O título é roubado a Hans Kung, que
esta quarta-feira comentava dessa forma no La
Repubblica a entrevista publicada na véspera pelo jornal italiano.
O director do jornal, Eugenio
Scalfari, estivera com o Papa Francisco uma semana antes. E concluía, após o
colóquio: “Este é o
Papa Francisco. Se a Igreja se tornar tal como Francisco a pensa e deseja,
teremos uma mudança de era.”
Esta nova
entrevista do Papa que nem gosta especialmente de entrevistas revela (mais do
que as frases mais mediáticas sobre a Cúria ou o Vaticano), a vontade de alguém
que insiste sobretudo em falar do que deve ser essencial na mensagem cristã – a
pessoa de Jesus. E do modo como isso deve levar os crentes a entenderem-se com
os não-crentes que, na cidade dos homens, querem uma outra forma de vida, com
mais espaço para todos.
A entrevista
surge no contexto da reunião que hoje termina no Vaticano, entre o Papa e os
oito cardeais por ele chamados para o novo conselho de consultores, que ele
pretende colocar a colaborar estreitamente com ele no governo da Igreja. Há
dia, em passagem por Portugal, o cardeal Seán O’Malley, arcebispo de Boston,
falava das expectativas de reforma da Igreja que esta reunião trazia – nomeadamente
em termos de uma maior colegialidade e participação.
A entrevista publicada pelo La Repubblica sucede a uma troca de
cartas entre Eugenio Scalfari e o Papa, publicada há poucas semanas pelo mesmo
jornal. Scalfari começou por questionar o Papa, numa espécie de carta aberta, sobre a questão das reformas e o Papa tomou a iniciativa de responder ao director do jornal, manifestando-lhe também a sua vontade de se
encontrar com ele.
O texto original da entrevista agora
publicada pode ser encontrado aqui.
A tradução aqui utilizada, que apenas foi sujeita a uma pequena revisão, foi
feita por Rui Pedro Vasconcelos, da Livraria Fundamentos, de Braga.