunidade para assistir ao culto ininterrupto e ajudar com comida. A igreja diz que 3500 visitantes de todo o país vieram já apoiar esta causa e que nem todos são religiosos.
Ao jornal The New York Times, Florine Kuethe, uma consultora de relações públicas, contou: “Não sou religiosa mas, quando ouvi acerca disto, disse ao meu marido: ‘Não fiques chocado mas eu quero ir à igreja.’”
Num país cada vez mais secular (que, segundo o Pew Research Center em 2017, contava com 48% de pessoas não religiosas), Florine diz que, para ela, são estas iniciativas que tornam as igrejas relevantes outra vez. 
Já para Rosaliene Israel, secretária geral da Igreja Protestante de Amsterdão, esta é uma maneira de voltar a sentir que o que que faz é relevante: “Como igrejas na Europa ocidental, andamos a debater-nos, pois estamos cada vez mais nas margens da sociedade. E como líderes da Igreja, sentimos isto.”
A história da família Tamrazyan começou há nove anos, quando o casal e os três filhos fugiram da Arménia para a Holanda. Sasun Tamrazyane a sua mulher, Anousche, enfrentavam ameaças de morte no seu país, devido ao ativismo político de Sasun.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Petição quer que o Aquarius II use bandeira portuguesa para salvar refugiados

Texto de Maria Wilton


(Vídeo da Human Rights Watch com imagens de uma 
operação de salvamento no Mediterrâneo)

Depois de uma carta aberta assinada por 43 personalidades de vários sectores sociais, surge uma petição com o mesmo objetivo: solicitar ao Governo a atribuição de pavilhão português ao navio de salvamento de migrantes, o Aquarius II.
A proposta, feita inicialmente pelo Bloco de Esquerda (BE), deu origem a uma carta aberta, há dias publicada na íntegra pelo jornal Expresso
José Manuel Pureza, deputado do BE, explica as razões: “O que suscitou a elaboração da carta foi a noção que tivemos de que a operação humanitária do Aquarius II estava em risco por ter havido uma retração de quem lhe atribuíra pavilhão, devido a pressões diplomáticas do Governo italiano.”
O Aquarius II é um navio de salvamento de migrantes que tem estado em atividade no Mediterrâneo, desde fevereiro de 2016 e já salvou cerca de 30 mil pessoas. A embarcação, que começou por estar registada em Gibraltar, viu a bandeira do território ser-lhe retirada em agosto deste ano. Mais recentemente, “por pressão das autoridades e Governo italiano”, perdeu o registo entretanto concedido pelo Panamá, o que poderá impedir o barco de continuar a operar. 
A petição na internet, cujo conteúdo é o mesmo da carta aberta inicial, veio do interesse manifestado posteriormente por várias pessoas, conta ainda o deputado do Bloco: “Aquando da publicação da carta, surgiram muitas pessoas interessadas em participar e de exercer o seu direito de cidadania.
O receio é que, sem registo, o Aquarius II deixe de poder operar, mesmo que os Médicos Sem Fronteiras, que trabalham no navio, queiram continuar a fazê-lo: “Torna-se indispensável que o único barco que salva vidas no Mediterrâneo continue a funcionar. Por isso, mobilizámos este movimento para mostrar ao Governo português que podíamos e devíamos ter uma atitude corajosa e desassombrada.
Da mesma opinião é o bispo emérito das Forças Armadas, D. Januário Torgal Ferreira, um dos 43 subscritores da carta inicial, que defende que o ato de atribuir pavilhão ao navio devia ser a atitude “mais normal e comum”: “As pessoas que estão numa posição de poder deviam pôr em primeiro lugar os direitos dos que não os tem e não aqueles que vêm nisto um golpe político.” 
Ser um golpe político ou “favorecer o tráfico ilegal de pessoas” são algumas das críticas tecidas à carta aberta e petição. A isto, tanto José Manuel Pureza como Januário Torgal Ferreira respondem que o objetivo da iniciativa não é político mas sim humanitário – uma maneira de “salvar vidas”. 
Lisa Matos, psicóloga clínica especializada no trabalho com refugiados, assinou a carta com mais uma preocupação: “Esta proposta pareceu-me fulcral porque deu resposta ao apelo dos operantes do barco. É muito clara a frustração das pessoas que fazem estes salvamentos quando não conseguem ter apoio.”

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Joana Gomes: Trocar o certo pelo incerto

Texto e vídeos de Maria Wilton
Entrevista de António Marujo e Maria Wilton



Numa aldeia do Chade, onde era a única branca, contraiu malária e chegou a dormir com 40º Celsius numa casa sem eletricidade. Sentiu medo quando, durante algumas horas, foi a única mulher num centro de refugiados em revolta, na Sicília. Nada disto a demove de voltar a trabalhar com refugiados, desta vez em Adjumani, no norte do Uganda, para gerir os projetos de educação do Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS, da sigla inglesa).
Joana Gomes, 30 anos, estava na Sicília em 2016, quando se registou uma das grandes vagas de chegada de refugiados à Europa. Uma experiência “muito intensa: vinham todos com depressão, não conseguiam dormir e andavam muito perdidos e desorientados – já que o processo de pedir asilo e estatuto de refugiado era muito novo”, contava ao RELIGIONLINE, antes de partir para o Uganda, no final de setembro. 
Tendo dedicado vários anos a trabalho de voluntariado e missionário, Joana recorda algumas das suas experiências. Na Sicília, esteve no mesmo centro de acolhimento a refugiados em três momentos diferentes. Isso permitiu acompanhar as mudanças dos migrantes: de refugiados perdidos a pessoas mais estáveis e, por fim, cidadãos inseridos na sociedade. 
Entre as histórias que a marcaram, está a de Buba, um jovem natural da Gâmbia. 



Natural de Lisboa, licenciada em serviço social, na Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa e com mestrado em Gestão de recursos humanos no ISCTE, Joana sempre olhou para a problemática dos refugiados como algo que a toca especialmente. Por várias vezes na Europa, viu condições de vida muito precárias: “A Europa diz que está preocupada e a acolher mas aquilo não era bem um acolher. Temos de tentar perceber qual a causa de saída dos países (dos refugiados), o que está a acontecer lá e trabalhar na origem.”

domingo, 19 de agosto de 2018

Os refugiados, a bomba-relógio e os medos católicos


O padre Camillo Ripamonti, no Centro Astalli, em Roma, 
junto de refugiados

Há a história de um camaronês que tem gravadas, na pele, as marcas da tortura; de um colombiano detido numa cadeia mas que pode sair para ajudar outros; de uma fila de refugiados que carrega uma “bagagem de sofrimento” e vai diariamente buscar comida a um centro de apoio; de um nigeriano que viu morrer gente no barco em que se meteu para chegar a Itália, depois de ter ido a pé do seu país até à Líbia; de um missionário que teme a bomba-relógio que as políticas europeias podem provocar; de um padre que alerta que ninguém pode ser deixado a dormir debaixo da ponte; de um cardeal criticado por defender o dever evangélico de acolher o estrangeiro; de uma revista católica que coloca na capa a foto de um ministro e lhe diz: “Vade retro”; e, ainda, do responsável do Serviço Jesuíta aos Refugiados em Itália que diz ser inadmissível que haja pessoas a more no Mediterrâneo. 
Hoje, no Público, publico uma reportagem sobre os receios das organizações católicas que trabalham no acolhimento aos refugiados em Itália, tendo em conta o novo quadro político do país e as indecisões dos governos europeus. E também uma entrevista com o director do Serviço Jesuíta aos Refugiados-Itália, padre Camillo Ripamonti, que começa por dizer porque quis ser médico, antes de ser padre, e porque é que o trabalho que agora faz lhe levou quase as mesmas realidades...

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Um jejum contra a violência e as fotos do purgatório dentro da igreja




(foto reproduzida daqui)

O Papa Francisco convocou para esta sexta-feira, dia 23, um jejum pela paz e, em especial, pelas populações da República Democrática do Congo e do Sudão do Sul, tendo em conta a “trágica continuação de situações de conflito em diversas partes do mundo”.
Ao convidar os crentes (incluindo “os irmãos e irmãs não católicos e não cristãos” com as “modalidades que considerarem mais oportunas”) para um dia de “oração e jejum”, o Papa acrescentou que cada pessoa se deve perguntar, na sua própria consciência: “O que posso eu fazer pela paz?” E acrescentou: “Certamente podemos rezar; mas não só. Cada um pode dizer concretamente ‘não’ à violência naquilo que depender dele ou dela. Porque as vitórias obtidas com a violência são falsas vitórias; enquanto trabalhar pela paz faz bem a todos!”
Na sua mensagem para a Quaresma deste ano, o Papa explica precisamente o sentido do jejum, relacionando-o com o fim da violência: “o jejum tira força à nossa violência, desarma-nos, constituindo uma importante ocasião de crescimento. Por um lado, permite-nos experimentar o que sentem quantos não possuem sequer o mínimo necessário, provando dia a dia as mordeduras da fome. Por outro, expressa a condição do nosso espírito, faminto de bondade e sedento da vida de Deus. O jejum desperta-nos, torna-nos mais atentos a Deus e ao próximo, reanima a vontade de obedecer a Deus, o único que sacia a nossa fome.”
Como proposta de oração para este dia de jejum, a Cáritas Portuguesa convidou um conjunto de instituições e movimentos católicos a redigir uma Via-Sacra que servisse de meditação para este dia. “Esta iniciativa resultou, primeiro, num gesto simbólico de união entre aqueles que têm por missão a evangelização e a erradicar a pobreza; segundo, num texto com um alinhamento diversificado que vive da identidade de cada uma destas organizações.” O texto está disponível aqui.
 
A propósito da violência que não se limita às guerras declaradas, merece também referência a iniciativa da Igreja Católica que, nas Filipinas, juntou aos objectivos de uma tradicional Marcha pela Vida a luta contra os assassinatos suspeitos, a declaração da lei marcial no sul do país ou a ideia de restabelecer a pena de morte. Numa semana em que assistimos a um dos mais graves massacres na guerra da Síria e a um novo massacre de jovens numa escola dos Estados Unidos, vale a pena reparar na forma como os católicos de um país se mobilizam contra a instalação de uma “cultura de violência”, como referiu o bispo Broderick Pabillo.
Uma forma de alertar consciências contra outras violências que a Europa está a infligir a muitas pessoas que no continente buscam refúgio, é aquela que propõe a paróquia da Vera-Cruz, em Aveiro: até 4 de Março, dentro da igreja paroquial, os fiéis e muitos visitantes que ali entram serão surpreendidos pelas fotografias de Ricardo Lopes feitas em campos de refugiados.
Grécia: o Purgatório Europeu, pretende mostrar “rostos, a preto e branco, cenas do quotidiano do sofrimento de quem é esquecido”. E os objectivos, como explica o pároco, padre João Alves, são mesmo o de “incomodar quem ali está ou passa, ajudar à relação entre a Eucaristia e a caridade, porque este ano é dedicado à caridade, e percebermos que a paróquia tem uma fraca sensibilidade sócio-caritativa da comunidade celebrante”. Uma reflexão mais para este tempo, como se pode ler nesta notícia.

sábado, 30 de dezembro de 2017

Refugiados: o Papa e os pactos, os encalhados e os rohyngia, e as fotos de “nós, os muçulmanos”

 
 A família Dabbah, "encalhada" na Turquia, 
que aguarda a possibilidade de viver em Portugal, 
uma das histórias da reportagem de Catarina Santos na Renascença, citada no final

O Papa Francisco deseja que, durante o ano de 2018, se consigam definir e aprovar dois pactos mundiais: um para migrações seguras, ordenadas e regulares, outro referido aos refugiados. O anseio é manifestado na sua mensagem para o 51º Dia Mundial da Paz, que a Igreja Católica assinala depois de amanhã, dia 1 de Janeiro. Desta vez, o texto é dedicado ao tema Migrantes e refugiados: homens e mulheres em busca de paz
É importante que tais documentos “sejam inspirados por sentimentos de compaixão, clarividência e coragem, de modo a aproveitar todas as ocasiões para fazer avançar a construção da paz: só assim o necessário realismo da política internacional não se tornará uma capitulação ao cinismo e à globalização da indiferença”, acrescenta o Papa.
Na mensagem, disponível aqui na íntegra, Francisco recorda os “mais de 250 milhões de migrantes no mundo, dos quais 22 milhões e meio são refugiados” (os números do Alto Comissariado das Nações Unidas apontavam, em 2016, para mais de 60 milhões de refugiados e deslocados internos no mundo). E diz que eles são mulheres e homens que apenas buscam um lugar para viver em paz. “Para o encontrar, muitos deles estão prontos a arriscar a vida numa viagem que se revela, em grande parte dos casos, longa e perigosa, a sujeitar-se a fadigas e sofrimentos, a enfrentar arames farpados e muros erguidos para os manter longe da meta.”
As pessoas fogem de conflitos armados, mas também levadas pelo “desejo de uma vida melhor, unido muitas vezes ao intento de deixar para trás o ‘desespero’ de um futuro impossível de construir”. E se a maioria o faz através de um percurso legal, “há quem tome outros caminhos, sobretudo por causa do desespero, quando a pátria não lhes oferece segurança nem oportunidades, e todas as vias legais parecem impraticáveis, bloqueadas ou demasiado lentas”.
O Papa contesta a retórica, largamente generalizada em muitos países de destino, “que enfatiza os riscos para a segurança nacional ou o peso do acolhimento dos recém-chegados, desprezando assim a dignidade humana que se deve reconhecer a todos, enquanto filhos e filhas de Deus.”
Num comentário à mensagem, publicado no National Catholic Reporter, que pode ser lido aqui em inglês, Tony Magliano afirma que “numerosos estudos indicam que a imigração traz o crime”, referindo concretamente a realidade dos Estados Unidos – e que se confirma também em muitos outros países. Pelo contrário: “A maior parte dos dados revelam que, em média, quando a imigração aumenta, o crime diminui.”
Acrescenta o Papa: “Quem fomenta o medo contra os migrantes, talvez com fins políticos, em vez de construir a paz, semeia violência, discriminação racial e xenofobia, que são fonte de grande preocupação para quantos têm a peito a tutela de todos os seres humanos.”

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Eleições nos EUA: Muros e pontes

O resultado das eleições nos EUA foi já objecto de um comentário aqui. Na Voz da Verdade, Pedro Vaz Patto volta ao tema, para escrever:

A eleição de Donald Trump surpreendeu o mundo.
Muitos cristãos, católicos e evangélicos, saudaram essa eleição como um mal menor, face à sua adversária, Hillary Clinton, empenhada em alargar ainda mais as possibilidades de recurso ao aborto como direito absoluto, e capaz de limitar a liberdade de consciência e religião em âmbitos “fraturantes” como esse (ficou célebre um seu discurso em que afirmava que os Estados deviam usar meios coercivos para levar as autoridades religiosas a modificar as suas doutrinas tradicionais quanto a essas matérias). Mal menor porque o aborto será, hoje, o mais grave e sistemático atentado à vida e dignidade humanas.
Este raciocínio envolve, porém um grave perigo: centrar unicamente em duas ou três causas (“single issues”) o empenho político dos cristãos, ignorando ou desvalorizando outras causas também importantes, assim descredibilizando esse empenho e justificando acusações de parcialidade e incoerência. 
(texto para continuar a ler aqui)

No artigo, o actual presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) recorda uma acção das comissões europeias sobre a questão dos refugiados, tema que voltou a ser objecto de um documento que pode ser lido na página da CNJP, com o título Criando um refúgio seguro para todos: Refugiados e dignidade humana (clicando aqui e procurando o título ao fundo da coluna da direita)

Publicação anterior no blogue
Advento - Precisamos de uma estrela (um poema de José Tolentino Mendonça e uma foto de Rui Aleixo para o I Domingo do Advento)


quinta-feira, 12 de maio de 2016

O efeito do Papa Francisco na crise da Europa a propósito dos refugiados

Há um “efeito” do Papa Francisco na crise da Europa a propósito dos refugiados, a avaliar pelos resultados de uma sondagem publicada há dias em França pelo semanário católico La Vie: 54 por cento dos católicos interrogados no final de Abril são favoráveis ao acolhimento dos refugiados chegados recentemente à Europa. Um mês antes, apenas 38 por cento manifestavam essa disponibilidade. Entre as duas sondagens, o Papa realizou a sua viagem a Lesbosa ilha grega onde têm chegado milhares de pessoas em busca de auxílio, e levou consigo, para Roma, três famílias sírias que tinham fugido da guerra.


Uma das famílias de refugiados sírios, já em Roma 
(foto reproduzida daqui)

Jérôme Fourquet, um dos responsáveis do instituto que fez o inquérito, diz, citado por La Vie, que “o Papa desperta as consciências dos católicos praticantes e provoca um electrochoque, ou seja, um sobressalto.”
No total, revela ainda a sondagem (mais informações e resultados aqui), 46 por cento dos franceses é favorável ao acolhimento de refugiados.

Na semana passada, o Papa recebeu o Prémio Carlos Magno, que uma associação sediada na cidade alemã de Aachen (Aix-en-Chapelle) atribui a quem se distinga no trabalho em favor da paz e da unidade na Europa.  
No seu discurso, o Papa criticou a corrupção e os muros que se erguem contra os refugiados. E perguntou: “Que te sucedeu, Europa humanista, paladina dos direitos humanos, da democracia e da liberdade?” Citou ainda Robert Schuman, para afirmar: “‘A Europa não se fará duma só vez, nem através duma construção de conjunto; far-se-á através de realizações concretas que criem, antes de tudo, uma solidariedade de facto’. (...) é preciso voltar àquela solidariedade de facto, à mesma generosidade concreta que se seguiu à II Guerra Mundial, porque ‘a paz mundial – continuava Schuman – não poderá ser salvaguardada sem esforços criativos à altura dos perigos que a ameaçam’. Os projetos dos Pais fundadores, arautos da paz e profetas do futuro, não estão superados: inspiram-nos hoje, mais do que nunca, a construir pontes e a derrubar muros. (O discurso pode ser lido aqui na íntegra; duas notícias com excertos podem ser encontrados aqui e aqui). 
Uma das famílias de refugiados que foi para Roma, e que deixou a sua casa depois de um bombardeamento, afirmava há diasao Religión Digital, que o Papa lhes ofereceu “um sonho” e “uma nova oportunidade com esperança de um futuro seguro”.

Precisamente sobre o sentido da viagem do Papa a Lesbos (e também sobre a forma como o assunto foi noticiado nas televisões portuguesas), Eduardo Jorge Madureira escreveu, na sua crónica Os Dias da Semana, no Diário do Minho de 17 de Abril:

Doze sírios no Vaticano

O filósofo Emmanuel Lévinas e, depois, o ensaísta Jacques Julliard encontram-se entre os que indicaram o correcto modo de combinar a caridade e a justiça. “A caridade é impossível sem a justiça e a justiça deforma-se sem a caridade”, explicou Emmanuel Lévinas, em Entre nous. Essais sur le penser à l’autre (Paris: Grasset, 1991). Em O fascismo que se avizinha (Lisboa: Instituto Piaget, 1996), Jacques Julliard sustentou que “a justiça sem caridade é uma ilusão, a caridade sem a justiça é uma impostura”. Praticar a caridade e lutar pela justiça são, pois, acções que se devem associar. O Papa Francisco conjugou-as ontem na ilha grega de Lesbos.

domingo, 10 de abril de 2016

O padre 112 do Mediterrâneo faz uma chamada de emergência pela Europa

O padre católico que já salvou milhares de vidas disse em Fafe, no Encontro Terra Justa, que a União Europeia está a trair os seus princípios fundadores.


O padre Mussie Zerai, em Fafe, quinta-feira passada 
(foto Manuel Meira/Câmara Municipal de Fafe)

O “112 do Mediterrâneo” quer ser o 112 da Europa? “A União Europeia [UE] está a trair a Convenção de Genebra e os princípios fundamentais da sua instituição, está a dar carta branca à ditadura que se está a instaurar na Turquia.”
Quem fala assim não é europeu de nascimento, mesmo se vive há largos anos na Europa. O padre Mussie Zerai, 41 anos, eritreu, ajudou milhares de pessoas a salvar-se de traficantes, de travessias pelo deserto, de prisões, de naufrágios no Mediterrâneo.
Depois de sair da Eritreia aos 14 anos, Zerai foi ordenado padre, já em Itália. A partir de 1995, começou a ajudar os refugiados – sobretudo os eritreus, o terceiro maior contingente dos que chegam à Europa, depois dos sírios  e iraquianos – que chegavam a Itália sem documentos.
Em 2003, um jornalista que conhecera num debate pediu-lhe ajuda para servir de tradutor nas conversas com refugiados do seu país. “Eu não podia limitar-me ao papel de tradutor, tinha de fazer alguma coisa.” Deixou o seu número de telefone numa prisão líbia: “Para qualquer emergência, ligue para este número.” A partir daí, milhares de pessoas procuraram-no a pedir socorro.
Ainda na semana passada, conta, recebeu um pedido de socorro do meio do Mediterrâneo. “Um barco com várias pessoas esteve oito horas para ser socorrido. Se houvesse um dispositivo eficaz, elas teriam recebido socorro imediato. Com essa espera, morreram duas pessoas.”
Mussie Zerai esteve dois dias em Fafe, a participar no Terra Justa – Encontro Internacional de Causas e Valores da Humanidade. A organização que dirige, a Agenzia Habeshia (que significa “mistura”) foi uma das homenageadas no terceiro dia do encontro, quinta-feira passada. 

sábado, 9 de abril de 2016

Os que pagam para morrer fazem perguntas

Terra Justa ouviu Tareke Brhane, líder do Comitato 3 Ottobre, contar na primeira pessoa o que passa um refugiado para chegar à Europa


Tareke Brhane (Foto Câmara Municipal de Fafe)

Tareke Brhane tinha 17 anos quando saiu do seu país, a Eritreia, um dos mais pobres do mundo. A ideia era chegar à Europa e começar vida nova. “Sem conhecer a língua, sem trabalho, sem quase nada de meu, a começar do zero.” Tareke fugiu pelo deserto, esteve preso, foi vendido por traficantes – pagaram por ele 50 dólares, cerca de 44 euros –, sentiu a morte por perto várias vezes, atravessou o mar Mediterrâneo como tentaram milhares de outras pessoas nos últimos 15 anos.
Brhane esteve dois dias em Fafe, a participar na edição 2016 do Terra Justa – Encontro Internacional de Causas e Valores da Humanidade. A organização que dirige – o Comité 3 de Outubro – foi uma das homenageadas de quinta-feira à noite, o terceiro dia da iniciativa.
É por ter atravessado o mar que Tareke se considera “um filho do Mediterrâneo, um dos que sobreviveram a prisões, ao deserto”. E acrescenta: “Noventa e nove por cento de nós pagam para ir morrer. Arrisco a minha vida por um por cento de possibilidades.”
Não será tanto assim o que as estatísticas mostram: dos mais de um milhão que atravessaram o Mediterrâneo desde o início da década, morreram algumas dezenas de milhar naquele que se tornou um grande cemitério de água (em 2015, terão sido quase três mil pessoas, segundo a Organização Internacional das Migrações). Mas os números, já de si trágicos, são apenas uma pequena parte do que sofrem os refugiados: no caso de Tareke, e dos eritreus que fogem (são o terceiro maior grupo em fuga, após os sírios e os afegãos), eles tentam escapar a uma violenta ditadura que viola permanentemente os mais elementares direitos.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Um refugiado pode ser um rosto detrás desta cortina

Encontro Terra Justa sensibiliza para o acolhimento dos refugiados e homenageia Enfermeiras Paraquedistas Portuguesas



Espectáculo de rua no Encontro Terra Justa, em Fafe 
(foto Câmara Municipal de Fafe)

Uma promessa: detrás desta cortina, podemos ver o rosto de um refugiado. Levanta-se o pano e um espelho mostra a própria face. Um refugiado pode ser qualquer um de nós, é a mensagem que as iniciativas de rua do Terra Justa – Encontro Internacional de Causas e Valores da Humanidade, pretendem passar no centro de Fafe, desde terça-feira.
As frases no túnel que fecha o Caminho das Causas pretendem colocar cada visitante na pele do outro: “E se de repente a sua casa ficasse destruída? E se de repente tudo o que conhece desaparecesse?” Nem de propósito, a iniciativa coincide com o projecto nacional de colocar os alunos das escolas portuguesas a pensar o que levariam numa mochila, se tivessem de fugir de repente.
“E se de repente tivesse de fugir para se salvar e os seus familiares?”, pergunta outro cartaz do túnel. “Nunca ninguém em falou em querer sair” do seu país, responde Eugénio Fonseca, presidente da Cáritas Portuguesa, que participou esta quarta-feira, dia 6 de Abril, numa das conversas de café programadas.
Eugénio Fonseca esteve recentemente em campos de refugiados no Líbano. Neste país, em cada três pessoas, uma é refugiada (e em cada quatro, uma é refugiado sírio). “O que os refugiados queriam era regressar à Síria”, afirma o presidente da Cáritas. “Os que estão a vir [para a Europa] não são os mais pobres. Os que estão a vir são os que ainda conseguem pagar a redes de criminosos que os colocam no mar, à procura de um país que os acolha.”
Eugénio Fonseca participava no debate com o título “Eu tu e eles, que mundo é este?” A resposta à pergunta é curta: “O modelo civilizacional que temos está dominado pelo ninho das vespas dos offshores; a riqueza existe, mas tem estado escondida”, diagnostica Eugénio Fonseca.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Perante as migrações, ultrapassemos o medo!

Não permitamos que a rejeição do estrangeiro se introduza nas nossas mentalidades, pois recusar o outro é o germe da barbárie.


Refugiados sudaneses em Taizé 
(foto reproduzida daqui, onde se podem ler mais elementos sobre esta história)

No Público de hoje, o irmão Aloïs, de Taizé,  escreve sobre a questão dos refugiados:

Perante esta situação, o medo é compreensível. Resistir ao medo não significa que este deva desaparecer, mas sim que não devemos deixar que nos paralise. Não permitamos que a rejeição do estrangeiro se introduza nas nossas mentalidades, pois recusar o outro é o germe da barbárie. (...)
Assumindo juntos as responsabilidades exigidas pela vaga de migrações, em vez de brincarem com os medos, os responsáveis políticos poderiam ajudar a União Europeia a reencontrar uma dinâmica entorpecida. (...)
Há muitos jovens europeus que não conseguem compreender os seus Governos quando estes manifestam vontade de fechar as fronteiras. Pelo contrário, estes jovens pedem que a uma mundialização da economia seja associada uma mundialização da solidariedade e que esta se expresse em particular através de um acolhimento digno e responsável dos migrantes. Muitos destes jovens estão dispostos a contribuir para esse acolhimento. Ousemos acreditar que a generosidade também tem um papel importante a desempenhar na vida urbana.
(texto na íntegra aqui)

Texto anterior no blogue
Peter e Betty, misericórdia e aborrecimento, os livros e o viver - crónicas a propósito da viagem do Papa ao México, o ano da misericórdia, a Quaresma e o sentido da vida