segunda-feira, 27 de junho de 2011

Sacerdócio feminino: entrevista de D. Policarpo suscita sururu internacional

A entrevista de D. José Policarpo à revista OA, da Ordem dos Advogados, de Maio passado, está a despertar a atenção de alguns órgãos de informação internacionais, que a vêem como susceptível de provocar reacções.
O novo órgão de informação - Vatican Insider - que acaba de ser lançado pelo diário italiano La Stampa em inglês, espanhol e, naturalmente, em italiano, fez-se eco da notícia divulgada no passado dia 22 pela agência Ecclesia, citando algumas das principais declarações do cardeal-patriarca de Lisboa relativamente à matéria referida (de facto, a entrevista trata maioritariamente de vários assuntos, com especial destaque para a posição da Igreja face á crise económica e social).
Sobre a ordenação de mulheres, D. Policarpo entende que "teologicamente não há nenhum obstáculo fundamental”; a questão é, sobretudo, de tradição e o próprio Papa se veria condicionado por este factor. O que leva o patriarca a defender que, “no momento que estamos a viver, é um daqueles problemas que é melhor nem levantar… suscita uma série de reações”. A mudança nesta matéria ocorrerá “se Deus quiser que aconteça e se estiver nos planos Dele acontecerá”, acrescenta.
«O Santo Padre João Paulo II - continua D. José Policarpo - a certa altura, pareceu dirimir a questão. Penso que a questão não se dirie assim; teologicamente, não há nenhum obstáculo fundamental; há esta tradição, digamos assim... nunca foi de outra maneira"
A entrevistadora insiste: "do ponto de vista teológico, não há nenhum obstáculo...
". E a resposta do cardeal clarifica a posição:
"Penso que não há nenhum obstáculo fundmental. É uma igualdade fundamental de todos os membros da Igreja. O problema põe-se noutra óptica, numa forte tradição que vem de Jesus, e na facilidade com que as igrejas reformadas foram para aí (...)".
Contextualizando o momento em que surgem estas palavras e vindas de quem vêm, o articulista do Vatican Insider (cf. The Patriarch of Lisbon: "There are no theological reasons for excluding women from the priesthood") sustenta que elas irão provocar debate, se se tiver em conta as posições do actual Papa a propósito (e na sequência) da Ordinatio Sacerdotalis, de João Paulo II, de 1994.
Por sua vez, o vaticanista John L. Allen Jr., escrevendo hoje no site da revista National Catholic Reporter (cf.: Cardinal sees 'no theological obstacle' to women priests), lembra que Bento XVI há menos de dois meses considerava como "infalível" o magistério sobre esta matéria, numa carta endereçada a um bispo australiano que tinha suscitado a necessidade de se recolocar a questão.

Ler a entrevista de D. José Policarpo à  revista da ordem dos Advogados: AQUI
[Crédito da foto: Paulo Castanheira]

2 comentários:

Olga Teixeira disse...

há quem diga que sou uma herege por defender o sacerdócio faminino...
mas onde está o porblema, afinal?

Anónimo disse...

Está mais do que na hora de se acabar com esta discriminação ridícula contra mulheres, seu dízimo não dispensam, seu trabalho árduo também não. Na hora de fazer parte da hierarquia, comandar, decidir, receber honrarias, nada.