sábado, 24 de setembro de 2016

Textos da espiritualidade cristã encenados no Mosteiro da Batalha

Agenda

Uma série de leituras encenadas de grandes textos da espiritualidade cristã tem início hoje, às 21h00, no Mosteiro da Batalha. “E o espírito voltará a Deus” é o título da iniciativa, que levará à cena as Obras de Misericórdia (hoje) o Hino ao Amor, da Primeira Carta de S. Paulo aos Coríntios (dia 30), o Apocalipse (dia 8 de Outubro), as Bem-Aventuranças (dia 15) e o Eclesiastes, na tradução de Damião de Góis (dia 22), este último com a leitura de Luís Miguel Cintra.
As outras leituras encenadas estarão a cargo, respectivamente, de João Lázaro e Te-Ato, Pedro Oliveira e O Nariz, Tobias Monteiro e Kind of Black Box, e Frédéric Cruz e Leirena Teatro, que apresentarão as suas visões cénicas de cada um dos textos.
Sobre o projecto, iniciativa do Mosteiro da Batalha/DGPC, pode ler-se mais informação aqui.

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Estrasburgo, a cidade onde católicos recebem monges budistas - sobre o diálogo inter-religioso em Estrasburgo

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Estrasburgo, a cidade onde católicos recebem monges budistas

No dia em que, em Assis, se reúnem líderes religiosos num encontro pela paz no mundo, trago aqui o exemplo de Estrasburgo, num texto publicado no DN de domingo passado. 

Estrasburgo é uma das capitais europeias do diálogo inter-religioso, com mais de 40 grupos que reúnem crentes de diferentes tradições e dezenas de iniciativas anuais. No fim-de-semana, o Dalai Lama esteve na cidade, e os budistas foram acolhidos por pessoas de outros credos, um dos exemplos da convivência inter-religiosa da cidade.


Lilia Bensedrine (muçulmana), Salomon Levy (judeu), Etienne Uberall 
(padre católico) Danielle Mathieu (católica e protestante): 
quatro dos responsáveis pela dinâmica inter-religiosa de Estrasburgo e Alsácia

Monique Karleskind, 55 anos, acolhe este fim de semana em sua casa, em Estrasburgo (França), uma monja budista de 61 anos, belga de origem a residir na Normandia (noroeste de França). Este é um dos exemplos da convivência entre religiões que se verifica em Estrasburgo, cidade-sede do Parlamento Europeu, onde o Dalai Lama está este fim-de-semana num encontro com largas centenas de budistas, sobretudo oriundos de regiões de França e Alemanha.
“Acolhemo-la porque a amizade entre pessoas de diferentes religiões é importante para nós”, diz ao DN, sobre as suas motivações, bem como as de Alain, 55 anos, e do filho Louis, 20 (as duas filhas do casal vivem no estrangeiro). Professora de economia e marketing numa escola de turismo, Monique é católica e participa nas actividades da sua paróquia. Mas a diversidade religiosa faz parte do dia-a-dia: o marido é protestante mas sem prática religiosa, o filho é crente mas não está ligado a qualquer igreja, uma parte da família próxima converteu-se ao islão. “Somos obrigados a praticar o diálogo em numerosas ocasiões”, diz.
Já tinham tido uma boa experiência: há três anos, a família acolheu jovens que participaram no encontro europeu promovido pela comunidade de Taizé (sudeste de França), que reúne monges católicos e protestantes. “Temos a sorte de viver numa cidade muito viva, espiritualmente, com muitas ocasiões para encontrar outras sensibilidades religiosas.” Na paróquia, há ainda um grupo inter-religioso, que reúne católicos, protestantes, judeus e muçulmanos, um dos muitos que existem na região (ver caixa).
Também à espera de acolher uma monja budista, Marianne Boudet, 75 anos, católica, viúva de um primeiro casamento, actualmente com um marido muçulmano, foi surpreendida à última hora com a notícia de que a sua hóspede já não poderia vir. De qualquer modo, ficou a convicção: “É importante, ainda mais hoje, abrir-se às outras religiões ou filosofias sem espírito de rivalidade. Conhecer-se, compreender-se e estimar-se, simplesmente enquanto seres humanos.”
A convivência entre pessoas de diferentes convicções e tradições faz de Estrasburgo uma das capitais europeias do diálogo inter-religioso. A par de outras cidades como Assis, onde terça-feira o Papa se encontra com líderes de todas as grandes religiões do mundo.
Tal como Monique, Danielle Mathieu vive a diversidade: católica, de ascendência protestante e judaica, é casada com um pastor da Igreja Protestante Unida de França. Ao lado, a muçulmana Lilia Bensedrine, que com ela trabalha em vários grupos inter-religiosos, ouve toda a história e pergunta: “Mas és católica ou protestante?” Danielle, professora numa escola técnica, diz a rir que nem sempre a resposta é fácil. Jurista, Lilia conclui: “Tu trazes contigo o ecumenismo e o diálogo.”

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Os responsáveis do Daesh podem estar junto de Deus?


(foto reproduzida daqui)

Os encontros entre crentes e responsáveis de diferentes religiões servem para alguma coisa? Aqui podem ler-se algumas respostas, a propósito do encontro que, desde ontem em Assis (centro de Itália), reúne dezenas de líderes religiosos e muitos outros participantes - e no qual participa o Papa, amanhã, terça-feira. Na cidade de São Francisco, o muçulmano Mohammad Sammak, conselheiro político do grande mufti do Líbano, recordou o diálogo entre o Poverello e os muçulmanos, na altura do cerco de Damieta, para referir aquilo que aprendeu do santo.
Outras intervenções a assinalar no primeiro dia do encontro foram as do bispo de Rouen (França) – diocese a que pertencia o padre Jacques Hamel, morto por fanáticos – e que pediu a graça de encontrar os responsáveis do Daesh junto de Deus; do patriarca Bartolomeu, de Constantinopla, que pediu que judeus, cristãos e muçulmanos sejam capazes de “aliviar o sofrimento de todos os homens e seguir o diálogo pela paz; e do rabino Avraham Steinberg, que falou sobre a paz na tradição judaica.

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Perguntas sobre a santa das sarjetas e perguntas sobre a missa - crónicas de Anselmo Borges, Fernando Calado Rodrigues e Vítor Gonçalves

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Perguntas sobre a “santa das sarjetas” e perguntas sobre a missa

A canonização de Madre Teresa de Calcutá, dia 4 de Setembro, é o tema de duas crónicas deste fim-de-semana. No DN de sábado, Anselmo Borges escrevia, com o título As dúvidas da santa da sarjeta, que “a prova e o milagre da fé de Madre Teresa foi o amor vivo, numa dedicação sem desânimo, aos mais pobres dos pobres. A fé é um combate que se ganha no amor” (texto integral aqui).
No CM de sexta, Fernando Calado Rodrigues considerava que Madre Teresa é “a santa à imagem” do Papa Francisco. Sob o título A Santa de Francisco, acrescentava que nela “confluem duas das principais preocupações do Papa: os mais pobres; e ‘a Igreja em saída’ para as periferias” (texto integral aqui)

Domingo, frei Bento Domingues perguntava no Público, sobre Que fazer da missa? Para afirmar que “importa criar uma circulação permanente entre o que se passa no mundo e na Missa. Uma Missa sem mundo em transfiguração só pode gerar um mundo sem missa e sem o seu desejo”. (texto integral aqui)

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A difícil questão da laicidade - crónica de António Guerreiro

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

A difícil questão da laicidade


Tudo coberto excepto os seus olhos: que cultura cruel dominada pelo homem; 
- Nada coberto excepto os seus olhos: que cultura cruel dominada pelo homem.” 
(ilustração reproduzida daqui)


“A persistência do quadro teológico-político como um horizonte nunca ultrapassado  deixa perceber as razões pelas quais o conceito de laicidade está completamente armadilhado”, escreve António Guerreiro, no Público de sexta-feira passada. O texto reproduz-se a seguir:

O secularismo republicano francês, fixado com força de lei no conceito jurídico-político da laicidade, que institucionaliza a separação entre o Estado e a religião, consagra logicamente “a defesa da liberdade de consciência individual contra todo o proselitismo” e, por conseguinte, a proibição de “signos religiosos ostensivos” na esfera pública. O princípio da laicidade é o da universalização da cidadania republicana de modo a anular o comunitarismo e os seus efeitos de segregação. Assim, ordem temporal, o saeculum, e ordem intemporal, a religião, devem manter-se estritamente separados.
A laicidade francesa visa a formação de uma cidadania esclarecida que responda à injunção iluminista do “ousar saber” e do uso público da razão. Entendida nesta perspectiva, a laicidade opõe-se a um multiculturalismo que reforça o poder regressivo do dever de pertença étnico-religiosa. Quando se passa desta dimensão teórica da laicidade para os desafios reais – sociais e políticos – com que ela se confronta, as coisas complicam-se bastante, como sabemos. A verdade é que a laicidade francesa, que no seu princípio visa a neutralização da afirmação religiosa em tudo o que é tutelado pelo Estado, se tornou a ideologia de uma república obcecada com o religioso, praticando uma espécie de teologia política negativa que instaura o religioso como categoria separada.

sábado, 10 de setembro de 2016

Com o erro se aprende



No comentário aos textos da liturgia católica deste domingo, escreve Vítor Gonçalves:

Aquele que se julgava tão cumpridor e “certinho” acaba por “desafinar”, ao não aceitar o perdão que o pai deu ao irmão mais novo. Continuamos à espera da sua entrada na festa! Mas, “desafinar” rima com o magnífico filme “Florence”, sobre Florence Foster-Jenkins, uma cantora norte-americana “desafinadíssima”, soberbamente interpretada por Meryl Streep. Não é fácil entender todo o amor que dimanava da sua vida e da dos que a rodeavam, pois, como cantava João Gilberto, “no peito dos desafinados / Também bate um coração.” O seu amor à música e às artes exprime-se nas suas palavras: “Poderão dizer que cantava muito mal, mas não poderão dizer que não cantei!”. Perdoem-me, mas creio que Deus ama muito os desafinados. E infelizes os que, por medo de errar, nunca tentam!
(texto na íntegra aqui; ilustração de Bernadette Lopez, Berna, reproduzida daqui)

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Carlos de Foucauld: o islão provocou em mim uma profunda inquietude - a propósito dos 15 anos do 11 de Setembro, da peregrinação a Meca e da festa do Eid al-Adha (Sacrifício de Abraão)






quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Carlos de Foucauld: “O islão provocou em mim uma profunda inquietude”


Carlos de Foucauld (foto reproduzida daqui)

A propósito do 15º aniversário dos atentados de 11 de Setembro, uma iniciativa de várias comunidades muçulmanas em Itália pretende abrir as mesquitas do país, no próximo domingo, aos cristãos que as queiram visitar, como forma de mostrar a recusa do terrorismo e a possibilidade da convivência conjunta. A notícia pode ser lida aqui.
A iniciativa pretende assinalar também a festa do dia seguinte, quando os muçulmanos assinalam o Eid al-Adha (Sacrifício de Abraão), uma das datas mais importantes do calendário islâmico. Ao mesmo tempo, durante esta semana (entre os dias 9 e 16), os muçulmanos peregrinam a Meca.
Sobre o diálogo inter-religioso, em especial entre cristianismo e islão, o Igreja Viva, publica um texto de fr. Oswaldo Cruz, sobre Carlos de Foucauld, que viveu em terras tuaregues e acabou assassinado por um grupo de salteadores. Foucauld, que viveu e morreu em Tamanrasset, considerava ter aprendido muito com o islão, que lhe produzira uma “profunda inquietude”:

No próximo 1 de Dezembro ocorre o centenário da morte de Charles de Foucauld, o “monge missionário” francês assassinado em Tamanrasset, no deserto saariano, por um grupo de saqueadores no contexto da primeira guerra mundial.
Mas, apesar de ter sido assassinado em terra muçulmana e por homens do Islão, o beato Charles não é um mártir da Igreja no sentido clássico do termo, nem a responsabilidade da sua morte pode ser atribuída diretamente ao Islão como religião. À distância de um século ainda é lícito perguntarmo-nos: o que é que levou o visconde de Foucauld a dar a vida pelos Tuareg e pelas tribos do Saara que ele amava como amigos?
Este tempo no qual vivemos é considerado pelos observadores de muitos modos: era do caos, da ansiedade, do medo, da psicose. E nenhum escapa à sensação de temor que o Islão incute no mundo ocidental. Esta grande religião monoteísta é hoje sem dúvida a mais contestada, a mais condenada, a mais “caricaturada”; todavia, é necessário ter presente e repetir que geralmente temos uma imagem distorcida do Islão. Uma coisa, no entanto, é partilhada pela grande maioria: nos quinze anos que nos separam do 11 de Setembro vimos mudar profundamente as nossas vidas e esfumarem-se muitas das nossas esperanças. Diante dos nossos olhos – afirma Mario Calabresi – mudou drasticamente o mundo do trabalho, a economia e as finanças, a ideia de relações internacionais, os ideais europeus e o modo como vivemos. Um papel fundamental teve o terrorismo de matriz islâmica, as formas sempre novas de jihadismo e as vagas de refugiados e migrantes que chegaram às nossas Costas. Enquanto antigamente o encontro com o Islão dizia respeito sobretudo aos cristãos do Médio Oriente ou aos apaixonados pelo mundo árabe, hoje, querendo ou não, todos somos chamados a reflectir sobre esse encontro, porque a todos nos diz respeito.
(o texto pode ser lido na íntegra aqui, em pdf)

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Uma agenda não laicista, antes pela não-discriminação, para a liberdadereligiosa – o programa do novo presidente da Comissão de Liberdade Religiosa, José Vera Jardim

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Uma agenda não laicista, antes pela não-discriminação, para a liberdade religiosa


José Vera Jardim, novo presidente da Comissão de Liberdade Religiosa

Nesta segunda-feira, tomou posse a nova Comissão de Liberdade Religiosa (CLR), presidida por José Vera Jardim que, enquanto ministro da Justiça, foi o responsável político pela actual Lei da Liberdade Religiosa. Depois de cinco anos de quase inexistência por manifesta falta de condições políticas, Vera Jardim propõe-se agora revitalizar a comissão.
Numa entrevista à Rádio Renascença, o antigo ministro propõe-se alargar a representação da confissões minoritárias, admitindo uma comissão mais alargada e outra mais restrita para gerir as questões quotidianas. Sobre as polémicas acerca da proibição de véus e burquinis, nomeadamente em França, diz que não acha que seja esse o caminho a seguir: “Proibir vestuários ou obrigar vestuários é coisa que não me convence como modo de convivência sã entre as pessoas”, afirma.
Na cerimónia de posse da Comissão, como se pode ler aquio novo presidente da CLR afirmou que tem uma agenda não-laicista, antes pela “não-discriminação”, acrescentando ser favorável a que, por princípio, não haja crucifixos em escolas públicas.
A entrevista à RR pode ser lida na íntegra aqui (de onde também se reproduz a foto)

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domingo, 4 de setembro de 2016

As sarjetas já têm canonizada a sua santa

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Foto CNS/Paul Haring, reproduzida daqui


O Papa Francisco canonizou hoje Madre Teresa de Calcutá, a “santa das sarjetas”. Na homilia (que pode ser lida em português, na íntegra, aqui), destacou, sobre o sentido do trabalho da fundadora das Missionárias da Caridade: “A sua missão nas periferias das cidades e nas periferias existenciais permanece nos nossos dias como um testemunho eloquente da proximidade de Deus junto dos mais pobres entre os pobres.
A acção de Madre Teresa de Calcutá tem sido posta em causa por vários textos, já desde antes da sua morte. Um exemplo mais recente disso mesmo é este texto de Krithika Varagur no Huffington Post, onde se recordam argumentos para criticar métodos, posições e ideias da fundadora das Missionárias da Caridade.
Alguns desses argumentos poderão ser discutidos – a forma como Madre Teresa falava sobre o aborto, por exemplo –, mas não se pode dizer, como se faz no final do texto, que ela deixava morrer pessoas doentes. Antes era alguém que pegava em moribundos que agonizavam nas ruas e no lixo, socorrendo-os e  permitia que tivessem uma morte digna, longe da miséria em que vegetavam. Também se diz que ela será a padroeira de pessoas brancas, mas não de indianos, esquecendo a popularidade de que ela goza(va) na Índia, apesar de ser uma freira católica num país maioritariamente hindu.
Noutra perspectiva, escreveu John Allen Jr., no Crux, que a principal razão para Madre Teresa ser declarada santa é a sua santidade, mas que a sua vida “também tem algo a dizer a outros níveis: a misericórdia tornada prática, a defesa da fé face aos críticos e o papel da mulher na Igreja católica”. (O texto pode ser lido aqui na íntegra, numa tradução portuguesa; aqui pode ser lido outro texto, em inglês, sobre a importância da santidade de Teresa de Calcutá)
Uma das notas da vida de Madre Teresa foi a sua continuada dedicação a uma missão de serviço, apesar de ela própria ter atravessado uma “noite espiritual” e muitas dúvidas de fé. A seguir reproduzo um texto que publiquei no Público/Ípsilon, em 21 de Março de 2008, exactamente sobre este tema:

Quando Deus se esconde dos que nele acreditam

É possível ter fé e não sentir Deus na sua vida? Pode amar-se em nome de Deus e viver a experiência “terrível” de “estar sem Deus”? Madre Teresa de Calcutá parece ter experimentado isso mesmo. A publicação em português das cartas que ela queria ver destruídas é pretexto para revisitar a noite espiritual da “santa das sarjetas” e outras noites espirituais.

domingo, 3 de julho de 2016

Papa quer Europa menos museu e mais doadora de tesouros

(Este blogue estará com um ritmo intermitente até Setembro)


O último acto do Juntos Pela Europa, em Munique, neste sábado à tarde
(foto reproduzida daqui)

Comunidade de Santo Egídio pede suspensão de artigo de Schengen para acolher refugiados em extrema  vulnerabilidade

O Papa Francisco quer que a Europa reflicta se o seu património é “parte de um museu” ou se “ainda é capaz de inspirar a cultura e de doar os seus tesouros à humanidade inteira”.
A pergunta foi feita pelo Papa numa mensagem gravada e transmitida, em vídeo, na Karlsplatz, no centro de Munique. Na capital da Baviera (Alemanha), terminou ontem, sábado, o congresso Juntos Pela Europa, iniciativa que reúne cerca de 300 movimentos e comunidades de diferentes igrejas cristãs – católicas, ortodoxas, protestantes, anglicanas e igrejas livres.
Dirigindo-se a umas quatro mil pessoas concentradas na praça – além dos participantes, também outros que apareceram para a sessão final, incluindo mais de um milhar de jovens –, o Papa afirmou que a Europa vive grandes problemas, que os cristãos de diferentes igrejas devem saber enfrentar com o “acolhimento e a solidariedade em relação aos mais débeis e desfavorecidos, construindo pontes e ultrapassando conflitos”.
Aludindo aos refugiados que buscam protecção no continente, Francisco insistiu na ideia de uma Europa que coloque no centro a pessoa humana, através do acolhimento e da cooperação económica, cultural e social. 
O documento final insiste numa ideia repetida por diferentes intervenientes e de muitos modos durante os três dias de trabalho: a Europa, com uma profunda crise a manifestar-se em vários aspectos – incapacidade de acolher os refugiados que buscam protecção, o “brexit” da semana passada, a crise financeira que não se ultrapassa –, não deve tornar-se “uma fortaleza e erigir novas fronteiras”. Pelo contrário, afirmam, “não há alternativa ao viver juntos”.
As “experiências terríveis de duas guerras mundiais” serve para mostrar onde pode acabar a lógica dos egoísmos nacionais ou culturais, avisam os participantes.

Um apelo às Igrejas: já chega de separação 

Também para os responsáveis das igrejas cristãs vai um apelo, um ano antes de se assinalarem, em 2017, os cinco séculos anos do início da Reforma protestante de Martinho Lutero, e reconhecendo o contra-testemunho que é dado pela divisão das igrejas: “Pedimos aos responsáveis das igrejas que ultrapassem as divisões. Enquanto cristãos, queremos viver juntos, na reconciliação e em plena comunhão.”

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Cristãos da Europa vão ao circo para defender integração dos muçulmanos

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O Circo Krone, em Munique, onde decorre o congresso Juntos Pela Europa, 
quinta-feira de manhã, antes da intervenção do cardeal Kasper

As luzes do Circo Krone, em Munique (Alemanha) acendem-se e piscam, a arena está montada, a orquestra dá o tom, mas as acrobacias que se aplaudem são outras: depois da “tragédia” da II Guerra Mundial e de os antigos inimigos se terem transformado em amigos, é preciso continuar a mostrar que os 70 anos de paz na Europa não foram “sonho, mas realidade” e que “a economia é a base da vida mas não é o sentido da vida”.
Foi o cardeal católico alemão Walter Kasper que, na abertura do congresso Juntos Pela Europa, que congrega dois mil participantes de uns 40 países, alertou: “A Europa precisa de mais do que de economia.” Kasper tem sido uma das vozes que, na Igreja Católica, mais tem apoiado o Papa Francisco no seu desejo de reforma – por exemplo, na questão da integração dos divorciados na Igreja Católica.
Uma Europa que integrou celtas, normandos e outros povos deve ser capaz, hoje, de integrar os muçulmanos, sublinhou Kasper, na sua curta intervenção na abertura do congresso. “Os problemas do mundo vêm ter connosco; e não são estatísticas, são pessoas com rosto”, acrescentou.
“Enquanto cristãos, católicos ou evangélicos, temos de mostrar que somos capazes de mostrar que o amor é mais forte do que o ódio, para que seja possível vivermos em conjunto na Europa, sem medo”, disse ainda o cardeal.
No início do congresso, que se prolonga até amanhã, sábado, foram várias as vozes a insistir na urgência de uma nova alma na construção europeia. “Depois do ‘brexit”, da semana passada, não podia haver um melhor momento para dar um testemunho de unidade”, disse Gerhard Proß, um dos responsáveis da iniciativa.
“Depois do ‘brexit’, o que devemos fazer a partir do Evangelho?” – perguntava o bispo luterano alemão, Heinrich Bedford-Strohm, que já presidiu ao Conselho Nacional das Igrejas Evangélicas (protestantes) da Alemanha.
“A Europa tem necessidade de uma nova força espiritual, porque não é só a economia que dá força” ao continente, acrescentou. “Devemos ser capazes de continuar a colocar no centro a dignidade da pessoa humana e é por isso que devemos continuar a falar de refugiados”, acrescentou.
A presidente do Movimento dos Focolares, Maria Voce, acrescentava, na conferencia de imprensa de apresentação da iniciativa, ontem de manhã: “A tendência para o aumento dos nacionalismos e do racismo são fruto de uma Europa que esqueceu os seus valores”. Por isso, acrescentou, é importante os cristãos darem testemunho desses valores.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

A Religião nas múltiplas modernidades

Agenda

Nesta terça-feira à tarde, e durante o dia de quarta-feira decorre na Universidade Católica, em Lisboa, o colóquio 2016 da rede de investigadores A Religião nas Múltiplas Modernidades. A iniciativa tem início às 15h de terça-feira e é apresentada da seguinte maneira pelos seus promotores:

Reunindo investigadores que estudam a religião e as religiões no contexto das múltiplas modernidades, este grupo informal pretende contribuir para uma aproximação interdisciplinar dos que partilham este âmbito de pesquisa, facilitando a criação de contextos de circulação, troca e cooperação em rede. Esta comunidade de investigadores é articulada a partir de um projeto de colaboração que congrega o Centro de Estudos Sociais (UC), o Instituto de Sociologia (UP) e o Centro de Estudos de Religiões e Culturas (UCP), representados por Teresa Toldy, Helena Vilaça e Alfredo Teixeira. Na organização da presente edição, colaboram também Paulo Fontes do Centro de Estudos de História Religiosa (UCP) e Tiago Marques do Centro de Estudos Socais (UC).
Cumprindo o objetivo de propor e organizar um encontro anual, o «Colóquio 2016» procura facilitar a apresentação, num contexto de troca, das mais recentes pesquisas – em projeto, em curso ou já concluídas. Os itinerários apresentados, situam-se nos domínios da pesquisa de terreno, da investigação documental e da exploração teórica. Apresenta-se como um colóquio de investigadores, mas está aberto aos públicos interessados.
Mais informações e o programa completo podem ser consultados aqui.

Texto anterior no blogue
Resistências ao Papa, ética, saltos e humor - crónicas de Anselmo Borges, frei Bento Domingues, Vítor Gonçalves e Fernando Calado Rodrigues