segunda-feira, 16 de julho de 2018

Nascida como um oásis na cidade


Agenda

Foto ao lado : Igreja de Nossa Senhora da Conceição, dos Olivais Sul, em Lisboa (reproduzida daqui)

Nasceu como um oásis. Isto é, “um conjunto de instalações, dificilmente definível como edifício, vivendo por si próprio e por si próprio possibilitando uma maneira de viver”. Era assim que o arquitecto Pedro Vieira de Almeida definia, em 1970, a nova igreja e complexo paroquial dos Olivais Sul, em Lisboa, onde a invenção pretendia ser “um sistema e não uma forma”. Trinta anos depois da dedicação da igreja (em 1988), aquele espaço será objecto de um debate nesta terça-feira, dia 17 de Julho, às 21h30, com a participação do arquitecto Gonçalo Byrne.
O mote para a conversa será Passado, Presente, Futuro: Oportunidades. Fruto de um concurso de arquitectura lançado em 1969 e construído na década de 1980, o complexo (apenas parcialmente concluído) implanta-se sobre uma pequena encosta no moderno bairro de Olivais Sul (Lisboa). O volume caracteriza-se pela sua horizontalidade, apresentando-se mais como uma estrutura ao serviço da comunidade do que como referência arquitectónica dominante no território, numa interpretação muito concreta dos princípios de integração de uma igreja na cidade, no pós-Concílio Vaticano II (1962-65).
Concluída pelo Secretariado das Novas Igrejas do Patriarcado, a igreja celebra este ano os 30 anos da sua dedicação, pretexto para esta iniciativa, organizada pelo Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa e a Paróquia de Olivais Sul.
Também no próximo sábado, 21 de Julho, às 21h30, será apresentado o documentário A espessura da luz, de João Valério, Sofia Almeida e Tiago Santos, sobre o projecto e construção da igreja de Olivais Sul. Em ambos os casos, as iniciativas decorrem na igreja dos Olivais Sul, com entrada gratuita. O filme de apresentação do documentário pode ser visto a seguir. 




quinta-feira, 28 de junho de 2018

Resto do Mundo, 72 – Europa, 53. E estes números dizem muito sobre o Papa



A cúpula da Igreja Católica fica hoje recomposta, 
com a nomeação de 14 novos cardeais, entre os quais o bispo de Leiria-Fátima, António Marto
 (na foto, a cúpula da Basílica de São Pedro, terça à noite) 

Regresso por uns dias às páginas do Público. A propósito do consistório que esta tarde decorre em Roma, com a nomeação de 14 novos cardeais – entre os quais o português António Marto, bispo de Leiria-Fátima –, procuro analisar o que as escolhas significam, tendo em conta a personalidade do Papa.

As estatísticas podem ser importantes na hora de olhar para a recomposição do colégio de cardeais feita pelo Papa. Uma análise aos números e a alguns nomes que traduzem as opções de Francisco.

Neste caso, alguns números traduzem factos importantes: a partir desta quinta-feira, passará a haver 72 cardeais do resto do mundo, na composição do colégio que, num eventual conclave, decidirá a eleição de um futuro Papa. O grupo de cardeais da Igreja Católica está cada vez mais universal e a Europa já “só” tem 53 (dos quais 22 italianos, o país com maior peso).
Os cardeais eleitores de um novo Papa passarão a ser 125 (pelo menos até Janeiro do próximo ano, se ninguém morrer até lá, pois nessa altura um deles completa os 80 anos, deixando de ser eleitor num conclave). A constituição que regula a matéria estabelece um máximo de 120, mas desde João Paulo II que esse tecto é sempre ultrapassado, na hora de nomear novos cardeais.
(o texto pode ser lido aqui na íntegra)

Em relação à nomeação de António Marto como cardeal e do padre José Tolentino Mendonça como novo responsável da Biblioteca e Arquivo do Vaticano, escrevi um comentário onde pretendo reflectir a dimensão estritamente pessoal do Papa que ambas as nomeações traduzem:

Duas escolhas pessoais. “Apenas” isso
De repente, o Papa Francisco e o Vaticano dão importância ao catolicismo português? Depois da nomeação do bispo de Leiria-Fátima para cardeal – a formalizar no consistório desta quinta-feira à tarde –, e da escolha do padre José Tolentino Mendonça para dirigir a Biblioteca e o Arquivo do Vaticano, parece que Portugal está na moda também na Santa Sé.
Desengane-se quem olhe para estas escolhas com uma perspectiva mais ou menos nacional-católica: em ambos os casos, elas são “apenas” escolhas pessoais do Papa. A coincidência temporal é só isso.

E poucos minutos antes de se iniciar o consistório, registo as declarações do novo cardeal aos jornalistas, aqui, falando sobre a tragédia humanitária que se pode abater sobre os refugiados. Declarações que vêm aliás, na continuidade da entrevista que concedeu ao Público.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

“O crucifixo numa mão e a enxada na outra”


Foi bispo do Porto num “momento de transição” em Portugal e na Igreja Católica: António Barroso, nascido em Barcelos em 1854, foi bispo do Porto entre 1899 e 1918; antes disso, tinha sido missionário em Angola, Moçambique e Meliapor (Índia). Em 1889, dez anos antes da sua nomeação para bispo do Porto, fez uma conferência na Sociedade de Geografia de Lisboa, partindo da sua experiência na missão de São Salvador do Congo, na qual criticou diversos comportamentos de colonos portugueses em África e defendeu a presença de mulheres (religiosas) nas missões católicas.
A conferência, onde também advogou que o missionário deveria ter o crucifixo numa mão e a enxada na outra, valeu-lhe acusações várias de diversos sectores, quer católicos, quer políticos.
Perseguido depois pela I República, por causa da sua oposição às normas da Lei de Separação, Barroso foi bispo num tempo de passagem de um mundo rural para a primeira industrialização, como recorda Paulo Fontes, director do Centro de Estudos de História Religiosa (CEHR), da Universidade Católica. A nação perdera o Brasil e tentava redefinir-se com o seu império africano, o país procurava olhar para o futuro, apareciam novos sectores urbanos e novos protagonismos e sociabilidades.
No próximo dia 31 de Agosto, completa-se um século sobre a data da morte de António Barroso, aos 63 anos. Na iminência da sua beatificação, cujo processo já foi iniciado, a Universidade Católica Portuguesa levou a efeito um colóquio científico sobre a sua personalidade. Aqui pode ouvir-se uma entrevista (12 minutos) de Manuel Vilas Boas ao director do CEHR, a propósito desse colóquio, sobre a personalidade de António Barroso.

(foto acima reproduzida daqui)

sexta-feira, 8 de junho de 2018

“A Religião dos Portugueses”, um livro marcante e uma mudança de respiração na teologia em Portugal


Está disponível no Youtube um vídeo com o registo da sessão de apresentação do livro A Religião dos Portugueses, de frei Bento Domingues, que decorreu no passado dia 29 de Maio, em Lisboa. Neste domingo, dia 10, entre as 17h e as 18h, frei Bento estará no stand da Leya na Feira do Livro de Lisboa, para autografar livros a quem o desejar. 
Na intervenção com que apresentou o livro, o padre José Tolentino Mendonça afirmou que a edição desta obra “é a realização de um sonho”. Este é um livro “absolutamente marcante na produção teológica em Portugal”, escrito por “um grande artesão da teologia”, que “mostra uma juventude e um saber fazer verdadeiramente incontornável”. 
Com este livro, “pela primeira vez, a teologia feita em português e em Portugal arriscava pensar-se contextualmente”, acrescentou o autor de Elogio da Sede. “E essa contextualização do seu discurso dá à sua palavra uma força em Portugal que a palavra teológica ainda não tinha conseguido.”
Estabelecendo relação com a obra O Labirinto da Saudade, de Eduardo Lourenço, Tolentino Mendonça afirmou que A Religião dos Portugueses é também “uma reflexão sobre o país, não a partir da dimensão traumática, das nossas patologias históricas e desta sintomatologia frustrada da nossa alma – nunca fomos aquilo que quisemos ser”, mas fazendo “uma leitura que, em diálogo com esta, é verdadeiramente outra coisa, pela leitura positiva, acolhedora, daquilo que é a demanda religiosa dos portugueses”. São dois livros, acrescentou, “absolutamente decisivos para entender Portugal, naquilo que eles têm de próximo e que têm de distante”. 
Referindo-se ainda ao autor, disse o poeta e biblista: “Temos uma grande dívida para com frei Bento Domingues, no sentido da inquietação e da incitação que ele nos faz ao pensamento.” Frei Bento Domingues, disse ainda, “é um grande autor”, cuja “capacidade de penetrar, poder de referenciação” e “magistério” exercido “na cultura portuguesa – no campo religioso e fora dele” mostram “como, através do pensamento e através da palavra, frei Bento é capaz de mostrar que aquilo que define os portugueses é o coração”. Por todas essas razões, frei Bento é hoje “um dos pilares da sociedade portuguesa”.
Ficam a seguir alguns excertos da intervenção de Tolentino Mendonça, que pode ser vista entre os 5’00 e os 30’20”:


(A Religião dos Portugueses é) Um livro absolutamente marcante na produção teológica em Portugal, no século XX , que marcará aquilo que de melhor se vier a produzir neste domínio, porque corresponde a um momento de viragem. 

A teologia – e devemos ao frei Bento a explicação do que é a teologia na pluralidade dos seus métodos, na diversidade dos caminhos que ela pode percorre, nas ferramentas de que ela se socorre – é a capacidade de poder pensar o fenómeno religioso, e poder pensar num percurso amplo, livre, coerente, mas arriscado, a uma série de metodologias; não é só a filosofia que é parceira do fazer da teologia, mas a teologia enriquece-se muito com o encontro com as outras ciências; e nesta obra temos uma capacidade madura e uma grande perícia e o recurso a instrumentos diversos para pensar a religião.

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Rui Osório (27 Outº 1940–31 Maio 2018), padre e jornalista

In Memoriam

Padre e jornalista, jornalista e padre, sempre e em todos os momentos assumindo essa dupla missão e vocação, Rui Osório morreu quinta-feira passada, dia 31 de Maio, no Porto, na sequência de problemas cardíacos. Passa hoje o sétimo dia sobre o acontecimento. 
Colocado perante a questão de saber se se sentia mais padre ou mais jornalista, Rui Osório respondia assim: “É uma falsa questão. Foi sempre tudo muito pacífico. Vivi sempre em paz com as duas realidades. E tenho a certeza de que fosse ou não padre faria uma carreira de jornalista idêntica à que fiz.” (nesta entrevista de vidapode ler-se sobre esse entendimento que tinha da sua dupla filiação, bem como sobre o modo como se aproximou do jornalismo profissional e como entendia questões actuais do catolicismo, como o papel das mulheres na Igreja; ao lado, capa da revista Público Magazine, de 20/12/1992, com Rui Osório a celebrar a eucaristia e a trabalhar na redacção do JN). “Homem da Igreja e do jornalismo”, um “combatente da liberdade”, foi como o Presidente da República a ele se referiu. 
Próximo de muitos, advogado dos mais novos, querido por tantos, cheio de bonomia e serenidade, Rui Osório, como escreveu anteontem Manuel Pinto, “nunca deixou de ser padre entre os jornalistas e foi também sempre um jornalista nos meios eclesiais e na sociedade.” (o texto pode ser lido aqui)
Cedo o pequeno Rui pôs a hipótese de ser padre, coisa que ninguém na família imaginava. Nesse tempo, muitos rapazes iam para o seminário com a ideia de estudar, mas Rui Osório queria mais do que isso, como ele contava nesta entrevista ao programa Ecclesia, em Julho de 2014, quando completou 50 anos de ordenação como presbítero:


Não é despropositado o uso da palavra “presbítero” em relação a Rui Osório: essa era uma palavra que ele próprio gostava de usar, para marcar a sua adesão ao pensamento conciliar e ao modo de entender o cristianismo ministerial dos primeiros séculos. Mas também havia outro factor: formado em pleno II Concílio do Vaticano, Rui Osório sempre fez das orientações conciliares uma pauta que o guiava na sua acção enquanto padre e enquanto cristão cuja actividade profissional acabou por ser o jornalismo. 
Isso foi notório também quando assumiu, desde o início de Janeiro de 1970, a chefia de redacção do novo jornal Voz Portucalense (VP), criado após o regresso do exilado bispo António Ferreira Gomes à diocese do Porto, em 1969, como se recorda na edição deste dia 6 de Junho da Voz Portucalense
No jornal, fez vincar essa orientação conciliar, através de uma moderna linguagem jornalística e gráfica. Na TSF, Manuel Vilas Boas recordou essa etapa na crónica de obituário, afirmando que a VP se afirmou, nessa fase, como um dos mais notáveis semanários católicos dos anos setenta” e que Rui Osório foi “um dos homens mais carismáticos da comunicação social portuguesa”.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

O neo-cardeal que pode ir para a prisão


O arcebispo de origem polaca Konrad Krajewski, que é o assessor do papa Francisco para as obras de caridade, não ficou muito entusiasmado com o facto de ter sido eleito cardeal, a avaliar por um artigo agora publicado pelo site Religión Digital
Krajewski prefere estar próximo dos sem abrigo e dos pobres, acolhendo-os, alimentando-os e prestando serviços de que necessitam.
"E  - escreve Religión Digital - caso houvesse dúvidas de que a sua filosofia de vida é inspirada no Evangelho, o futuro cardeal pergunta: "Se nesta pessoa pobre ou sem abrigo você vê Jesus, o que é que lhe vai dar? Roupa estragada, de que você já não precisa? Comida fora de prazo? Não! Você daria a Jesus o melhor que tem!" 
Não admira que Krajewski se dê tão bem com o papa Bergoglio, que nunca se cansa de dizer aos ricos que vão ao Vaticano com a intenção de doar dinheiro: 
"Dê um emprego aos pobres!" 
Não é que conte com o total apoio de Francisco no seu trabalho com os refugiados, aos quais já chegou a ceder o seu apartamento. Algo que, admitiu ao Papa, "pode não ser compatível com a lei". Mas se for para a cadeia, conta que Francisco lhe disse: "Eu irei visitar-te!".

sexta-feira, 25 de maio de 2018

“A Religião dos Portugueses”: Reabrir portas que frei Bento abriu

Foi hoje posto à venda o livro A Religião dos Portugueses – Testemunhos do Tempo Presente, da autoria de frei Bento Domingues, com organização de Maria Julieta Mendes Dias e de mim próprio (ed. Temas e Debates/Círculo de Leitores). Publicado inicialmente em 1987/88, A Religião dos Portugueses tornou-se uma referência, nestas três últimas décadas, nos estudos religiosos em Portugal, em diferentes âmbitos. Essa marca, aliada ao facto de o livro estar há muito esgotado, impunham a sua reedição. Foi o que aconteceu com o livro agora disponível que, além da edição original, acrescenta vários textos de frei Bento Domingues sobre o mesmo tema, incluindo um capítulo escrito propositadamente para esta edição. 
O livro será apresentado terça-feira próxima, dia 29, a partir das 18h30, pelo padre José Tolentino Mendonça. A sessão decorre na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, em Lisboa (R. Camilo Castelo Branco, ao Marquês de Pombal). 
Fica a seguir o meu texto de apresentação:


“A questão da ‘religião dos portugueses’ precisa de ser reaberta”, escrevia frei Bento Domingues, em 1987. Foi o que acabou por conseguir fazer este seu texto, que viria a tornar-se marcante na reflexão contemporânea sobre a religiosidade portuguesa e as interpenetrações mútuas entre espiritualidade e cultura. 
Em rigor, acrescente-se, A Religião dos Portuguesesnão é apenas um texto sobre o fenómeno relativo a Portugal. O seu autor faz um percurso sobre a pesquisa recente (e, por vezes, também com pequenas incursões históricas) acerca da questão espiritual e religiosa, sobre as características e definições de religião e a relação desta(s) com a cultura.
Nesse percurso, frei Bento Domingues percorre as definições de religião e do que cada um dos diversos conceitos comporta dentro de si. E questiona mesmo análises superficialmente sociológicas que ora decreta(va)m a morte de Deus, ora levanta(va)m a bandeira do retorno do religioso. A sua leitura propõe chaves bem mais profundas e complexas, que procuram radicar-se na natureza humana e numa realidade que não se esgota em chavões prontos a usar. E que procura, sobretudo, entender que deus é que a realidade e as pessoas mataram e a que deus(es) elas regressam. Aliás, a própria própria sociologia actual – James A. Beckford, Grace Davie, Zygmunt Bauman, José Casanova, Danièle Hervieu-Léger, Sabina Acquaviva ou Enzo Pace, entre outros– tem privilegiado uma leitura complexa dessa mesma realidade, procurando fugir a leituras simplistas que pouco ajudam a pensar e compreender o que se passa. 
Frei Bento contesta as “frases bombásticas” e as “sentenças de morte ou ressurreição, tentações da publicidade”. Critica as ambiguidades quer da “ideologia da secularização dos anos 1960” quer da ideia do “retorno do religioso”, que seria promessa de um século XXI religioso. E conclui: “A situação actual é bem mais complexa do que a clara divisão entre Terceiro Mundo religioso e Europa Ocidental secularizada e a-religiosa. A indiferença religiosa nem sempre é tão indiferente como se diz e a religião não tem só o sentido que as Igrejas lhe costumam dar. (...) Nem sempre é fácil distinguir sintomas e causas, correntes de fundo e agitações de superfície, actualidade que desenha o futuro e ecos de um passado sem retorno. Com isto não se pretende propor a renúncia a entender o mundo em que vivemos. Mas renunciamos a fazer da religião o reflexo de um passado obscurantista e da secularização a luz beatificante da modernidade.”
O “fim da religião” de que tanto se falou é, para frei Bento, outra coisa: “[O] papel de estruturação do espaço social que o princípio de dependência desempenhou, no conjunto das sociedades conhecidas até à nossa, chegou ao seu termo. A religião não se explica historicamente, nos seus conteúdos e nas suas formas, senão pelo exercício de uma função exactamente definida. Ora, essa função não só já não existe, como se tornou no seu contrário, mediante uma transformação que, longe de lhe abolir os elementos, os integrou no funcionamento colectivo, sinal seguro da sua reabsorção. A sociedade moderna não é uma sociedade sem religião, é uma sociedade que se constituiu nas suas articulações principais pela metabolização da função religiosa.”

Sair e voltar ao cais, sempre em viagem

Neste caminho de reflexão, frei Bento dá um outro passo: a sua humildade intelectual leva-o a considerar que a reflexão que propõe nunca está terminada e que outros podem continuá-la; ao mesmo tempo, a empatia que mostra para com a fé das pessoas leva-o a considerar o perigo de “determinar, no concreto, o que é religião e o que é a magia, o que é idolatria e o que é mediação simbólica inerente à religião, o que é religião da fé cristã e o que é perversão do Evangelho”. Mesmo pugnando uma religiosidade e uma fé cristã mais purificadas, o nosso Autor não ignora as dificuldades desse processo e admite que até a mais autêntica experiência cristã “não consegue passar sem mediações, sem expressões simbólicas”. Há uma razão, explica: “O dom da revelação, ou a revelação como dom de Deus, é sempre feito a seres humanos, histórica, social e culturalmente marcados. E religiosamente marcados!”