quinta-feira, 14 de junho de 2018

“O crucifixo numa mão e a enxada na outra”


Foi bispo do Porto num “momento de transição” em Portugal e na Igreja Católica: António Barroso, nascido em Barcelos em 1854, foi bispo do Porto entre 1899 e 1918; antes disso, tinha sido missionário em Angola, Moçambique e Meliapor (Índia). Em 1889, dez anos antes da sua nomeação para bispo do Porto, fez uma conferência na Sociedade de Geografia de Lisboa, partindo da sua experiência na missão de São Salvador do Congo, na qual criticou diversos comportamentos de colonos portugueses em África e defendeu a presença de mulheres (religiosas) nas missões católicas.
A conferência, onde também advogou que o missionário deveria ter o crucifixo numa mão e a enxada na outra, valeu-lhe acusações várias de diversos sectores, quer católicos, quer políticos.
Perseguido depois pela I República, por causa da sua oposição às normas da Lei de Separação, Barroso foi bispo num tempo de passagem de um mundo rural para a primeira industrialização, como recorda Paulo Fontes, director do Centro de Estudos de História Religiosa (CEHR), da Universidade Católica. A nação perdera o Brasil e tentava redefinir-se com o seu império africano, o país procurava olhar para o futuro, apareciam novos sectores urbanos e novos protagonismos e sociabilidades.
No próximo dia 31 de Agosto, completa-se um século sobre a data da morte de António Barroso, aos 63 anos. Na iminência da sua beatificação, cujo processo já foi iniciado, a Universidade Católica Portuguesa levou a efeito um colóquio científico sobre a sua personalidade. Aqui pode ouvir-se uma entrevista (12 minutos) de Manuel Vilas Boas ao director do CEHR, a propósito desse colóquio, sobre a personalidade de António Barroso.

(foto acima reproduzida daqui)

sexta-feira, 8 de junho de 2018

“A Religião dos Portugueses”, um livro marcante e uma mudança de respiração na teologia em Portugal


Está disponível no Youtube um vídeo com o registo da sessão de apresentação do livro A Religião dos Portugueses, de frei Bento Domingues, que decorreu no passado dia 29 de Maio, em Lisboa. Neste domingo, dia 10, entre as 17h e as 18h, frei Bento estará no stand da Leya na Feira do Livro de Lisboa, para autografar livros a quem o desejar. 
Na intervenção com que apresentou o livro, o padre José Tolentino Mendonça afirmou que a edição desta obra “é a realização de um sonho”. Este é um livro “absolutamente marcante na produção teológica em Portugal”, escrito por “um grande artesão da teologia”, que “mostra uma juventude e um saber fazer verdadeiramente incontornável”. 
Com este livro, “pela primeira vez, a teologia feita em português e em Portugal arriscava pensar-se contextualmente”, acrescentou o autor de Elogio da Sede. “E essa contextualização do seu discurso dá à sua palavra uma força em Portugal que a palavra teológica ainda não tinha conseguido.”
Estabelecendo relação com a obra O Labirinto da Saudade, de Eduardo Lourenço, Tolentino Mendonça afirmou que A Religião dos Portugueses é também “uma reflexão sobre o país, não a partir da dimensão traumática, das nossas patologias históricas e desta sintomatologia frustrada da nossa alma – nunca fomos aquilo que quisemos ser”, mas fazendo “uma leitura que, em diálogo com esta, é verdadeiramente outra coisa, pela leitura positiva, acolhedora, daquilo que é a demanda religiosa dos portugueses”. São dois livros, acrescentou, “absolutamente decisivos para entender Portugal, naquilo que eles têm de próximo e que têm de distante”. 
Referindo-se ainda ao autor, disse o poeta e biblista: “Temos uma grande dívida para com frei Bento Domingues, no sentido da inquietação e da incitação que ele nos faz ao pensamento.” Frei Bento Domingues, disse ainda, “é um grande autor”, cuja “capacidade de penetrar, poder de referenciação” e “magistério” exercido “na cultura portuguesa – no campo religioso e fora dele” mostram “como, através do pensamento e através da palavra, frei Bento é capaz de mostrar que aquilo que define os portugueses é o coração”. Por todas essas razões, frei Bento é hoje “um dos pilares da sociedade portuguesa”.
Ficam a seguir alguns excertos da intervenção de Tolentino Mendonça, que pode ser vista entre os 5’00 e os 30’20”:


(A Religião dos Portugueses é) Um livro absolutamente marcante na produção teológica em Portugal, no século XX , que marcará aquilo que de melhor se vier a produzir neste domínio, porque corresponde a um momento de viragem. 

A teologia – e devemos ao frei Bento a explicação do que é a teologia na pluralidade dos seus métodos, na diversidade dos caminhos que ela pode percorre, nas ferramentas de que ela se socorre – é a capacidade de poder pensar o fenómeno religioso, e poder pensar num percurso amplo, livre, coerente, mas arriscado, a uma série de metodologias; não é só a filosofia que é parceira do fazer da teologia, mas a teologia enriquece-se muito com o encontro com as outras ciências; e nesta obra temos uma capacidade madura e uma grande perícia e o recurso a instrumentos diversos para pensar a religião.

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Rui Osório (27 Outº 1940–31 Maio 2018), padre e jornalista

In Memoriam

Padre e jornalista, jornalista e padre, sempre e em todos os momentos assumindo essa dupla missão e vocação, Rui Osório morreu quinta-feira passada, dia 31 de Maio, no Porto, na sequência de problemas cardíacos. Passa hoje o sétimo dia sobre o acontecimento. 
Colocado perante a questão de saber se se sentia mais padre ou mais jornalista, Rui Osório respondia assim: “É uma falsa questão. Foi sempre tudo muito pacífico. Vivi sempre em paz com as duas realidades. E tenho a certeza de que fosse ou não padre faria uma carreira de jornalista idêntica à que fiz.” (nesta entrevista de vidapode ler-se sobre esse entendimento que tinha da sua dupla filiação, bem como sobre o modo como se aproximou do jornalismo profissional e como entendia questões actuais do catolicismo, como o papel das mulheres na Igreja; ao lado, capa da revista Público Magazine, de 20/12/1992, com Rui Osório a celebrar a eucaristia e a trabalhar na redacção do JN). “Homem da Igreja e do jornalismo”, um “combatente da liberdade”, foi como o Presidente da República a ele se referiu. 
Próximo de muitos, advogado dos mais novos, querido por tantos, cheio de bonomia e serenidade, Rui Osório, como escreveu anteontem Manuel Pinto, “nunca deixou de ser padre entre os jornalistas e foi também sempre um jornalista nos meios eclesiais e na sociedade.” (o texto pode ser lido aqui)
Cedo o pequeno Rui pôs a hipótese de ser padre, coisa que ninguém na família imaginava. Nesse tempo, muitos rapazes iam para o seminário com a ideia de estudar, mas Rui Osório queria mais do que isso, como ele contava nesta entrevista ao programa Ecclesia, em Julho de 2014, quando completou 50 anos de ordenação como presbítero:


Não é despropositado o uso da palavra “presbítero” em relação a Rui Osório: essa era uma palavra que ele próprio gostava de usar, para marcar a sua adesão ao pensamento conciliar e ao modo de entender o cristianismo ministerial dos primeiros séculos. Mas também havia outro factor: formado em pleno II Concílio do Vaticano, Rui Osório sempre fez das orientações conciliares uma pauta que o guiava na sua acção enquanto padre e enquanto cristão cuja actividade profissional acabou por ser o jornalismo. 
Isso foi notório também quando assumiu, desde o início de Janeiro de 1970, a chefia de redacção do novo jornal Voz Portucalense (VP), criado após o regresso do exilado bispo António Ferreira Gomes à diocese do Porto, em 1969, como se recorda na edição deste dia 6 de Junho da Voz Portucalense
No jornal, fez vincar essa orientação conciliar, através de uma moderna linguagem jornalística e gráfica. Na TSF, Manuel Vilas Boas recordou essa etapa na crónica de obituário, afirmando que a VP se afirmou, nessa fase, como um dos mais notáveis semanários católicos dos anos setenta” e que Rui Osório foi “um dos homens mais carismáticos da comunicação social portuguesa”.
O jornalismo continuaria depois a ser exercido no Jornal de Notícias, onde esteve 28 anos, desempenhando vários cargos (incluindo o de chefe de redacção), e onde continuou a publicar a sua rubrica de actualidade religiosa até final. Nunca aceitou, no entanto, qualquer cargo de director, para o qual foi convidado não só no JN como em outros jornais, mas, entretanto, empenhou-se também na vida do Sindicato dos Jornalistas e no Conselho de Imprensa. 
Durante esse tempo, valorizou sempre o trabalho e a vontade dos mais novos, dos que se iniciavam na profissão. Joaquim Fidalgo, que com ele começou por trabalhar no JN, recordava no dia 31, no Facebook, o episódio que o levou à profissão de jornalista e no qual Rui Osório teve um papel decisivo. E acrescentava: “De modo que foi pela mão do Rui Osório que, directa e indirectamente, me tornei jornalista. Se não tivesse sido ele, não sei se sim, se não, se… O Rui, o meu querido amigo e camarada Rui Osório, morreu hoje. Deixa-me muito triste, dá-me uma enorme saudade. Mas o que mais me apetece é dizer-lhe ‘obrigado, obrigado, obrigado’. Pela vida boa e grande e linda que viveu, pela vida que espalhou à sua volta. Obrigado!”
Luísa Bessa, que também foi camarada de Rui Osório no JN, escrevia no mesmo dia, igualmente na página de Facebook: “Ainda há pouco tempo discutíamos (num almoço com o José Alberto Lemos) religiões, a tua visão da fé, de um Deus generoso. Conversa interessante, desafiante. Os teus paroquianos vão sentir a tua falta, padre Rui. (...) Também nesse dia recordámos histórias passadas do nosso tempo comum na Redacção do JN, nos anos 80. Tinhas orgulho de ter intercedido sempre pelos jornalistas mais jovens, que na tua generosidade consideravas talentosos, às vezes contra a opinião dos mais velhos.” E acrescenta, sobre a forma como Rui Osório acompanhava problemas e dramas de cada camarada de profissão: “Falámos pela última vez no dia da morte da minha mãe. Precisei do teu conselho. E agora Rui a quem vou pedir conselho? Sim, devíamos ter falado mais. Foste embora demasiado cedo. E deixas um enorme lugar vazio.”
Ainda no Facebook, e antes do seu texto na página da Renascença, Manuel Pinto escreveu: “Deixaste um rasto de luz, visível para aqueles – tantos! – que por ti foram tocados, marcados e acompanhados. Em tantos sítios. De tantos modos. E o que não sabemos.” 
Com um olhar atento ao que se passava, Rui Osório nunca perdia o bom humor. O padre António Rego recordava essa sua característica numa outra crónica, publicada na agência Ecclesia: “Era assim quando nos encontrávamos no Porto, em Fátima, nos Açores ou nas nossas missões fora do país para partilharmos o mesmo: o nosso olhar sobre o mundo e a Igreja, as nossas benignas discussões sobre o rodar da história, que acabavam sempre com a mesma conclusão: ainda não foi desta vez que resolvemos todos os problemas do planeta, mas demos um pequeno contributo. Nunca nos levámos excessivamente a sério. Mas sabíamos que não era indiferente o que pensávamos porque nada ficava escondido. (...) Dizíamos às vezes aquelas frases que um amigo nos disse uma vez em Espanha: “não resolvemos nada, mas houve grandes avanços”. No fundo, não termos levado muito a sério as nossas sentenças. (texto na íntegra aqui)
Na Voz Portucalense de hoje, dia 6, o director, Manuel Correia Fernandes, recorda a última crónica de Rui Osório no semanário da diocese do Porto, publicada a 16 de Maio. Com o título Eloquência no silêncio, escrevia ele: “Sou homem de palavra, oral e escrita. Pouco mais sei do que comunicar e ouvir as respostas possíveis às mensagens. Quem me dera voltar ao normal. Mas ainda não me é possível, nem sei quando. Até lá garanto-vos que estou na eloquência do silêncio, aprendendo o essencial para mim, para vós, queridos leitores, e, como só desejo, para Deus até que Ele seja tudo em todos. Até breve!”.
Até breve, Rui. 

quarta-feira, 30 de maio de 2018

O neo-cardeal que pode ir para a prisão


O arcebispo de origem polaca Konrad Krajewski, que é o assessor do papa Francisco para as obras de caridade, não ficou muito entusiasmado com o facto de ter sido eleito cardeal, a avaliar por um artigo agora publicado pelo site Religión Digital
Krajewski prefere estar próximo dos sem abrigo e dos pobres, acolhendo-os, alimentando-os e prestando serviços de que necessitam.
"E  - escreve Religión Digital - caso houvesse dúvidas de que a sua filosofia de vida é inspirada no Evangelho, o futuro cardeal pergunta: "Se nesta pessoa pobre ou sem abrigo você vê Jesus, o que é que lhe vai dar? Roupa estragada, de que você já não precisa? Comida fora de prazo? Não! Você daria a Jesus o melhor que tem!" 
Não admira que Krajewski se dê tão bem com o papa Bergoglio, que nunca se cansa de dizer aos ricos que vão ao Vaticano com a intenção de doar dinheiro: 
"Dê um emprego aos pobres!" 
Não é que conte com o total apoio de Francisco no seu trabalho com os refugiados, aos quais já chegou a ceder o seu apartamento. Algo que, admitiu ao Papa, "pode não ser compatível com a lei". Mas se for para a cadeia, conta que Francisco lhe disse: "Eu irei visitar-te!".

sexta-feira, 25 de maio de 2018

“A Religião dos Portugueses”: Reabrir portas que frei Bento abriu

Foi hoje posto à venda o livro A Religião dos Portugueses – Testemunhos do Tempo Presente, da autoria de frei Bento Domingues, com organização de Maria Julieta Mendes Dias e de mim próprio (ed. Temas e Debates/Círculo de Leitores). Publicado inicialmente em 1987/88, A Religião dos Portugueses tornou-se uma referência, nestas três últimas décadas, nos estudos religiosos em Portugal, em diferentes âmbitos. Essa marca, aliada ao facto de o livro estar há muito esgotado, impunham a sua reedição. Foi o que aconteceu com o livro agora disponível que, além da edição original, acrescenta vários textos de frei Bento Domingues sobre o mesmo tema, incluindo um capítulo escrito propositadamente para esta edição. 
O livro será apresentado terça-feira próxima, dia 29, a partir das 18h30, pelo padre José Tolentino Mendonça. A sessão decorre na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, em Lisboa (R. Camilo Castelo Branco, ao Marquês de Pombal). 
Fica a seguir o meu texto de apresentação:


“A questão da ‘religião dos portugueses’ precisa de ser reaberta”, escrevia frei Bento Domingues, em 1987. Foi o que acabou por conseguir fazer este seu texto, que viria a tornar-se marcante na reflexão contemporânea sobre a religiosidade portuguesa e as interpenetrações mútuas entre espiritualidade e cultura. 
Em rigor, acrescente-se, A Religião dos Portuguesesnão é apenas um texto sobre o fenómeno relativo a Portugal. O seu autor faz um percurso sobre a pesquisa recente (e, por vezes, também com pequenas incursões históricas) acerca da questão espiritual e religiosa, sobre as características e definições de religião e a relação desta(s) com a cultura.
Nesse percurso, frei Bento Domingues percorre as definições de religião e do que cada um dos diversos conceitos comporta dentro de si. E questiona mesmo análises superficialmente sociológicas que ora decreta(va)m a morte de Deus, ora levanta(va)m a bandeira do retorno do religioso. A sua leitura propõe chaves bem mais profundas e complexas, que procuram radicar-se na natureza humana e numa realidade que não se esgota em chavões prontos a usar. E que procura, sobretudo, entender que deus é que a realidade e as pessoas mataram e a que deus(es) elas regressam. Aliás, a própria própria sociologia actual – James A. Beckford, Grace Davie, Zygmunt Bauman, José Casanova, Danièle Hervieu-Léger, Sabina Acquaviva ou Enzo Pace, entre outros– tem privilegiado uma leitura complexa dessa mesma realidade, procurando fugir a leituras simplistas que pouco ajudam a pensar e compreender o que se passa. 
Frei Bento contesta as “frases bombásticas” e as “sentenças de morte ou ressurreição, tentações da publicidade”. Critica as ambiguidades quer da “ideologia da secularização dos anos 1960” quer da ideia do “retorno do religioso”, que seria promessa de um século XXI religioso. E conclui: “A situação actual é bem mais complexa do que a clara divisão entre Terceiro Mundo religioso e Europa Ocidental secularizada e a-religiosa. A indiferença religiosa nem sempre é tão indiferente como se diz e a religião não tem só o sentido que as Igrejas lhe costumam dar. (...) Nem sempre é fácil distinguir sintomas e causas, correntes de fundo e agitações de superfície, actualidade que desenha o futuro e ecos de um passado sem retorno. Com isto não se pretende propor a renúncia a entender o mundo em que vivemos. Mas renunciamos a fazer da religião o reflexo de um passado obscurantista e da secularização a luz beatificante da modernidade.”
O “fim da religião” de que tanto se falou é, para frei Bento, outra coisa: “[O] papel de estruturação do espaço social que o princípio de dependência desempenhou, no conjunto das sociedades conhecidas até à nossa, chegou ao seu termo. A religião não se explica historicamente, nos seus conteúdos e nas suas formas, senão pelo exercício de uma função exactamente definida. Ora, essa função não só já não existe, como se tornou no seu contrário, mediante uma transformação que, longe de lhe abolir os elementos, os integrou no funcionamento colectivo, sinal seguro da sua reabsorção. A sociedade moderna não é uma sociedade sem religião, é uma sociedade que se constituiu nas suas articulações principais pela metabolização da função religiosa.”

Sair e voltar ao cais, sempre em viagem

Neste caminho de reflexão, frei Bento dá um outro passo: a sua humildade intelectual leva-o a considerar que a reflexão que propõe nunca está terminada e que outros podem continuá-la; ao mesmo tempo, a empatia que mostra para com a fé das pessoas leva-o a considerar o perigo de “determinar, no concreto, o que é religião e o que é a magia, o que é idolatria e o que é mediação simbólica inerente à religião, o que é religião da fé cristã e o que é perversão do Evangelho”. Mesmo pugnando uma religiosidade e uma fé cristã mais purificadas, o nosso Autor não ignora as dificuldades desse processo e admite que até a mais autêntica experiência cristã “não consegue passar sem mediações, sem expressões simbólicas”. Há uma razão, explica: “O dom da revelação, ou a revelação como dom de Deus, é sempre feito a seres humanos, histórica, social e culturalmente marcados. E religiosamente marcados!”

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Cristianismo Contemporâneo em congresso

Agenda

O I congresso internacional Cristianismo Contemporâneo – Cristianismo, Cultura e Diálogo num Mundo em Mudança realiza-se em Lisboa, entre sexta, 25, e domingo, 27 de Maio, reunindo investigadores, docentes, estudantes, religiosos, teólogos e outros cientistas do fenómeno religioso contemporâneo, oriundos de Portugal, França, Itália, Polónia, Brasil, Chile e Cabo Verde. 
Os organizadores apontam, entre os objectivos do congresso, a ideia de contribuir para uma cultura de paz e tolerância entre diferentes expressões de fé e promover o diálogo inter-religioso; dinamizar a reflexão da fé na sociedade contemporânea, nos âmbitos cultural, artístico, social, político e comunicacional; e reflectir sobre a dimensão ética da fé nos diversos contextos de vida. 
A iniciativa, que decorre na Igreja Evangélica Presbiteriana de Lisboa e na Universidade Lusófona de Ciências e Tecnologias, contará com intervenções, entre outros, de Guilherme d’Oliveira Martins, Luís Salgado de Matos, Mendo Castro Henriques, frei Bento Domingues e Stefan Bratosin. 
Mais informações sobre a iniciativa, incluindo o programa completo, podem ser consultadas aqui


segunda-feira, 21 de maio de 2018

Ser católica e de esquerda: aproximações e dúvidas existenciais



No Ponto SJ, Joana Rigato publicou hoje uma reflexão sobre Ser católica e de esquerda, onde escreve: 

Pior ainda é, a meu ver, a persistência de uma atitude clubística entre pessoas que aspiram, com idealismo e desinteressadamente, a um mundo perfeitamente justo. Não será que aquilo que os ateus não compreendem em nós – esta fé num Deus que não se vê, a esperança num Reino que temos de construir pessoa a pessoa, e o seguimento de princípios difíceis de implementar, que desafiam o pragmatismo capitalista atual em que impera a lei do mais forte – é o espelho daquilo que também os cristãos mais conservadores não compreendem na esquerda que desfila na Avenida da Liberdade? 
Aquilo que move tanta gente de esquerda é o anseio por um modelo social justo, em que o Bem Comum seja preocupação de todos. Pode parecer uma utopia, mas não é mais utópico do que o sonho do Reino de Deus que mobiliza tantos cristãos.
(o texto pode ser lido aqui na íntegra, de onde também se reproduz a foto)

domingo, 20 de maio de 2018

Casamento real: um sermão que mexeu com as pessoas



Os casamentos reais são vistos, frequentemente, como pouco mais do que acontecimentos das elites, eventos mediáticos, mundanos na sua natureza. O príncipe Harry e Meghan Markle entenderam que não tinha de ser assim e, entre outras inovações, convidaram um pastor negro dos Estados Unidos para vir fazer o ‘sermão’ na cerimónia religiosa. Um sinal de que o pregador tinha algo de especial para dizer é que alguns dos grandes media mundiais transcrevem nas suas páginas o discurso na íntegra.
O Rev. Michael Bruce Curry – foi ele o pregador – dirige a Igreja Episcopaliana dos Estados Unidos, é descendente de escravos e filho de um outro pastor que esteve bastante envolvido no movimento pelos direitos dos negros. E tem posições bem definidas, mesmo relativamente à actualidade: está anunciada a sua participação, na próxima semana, numa manifestação frente à Casa Branca, para denunciar o slogan de campanha de Trump, “America primeiro”, como uma heresia.
No sermão, Curry inspirou-se na leitura de uma parte do capítulo 8 do Cântico dos Cânticos:

Grava-me como selo em teu coração,
como selo no teu braço,
porque forte como a morte é o amor,
implacável como o abismo é a paixão;
os seus ardores são chamas de fogo,
são labaredas divinas.
Nem as águas caudalosas conseguirão

apagar o fogo do amor,
nem as torrentes o podem submergir.


O tema glosado foi o do poder redentor do amor. O amor que  tem poder para ajudar e curar, que tem poder para mudar o mundo. O amor que, ao realizar-se, exprime a presença do próprio Deus.
Inspirando-se em Teilhard de Chardin, quando considerou a invenção do fogo a maior ou uma das maiores invenções feitas pelas sociedades humanas, Curry convocou a proposta daquele paleontólogo e teólogo jesuíta: “Se a humanidade aproveitar a energia do fogo novamente, se a humanidade agarrar a energia do amor - será a segunda vez na história que descobriremos o fogo”. Foi, pois este apelo à reinvenção do fogo do amor que lançou na homilia; aquele fogo que ajudava os escravos da América a acreditar num mundo melhor, cantando, mesmo no meio das maiores adversidades. O maior de todos os gestos foi o de Jesus que, por amor, deu a vida pela humanidade, desencadeando um movimento revolucionário de transformação pelo amor.

Ver e ouvir o sermão aqui
Ler o texto na íntegra (em inglês) aqui.

[Editado para introduzir a citação relativa a Theilhard de Chardin]

sábado, 19 de maio de 2018

Uma bomba, uma “vergonha” – Papa Francisco, um homem de palavra


Eugen Schönebeck, Kreuzigung (Crucificação), 1964, 
Städel Museum, Frankfurt am Main, Alemanha (pormenor)

Bomba, decisão totalmente inédita, resolução sem precedentes na história da Igreja, viragem absoluta, revolução. Abundam os qualificativos para caracterizar o que se passou esta tarde de sexta-feira, com o anúncio de que todos os 34 bispos do Chile colocaram o seu lugar à disposição do Papaque já tinha dito sentir “vergonha” pelas “práticas reprováveis” que este caso foi revelando. 
O epílogo da reunião de todos os bispos do Chile com o Papa, em Roma, como que confirma o título do documentário sobre Francisco, que o realizador Wim Wenders apresentou nestes dias no Festival de Cinema de Cannes: Francisco, um Homem de Palavra
Depois de se ter sentido posto em causa, mesmo durante a sua viagem ao Chile, em Janeiro passado, Francisco quis averiguar o que se passava no país. O primeiro passo foi enviar os padres Charles Scicluna e Jordi Bertomeu falar com todos os envolvidos – vítimas, clérigos, bispos –, de modo a que lhe fosse apresentado um relatório – um documento de 2300 páginas; o seguinte foi encontrar-se com várias vítimas, às quais pediu perdão pelos seus erros de avaliação e prometeu decisões; o último foi convocar todos os bispos chilenos para uma reunião em Roma, que decorreu esta semana, na qual pretendia fazer um caminho de discernimento, de modo a avaliar profundamente o que aconteceu, daí retirando todas as consequências. 
Esta sexta-feira, dois bispos chilenos divulgaram um comunicado colectivo da Conferência Episcopal do Chile (CEC), na sequência da reunião com o Papa. Nele dão conta da sua decisão unânime de colocar o futuro de cada um nas mãos do Papa, afirmando querer pedir perdão “pela dor causada às vítimas, ao Papa, ao povo de Deus e ao país” pelos seus “graves erros e omissões” e anunciam ter colocado os seus cargos nas mãos do Papa, “para que ele livremente decida com respeito a cada um”. 
Caberá, agora, a Francisco decidir em relação a cada bispo se continua ou não a desempenhar as respectivas funções. É de prever que o Papa aceite rapidamente os pedidos de demissão de quatro bispos que já nesta quarta-feira tinham apresentado a sua resignação: Juan Barros, de Osorno, que está no centro de todo este caso, acusado de encobrir o padre Fernando Kadima, já antes condenado por abuso de menores; Horacio Valenzuela, de Talca; Tomislov Koljatic, de Linares; e Andrés Arteaga, auxiliar de Santiago, que não esteve em Roma por sofrer de Parkinson. 
Em entrevista ao La Vie, reagindo já à decisão dos bispos, o padre e psicoterapeuta francês Stéphane Joulain diz que compete ao Papa avaliar, caso por caso, mas que é possível que ele não aceite todos os pedidos de demissão. “Não me parece que todos os bispos chilenos sejam culpados de negligência. Esta demissão colectiva pode também querer dizer que eles não querem que um ou outro seja visado, em particular. Do ponto de vista da justiça, o Papa tem o dever de designar os responsáveis. É muito provável que ele analise caso por caso”, diz. 
O anúncio dos bispos (que pode ser lido aqui na íntegra, em castelhano) começa por manifestar ao Papa o agradecimento “pela sua escuta de pai e sua correcção fraterna”. Mas, sobretudo, os bispos dizem que pedem perdão “pela dor causada às vítimas, ao Papa, ao Povo de Deus e ao país pelos [seus] graves erros e omissões”.  Dois parágrafos depois, reiteram o agradecimento às vítimas, pela sua “perseverança e valentia, apesar das enormes dificuldades pessoais, espirituais, sociais e familiares que tiveram de enfrentar, tantas vezes no meio da incompreensão e dos ataques da própria comunidade eclesial”. E acrescentam: “Imploramos o seu perdão e a sua ajuda avançando no caminho da cura e da cicatrização das feridas”.

“Psicologia elitista” e “espiritualidades narcisistas”



Procissão dos penitentes em Lavacolhos (Fundão), Março de 2018

A onda de choque provocada por este anúncio não se ficou por aqui. O canal Tele 13, do Chile, divulgou na íntegra o conteúdo da carta que, no início da reunião, terça-feira passada, o Papa entregara a cada um dos bispos. Uma espécie de guião para a reflexão e as conversas destes três dias. Usando o método dos Exercícios Espirituais de Santo Inácio, o Papa confrontou os bispos com a realidade do que se passou, pediu um discernimento evangélico e uma acção consequente. 

quarta-feira, 16 de maio de 2018

“Alegrai-vos e exultai”: uma obsessão pela alegria e a reabilitação dos rebeldes e radicais


(Foto: Jordan Whitfield, reproduzida daqui

Uma obsessão ou fixação no tema da alegria. Ou a continuação da reabilitação dos rebeldes e radicais. A última exortação do Papa Francisco, Gaudete et Exsultate (Alegrai-vos e exultai), publicada no dia em que se completaram cinco anos sobre o início do seu pontificado, mereceu, nos últimos dias, duas leituras diferentes: António Pedro Monteiro, padre dehoniano e capelão hospitalar, diz que o documento confirma a fixação do Papa no tema da alegria, que não se dissocia da santidade: “Considerando acertado o cliché segundo o qual existe uma necessidade pessoal de afirmarmos aquilo que nos falta – e todos sabemos bem o que é ter um chefe, ou director, ou superior cuja arrogância da sua autoridade é proporcional à sua profunda insegurança –, poderíamos interpretar a fixação de Francisco como: ‘digam comigo: falta-nos alegria’. (...) Se a fixação de Francisco na alegria é mesmo porque ele sente a falta dela entre os habitantes do Reino de Deus de tradição romana, talvez nos falte integrar mais, integrar melhor, cuidar mais, cuidar melhor. Esse é o caminho dos santos: encontrar a alegria na integração e no cuidado. De facto, alegria e santidade ao modo de Jesus, não se dissociam. (o texto está disponível aqui na íntegra)

Já Robert Mickens escrevia, sexta-feira passada, no La Croix International (aqui, o original, em inglês, para assinantes; aqui, uma tradução portuguesa, com o texto na íntegra) que o Papa continua a procurar “levar a Igreja e seus membros de volta ao básico do Evangelho em relação àquilo que significa ser um seguidor de Cristo”. E acrescenta: “Deveria estar claro agora que aqueles que estão mais escandalizados e confusos com o Papa Francisco encontram-se nas fileiras do clero católico e entre os leigos com uma mentalidade clericalista.
Eles julgam o primeiro papa que veio do Novo Mundo e o único jesuíta a ser eleito bispo de Roma como não convencional e não institucional, para dizer o mínimo. E isso tem pouco a ver com o seu local de nascimento ou pertença à maior ordem religiosa masculina da Igreja. 
Francisco, assim como o santo de Assis cujo nome ele escolheu após a eleição ao papado, perturba seus críticos clericalistas porque ele é um discípulo radical de Jesus Cristo. De fato, ele talvez seja o papa mais radicalmente evangélico desde os primeiros séculos do cristianismo.”
Mickens destaca a seguir que uma das últimas figuras apontadas pelo Papa como referência foi a do padre italiano Zeno Saltini (1900-1981), que fundou uma comunidade intencional nos anos 1940 para cuidar de órfãos de guerra e das crianças abandonadas.
O padre Zeno criou uma comunidade, com o nome Nomadelfia (um neologismo para dizer lei da fraternidade), onde se procura viver tendo como horizonte as primeiras comunidades cristãs, sem propriedade privada, aqui descrita
Sobre essa comunidade, e a visita que o Papa lhe fez, na semana passada, Fernando Calado Rodrigues escreveu também, na sua última crónica no JN.

terça-feira, 15 de maio de 2018

Histórias e retratos bíblicos

Livro/Exposição


Afirmação sem novidade: a Bíblia é uma fonte inesgotável de inspiração para pintores, escultores, artesãos, arquitectos... A história da arte ocidental seria outra, caso não existisse o texto bíblico. Hoje, um dos âmbitos em que essa inspiração mais se tem concretizado é no da ilustração. Num texto aqui publicado há diasRébecca Dautremer, autora das ilustrações de Une Bible (ed. Hachette, ou Una Biblia na edição espanhola da Edelvives), diz que as histórias da Bíblia são “uma incrível fonte de imagens”. 
Cheio de histórias que traduzem muitas experiências humanas – de amor e ódio, de superação e transfiguração humana, de guerra e paz, de apelo à mais profunda humanidade –, o texto bíblico começa, em muitos casos, por ser “lido” através de pequenos episódios, ilustrados com múltiplas linguagens gráficas. Há múltiplos exemplos que vão desde as formas mais convencionais às que, apelando ao sentido do simbólico, acabam por assumir, também no desenho, aquilo que tantas vezes é o sentido do que está presente no texto. 
Histórias da Bíblia– Antigo Testamento, de J. Alberto de Oliveira (texto) e Evelina Oliveira (ilustração) (ed. Letras & Coisas) é mais um feliz exemplo da utilização da Bíblia numa bela síntese de texto e imagem. A obra centra-se em muitos personagens fulcrais na(s) história(s) bíblica(s) do Antigo Testamento: Eva e Adão, Noé, Sara, Abraão, Rebeca e Isaac, José, Moisés, Rute, Samuel, David, Elias, Job, Daniel e Susana, entre muitos outros e outras. Essa dimensão dá-nos, desde logo, um conjunto de retratos (em imagem e texto) que, além de se constituir como galeria de algumas das personagens fundamentais da história bíblica judaica, mostra que a Bíblia é, também, um texto de pessoas concretas. Bastaria folhear o livro e a sua sucessão de “retratos” ilustrados para ter essa percepção. 
Neste caso concreto, estamos perante uma ilustração que, apesar da importância que dá ao “retrato”, convoca profundamente a dimensão simbólica do texto bíblico. Ou seja, não se fica pelo carácter meramente ilustrativo do desenho, antes se assume como linguagem e texto complementares. Isso é evidente em muitas das ilustrações, desde as do primeiro capítulo (“Ao princípio”) às das páginas finais (por exemplo, com a história de Daniel e os leões, ou com Tobias a abrir as goelas do peixe para lhe retirar o fel que, sem o saber ainda, curaria o seu pai). 
Rébecca Dautremer perguntava, a propósito do seu trabalho: “Guardo um sentimento do sagrado. Pode-se desenhar a Jesus? Pode-se desenhar a Deus? Posso autorizar-me a ilustrar a Criação? A crucifixão? Perguntas intimidantes”, que exigem não “cair na paródia”, mas conservando a inteira “liberdade” da recriação. É essa liberdade que Evelina Oliveira tão bem consegue, através do seu traço e das cores utilizadas. 
Um dos impulsos importantes para fixar em texto as histórias bíblicas foi o exílio dos judeus na Babilónia e a necessidade de contar a história do que ali tinha levado. “No exílio, eles recordavam-se do Deus único, de uma promessa e das maravilhas de antes. De palavras no céu. De uma estrada no mar. E com estas velhas histórias eles vão escrever a sua esperança”, diz Serge Bloch (autor das ilustrações de Bible – Les Récits Fondateurs, também citada na ligação já referida antes. 
O autor do texto de Une Bible, Philippe Lechermeier, recordava a sua incapacidade de ter com os filhos a mesma criatividade que a avó tivera com ele, pois não encontrava, nas histórias bíblicas, “nem o ritmo nem a poesia nem a fantasia dos relatos” da sua avó. 

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Os dominicanos, a arte e a modernidade

Exposição e Agenda



Claustro do Convento de São Domingos, em Lisboa, com o interior da igreja ao fundo 
(arquitectos José Fernando Gonçalves e Paulo Providência); 
(foto © Francisco Marujo)
as fotos deste texto são de peças que podem ser vistas na exposição

Será um momento irrepetível: cinco nomes da arquitectura, que já deixaram marcas importantes na arquitecura portuguesa e, em especial, em obras encomendadas pela Ordem dos Pregadores (Dominicanos) estarão este sábado, dia 12, a partir das 16h, num debate com o título Diálogos com a Modernidade. São eles Diogo Lino Pimentel, autor da Capela do Seminário do Olival (Aldeia Nova, Ourém, 1964-67), Luiz Cunha, que desenhou o Convento de Nossa Senhora do Rosário (Fátima, 1962-65), José Fernando Gonçalves e Paulo Providência, autores do Convento de São Domingos (Lisboa) e João de Almeida, que trabalhou com o padre dominicano francês Marie-Alain Couturier (1897-1954), responsável da revista L’Art Sacré, símbolo da renovação artística em França. A conversa, que terei o gosto de moderar, terá ainda a participação de frei Bento Domingues, que tem acompanhado os movimentos de renovação da arquitectura e da arte religiosa desde a segunda metade do século XX. Diogo Pimentel, Luiz Cunha e João de Almeida integraram também o Movimento de Renovação da Arte Religiosa (MRAR), que teve uma importância decisiva nas mudanças ocorridas em Portugal, neste âmbito, nas décadas de 1950-70. 
O debate é uma das actividades paralelas à exposição Dominicanos – Arte e arquitectura portuguesa; Diálogos com a modernidade, patente no Convento de São Domingos (Lisboa), até 10 de Junho. Mas a exposição, além de mostrar peças de arte, desenhos e maquetes, faz do próprio convento um dos seus objectos, como se diz nesta reportagem do Público (sobre o convento e a sua arquitectura, publiquei no livro Vidas de Deus na Terra dos Homens, ed. Círculo de Leitores, 1999, um texto que pode ser lido aqui).
Organizada pelo Centro de Estudos de História Religiosa, da Universidade Católica Portuguesa (CEHR-UCP), e pelo Instituto São Tomás de Aquino, da Província Portuguesa da Ordem dos Pregadores, a exposição tem curadoria pelos arquitectos João Alves da Cunha (CEHR-UCP), João Luís Marques (CEAU-Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto), Paulo Miranda (ISCTE-IUL) e Pedro Castro Cruz. Esta exposição insere-se ainda no programa das comemorações dos 800 anos da Ordem dos Pregadores, que em Portugal incluiu a organização de três jornadas de estudo, das quais resultou já um livro de actas. 
(foto acima, à direita: São Domingos, de José Grave, escultura do Convento dominicano de Fátima. 
Foto © Francisco Marujo) 


Um percurso agitado

Na apresentação da exposição, pode ler-se o seguinte texto: 

No século XX, a arte e a arquitetura religiosa conheceram um percurso agitado como nenhum outro na sua já longa história. Num tempo em que a modernidade desafiou as respostas conservadoras, reivindicando o seu lugar na história e na vida da Igreja, a Ordem de São Domingos participou ativamente neste processo, tendo a sua ação dado origem a algumas das mais emblemáticas obras da história da arte religiosa moderna.