domingo, 16 de dezembro de 2018

O pecado de crer e rezar

Os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos (VII)


Crer em Deus continua a ser razão para se ser perseguido 
em muitos sítios do mundo

Texto de Fernando Sousa
Ilustração © Cristina Sampaio

A liberdade de professar uma religião, ou até a de mudar dela, é um dos direitos da Declaração Universal dos Direitos Humanos aprovada há 70 anos – artigo 18. Mas é também um dos menos respeitados, como o lembrou ainda há pouco o caso da paquistanesa condenada à morte por blafémia – e entretanto absolvida. 
Asia Bibi, uma cristã, apanhava fruta com outras mulheres em Sheikhupura, em Junho de 2009, quando bebeu água de um poço com um copo que as companheiras recusaram depois usar por ter ficado “impuro”. Discutiram e Asia teria proferido três vezes palavras insultuosas para com o profeta Maomé, acusação que ela negou sempre. Depois presa, foi julgada por blasfémia e condenada à morte. No fim de Outubro foi absolvida em sede de recurso e no meio de enormes protestos internacionais envolvendo o próprio Papa Francisco
O caso passou-se no Paquistão mas poderia ter acontecido noutro lado qualquer onde a liberdade de religião é uma mentira ou não existe. De acordo com a organização Ajuda à Igreja que Sofre, a liberdade religiosa deteriorou-se entre Junho de 2016 e Junho de 2018 em 18 dos 38 países onde as violações desse direito são mais graves. Os casos piores ocorreram na China e na Índia. Mas a Coreia do Norte, a Arábia Saudita, o Iémen e a Eritreia juntaram-se-lhes. A intolerância marcou em particular a situação na Rússia e no Quirguistão. 
Outros sinais preocupantes: agravou-se o nacionalismo hostil às minorias; avolumaram-se provas de maior indiferença em relação a minorias religiosas vulneráveis; governos e média fizeram, e fazem, vista grossa à queda da liberdade religiosa mais interessados noutros direitos como as questões de género, sexualidade e raça; a assistência às minorias tem sido mais e mais esquecida pelas autoridades; o sucesso das campanhas militares contra o Daesh ofuscou a propagação de movimentos islamistas em vários territórios de África, Médio Oriente e Ásia; o conflito entre sunitas e xiitas alimentou o extremismo; a islamofobia aumentou em parte devido aos fluxos migratórios; recrudesceram os ataques extremistas na Europa e noutras partes do Ocidente motivados por exemplo pelo ódio religioso; agravou-se o antisemitismo fazendo aumentar o número de judeus em fuga para Israel. 
Um acentuado declínio da violência do Al Shabaab tirou a Tanzânia e o Quénia da lista de países onde havia “perseguição”. Mas a boa notícia não aliviou o panorama da opressão religiosa mundial. 

sábado, 15 de dezembro de 2018

Perseguidos na própria terra

70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos (VI)


Texto de Fernando Sousa
Ilustração © Cristina Sampaio

Migrantes ou em fuga,  milhares de pessoas procuram todos os dias outros países onde possam ser felizes ou sobreviver à fome, à perseguição ou à guerra. São a imagem de um mundo que recusa a homens, mulheres e crianças os direitos mais elementares, da vida ao trabalho, com prejuízo para a felicidade e a paz. 
Ascende a 250 mil o número dos que, no mundo, desesperam por melhores condições de vida; desde logo, um trabalho digno e suficientemente remunerado. Foi para eles que as Nações Unidas prepararam o Pacto Global para Migração Segura, Ordenada e Regular, uma das grande novidades de 2018, que o Papa Francisco considerou urgente e foi assinado no passado dia 10, em Marraquexe
O pacto é o primeiro compromisso internacional concebido para que nações e comunidades lidem melhor com a migração no mundo e todas as suas dimensões em benefício de imigrantes e refugiados.
Compreende 23 objetivos para a melhor gestão do fenómeno migratório em níveis locais, regionais e global, e está baseado nos princípios da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e nos compromissos assinados na Declaração de Nova Iorque para Refugiados e Migrantes, adotada em Setembro de 2016 na Assembleia Geral da ONU.

Bem-aventurados os puros de coração

Cinema
Texto de Manuel Mendes


Este filme tinha tudo para ser ‘arrumado’ na prateleira dos que, um dia, passariam pela televisão e, se calhasse, talvez desse para uma espreitadela disfarçada: uma história mais do que contada, a tender para o choradinho, pouco mais do que um entretenimento. Enfim, preconceitos são preconceitos mas, felizmente, seja porque que razão for, alguém nos ‘leva’ a ver o filme. As críticas são simpáticas, afinal parece interessante, e até Clara Ferreira Alves começa assim uma crónica: «Gostei muito de “Assim Nasce uma Estrela” (Expresso-Revista, 27 de Outubro). Vejamos então. E vale mesmo a pena gastar 135 minutos – é um filme longo – a ouvir e contemplar esta história de amor, de ascensão e queda, de encontro e desencontro, de verdade e mentira que, não sendo nova, é magnificamente recriada pelos dois actores (Bradley Cooper/Jackson Maine e Lady Gaga/Ally). Imperdível.
Talvez na vida real seja uma história impossível de acontecer, mas ainda bem que existe a ficção para nos fazer acreditar que ainda há homens e mulheres de coração puro, mesmo que não dure para sempre, mesmo que ‘acabe mal’.
Entremos por aqui: o filme também é sobre o impacto – forte e quase sagrado – que uma mulher pode ter num homem e vice-versa. Nenhum fica igual depois do encontro; e tudo poderia acabar bem se as pessoas fossem capazes de não ouvir as insídias do Diabo do Mercado que só pensa no lucro. Mas essa é a luta mais difícil.

A magia do artesanato palestino, o Natal duro dos cristãos da Terra Santa

Texto de António Marujo
Vídeo de Maria Wilton


Um presépio com caixa de música: este poderia ser o símbolo da magia de Natal, 
representa a dureza da vida dos cristãos palestinos de Belém

Este poderia ser um Natal mágico: um presépio com uma caixa de música a tocar os acordes de Stille Nacht (Noite feliz), talvez a mais bela canção do tempo... 
Mas, para muitos cristãos da Terra Santa – e, em especial, da Palestina, o Natal não é mágico. É verdade que é em Belém que está a Igreja da Natividade, construída no local onde, segundo a tradição, Jesus teria nascido. É verdade que, por estes dias, muitos peregrinos vão à cidade, celebrar uma das festas mais importantes do cristianismo. Nada disto leva magia aos cristãos que ali vivem.  
“O que acontece é que nos sentimos abandonados”, diz Nicolas, um jovem palestino “cristão católico, da cidade de Belém, o berço da fé e da paz, onde nasceu o nosso salvador do mundo, Jesus”, como se apresenta quando falamos com ele em Lisboa. Pelo quinto ano consecutivo, Nicolas está em Lisboa, até ao Natal, a vender artesanato de Belém, feito em madeira de oliveira. Presépios, imagens de Santo António, cruzes, estrelas, representações da Sagrada Família – tudo pode ser encontrado na Rua Anchieta, número 10 (ao Chiado) – ou ainda, neste domingo, 16 de Dezembro, na paróquia do Cristo-Rei, no Porto. 
Nicolas trabalha na cidade de Belém como guia turístico. Para os cristãos da Cisjordânia (Palestina), a única fonte de rendimento são as actividades ligadas ao turismo. “Imaginem que os cristãos que vão visitar Fátima não ficam a dormir lá, nem vão aos restaurantes. O que está a acontecer é isso: os cristãos passam em Belém duas, três horas, visitam a Igreja da Natividade e voltam para Jerusalém.” 
Deste modo, não dá para ter um mínimo de rendimento. Resultado? “Muitos pensam em emigrar.” Muitos outros já o fizeram: em menos de 50 anos, o número de cristãos em Israel e na Palestina reduziu de vinte por cento para dois por cento – são agora uns 130/140 mil em nove milhões de habitantes; em Belém, a população cristã era, em 1948 (data da fundação do Estado de Israel) oitenta por cento cristã; hoje, são caiu para menos de vinte por cento. 

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Malditos mensageiros!

Os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos (V)


A liberdade de imprensa no Bartoon do Público (23 de Abril de 2016)
© Luís Afonso

Texto de Fernando Sousa

“Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão”, diz a Declaração Universal dos Direitos Humanos, artigo 19. E, no entanto, este direito base da própria liberdade é um dos mais atropelados todos os dias segundo o mais recente relatório da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF). Aliás, o título do documento é elucidativo: “O ódio ao jornalismo ameaça as democracias”. 
De Janeiro até Novembro de 2018, tinham sido mortos 63 jornalistas, para além de 13 profissionais informais e quatro colaboradores, escreve a organização. E na prisão, detidos ou condenados, estavam 165, mais 150 informais e ainda 18 colaboradores. 
“A hostilidade dos dirigentes políticos em relação aos meios de comunicação já não é privilégio de países autoritários como a Turquia ou o Egipto, que mergulharam na ‘fobia dos meios de comunicação’ ao ponto de generalizarem as acusações de ‘terrorismo’ contra os jornalistas e de prenderem arbitrariamente os profissionais críticos dos seus governos”, acusa a RSF, que se debruçou sobre a situação em 180 países. 

Um caminho de quem procura o que perdeu

Músicas que falam com Deus (46) 



Texto de António Marujo

O disco começa num tom de caminho esforçado, talvez um pouco melancólico, de quem procura o que perdeu: “Onde te escondeste, Amado...?” Cresce, depois, para perguntas e respostas, num diálogo entre a esposa e o esposo, onde se percebe a inspiração do Cântico dos Cânticosmas que procura, aqui, figurar a atracção da alma (esposa) por Cristo (o esposo, ou Amado).
Amancio Prada, que se tem dedicado a trabalhar poesia de grandes poetas espanhóis como Federico Garcia Lorca ou Rosalía de Castro, musicou o Cântico Espiritualem 1977 (já lá vão quatro décadas). O disco foi já reeditado sucessivamente, em diferentes versões (algumas com outras canções e poesias de São João da Cruz). No dia em que se celebra a festa litúrgica do místico espanhol, vale a pena trazer aqui esta obra maior da poesia espanhola. 
Nos seus nove andamentos, a linguagem simbólica e enigmática do Cântico são aqui traduzidas, como que num movimento de continuidade, pela música, voz e guitarra de Amancio Prada, aqui acompanhado por Jesús Corvino (violino) e Eduardo Gattioni (violoncelo). Isso mesmo escreveu Maria Zambrano em 1982, num comentário citado no disco: “Não se perde na formosura, não se embriaga na voz nem um instante. Música e voz não aparecem, pois, acrescentadas, mas extraídas do próprio poema. Núpcias de palavra e musicalidade.” 

Título: Cantico Espiritual 
Autor: Amancio Prada
Edição: Parlophone

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Para trabalho igual, salário igual? LOL!!

Os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos (IV)


Ilustração © Cristina Sampaio

Texto de Fernando Sousa

Diz a Declaração Universal dos Direitos Humanos que todas as pessoas têm direito ao trabalho e a uma remuneração condigna e igual para trabalho igual. É o que vem no artigo 23. Mas a realidade é outra, deprimente e global. 
A confirmar-se o que a Organização Internacional do Trabalho (OIT) previu, em Janeiro, para o ano que acaba, 2018 não terminará melhor do que o ano anterior quanto a mais empregos e postos de trabalho mais decentes. A taxa de desemprego em 2017 foi de 5,6 por cento, representando isso 192 milhões de pessoas sem qualquer trabalho no mundo. Mas uma coisa já se sabe, dita pela mesma OIT, em Novembro: os salários cresceram mais nos países em desenvolvimento no ano passado, permanecendo embora muito abaixo do nível salarial das nações desenvolvidas. Subiram apenas 0,4 por cento no ano passado nas economias avançadas, mas tiveram uma alta de mais de quatro por cento nos países em desenvolvimento. 
“Parece uma boa notícia, porque todos queremos ver uma convergência no mundo. Mas não podemos exagerar: as desigualdades ainda são muito grandes. Frequentemente, o nível salarial não é suficiente para as pessoas atenderem às suas necessidades básicas”, afirmou o director-geral da organização, Guy Rider, comentando o documento que analisou a realidade do emprego em 136 países. 
As remunerações globais auferidas por homens e mulheres também se mantiveram muito desiguais, afirmou a  OIT, com base em dados de 70 países e de 80 por cento dos trabalhadores do mundo. Apesar de algumas diferenças regionais significativas, eles continuam a ganhar mais 20 por cento do que elas. “Talvez a principal injustiça do mundo do trabalho”, disse Rider. 

O “problema grave” e as questões “ambientais, económicas e éticas” do desperdício alimentar

Livros para oferecer no Natal (III)

Texto de Eduardo Jorge Madureira

É possível que o livro Desperdício alimentar, de Iva Pires, professora da Universidade de Lisboa, não seja para muitos um livro oportuno para a quadra natalícia. Os que pouco se apoquentam em multiplicar o esbanjamento de comida nesta altura do ano acharão, com certeza, impertinente a ocasião escolhida para ouvir falar do tema.
Os que se encontram no lote de perdulários são, aliás, abundantes. A autora chama a atenção para a circunstância de não passar um dia sem vermos comida em perfeitas condições para consumo depositada no lixo: “Estima-se que cada português desperdice 100 quilos de alimentos por ano. Responda honestamente: qual foi o último alimento que pôs no lixo – e porquê?”
Em Desperdício alimentar, Iva Pires pede mais acção para lutar contra o que é tanto mais grave quanto se sabe que, no mundo, anualmente, ao mesmo tempo que se estragam 1,3 mil milhões de toneladas de alimentos, há 805 milhões de pessoas a padecer de subnutrição ou a viver numa situação de insegurança alimentar.
O livro começa com um exemplo simples: “Se em minha casa se estragar uma laranja numa semana, porque se compraram demasiadas e uma acabou por apodrecer, tendo em conta que somos 4 043 726 famílias em Portugal (em 2016, segundo a Pordata) e que uma laranja pesa em média 80 gramas, nessa semana deitaram-se para o lixo em Portugal 323 toneladas de laranjas, e por ano 16 800 toneladas”. Iva Pires calcula que isto se traduz num desperdício de 25 200 euros. Depois, sugere: “Façamos o mesmo exercício incluindo maçãs, peras, pão, alfaces ou iogurtes que, semanalmente e por razões variadas, acabam no lixo”. A dúvida colocada no fim do livro é pertinente: “Já pensaram o que representaria para a redução do desperdício alimentar em Portugal se todas as quatro milhões de famílias dessem um pequeno contributo?”

Um estendal para aquecer o coração de Lisboa

Texto de Maria Wilton


Agasalhos para quem precisar estarão disponíveis neste sábado, 
na Avenida da Liberdade, em Lisboa

É já no próximo sábado, 15 de dezembro, que regressa à Avenida da Liberdade, em Lisboa o grande estendal solidário com agasalhos disponíveis para quem deles precisar: o Heat The Street.
O objetivo é que, entre as 14h e a meia-noite, numa corda com mais de uma centena de metros, pendurada entre a Praça dos Restauradores e a Rua das Pretas, qualquer pessoa pode chegar e pendurar o(s) agasalho(s) que já não utiliza. Depois, outros poderão levá-los, dando-lhes uma nova vida.
A corda estará divida em várias secções (homem, mulher e criança), como se fosse uma loja ao ar livre, só que sem caixa de pagamento. A ideia, explica Helena Carvalho, uma das organizadoras do projeto, é “dar às pessoas a opção de escolha, em vez de ficar apenas com o que lhes dão; acaba por ser quase como uma loja onde se pode escolher e ver os tamanhos” acrescenta.
A iniciativa destina-se a todos os que precisem de um agasalho e não apenas para cidadãos sem-abrigo, muitas vezes associados a este tipo de eventos solidários. Todos são bem-vindos, tanto para ajudar como para e receber, acrescenta a responsável da iniciativa. 
Nas edições anteriores, a corda tem sido ocupada e esvaziada umas três ou quatro vezes. Este ano, a aposta vai também para agasalhos de criança, explicou, citada pelo Público/P3, Sílvia Lopes, outro membro da organização: “A verdade é que as crianças crescem de um ano para o outro e há famílias que não têm dinheiro para comprar roupa.” Por isso, este ano a corda conta com o apoio de uma marca de roupa que já doou agasalhos para os mais novos. 
Serão ainda distribuídos sacos para quem queira recolher roupa da corda, para auxiliar o transporte. Haverá também chá quente e a Carris oferecerá deslocação de autocarro para as pessoas regressarem a casa.
Para os que não podem estar presentes no sábado, há ainda a alternativa de, antes da hora de início, deixar os agasalhos nos parceiros do Heat The Street: a Crescer (Bairro da Quinta da Cabrinha, 3, em Alcântara) e as lojas sociais Boa Vizinhança Santo António (Calçada Moinho de Vento, 3), da Junta de Freguesia de Santo António, e Dona Ajuda, no Mercado do Rato.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Investigação revela 412 acusações de abuso sexual em igrejas Batistas nos EUA


Uma investigação do jornal norte-americano Star-Telegram apresenta 412 casos de alegada conduta sexual inadequada relativas a 187 igrejas evangélicas batistas, em 40 estados dos EUA. “Vejo uma cultura em que a autoridade pastoral é levada a um nível que vai para lá do que as escrituras ensinam”, afirmou Tim Heck, um ex-diácono na Igreja Batista da Fé, de Wilomar (Califórnia), cuja filha foi abusada pelo pastor. “Acho que os batistas perderam o seu rumo”, acrescentou. 
Heck é apenas uma entre as muitas pessoas que falaram ao jornal e que integram a longa reportagem, em quatro partes, com o título Espírito do Medo. 
Muitas das alegações envolvem homens cuja conduta já teria levantado suspeitas anteriormente mas sobre quem, até agora, as vítimas não teriam falado publicamente. Numa das partes da investigação são entrevistadas várias das vítimas, que dão a cara e descrevem o que sofreram, sob a capa do “culto” litúrgico das respetivas igrejas. 


Algumas das alegadas vítimas que deram a cara na reportagem do Star-Telegram

O problema dos abusos na comunidades da Igreja Batista, diz o jornal, já seria conhecido de muitos, mas poucos falavam dele, como também referem algumas vítimas. Por essa razão, várias das pessoas abusadas criaram uma página na internetdedicada apenas a revelar todos os abusadores que fazem parte daquela comunidade. 
A Igreja Batista é uma das muitas denominações do cristianismo evangélico. Sem autoridade central, os batistas reúnem-se em comunidades locais autónomas. As igrejas de determinada região organizam-se, depois, em convenções ou federações. Nos EUA, por exemplo, uma das federações mais importantes é a Southern Baptist Convention, que reúne 47.500 igrejas batistas em todo o país (além de mais 4500 missões, ou comunidades ainda não autónomas), num total de 15 milhões de pessoas (das quais um terço participará semanalmente num culto). 
A reportagem pode ser consultada aqui na íntegra

O azar de nascer mulher

Os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos (III)


Ilustração © Cristina Sampaio

Texto de Fernando Sousa

As mulheres são alvo, todos os dias e em todo o mundo, da violação de uma série de direitos – só por serem mulheres. O Banco Mundial fez uma lista de sete dos atropelos. 
Um é o direito ao trabalho. Em 104 países, elas enfrentam dificuldades para realizarem actividades comuns entre os homens. No Brasil, por exemplo, não podem ser contratadas para funções que exijam o emprego de uma força muscular superior a 20 quilos. No Madagáscar, só podem trabalhar em “estabelecimentos familiares”. Na Argentina, estão-lhes vedados os empregos relacionados com a produção de bebidas alcoólicas. Na Rússia, estão impedidas de aceder a uma lista de 456 actividades. Na Arábia Saudita, só há semanas foram autorizadas a conduzir. Em todo o mundo, o número de mulheres impedidas de alguma actividade é de 2,7 mil milhões. 
Outro caso é o ensino. No Irão, as mulheres não podem frequentar 77 cursos universitários, incluindoengenharia, informática, física nuclear, arqueologia, química, negócios e outras.
E, claro, também a liberdade sexual. Em vários países, os homens podem obrigar as suas mulheres a relações sexuais, como nas Bahamas, Singapura ou Índia, desde que elas sejam maiores respectivamente de 14 anos, 13 e 15. Em África, tradições anacrónicas, cruéis e degradantes sujeitam-nas à mutilação genital feminina. 
Em Malta e na Palestina, o violador de uma menor é frequentemente absolvido. Na Arábia Saudita e em Marrocos, as condenadas são muitas vezes as vítimas por terem facilitado. 

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

A vida ainda por um fio

Os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos (II)


Texto de Fernando Sousa

Ilustração ao lado: Case Closed (Toda a pessoa acusada de um acto delituoso presume-se inocente até que a sua culpabilidade seja legalmente provada) 
© Gonçalo Pena (para Amnistia Internacional)

A vida é ainda um dos direitos individuais mais ameaçados no mundo. Apesar dos muitos textos internacionais que dispõem sobre a sua inviolabilidade, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos (artigo 3º), o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos (artigo 6º) ou mesmo a Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos (artigo 4º), a Convenção para a Proteção dos Direitos do Homem e das Liberdades Fundamentais Relativa à Abolição da Pena de Morte ou os apelos para a sua abolição por parte das Nações Unidas ou da World Coalition Against the Death Penalty, associação de organizações abolicionistas de que a Amnistia Internacional (AI) faz parte, ela continua demasiado frequente. Muito se andou, mas os estados continuam a matar. 
De acordo com o último relatório global da AI, em 2017 ocorreram pelo menos 993 execuções em 23 países. O número marca um decréscimo de quatro por cento em relação a 2016 (quando foram executadas 1023 pessoas) e de 39 por cento comparado com 2015 (com 1634 pessoas mortas, o pior ano desde 1989). 
O ano em análise assinalou também menos sentenças capitais: 2591, em 53 países, uma descida muito significativa em relação ao período anterior, com 3117 condenações. 
Infelizmente, porém, estes números são provisórios: à semelhança dos anos anteriores continuam desconhecidas as execuções e as novas sentenças condenatórias na China. O país não publica quaisquer estatísticas sobre a pena capital. A AI calcula-as em milhares.  

Uma celebração ininterrupta há 46 dias para salvar a família Tamrazyan

Texto de Maria Wilton


Haryarpi, Seyran e Warduhi, filhos do casal Tamrazyane, 
num dos momentos do culto ininterrupto na Igreja Bethel, em Haia 
(Foto reproduzida daqui)

Uma igreja protestante em Haia, na Holanda, está a fazer celebrações religiosas contínuas desde 26 de outubro, às 13h30. Devido a uma lei do país, pouco conhecida, a polícia não pode interromper qualquer cerimónia religiosa para fazer detenções dentro do templo. É por isso que, nos últimos 46 dias, oficiais de imigração não têm podido entrar dentro da Igreja Bethel para deter os cinco arménios da família Tamrazyan, que lá se encontram desde então.
Os refugiados fugiram para lá, de modo a escapar a uma ordem de deportação. Para os proteger, mais de 550 líderes religiosos, leigos cristãos e outros responsáveis têm rodado em permanência. O que começou em outubro, como uma medida de emergência tomada por um pequeno grupo de pastores locais, é agora um movimento muito alargado, que atrai pessoas de diferentes confissões para a pequena igreja protestante.
O plano para evitar a ordem de deportação foi concebido em segredo, para que a família não fosse posta em perigo, contou o pastor Axel Wicke, da Igreja Bethel a um canal de televisão norte-americano: “Eu tinha copiado e colado [os guiões d]as liturgias dos últimos 10 anos num documento enorme, e nós simplesmente cantámos e rezámos a partir daí, até encontrarmos outros pastores que assumiram o controlo”, explicou. Apesar de a polícia não estar no exterior, a igreja está a ser monitorizada mais intensamente do que o habitual, garantiu.
A cerimónia tem contado também com apoiantes da comunidade para assistir ao culto ininterrupto e ajudar com comida. A igreja diz que 3500 visitantes de todo o país vieram já apoiar esta causa e que nem todos são religiosos.
Ao jornal The New York Times, Florine Kuethe, uma consultora de relações públicas, contou: “Não sou religiosa mas, quando ouvi acerca disto, disse ao meu marido: ‘Não fiques chocado mas eu quero ir à igreja.’”
Num país cada vez mais secular (que, segundo o Pew Research Center em 2017, contava com 48% de pessoas não religiosas), Florine diz que, para ela, são estas iniciativas que tornam as igrejas relevantes outra vez. 
Já para Rosaliene Israel, secretária geral da Igreja Protestante de Amsterdão, esta é uma maneira de voltar a sentir que o que que faz é relevante: “Como igrejas na Europa ocidental, andamos a debater-nos, pois estamos cada vez mais nas margens da sociedade. E como líderes da Igreja, sentimos isto.”
A história da família Tamrazyan começou há nove anos, quando o casal e os três filhos fugiram da Arménia para a Holanda. Sasun Tamrazyane a sua mulher, Anousche, enfrentavam ameaças de morte no seu país, devido ao ativismo político de Sasun.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Apesar de tudo, nascemos hoje mais iguais do que em 1948

Os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos (I)


 Life (Todos têm o direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal), 
© Fernanda Fragateiro (para Amnistia Internacional)


Texto de Fernando Sousa

O mundo das últimas sete décadas causa realmente arrepios. Mas como seria ele sem a declaração de 1948? Homens e mulheres não nasceriam hoje menos iguais em dignidade e direitos? No dia em que se assinalam os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, RELIGIONLINE evoca a “constituição das constituições” e, numa série de pequenos textos, analisará o que se passa em relação à aplicação de alguns dos seus artigos. 

Olhando para os últimos 70 anos, uma pessoa pergunta-se como foi possível conceber um texto como o que se comemora – a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Nem o passado recente nem o ambiente permitiam então o pensamento quanto mais um acordo sobre direitos fundamentais e liberdades que durasse e fosse uma promessa. 
As duas guerras mundiais, o fratricídio espanhol, o genocídio dos arménios e depois o dos judeus, ciganos ou homossexuais, os horrores de Hiroshima e Nagasaki, com um cortejo de muitos milhões de vítimas estavam frescos na memória de todos. Não havia grande espaço para o optimismo. 
O momento também era cheio de nuvens. Na China, as tropas de Mao iam a caminho de Pequim, vários países da Europa Oriental estavam dominados por ditaduras de sinal comunista e, em Portugal e Espanha, dominavam Oliveira Salazar e Franco. 
No Médio Oriente, israelitas, por um lado, independentes há oito meses, e palestinianos e árabes, por outro, preparavam-se para se matarem eternamente. E a América Latina já era uma cascata de golpes e um vai-vem de ditadores e guerras que projectavam durar décadas – como veio a acontecer com a colombiana, que só agora vai acabando. 

Os embates depois das cinzas

Foi neste quadro de cinzas e novas ameaças que a recém-nascida ONU (Organização das Nações Unidas) criou uma comissão cuja composição não prometia à partida grande coisa, tal a sua diversidade política, cultural ou religiosa, e que se reuniu pela primeira vez em Janeiro de 1947. Presidida por Eleanor Roosevelt, viúva do falecido Presidente dos Estados Unidos, Franklin Roosevelt, integraram-na, entre outros, P. C. Chang, vice-presidente, chefe da delegação da China na ONU, o filósofo Charles H. Malik, do Líbano, um greco-ortodoxo convicto, René Cassin, da França, futuro Prémio Nobel da Paz, em 1968, John P. Humprey, do Canadá. Os cinco virão, aliás, a constituir o comité encarregado da proposta a ser votada em plenário.

Papa pede que os Direitos Humanos estejam “no coração das políticas”

Texto de Maria Wilton



O Papa Francisco, sábado passado, na redação do Il Messagero
(foto reproduzida daqui)

O Papa Francisco apelou hoje a que “os direitos humanos sejam colocados no coração das políticas, incluindo políticas de desenvolvimento e cooperação – mesmo quando isto significa ir contra a maré”. Numa mensagem alusiva aos 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, dirigida aos participantes numa conferência sobre o tema, promovida pela Universidade Pontifícia Gregoriana, destacou a “atenção especial que deve ser dada aos membros mais vulneráveis da comunidade” já que, na sociedade contemporânea, se encontram inúmeras contradições que nos levam a perguntar se a declaração das Nações Unidas é “reconhecida, respeitada, protegida e promovida sob qualquer circunstância.”
Sábado passado, 8 de dezembro, o Papa argentino já tinha pedido proteção para os mais frágeis. No dia em que o calendário católico assinala a festa da Imaculada Conceição, o Papa dirigiu-se à figura de Nossa Senhora: “Sabes o que significa trazer vida para o teu colo e sentir indiferença, rejeição e às vezes até desdém. Por isso peço-te que fiques perto das famílias que vivem hoje em Roma e em todo o mundo em situações semelhantes, para que elas não sejam abandonadas.”
Francisco dedicou as suas orações desse dia aos doentes, aos que estão em dificuldades, às famílias e aos padres. Em particular, pediu proteçãpara as mulheres que “carregam vida no seu ventre”: “A ti, uma Mulher consagrada em Deus, confio as mulheres leigas e religiosas. (…) Para elas peço a alegria de ser, como tu, esposas e mães, abundantes em oração, caridade e compaixão.”

O fanatismo como “inflexibilidade, sentimentalismo e falta de imaginação”

Livros para oferecer no Natal (II)

Texto de Eduardo Jorge Madureira

O romancista israelita Sami Michael descreveu uma viagem de táxi em que o motorista se pôs a predicar sobre quão importante era para os judeus, como ele próprio e o seu passageiro, que se matassem todos os árabes. Sami Michael escutava-o com enorme paciência e, em vez de se mostrar horrorizado e o mandar calar, decidiu perguntar-lhe quem deveria ter o encargo de matar a totalidade dos árabes. O taxista respondeu o que se lhe afigurava óbvio: “Nós! Os judeus! Temos de matá-los! É ou nós ou eles! Você não vê o que eles estão sempre a fazer-nos!” O escritor decidiu insistir na interrogação sobre quem, exactamente, deveria matar todos os árabes: “O exército? A polícia? Serão os bom­beiros? Ou os médicos de bata branca, com injecções?” O taxista, depois de uma pausa para calcular a melhor resposta, disse: “Temos de dividi-los irmãmente por cada um de nós. Cada homem judeu terá de matar uns quantos árabes”. Sami Michael prosseguiu a indagação: “Tudo bem. Digamos que você, por ser de Haifa, recebe um prédio de apartamentos em Haifa. Vai de porta em porta, toca à campainha e pergunta delicadamente aos moradores: ‘Perdão, serão por acaso árabes?’ Se a resposta for sim, dispa­ra e mata-os. Quando acaba de matar todos os árabes do seu prédio, volta para casa, mas, antes de se afastar, ouve de repente do andar mais alto o choro de um bebé. O que fazer? Voltar atrás? Subir as escadas e matar o bebé? Sim ou não?” Depois de um demorado silêncio, o taxista responde a Sami Michael: “Escute, senhor, você é uma pessoa muito cruel!”
A história é contada pelo escritor israelita Amos Oz no livro Caros fanáticos. Fé, fanatismo e convivência no século XXI como exemplo da confusão que prevalece no espírito de um fanático: “uma combinação de inflexibilidade, de sentimentalismo e de falta de imaginação”. Para Amos Oz, que é também um militante pela paz, Sami Michael conseguiu, ao trazer o bebé para a história, confundir o motorista de táxi, tocando-lhe na “corda emocional”. O episódio oferece também uma, ainda que ténue, esperança, uma vez que, como escreve Amos Oz, ao se ser instado a imaginar os detalhes do horror de que se faz a apologia, emerge um embaraço que é “uma pequena brecha súbita no muro da inflexibilidade fanática”.

sábado, 8 de dezembro de 2018

Matança

Texto de Leonor Xavier


O rio Amazonas nos arredores de Manaus: um infinito de medida na surpresa, 
nos acontecimentos, nas emoções” (foto © António Marujo)

Menos de um ano antes do Sínodo Pan-Amazónico se realizar e a poucas semanas da tomada de posse de Jair Bolsonaro como Presidente do Brasil, a estratégia política do Governo brasileiro para a Amazónia é preocupante. Pareceu-me útil retomar o tema, relendo o artigo de opinião que há um ano escrevi para o Jornal Público.  

O Brasil é infinito de medida na surpresa, nos acontecimentos, nas emoções. E já que o tema corrupção pouco abala a opinião pública, retomo a saga da Floresta Amazónica e da governação de Michel Temer, mais ainda agora contestada pela recente decisão de abrir à exploração de mineradoras multinacionais uma área de cerca de 50 mil km2, onde existem reservas indígenas e ambientais, onde há ouro, cobre, manganês, ferro. 
Neste Brasil sempre inesperado e pasmoso, até hoje se revelam comunidades indígenas nunca vistas. Ainda se confrontam flechas e armas, a divisão entre vida e morte passa por um vírus de gripe, um produto tóxico, alguma substância que por má fé possa contagiar territórios onde não há defesa nem imunidade. Na demarcação das reservas indígenas, a guerra química é real, a violência é extrema. Há o conflito entre índios e garimpeiros, comprados como escravos, a trabalhar por valor de nada. Há o confronto entre as populações e os agentes ambientais, entre madeireiros, fornecedores do garimpo, fazendeiros, poderes locais. Há a disputa entre empresas, interesses e negócios políticos e privados. Háos lobbies para monopólios de mineração. Estes acontecimentos são notícia nacional quase diária, logo divulgada. A Floresta Amazónica é uma grande causa para o povo brasileiro. 
Logo que publicado o decreto do presidente Temer, as instâncias do poder em Brasília contestaram-no. A política de abertura à mineração foi interpretada por muitos analistas como uma medida contra a crise económica que tem fraturado o país. Para outros, ao invés, uma estratégia de abertura com controlo federal seria melhor do que a atual situação em que três mil garimpeiros depredam ilegalmente a natureza. Houve reações da União Europeia, dos bispos, dos ambientalistas, dos ativistas políticos, dos mais variados setores da sociedade brasileira. Na justiça federal, foi alegada desobediência à Constituição, e foram proibidas outras possíveis decisões do presidente sobre mineração. Pela Igreja Católica, bispos de nove países amazónicos declararam o decreto como antidemocrático, considerando-o uma ameaça política para o Brasil. No Congresso, deputados ambientalistas, defenderam um projeto de lei para anular tais decisões. O Ministério Público do Amapá empreendeu uma ação civil pública e declarou a extinção daquela área de Reserva como ameaça à biodiversidade e ao ambiente, como atentado contra a vida, pronto a destruir as populações e as comunidades indígenas. E na abertura do Rock in Rio, a oposição ao decreto foi proclamada pela modelo Gisele Bundchen, ativista ambiental, com convicção, firmeza e comoção.

Judaísmo: A partilha da luz no Hanukkah em Cascais

Texto, fotos e vídeo de Maria Wilton


As velas de Hanukkah: “A luz é a única coisa que, quando partilhamos, não ficamos com menos. 
Se passarmos uma chama, ficamos com duas.”

A Baía de Cascais está calma. A noite de quinta-feira, 6 de dezembro, parece outra qualquer, na hora de regressar a casa. Mas a roda gigante que ali está montada para a época do Natal celebra, hoje outra festa. No letreiro luminoso, lê-se: “Feliz Hanukkah”. 
Ali ao lado, quase escondida de quem passa, cerca de uma centena de pessoas reúne-se numa grande tenda para assinalar a quinta noite do Hanukkah, a Festa das Luzes judaica. É uma das mais importantes do calendário: durante oito dias, recorda-se a inauguração do segundo Templo de Jerusalém, depois de este ter sido profanado pelos selêucidas sírios.
A história de Hanukkah está contada no primeiro e segundo livros dos Macabeus, que integram a Bíblia judaica. Nestes está descrita em detalhe a história que originou a celebração: Em 165 a.E.C. (antes da Era Comum), o rei Antioco Epifânio queria helenizar a Síria e a Judeia, de maneira violenta. Para isso, proibia celebração do Shabat, a leitura da Bíblia e a circuncisão e mandou colocar no Tempo de Jerusalém uma estátua de Júpiter, chegando a ordenar sacrifícios com porcos.
Os israelitas revoltaram-se e Judá Macabeu liderou uma guerra de guerrilha contra a ocupação selêucida. Quando, depois da reconquista de Jerusalém, os judeus purificaram o Templo, conta-se que foi encontrado um pote com azeite para acender a chama sagrada durante um dia. Mas o azeite queimou durante oito dias.


Um judeu na cerimónia de quinta-feira: a festa assinalar a libertação da ocupação selêucida

Em memória desses acontecimentos, os judeus acendem as velas de um menorá ou hanukkiah, candelabro com nove braços. Neste, um dos braços está tipicamente elevado em relação aos restantes e essa vela, a shamashé utilizada para acender as oito restantes, uma por cada noite de Hanukkah.