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segunda-feira, 9 de junho de 2014

“Há lobos dentro e fora da Cúria”, afirma vaticanista



        Os defensores do papa Francisco dentro da Igreja ainda não apareceram. E mais: na Cúria Romana, ou seja, a partir dos prelados que trabalham no Vaticano, está ocorrendo uma difícil batalha entre o projeto reformista do pontífice argentino e seus opositores que, com uma resistência passiva e com a inércia, fazem com que as coisas não mudem. Esta é a tese que sustenta em seu último livro, “Francesco tra i lupi” (Francisco entre os lobos, Editora Laterza), um dos mais importantes vaticanistas da Itália, Marco PolitiPoliti começou a trabalhar como jornalista vaticano em 1971, em dois grandes jornais da capital italiana: Il Messaggero e La Repubblica. Atualmente é colunista do jornal Il Fatto Quotidiano. “Francisco entre os lobos” é seu oitavo livro, todos relacionados com sua experiência vaticana.
Na entrevista, Politi mencionou vários dos ásperos assuntos com os quais Francisco precisa lidar cotidianamente e a respeito dos problemas de segurança que pode enfrentar. No livro, cita declarações do juiz antimáfia da Calábria, Nicola Gratteri, que disse: “A máfia financeira foi perturbada em seus tráficos por um pontífice que rema contra o luxo, é coerente, é credível (...). Se os mafiosos pudessem lhe dar uma rasteira, acredito que não hesitariam (...). Não sei se a criminalidade organizada está em condições de fazer algo, mas certamente está refletindo sobre o assunto. Pode ser muito perigoso”.
A entrevista é de Elena Llorente, publicada por Página/12, 03-06-2014. A tradução é do Cepat e foi publicada há dias pela Newsletter do Instituto Humanitas da Unisinos, Brasil.

Eis a entrevista:

Quem são os “lobos” de seu livro?
Os lobos são os adversários do papa Francisco na Cúria e fora da Cúria, mas também no mundo econômico, sobretudo quando aponta seu dedo em nível global contra as injustiças da gestão da economia. Ele não é contra a economia de mercado, mas ataca a gestão dessa economia, sobretudo financeira. Todos aplaudem, mas ninguém dá um passo. Há uma forte resistência passiva ao Papa, no campo econômico, em razão das mudanças que está fazendo na estrutura econômica da Santa Sé, entre outros no IOR, o banco vaticano. Na Itália, há uma série de entrelaçamentos entre monsenhores e gente de negócios, inclusive ex-membros dos serviços secretos. Um caso foi o de monsenhor Scarano(hoje preso), que tentou carregar 20 milhões de euros ilegalmente da Suíça, em um avião. Quem pilotava o avião era um ex-membro dos serviços secretos.

No livro, você menciona as palavras do juiz Gratteri. Pensa que seria possível um atentado contra Francisco?
Francisco está tocando grandes interesses e o alerta de Gratteri é muito sério. O Papa não quer medidas de segurança especiais. Decidiu encomendar-se completamente à Providência. A gendarmaria vaticana está aterrorizada pelo fato de que beba, como se não fosse nada, de um recipiente que alguém do público lhe oferece durante suas audiências gerais.

Quem são os “lobos” em nível religioso?